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JUS SPERNIANDI - Ilton C. Dellandréa


A MORTE E A MORTE DE MICHAEL JACKSON

Michael Jackson morreu!

Como se isto não bastasse, estão rebuscando os mistérios – assim solenemente anunciados – que cercam sua causa mortis como se alguém, que não ele nem a própria condição humana, fosse culpado. Chega a ser insana essa obsessão em procurar algum culpado sempre que uma celebridade tenha morte mais ou menos repentina.

Inicialmente, especulou-se que seu médico particular teria aplicado uma dose muito forte de Demeral, da qual era dependente, e que isto poderia ter ocasionado a morte.

Hoje, a perspectiva mudou um pouco. O médico apresentou-se à Polícia, prestou declarações, foi liberado e é considerado apenas testemunha.

Ele pode até viajar, surpreendeu a Globo com uma indisfarçada incredulidade. Sábado, outro repórter da emissora falando diretamente dos EUA informara que o corpo do astro pop estava no necrotério e que sairia dali pelo mesmo lugar por onde saem todos os corpos. Achei a informação muito relevante. O padrão Globo de qualidade é insuperável.

Nunca fui fã de Michael Jackson e tenho até dúvidas sobre confetes que estão jogando sobre sua obra. O fato de o disco Thriller ser o mais vendido na história musical, por exemplo. Pelo que sei, embora não com certeza, ele conseguiu desbancar temporariamente a Pink Floyd com o seu Dark Side of the Moon, embora agora, com sua morte, as vendas de seu álbum certamente serão incrementadas e talvez ultrapassem, ou voltem a ultrapassar, as daquele.

Também não considero, obviamente, o perdão tácito e remorsal pelas críticas que lhe foram lançadas em vida (como aquela exposição algo imprudente do filho pequeno numa janela de um hotel de Berlim). Mesmo assim acho que ele não merece essa imprensa carnívora e sangrenta se debruçando sobre sua morte, ainda que para satisfazer a avidez do público por notícias escabrosas e detalhes mórbidos que não interessam, ou não deviam interessar, a ninguém mais.

Ele nem foi enterrado e já estão exumando seu cadáver físico e espiritual para revolver todas as circunstâncias sórdidas e não sórdidas que rodeiam sua morte, como costuma ocorrer na morte de uma pessoa famosa.

Em todos os casos, teve mais sorte que Farrah Fawcett, a atriz bonita e vistosa, não muito talentosa, que morreu no mesmo dia. Ela, assim que se descobriu que padecia de câncer, foi antropofagicamente perseguida por paparazzi ávidos por flagrá-la em algum instantâneo que revelasse a dor, a desfiguração do rosto, as consequencias do tratamento ou algum detalhe digno de ser publicado num daqueles odiosos tablóides londrinos, especialistas em explorar a miséria humana.

Ela chegou a afirmar, na época, que os paparazzi eram mais malignos que a doença que sofria. Naturalmente que não adiantou nada.



Escrito por Ilton: às 15:55
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NOVA DUPLA SERTANEJA

Vocês ouviram o Galvão Bueno berrando nos dois últimos gols da seleção, ontem? Desafinou com o padrão Globo de qualidade. Seus gritos foram esganiçados e sujos, a autêntica voz de taquara rachada.

Ele, com essa demonstração inequívoca de sujeira na voz, está definitivamente qualificado a interpretar com muito sucesso músicas sertanejas. Talvez, com o Luciano do Valle, devesse formar uma dupla: Galvão e Luciano soa bem...



Escrito por Ilton: às 15:46
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NÃO PRENDER PARA NÃO ULTRAJAR

Há alguns dias aproximadamente setenta juízes de varas de execuções criminais do Rio Grande do Sul se reuniram e, após três horas de deliberação, decidiram que réus condenados que responderam ao processo em liberdade não serão presos nas comarcas em que há superlotação dos presídios, até que sejam criadas novas vagas.

Para evitar que bandidos perigosos fiquem soltos, a medida não beneficiará quem for condenado por crimes hediondos, como estupro, sequestro e homicídio qualificado – segundo publicou Zero Hora na ocasião.

Visitei, uma única vez e porque era minha obrigação de juiz, o presídio de Iraí. De surpresa. Havia no máximo cinco ou seis presidiários. Um deles se aligeirou e preparou um café num bule enegrecido pela fuligem, usando um fogareiro para esquentar a água, e me serviu na melhor xícara: amarelada, encardida e trincada.

Detesto café, principalmente preto. Com 95% por cento de leite com 90% menos de lactose e 47 gotas do adoçante Stevia, ainda vai. Os que me conhecem sabem disso. Repugna-me o cheiro, o sabor e as conseqüências gástricas do café preto. Mas naquele dia esperei esfriar um pouco e tomei. Até sorri, agradecendo. Só não aceitei repetir.

Saí de lá sentindo um aperto no peito e por uns dois ou três meses não julguei processos crimes, só cíveis.

É degradante ver homens enjaulados! Nosso sistema carcerário é cruel e não oferece perspectivas. Em Iraí eles eram bem tratados e viviam em condições que podiam ser consideradas excepcionais em comparação com o que se vê pela televisão na cobertura de motins e rebeliões ou nas reportagens sobre a realidade carcerária atualmente.  

As prisões estão superlotadas. Tem condenado saindo pelo ladrão – a comparação é proposital –, as celas recebem o triplo de sua capacidade e os presos são literalmente empilhados. O pior é que se forem cumpridos os mandados de prisão pendentes por este Brasil afora será uma calamidade. Terão que transformar as dependências do Congresso em penitenciária e acomodar mais larápios lá. Também em outros palácios planaltinos. E não vai ser suficiente. Ainda que os ladrões de lá sejam expulsos, vai faltar vaga.

A carência de presídios é antiga, antes mesmo da era Lula. Em 1984, sob a batuta do ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel, afrouxou-se o sistema prisional e facilitou-se a soltura de presos, reduzindo-se consideravelmente o tempo prisão para obtenção de benefícios de liberdade condicional, substituindo-se penas por prestação de serviços e multa, com a finalidade confessada – e nunca rebatida nem criticada – de desafogar os presídios.

Essa a solução governamental: descriminalizar condutas, criar sanções alternativas mesmo para crimes graves, minimizar o sentido de castigo e recuperação das penas, para evitar a prisão. Mas as condenações continuam.

Há quem diga que a posição dos juízes gaúchos consagra a impunidade. Não acho. A decisão é de juízes de varas de execução criminais, encarregadas da administração da pena dos réus condenados, ou seja, legalmente punidos. A prisão é o exaurimento da punição, é a concreção da medida punitiva definida na sentença.

Nenhuma lei no Brasil prevê a perda da dignidade humana como pena. Por isto os juízes gaúchos estão certos.

O papel do Judiciário é julgar e, se for o caso, condenar. Mas cabe ao Executivo propiciar os meios físicos de cumprimento da pena. O juiz administra a vida carcerária do condenado, velando para que a pena seja cumprida de acordo com o fixado na sentença e com as disposições legais.

Mas a pena, necessariamente, deverá ser cumprida em local adequado que permita condições mínimas do simples direito de estar, e propiciar a recuperação e ressocialização do preso.

Caso contrário, a própria pena perde sua finalidade principal. E ao juiz cabe velar para que isto não ocorra. Ainda que mal impressione a opinião pública.



Escrito por Ilton: às 15:01
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POSTANDO NADA, NOVAMENTE!

Ontem não postei nada. É bom avisar. Afinal, alguém pode não ter percebido. Embora escreva nada com muita frequência, mesmo quando posto alguma coisa, há uma diferença formal: quando posto, pelo menos há vocábulos acolherados na página do blogue, ainda que não expressem nada.

O dia não convidava a escrever. Estava magnífico! Principalmente aqui no recanto onde moro. Começou, logo de manhã uma garoazinha, bem fininha, que aos poucos foi se encorpando e se transformando em chuva. Uma chuva mansa, sem vento nem trovões, batendo no telhado. Pude ouvi-la com plenitude, porque era o ruído mais saliente num raio de pelo menos um quilômetro. Duas chaleiras chiando na chapa do fogão não atrapalhavam absolutamente nada. Soltei uma gargalhada quando pensei que os ônibus do Fogaça estão a 500 quilômetros de distância. Ah, ah, ah, ah, ah!

 

Gosto de dias chuvosos, daqueles cinzentos com uma chuva mansa batendo no telhado, trazendo paz e tranqüilidade. Pode até cair uns raios e troar uns trovões, de vez em quando, que não faz mal.

Mesmo assim, pela primeira vez, senti saudades de Porto Alegre. É que lá tenho meu aparato preparado para dias como esses. Acendo a lareira, sento defronte ao notebook na lapetable Asys, ligo a televisão, sintonizo no canal 25 que transmite as três câmeras de vigilância assestadas para pontos estratégicos ao redor da casa e fico apreciando a chuva.

Gosto da tecnologia. Ela me permite visualizar a chuva ao redor da minha casa de três janelas diferentes, de modo alternado, sem que seja preciso eu mudar de lugar. Tenho uma ampla visão exterior. É bom se sentir assim, a lareira acesa, defronte ao micro e apreciando a chuva que cai lá fora pela tela da tevê... De vez em quando uma espiadela básica no fogo.

Concordo que é um meio estranho de apreciar a natureza. Diriam que é melhor fazê-lo ao vivo ou, pelo menos, através da vidraça. Claro que isto também tem atrativos. Mas apresenta inconvenientes, principalmente como o correr de uma janela para a outra para ter a mesma visão. Então, admiro pela janela que é a tevê. A natureza, muitas vezes, é mais bonita e colorida numa imagem do que ao vivo. Ainda que ligeiramente alterada pela mão humana. Principalmente quando ao vivo faz frio e chove. Vejam nas fotos que espalhei pelo post se não estou certo...

Aqui em Rio do Sul não tenho lareira nem câmeras de vigilância, ainda. Mas tenho um forno-fogão imenso que esquenta mais que as lareiras de Porto Alegre. O inconveniente é que não posso ver e apreciar o fogo. Câmeras de vigilância, pretendo instalar logo umas cinco. Não que aqui seja necessário, ao menos por motivos de segurança. Mas para poder apreciar a natureza pela tela da tevê em cinco panoramas diversos, já que a natureza aqui é mais bonita do que a de Porto Alegre.

 

A chuva está continuando. Ouço-a, apenas, porque ainda está escuro lá fora. Outro dia como o de ontem, que inspira a fazer nada, talvez ver um filme... E, principalmente, não permite que se perca tempo escrevendo besteiras sobre o nosso dia-a-dia, sobre política, sobre crises, sobre o Senado, sobre Lula...

Então tá!

 



Escrito por Ilton: às 10:27
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CAPARAM O JORNALISMO

A semana passada marcou o sepultamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do diploma de jornalismo. Pelo que entendi, ele não é mais necessário para o exercício da profissão de jornalista profissional, como é, por exemplo, o diploma de bacharel em Direito para a advocacia e prestação de concurso para magistrado e outros cargos da área.

Não vou analisar o aspecto jurídico da decisão. Não tenho mais estômago nem coração para enfrentar discussões emergentes, na maioria das vezes, da vaidade de juízes sob floreada argumentação prenhe de citações de juristas estrangeiros, principalmente franceses, italianos e alemães, utilizadas para demonstrar que a água é vinho e que o vinho, afinal, é água. Ou para decidir que para ser mestre-cuca não é preciso ter diploma universitário. No Rio Grande do Sul, para ser castrador profissional, também não.

O Jornalismo é multifacetário e deve se ocupar de todos os assuntos que cercam e compõem nossa vida: Economia, Direito, Medicina, Física e derivações. Não se pode esquecer do Esporte, eficaz trampolim para repórteres alçarem voos mais elevados na condução de programas de entrevistas em que se resolvem instantaneamente todos os problemas do mundo.

Essa multiplicidade de facetas impossibilita a um jornalista dominar por completo os assuntos derivados e abordá-los com absoluta propriedade. Para falar de Economia, nada melhor (ou pior) do que um economista. Idem quanto ao Direito, à Medicina, etc. O problema é que os profissionais destes ramos usam jargões técnicos incompreensíveis e aí seria, no meu modo de ver, importante o papel do jornalista: traduzir, por exemplo, o que um juiz quis dizer quando disse alguma coisa, o que nem sempre é fácil de entender. Aliás, na maioria das vezes, nem é bom entender.

Mesmo assim se exigiria especialização nessas áreas. A formação, hoje, é ineficiente e produz besteiras como dizer que o juiz deu um parecer (juiz não dá parecer, decide) ou que o juiz pediu a prisão preventiva de um réu (juiz não pede, decreta, embora, ultimamente, principalmente no segundo grau e no STF, concede habeas corpus e revoga prisões preventivas).

Tirando este aspecto facilmente vencível com a especialização, nada obstaria a manutenção do diploma. Os juízes também, em princípio, face à diversidade de ações que lhes cabe julgar (e cada ação, ainda por cima, pode lhe trazer vários aspectos fora do campo jurídico), deveria conhecer todos os ramos das ciências humanas e desumanas para o mister.

Não é assim. O juiz se louva, quando preciso, em peritos e técnicos para fundamentar suas decisões. O jornalismo não é muito diferente. O jornalista não deixa de ser um juiz da matéria que lhe cabe repercutir. E pelo menos para as matérias eminentemente jornalísticas deveria ser mantido o diploma.

A decisão do Supremo vai contra os princípios modernos e racionais da especialização. Parece não parar por aí. O ministro Gilmar Mendes, que aprecia a imprensa, principalmente seus holofotes, já anuncia, segundo captei do De Olho na Capital:

A decisão vai suscitar debate sobre a desregulamentação de outras profissões. O tribunal vai ser coerente e dirá que essas profissões podem ser exercidas sem o diploma.” Há, segundo o ministro, vários projetos sobre o tema no Congresso que, se chegarem ao STF, terão a mesma interpretação dada à obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Em nome da coerência, quanto menos se exigir, mais fácil o acesso. Para ser juiz, por exemplo, é necessário ser aprovado em concurso público; para ser ministro do STF basta a indicação do presidente da República, uma conversa de compadres com o Congresso, e o cidadão com notável saber jurídico – seja lá o que isto signifique – é alçado à posição de magistrado da mais alta Corte da Justiça do país.



Escrito por Ilton: às 16:27
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ATÉ ONDE VAI A NOSSA DEGRADAÇÃO?

A vida dos brasileiros é sui generis. O mensalão, que todos trataram como uma contribuição extrassalarial aos deputados para aprovar projetos de interesse do Governo, não era só isto. Era, na verdade, um gorjetão pontual, contemplando parlamentares notória ou aparentemente contra projetos contrários aos interesses dos cidadãos ou de determinado segmento social. Na votação, mudavam seu entendimento de forma aparentemente inexplicável.

O cooptação dos deputados caracteriza-se — pois ainda existe — pelo toma-lá-dá-cá arrojadamente reinaugurado por FHC (é instituição antiga de nossa vida político-administrativa) e com tanto ou mais arrojo aperfeiçoado por Lula e asseclas.

A forma atual é a inclusão de oposicionistas em cargos administrativos para formar a base de sustentação política do Governo no Congresso.

A filosofia é, religiosamente, a do é dando que se recebe. Negociamos a nomeação de membros de seu partido no meu Governo em troca da aprovação dos meus projetos. Tudo, é claro, em nome da governabilidade.

Na eleição de Lula o troca tudo por dinheiro assumiu sua forma mais odiosa. O candidato-presidente-sem-se-desincompatibilizar distribuiu esmolas através de planos salvadores da pátria, como o bolsa-família e o bolsa-escola, em troca da eleição. Mascarou-se a deficiência administrativa com a compra imoral de votos com base em lei criada em proveito próprio.

Foi uma espécie de prostituição política e este governo é pródigo em medidas prostitutivas. O brasileiro aceita tudo o que lhe dá lucro, não importa o sentido nem o objetivo. Somos muito conscientes. Claro, é bom repetir, em nome da governabilidade.

Engana-se quem imagina que esse comportamento, abrangendo quase a totalidade da nossa vida social, parasse no âmbito dos adultos de qualquer crença ou raça. Não! Os governantes são malignos. Corrompem menores em nome de uma boa intenção deles.

Lula faz, literalmente, escola, superando os mestres e corrompendo inclusive infantes. Em maio de 2007 anunciou a premiação em dinheiro de alunos da escola pública, da 5.ª à 8.ª séries, pobres, que não fossem reprovados. Você passa de ano e eu lhe pago. Falei sobre isto aqui.

Agora a sanha governamental lança seus tentáculos luláticos em mais um rumo de nossa atividade. Hoje, no programa Café com o Presidente, Lula anunciou que vai pagar R$ 100,00 por mês aos agricultores que exercerem atividades protetivas do meio ambiente na Amazônia.

Paga-se para observar a lei e regras de moral. Naturalmente que os objetivos são eleitoreiros, pois é assim que Lula constrói sua base eleitoral: através de esmolas consubstanciadas em bolsas de todas as espécies.

Os motoristas que não bebem deveriam pleitear o mesmo direito, por uma questão de equidade. Se eu não dirijo embriagado o governo deve me pagar por contribuir para a redução, ainda que hipotética, dos acidentes nas rodovias. Mas Lula et caterva não são bobos. Quem tem carro tem poder aquisitivo, integra a elite inimiga e não se vende por um prato de comida. Além do mais, paga multas de trânsito e tributos para ajudar na compra de votos dos pobres. Deixa eles quieto!

Meu Deus! Em que nível a escumalha está nos colocando. Não pode haver degradação maior para uma Nação do que ter seus cidadãos pagos para cumprir deveres simples e naturais. É a corrupção levada a extremos.

Sílvio Santos, no seu topa tudo por dinheiro, demonstra mais dignidade. Nas próximas eleições, votarei nele, se ele se candidatar.



Escrito por Ilton: às 15:24
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LULA, O VIANDANTE

No post de ontem, sobre a PEC de reeleição de Lula, mencionei que ele, vivaldinamente, diz que não aceita a reeleição. Acredite se quiser!

Pois não é que nem ele acredita! Segundo a notinha acima, escaneada da IstoÉ de 17/06/2009, página 31, ele já sente falta do Planalto. Não sei como é possível alguém sentir saudade de um lugar onde nunca esteve.

Lula, todos sabem, é o único presidente de um país que mora no Exterior. A prova definitiva disto foi dada em 20/10/2007 quando ele, que estava na África, foi representado no enterro do ex-ministro José Aparecido pelo – acreditem – Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Naquela vez escrevi:

Está tudo de acordo com o atualizado cerimonial palaciano brasileiro, devidamente adequado às regras de conduta de nossos desgovernantes. Afinal, se o presidente mora no Exterior, somos, para ele, estrangeiros. E nada mais apropriado do que ele ser representado aqui pelo Ministro das Relações Exteriores.

Então Lula pode estar sentindo falta de muita coisa, mas não propriamente do Planalto. Talvez, em relação a este, sinta algum remorso. Mas está com saudades antecipadas das viagens ao Exterior, a bordo do luxuoso Aerolula que ele comprou para brincar de cavaleiro andante (no caso, volante).

Os defensores de Lula dizem que estas viagens são importantes para incrementar os negócios do Brasil no Exterior e equilibrar a nossa balança comercial. Neste mister ele, em fevereiro de 2008, esteve no Pólo Sul e encetou importantes contatos com os pingüins. Conseguiu manter equilibrada nossa balança comercial com eles: nada nos compram nem nada deles importamos. Sem dúvida, uma das mais importantes conquistas internacionais do seu governo.

O normal, no mundo moderno, é os governantes delegarem ao Ministério e Relações Exteriores a função representativa do Estado perante outros. Lula faz ao contrário: usurpou o posto de ministro de relações exteriores e delega poderes à uma troupe encarregada da administração do país. E manda o ministro de Relações Exteriores representá-lo em solenidades internas...

Essa atividade extraordinária, que em países sérios poderiam provocar protestos mais eficientes, entre nós é aceito normalmente como se o chefão tivesse o direito de fazer turismo e nós a obrigação de pagar a conta. E se fosse no tempo do Fernando Henrique?

Bem. Na verdade, FHC foi precursor do sistema turístico internacional presidencial em larga escala, aperfeiçoado por Lula (aliás, Lula aperfeiçoou a maioria dos defeitos de Fernando Henrique, principalmente o da compra de votos para aprovação de projetos de interesse do governo, rebatizado de mensalão).

Pois em fevereiro de 1997 FHC, viajava muito e se encontrou com o Papa João Paulo II pela segunda vez.

A Ieda enviou uns versinhos que foram publicados por VEJA:

Finalmente se encontraram

(como é pequeno este Mundo)

os dois viajores maiores:

Fernando Henrique Primeiro

e João Paulo Segundo.

Hoje as atividades voejantes de Lula são tão vulgares que perderam seu efeito inspirador. Ninguém se importa com elas. Ninguém mais se importa em pagar a conta pelo deslumbre do babaquara nas cortes estrangeiras.

Só eu ainda perco tempo escrevendo estas besteiras que não produzirão efeito nenhum.



Escrito por Ilton: às 15:01
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LULA CONTINUA LULANDO

Nunca qualifiquei o Lula de ignorante. Não que o ache inteligente, culto ou sábio, muito pelo contrário. Mas sempre tive respeito por sua posição de presidente do Brasil, de magistrado máximo da Nação, e só essas qualificações impedem de achincalhá-lo como mereceria se fosse um mortal de minhas relações.

Mas numa das vezes que ele ultrapassou os limites do bom senso, com suas piadas (piadas?) infames, desabafei e sugeri que os leitores lessem Fernando Pessoa. Foi lá em 24/06/2005: Estou tentando fugir do desabafo que me aperta o gogó. Não dá! Esse nosso presidente é tão ridículo nos seus improvisos, suas piadinhas são tão sem graça (embora tenha uma claque de puxassacos que o incentivam soltando risinhos forçados) que dá vontade de chorar.

Depois o João Ubaldo Ribeiro, em entrevista à Veja de 18/05/2005, me confortou: O brasileiro é tão subserviente que, quando alguém chama Lula de ignorante – o que é uma verdade –, diz-se que o presidente está sendo desrespeitado.

O fato de eu concordar não justifica que tome o mesmo rumo. Não vou chamá-lo de ignorante, ainda que o seja e o evidencie a cada dia. Não votei no Lula, não voto no Lula nem nunca votarei no Lula. Essa a minha vingança particular e desvalorizada pelos votos de milhões que acham que para governar um país não é preciso ter pelo menos estudo superior (para ser escrivão judicial ou delegado de polícia, precisa). Não votaria no Lula nem para Síndico do meu prédio, se eu residisse em condomínio. Você votaria?

Nem gosto de falar nele. O melhor que se pode fazer, em casos como este, é esquecer-se do objeto de nossa decepção, para que soframos o menos possível. Mas há certas coisas que não se pode ignorar. Um pernilongo, por exemplo. Ou uma mosca, como aquela que importunou Barack Obama na entrevista veiculada ontem em todos os telejornais. (Obama acertou na mosca).

Lula também continua seu périplo rasteiro e megalômano. Está, para variar, no Exterior, às nossas custas, dizendo besteiras. Numa foi internacional e solenemente desmentido: quando afirmou que a França assumiria o pagamento das indenizações das vítimas no acidente do avião da Air France.

Poderá se dizer que Lula não entende a língua francesa. Tudo bem. Isto seria perdoável. Mas estes encontros contam, sempre, com intérpretes e Lula recebeu a mensagem em Português. O problema é que ele não entende a língua portuguesa.

Ontem ele defendeu José Sarney no caso dos atos secretos. Acusou de denuncistas os que pretendem descobrir a verdade e disse que Sarney, por sua história, merece tratamento diferenciado. Então está de acordo com a tese de cumprimento antecipado de pena, objeto do meu último post.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o ato falho consistente na assertiva de que as denúncias não têm fim, e depois não acontece nada.

Ainda bem, né Lula, ainda bem! 



Escrito por Ilton: às 16:22
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O MARIMBONDO DE FOGO

José Sarney é um mau comediante. É bizantino. Sua performance, ontem, no Senado, defendendo-se das acusações de responsabilidade – vamos lá, de co-responsabilidade, pois à época de muitos fatos ele não era ainda presidente do Senado – pelos atos secretos que nomearam parentes de políticos para cargos no Congresso, aumentaram salários e determinaram o pagamento de horas extras às escondidas para não chamar a atenção da Imprensa, foi ridícula. Parecia um marimbondo. De fogo!

Em defesa, ele avocou a qualidade de homem público que há cinquenta anos presta relevantes serviços à nação. Entende, como bom caudilho, que por isto não poderia ser alvo das acusações. Invocou, também, o fato de ter uma família bem formada como empecilho às acusações.

Que a família é bem formada, não se duvida. Tem um filho deputado, uma filha governadora, e até há pouco tinha um neto e uma sobrinha lotados no Congresso. Estes dois últimos, por atos secretos.

Sarney pretende que suas qualidades pessoais, os serviços prestados à pátria e a conformação familiar tenham o poder de tornar injustas as acusações, ainda que tenha culpa no cartório. Dá para entender por que a bem formada família Sarney domina o Maranhão? Lá, o povo acredita nisto.

Eles acreditam que painho só prestou bons serviços, desprendidamente, e que por isto pode até matar seu vizinho por motivo fútil que não deverá ser processado. Principalmente se o vizinho for um adversário político. É o culto ao coronelismo trocado por pequenos favores que transmitem ao eleitor a idéia de que se está diante de uma excelente pessoa, de um ser superior, um demiurgo acima de qualquer suspeita.

Surge aí uma nova tese jurídica: o da absolvição por pena previamente cumprida. Quando o réu provar que prestou serviços relevantes à nação, transforme-se estes serviços em cestas básicas e se extinga a punibilidade pelo cumprimento da pena antes mesmo do cometimento do crime.

Nessa linha, Sarney tem razão. Ele e família compraram impunidade até a quinta geração. A distribuição das cestas básicas, ainda que em tempo de eleições e com objetivos eleitoreiros e imediatos, já foi feita e ele e descendentes poderão fazer uma conta de chegada: cumpriram penas antecipadamente.

Talvez por isto Sarney seja um eterno absolvido pela irregularidade eleitoral de ser senador pelo Amapá tendo domicílio no Maranhão, coisa que todo mundo sabe, talvez menos ele, sua bem formada família e a Justiça Eleitoral.

Você, leitor, pode, desde já, anotar suas doações a instituições públicas, seus serviços comunitários, o dízimo pago à sua igreja, e tudo o que já fez de bem em prol da vizinha viúva ou do vizinho traído (nem que seja por você mesmo), numa cadernetinha, tipo aquelas dos armazéns de antigamente. Se, porventura, cometer um crime, poderá apresentá-la ao juiz e reclamar:

– Como o Sarney já paguei pelo meu crime. Exijo minha ficha limpa. Olha a minha lista de bem-fazeres. Minha família é muito bem formada. É um abuso uma pessoa de boa índole como eu ser processado. É uma falta de consideração. Definitivamente, não existe justiça neste país.

Aliás, nem sei se é preciso. Se essa proposição marimbondal for levada às últimas consequências chegaremos à judiciosa conclusão de que o brasileiro paga tanto imposto que tem salvo-conduto para praticar centenas de crimes.

É até possível que nossas autoridades sejam mais sábias do que supomos e consideram isto para minimizar condutas. Por isto, talvez, a impunidade seja tão grande nesta nossa combalida pátria.



Escrito por Ilton: às 14:07
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ESSES GAYS SÃO UMA PARADA

Somos, os brasileiros, uma sociedade estranha e fragmentada. Esse termo aí, entendam como quiserem. Não quis aplicá-la no sentido econômico, mas no cultural. Certos fatos sociais menores parecem tomar relevância incomum e recebem cobertura excepcional da mídia ao passo que outros, mais importantes, são escamoteados – propositalmente ou não – e relegados a um segundo plano.

Ontem os jornais televisivos matutinos, sem exceção, abriram espaço para as paradas gays que se realizaram em todo o Brasil, principalmente a de São Paulo.

É um assunto importante? O homossexualismo, sem dúvida, é. Mas essas paradas, definitivamente, não. Qual a finalidade delas? Pelo que dizem, combater o preconceito. Tenho seriíssimas dúvidas sobre sua eficácia. Parece um pretexto para realizar um carnaval fora de época, para uma festa pública num local que acomoda uma multidão protegida pela polícia. Foram escalados mil policiais militares para a segurança da Parada Gay em São Paulo.

O MST também faz esse tipo de manifestação, embora menos festivo. Faz 20 anos que começou e, até agora, sua situação não foi resolvida. Uma vez quatro ou cinco deles, com seus instrumentos de trabalho (enxadas e foices bem afiadas) degolaram um PM na Rua da Praia, em Porto Alegre. Sua manifestação daquele dia foi amplamente divulgada.

Você sabia que os agressores foram condenados por homicídio? Não? Mas foram. Faz tempo. Por aquele crime já estão, seguramente, livres. Essa decisão importante não mereceu destaque na mídia.

Voltemos à parada gay.

E se fizermos uma parada macha, isto é, de heterossexuais? Como seria? Quem participaria dela? Qual seria o apoio midiático?

Um fiasco. Eu mesmo não participaria. Para quê?

Não sinto vergonha de minha condição de não-gay, mas parece que é isto que querem fazer com que eu sinta. Não se busca apenas a luta contra o preconceito. Isto é pretexto baleloso. Além da festa vejo, talvez com olhos equivocados, que se busca publicidade a essa condição humana e, com ela, tentar convencer de que ser gay é normal.

Desculpem os que se ofenderem, mas não acho. Se fosse normal esse tipo de manifestação seria completamente desnecessário.

O que deve ser considerado é que nem tudo o que é comum é normal. Gays existem, nada contra eles, mas são pessoas que sexual e biologicamente se põem fora da linha da normalidade da natureza humana. Eu disse sexual e biologicamente, sem entrar no campo das emoções e dos sentimentos. Cada um ama quem seu íntimo determina e esta opção, por certo, não é arbitrária, mas emerge de condições particulares e próprias. Muitos sofrem exatamente por isto.

O normal é a união entre seres de gênero diferente. Há que haver o conúbio entre macho e fêmea para a perpetuação da espécie. Disto não se escapa nem a pau (ops!).

Então esse tipo de festa alegre dos alegres, às vezes exagerada, parece mais ser uma tentativa de se aceitar, de se sentir bem, de se convencer de suas condições junto de seus pares, de confraternização entre iguais do que propriamente luta contra preconceitos. Enquanto for realmente isto, é bom.

Mas quando descamba para a tentativa de demonstrar qualidades que não existem, que são todos felizes e que é melhor ser gay do que hetero, não tem validade. É apenas uma tentativa de auto-afirmação, ainda que coletiva.

A normalidade não precisa de manifestações extraordinárias para se firmar como tal. Elas só acentuam diferenças.



Escrito por Ilton: às 14:57
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