NOSSO TRISTE PALHAÇO

Lula continua fazendo palhaçadas sem graça. Tenho dó dos verdadeiros palhaços, daqueles que num picadeiro de circo se esforçam para arrancar pelo menos um sorriso da platéia e, muita vez, não conseguem. Eles vivem disso.
Lula tem platéia cativa. É dono do circo, mestre de cerimônias e o péssimo palhaço sempre sabujamente aplaudido.
Estou cansado de abordar o assunto. Falei outras vezes, mas ele não lê o blog. Há um tempo uma Marisa deixava de vez em quando um pitaco. Pensei que fosse a primeira-dama. Descobri que era minha irmã quando ela se queixou, indignada, da comparação e prometeu não ler mais o blog se eu continuasse com a brincadeira.
A graça de Lula me entristece. Não tenho ânimo de criticá-lo. Mas ele é tão produtivo no seu besteirol que ignorá-lo é confessar, em termos, falta de atenção. Já que me falta ânimo, vou escrever desanimado mesmo.
Elas se referem à gloriosa eleição do Brasil para sediar a Copa de 2014. Gloriosa porque o Brasil competiu com... Desculpem, é gloriosa porque, mesmo competindo apenas consigo, conseguiu não ser descartado. Acho que aí tem coisa. Ninguém quis, sobrou para nós. Fica aquela perguntinha que não quer calar: por que outros não se interessaram?
Mas voltemos, desanimadamente, ao palhaço sem graça. Na cerimônia em que o Brasil foi eleito ele disse, primeiro, que o Brasil vai cumprir o seu dever de casa. Depois, que vamos organizar uma copa espetacular, para argentino nenhum botar defeito.
O fazer o dever de casa significa uma genuflexão aos interesses de alguma potência mundial ou — vá lá — aos caprichos petrolíferos de um Evo Morales, para quem o Brasil já baixou as calças? Não! Caímos abaixo desse nível. O dever de casa, aqui, é o passado pela FIFA, organismo que controla o futebol no mundo. É a ela que apresentaremos a lição feita para ganharmos um diploma. Até se entende. O Brasil é o país do futebol. Nada de mais abrirmos às pernas para o organismo que o controla e cujo embaixador no Brasil é a figura suspeitíssima de Ricardo Teixeira — e falo suspeitíssima porque, desanimado, a melancolia reprime assomos mais rancorosos que comumente dirijo à bandidagem.
E a afirmativa para argentino nenhum botar defeito? Nem abordo a deselegância de um chefe de Estado referir-se assim, ainda que de brincadeira de mau-gosto, a outra Nação. Elegância não se pode esperar de nossa família real. Mas, sabe-se, a Argentina atravessa uma crise e tem consciência disto. Nem se candidatou. Certamente seus governantes têm autocrítica e enxergam problemas mais sérios a resolver. Então a comparação fica muito mal. Feio para a nossa cara.
Não seria melhor dizer para alemão nenhum botar defeito, pois a última copa foi lá? Ou referir os americanos, os franceses, os japoneses e coreanos?
A Argentina não tem como avaliar nossas condições. Os americanos, alemães, franceses e japoneses e coreanos sim, estão habilitados. Mas nosso chefe de Estado é, digamos, meio covarde e já demonstrou isto com Morales e Chávez.
Estou, agora, além de cansado, triste e desanimado, profundamente receoso. Esta copa vai dar merda — para usar um jargão jornalístico não muito propalado.
Escrito por Ilton: às 15:14
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SUBMETENDO E DOMESTICANDO O POVO

Contrariando o que disse no post anterior (de que gosto de dar meus pitacos nos assuntos que abordo) hoje me limito a transcrever um e-mail com um texto muito interessante, enviado pelo Sídnei.
Continuo coerente pois, todos sabem, minha coerência é exatamente a incoerência.
Tentei descobrir o autor do texto. O Sídnei respondeu: Infelizmente, não sei. Mas creio que uma frase do tipo "tentei descobrir o autor mas não consegui, então publico presumindo sua licença" no blog, resolve o teu problema. Então, segue:
Escrito por Ilton: às 14:21
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Você sabe como capturar porcos selvagens?
Havia um professor de química em um grande colégio com alunos de intercâmbio em sua turma. Um dia, enquanto a turma estava no laboratório, o professor notou um jovem do intercâmbio que continuamente coçava as costas e se esticava como se elas doessem.
O professor perguntou ao jovem qual era o problema. O aluno respondeu que tinha uma bala alojada nas costas pois tinha sido alvejado enquanto lutava contra os comunistas de seu país nativo que estavam tentando derrubar seu governo e instalar um novo regime, um "outro mundo possível".
No meio da sua história ele olhou para o professor e fez uma estranha pergunta: "O senhor sabe como se capturam porcos selvagens?"
O professor achou que se tratava de uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem disse que não era piada.
"Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho de gratuito. Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca mas só em um lado do lugar em que eles se acostumaram a vir. Quando eles se acostumam com a cerca, ele voltam a comer o milho e você coloca um outro lado da cerca. Mais uma vez eles se acostumam e voltam a comer. Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas, começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porteira e captura o grupo todo."
"Assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade. Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito. Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios, e por isso aceitam a servidão."
O jovem então disse ao professor que era exatamente isso que ele via acontecer neste país. O governo ficava empurrando-os para o comunismo e o socialismo e espalhando o milho gratuito na forma de programas de auxílio de renda, bolsas isso e aquilo, impostos variados, estatutos de "proteção", cotas para estes e aqueles, subsídio para todo tipo de coisa, pagamentos para não plantar, programas de "bem-estar social", medicina e medicamentos "gratuitos", sempre e sempre novas leis, etc, tudo ao custo da perda contínua das liberdades, migalha a migalha.
Devemos sempre lembrar que "Não existe esse negócio de almoço grátis" e também que "não é possível alguém prestar um serviço mais barato do que seria se você mesmo o fizesse".
Finalmente, se você percebe que toda essa maravilhosa "ajuda" governamental é um problema que se opõe ao futuro da democracia em nosso país, você vai mandar esta mensagem para seus amigos.
Mas se você acha que políticos e ongueiros pedem mais poder para as classes deles tirarem liberdades e dinheiro dos outros para beneficiar *você* ou "os pobres", então você provavelmente vai deletar este email. Mas que Deus o ajude quando trancarem a porteira!
Escrito por Ilton: às 14:13
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LULA 3, DE QUATRO
Tinha acabado de ler a reportagem Aliados articulam proposta que abre brecha para 3º mandato de Lula quando recebi e-mail do Glauco dizendo que seria uma boa matéria para o meu blog.
Respondi-lhe que o assunto é tão escabroso que sequer baixa inspiração para escrever sobre ele.
Como os meus qualificados leitores já perceberam, não gosto de apenas lincar notícias, mas de escrever a respeito tirando idéias, boas ou ruins, da minha pobre, cansada e desconsolada cachola. Tenho uma inclinação crônica para dar pitacos.
Então, no caso, dizer que nossos políticos não têm vergonha na cara seria cair no lugar-comum (detesto lugares-comuns, embora freqüentemente escorregue por eles). Isto é dito todos os dias por gente com mais influência que eu, os próprios políticos sabem disso, mas não integra sua capacidade intelectiva a de mudar de propósitos. Não. Não dá lucro. A sem-vergonhice, no Brasil, é altamente lucrativa e não deixa mais ninguém vermelho. Olha o lugar-comum...
Por exemplo: o PSDB se prepara para trair seus eleitores. Seus próceres — estou sendo bondoso porque há pouquíssimos próceres no Brasil — se reúnem com os comparsas de Lula para aprovar a CMPF. Arthur Virgílio, impoluto, acima de qualquer suspeita, juntamente com Tasso Jereissati e Sérgio Descansado de Guerra foram ao Planalto conchavar com o Governo. Claro, com olhos na próxima eleição.
Outro dia Lula recebeu ministros trajado a rigor: de bermudas. Para injetar ânimo financeiro das negociações da CPMF com a oposição.
Muito significativo. Ele, que disse que não negociava nada, que já havia negociado com a base aliada o seu plano de governo antes das eleições e por isto não tinha que negociar cada vez que algo fosse submetido ao Congresso — lembram? — está negociando cada vez. Cada vez mais. Está entregando os dedos, os anéis e as calças. Por isto a recepção foi de bermudas. A continuar assim, a próxima será de cuecas. Talvez de quatro.
Enviei aos prováveis traíras do PSDB e-mail cobrando sua posição. Virgílio respondeu padronizadamente. Nem se dignou a copiar a mensagem e colá-la no corpo do e-mail. Enviou-a como anexo mesmo. Comecei a ler, mas me deu asco. Respondi-lhe:
Lamento que sua resposta seja padronizada, certamente para todos os que abordam o assunto CPMF. Por muito tempo pensei que houvesse, no Congresso, políticos diferentes. Mas são todos iguais.
Isto dia 25, às 19,23 horas. Até agora não respondeu. Os outros dois, nem sei se leram o primeiro...
Esse projeto que abre uma brecha para Lula se candidatar em 2010 não é surpresa para ninguém. Segue-se aqui, talvez com um pouco mais de dificuldade, a tendência pré-histórica reinaugurada por Hugo Chávez que detém os poderes que Lula reza toda noite para conseguir.
Hugo Chávez está construindo democraticamente uma ditadura. Sonho acalentado pelos petistas saudosos de uma época que jamais existiu e que faz das manhãs de Lula um pesadelo: ele acorda e se decepciona ao ver que não vive a mesma realidade bolivariana.
Escrito por Ilton: às 11:54
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HOJE É DOMINGO.
O texto que você pode ler hoje (e quando quiser) no Nau Catarineta foi escrito em 28/08/2004, quando a Daiane dos Santos errou em sua prova nas Olimpíadas de 2004 e perdeu a medalha de ouro: Daiane e os Chorões.
Foi insistentemente assediada por repórteres que queriam, por toda força, um choramingo. Não adiantou. Ela manteve-se firme.
Antes eu havia escrito outro, sobre o mesmo tema, que se você quiser poder ler aqui.
Bom fim de domingo.
Escrito por Ilton: às 08:19
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LULA CONTINUA DANDO BOLO
Tenho muito medo do efeito Argentina-Orloff.
Já pensaram a nossa primeira-dama Presidenta do Brasil amanhã?

Perceberam que o bolo está ornamentado com a estrela de Davi, e não com a tradicional do PT?
Será que Lula pretende vender bio-combustível para Israel?
Escrito por Ilton: às 16:44
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DEVO, NÃO NEGO, MAS NA JUSTIÇA SÓ PAGO SE QUISER...

Se você não é ligado às lides jurídicas provavelmente não sabe o que é Processo de Execução. Não se sinta ignorante. Muitos juízes também não sabem. Tentarei explicar brevemente uma execução por título de crédito.
Se alguém lhe deve quantia representada por promissória, cheque, duplicata aceita, letra de câmbio, contrato de seguro, etc., você dispõe de um título executivo, que representa dívida líquida e certa, isto é, vale o valor nele expresso e sobre cuja exatidão não se admite, em princípio, discussão.
Se o devedor não pagar no vencimento você ajuizará contra ele uma ação de execução, cuja principal característica é a rapidez. O devedor é citado para pagar em 24 horas, pena de penhora de bens que serão levados à arrematação e o valor usado no pagamento de seu crédito. A penhora visa garantir o juízo, não o credor, e sem ela o devedor não poderá se defender.
A execução — aprende-se na faculdade — é processo que anda sozinho. Você tem prova pré-constituída do seu direito e, em princípio, a defesa do devedor (através de embargos) é restrita: a causa subjacente não pode ser discutida porque o título independe do negócio que o originou.
Se você acreditou no que foi dito até aqui, pode tirar o cavalinho da chuva. É assim que diz a lei. Mas surge de permeio um complicador: uma figura mais legalista que a lei e que é seu intérprete ou que segue a interpretação de outros intérpretes e que fará de tudo para defender o devedor. Leia abaixo um artigo que publiquei em 21/07/2004 (aqui).
Esse intérprete é o juiz. Na maioria das vezes ele esquece que tem poderes ou então, o que é pior, receia exercê-los. E trava o processo. Parece que alguns nascem exatamente para pôr freios num processo que deveria andar sozinho, ou por iniciativa dele, pois o rito assim o determina.
Por exemplo: há atos de ofício que são obrigação do escrivão. Se este, por uma razão ou outra, se omite, o juiz deve determinar providências. Mas há juízes que ordenam que você, por seu advogado, providencie a prática do ato, correndo atrás de uma certidão ou algo semelhante. Dá para entender? Claro que não! Não é para entender mesmo. Transferir ao advogado um dever do Escrivão é um absurdo processual monstruoso.
A penhora é um capítulo à parte. Dificilmente você encontrará alguma coisa penhorável. Aparelho de tevê, para exemplificar, só se houver em duplicidade. Afinal, o mau pagador tem o direito de assistir aos escândalos políticos de todos os dias. Mesmo que às suas custas!
Problema maior é quando seu advogado, esgotando as possibilidades, pede o rastreamento de contas bancárias de uma companhia de seguro — que mais do que qualquer devedor tem a obrigação de pagar o débito — e o juiz indefere o pedido para não quebrar o sigilo bancário da seguradora ou por outro motivo. E diz que cabe a você descobrir bens do devedor por outros meios ao seu alcance.
Há juízes que se esquecem da importância de seu cargo e que lhe cabe a presidência da execução. Por temor ou comodidade obriga o credor pedir de tempos em tempos alguma providência. Essa é uma das maiores causas da morosidade da justiça e está na hora de alguém conscientizar os juízes que eles têm mais autoridade e que podem exercê-la sem medo.
O devedor é muito bem protegido. Já o credor logo perceberá que a execução — que nasceu para ser rápida e andar sozinha — às vezes é mais demorada que os processos comuns. Muitas vezes até anda sozinha, só que para trás: a discussão subiu às instâncias superiores (TJ e STJ), a penhora realizada no início (a garantia do juízo que juízes geralmente desprezam como tal) tornou-se ineficaz e você, por ordem judicial, estará ainda no começo procurando novos bens para serem penhorados... Por sua conta e risco, pois o Judiciário não colabora com os credores, só com quem deve.
Escrito por Ilton: às 16:54
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A "IMPUNIDADE" CIVIL NINGUÉM CRITICA...

Artigo publicado originalmente neste blog em 21/07/2004.
A revista VEJA, edição 1862, em suas Páginas Amarelas, entrevista Kenneth Rogoff, professor de Harvard, que, a certa altura, afirma: “Uma das razões do juro altíssimo que o consumidor paga no Brasil é a desconfiança que os bancos têm dos Tribunais. É assim porque os bancos demoram anos para reaver um bem de um inadimplente. Qual é o resultado? A população como um todo perde”.
Lembrei-me de que em vários julgados, nas duas instâncias, critiquei a benevolência legislativa em favor dos devedores ao impor crescentes entraves aos credores, mesmo nas dívidas representadas por título executivo (cheque, duplicata, promissória, etc).
Manifestei reiteradas vezes o seguinte:
“Além disto, o rumo de um Brasil melhor passa pela assunção de responsabilidades e nunca se viu tanta impunidade civil no país como hoje.
Assume-se dívidas, não se as paga, e ainda se investem os devedores em direitos, esquecendo-se de suas obrigações. Pagar as dívidas em dia é um belo exercício de cidadania.
O mau pagador é protegido por uma verdadeira rede de salvaguardas e a execução é um instituto enfraquecido no Código de Processo Civil. Os interesses patrimoniais duvidosos, estão bem defendidos no diploma que, parece, foi redigido por devedores.
O Juiz pode, num átimo, afastar varão do lar conjugal, ordenar a busca e apreensão de menor, retirando-o da guarda do pai ou da mãe, alterar cláusulas de visita, etc. Mas quando se trata de fazer um devedor pagar sua dívida a lei se ergue como uma muralha intransponível e, por pruridos nunca bem explicados, protege aquele que deve para que por ele todos paguem.
A impunidade civil é, muitas vezes, mais daninha e perversa que a impunidade penal. Quando se deixa de punir um criminoso, o prejuízo social é muito pequeno e, geralmente, restrito. Mas o não pagamento de contas, mesmo privadas, pode gerar insolvências, falências, redução de investimentos, inadimplência em cadeia, desemprego, etc.
Principalmente quando se trata de entidade integrante do Sistema Financeiro Nacional, que deixa de receber dinheiro que saiu de seus cofres em benefício de um ou dois indivíduos. Alguém pagará os prejuízos. Esse alguém é o contribuinte. Não há como negar. O Estado tem injetado recursos e mais recursos nas instituições bancárias e esses recursos brotam, naturalmente, daqueles que pagam tributos “.
Esta última assertiva foi motivada pela injeção de recursos do PROER em instituições bancárias, ocorrida no governo FHC, e que, na época, foi muito criticada.
Escrito por Ilton: às 16:52
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DE NOVO A CULPA DOS APOSENTADOS
O UOL Economia publicou ontem que o 13º de aposentados derruba economia para pagar juros da dívida. Isto integra um item do terrorismo governamental que quer a todo o custo aprovar a CPMF. Se a não aprovarem sobrará uma parcela de culpa para os aposentados.
Sempre assim. No Brasil de hoje a transferência de responsabilidade para os que não fazem nada porque, legalmente, já fizeram o que poderiam ter feito, está longe de ser anormal ou incomum.
Também não sei o quão forte é nossa Economia. Lula ora diz que nunca na história deste país a Economia esteve tão consolidada, ora diz que o Brasil está se preparando para ter uma Economia forte e, ao mesmo tempo, que o país ficará ingovernável se a CPMF não for aprovada. A imprevidência governamental é maior que a previdência social. Que Economia é essa que não resiste à não aprovação de um tributo que, há alguns anos, não existia? Alguém aí está mentindo!
Dá prá entender? Claro que não. Mas é isto mesmo que ele quer e o direcionamento de seu discurso varia de acordo com quem o ouve. Cada platéia tem direito assegurado à versão que mais lhe agrada, à contradição do dia, pois geralmente o dito de hoje desmente frontalmente o dito de ontem.
Sou aposentado e, embora não pela iniciativa privada, sinto-me estatisticamente, ainda que em pequeno percentual, responsável por essa calamidade jogada aos ombros indiscriminados de todos os que estão na mesma situação.
Pobres de nós que resolvemos um dia, num passado cada vez mais remoto, começar a trabalhar, cumprir determinado tempo de serviço, ou ser acometido de alguma moléstia incapacitante, e merecermos uma aposentadoria que, parece, querem transformar em pecado.
Poderão dizer que os aposentados, por não trabalharem, não têm direito a 13.º salário. Ora, 13.º salário não existe. É uma ficção. A Lei nº 4.090, de 13/07/1962, sancionada pelo presidente João Goulart, instituiu uma Gratificação de Natal calculável em 1/12 (um doze avos) da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente.
O benefício natalino não é remuneração a um mês não trabalhado, ainda que sua base de cálculo corresponda a um salário. Décimo-terceiro salário é um apelido. Por terem as mesmas necessidades dos trabalhadores na ativa, nada mais justo que os inativos recebam essa gratificação. O Natal existe também para eles.
Como o Clube dos Aposentados é grande no Brasil, tenho uma sugestão para mitigar nossa culpa em relação ao superávit primário, que ficará substancialmente prejudicado pelo pagamento dos nossos direitos. Sugiro aos aposentados que têm fonte de renda independente que renunciem às aposentadorias para colaborar com o superávit primário. Quem tem dupla ou tripla ou quádrupla aposentadoria, renuncie às menores e fique apenas com a maior.
Fernando Henrique Cardoso e Luiz Ignácio Lula da Silva poderiam, neste aspecto, ser os primeiros. Os exemplos dos de cima sempre calam mais forte na mente dos comuns aqui de baixo.
Escrito por Ilton: às 12:15
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O ESTADO GENOCIDA

Sempre fui contra a pena de morte. O Estado, criado para proteger, não tem o direito de dispor sobre a vida de seus cidadãos.
Mas o Estado Brasileiro é um executor. Mata brasileiros inocentes e condenados, nas prisões e fora delas, dentro de casa e nas ruas e rodovias e, o que é pior, nos lugares se busca exatamente a cura de doenças e o prolongamento da vida: nos hospitais e nas filassassinas do SUS.
Falta ao Governo um pouco da visão marroniana. O Marroni, dono do Bahamas e de outros bordéis, ergueu aquele prédio de onze andares próximo à cabeceira do aeroporto de Congonhas porque a demanda por prostitutas de luxo aumentou. Quer dizer: um proxeneta sabe o que se deve fazer em caso de aumento da demanda; nossos governantes, não.
Nas rodovias mal cuidadas insiste-se em que a culpa é dos motoristas que trafegam em alta velocidade. Sempre! Mas se essas vias oferecessem melhores condições, fossem mais bem cuidadas, duplicadas, adequadas ao tráfego, isto é, ao número de veículos que por elas transitam, milhares desses acidentes por ano não ocorreriam. Hoje, aproximadamente 35.000 brasileiros morrem por ano no Brasil em acidentes de trânsito.
Segundo o Contas Abertas, para este ano, a previsão era de que R$ 160,3 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Segurança e Educação do Trânsito (Funset), fossem aplicados em melhorias para frear o número de acidentes. Desse total, no entanto, cerca de 60% estão bloqueados, devido aos limites impostos pelo setor econômico do Executivo. Isso significa que R$ 95,5 milhões, que poderiam ajudar a salvar vidas, servirão para garantir o superávit primário do governo no fim do ano (aqui).
Segundo o Houaiss, genocídio é o: (3) aniquilamento de grupos humanos, o qual, sem chegar ao assassínio em massa, inclui outras formas de extermínio, como a prevenção de nascimentos, o seqüestro sistemático de crianças dentro de um determinado grupo étnico, a submissão a condições insuportáveis de vida etc. Não é isto que está ocorrendo?
O Governo sabe que, sem melhoria, as mortes no trânsito e na Saúde continuarão. Mas assume o risco deliberado de não melhorar nada mesmo dispondo de recursos para aplicação objetiva nesses campos.
No setor de Saúde, no da Segurança e no de Transportes a evolução da demanda não foi acompanhada pela evolução da capacidade de atendimento. Os veículos e a população – e proporcionalmente os doentes e os criminosos – crescem em progressão geométrica. As rodovias, os hospitais e as salvaguardas contra o crime não crescem nem em progressão aritmética.
Nenhum de nós estará vivo quando a história destes tempos macabros for escrita. Mas Lula, se se fizer justiça, passará à História como maior arrecadador nunca visto antes neste país e o que menos aplicou em prol de melhoria nos serviços públicos essenciais.
Será apontado como o carrasco-mor de uma época em que o Estado era assassino mesmo sem haver pena de morte instituída. De um tempo em que ninguém estava seguro em lugar nenhum. Aquele que deixou sua impressão digital na fronte do Brasil usando sangue ao invés de tinta.
Escrito por Ilton: às 14:41
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A PROPAGANDA QUE DESCE QUADRADO

Manifestei, em 2004, no texto Publicitários Gênios, Publicidade Idiota, minha perplexidade com o fato de nossos publicitários receberem — ultimamente nem tanto — prêmios no Exterior ao mesmo tempo em que nossa publicidade é idiota e, o que é pior, idiotizante.
As propagandas de bebida, especialmente de cerveja estão entre as mais chatas. Nada, é claro, que se compare àquela da Sukita que consegue ultrapassar as fronteiras da chatice: ela é irritante mesmo, tanto aos olhos quanto, principalmente, aos ouvidos.
As exceções ficam poucos dias no ar, como aquela da Nova Schin, se não me engano, em que um gordacho dançava sobre uma mesa e um colega vexado pedia: desce, Redondo, desce! Não preciso dizer que se trata de uma alusão ao mote skoliano de que a Skol é uma cerveja que desce redondo.
Essa propaganda é de um pedantismo sem par. Em se tratando de uma cerveja — do gênero feminino — porque não poderia descer redondinha? Por que uma cerveja tem que descer redondo? Não que esteja errado, mas dizer que uma cerveja desce redondo parece autorizar a conclusão de que também é correto dizer que um uísque desce quadrada. Não. Claro que não! Mas fica a comparação, para criar caso com o especialista Glauco e motivá-lo a deixar um comentário abaixo.
A Polar fez alguma coisa criativa, há algum tempo, mas ela, pelo que sei, é vendida apenas no Sul porque se tentarem exportar vai dar briga feia. De faca!
Agora a Brahma quer convencer que zeca-feira soa melhor do que happy hour. Todo mundo sabe que detesto estrangeirismos e também já critiquei seu uso neste blog. Mas certos brasileirismos são piores. Zeca-feira é de um mau gosto a toda prova. Coisa de jeca, inventada numa jeca-feira, por alguém que tinha bebido demais. Ou visto demais a propaganda da Sukita.
A Skol também ataca de novo com seu mote redondo pernosticamente quadrado. Relata que o tal código é mantido em segredo há séculos e foi trazido em sigilo para o Brasil. Quando alguém parecido com um mago tenta revelar — aliás, obedecendo a normas do Ministério da Saúde e do Código do Consumidor pois, em princípio, todo tem o direito de saber o que está ingerindo —, é derrubado num abismo.
Não sei por que o mago de conduta idiota procurou um local tão perigoso para divulgar o segredo: numa grossa corda que não deixa de ser bamba que, num golpe de espada, é decepada para ele despencar.
Também não descobri a quem ele revelaria o segredo. O lugar parece deserto, o outro único personagem que aparece é seu algoz. Ele não usa megafone (pelo traje medieval seria anacrônico) e mesmo que gritasse com toda força não conseguiria ser ouvido. A não ser por nós, os telespectadores, exatamente o público alvo considerado idiota para fins publicitários.
Mas entrando no clima, com alguma má vontade mas para não perder a chance, duvido que a revelação trouxesse algum proveito à humanidade em geral ou aos bebedores de cerveja em particular. E considerando que a Skol está uma eme é só perguntar a um proctologista. Qualquer deles sabe muito bem onde fica o segredo do código redondo.
Escrito por Ilton: às 12:06
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NOSSO PRESIDENTE ESTRANGEIRO

Lula, todos sabem, é o único presidente de um país que mora no Exterior. Sábado vi a prova oficial disto. De vez em quando ele se dá ao luxo de sobrevoar o Brasil no seu luxuoso Aerolula — que pretende trocar por outro no Natal, pois já tem mais horas de vôo do que os Airbus da TAM. Dizem, até, que está em pior estado do que o Sucatão.
Nesses sobrevôos ele dá seus pitacos, seus improvisos salivados, seus discursos de estradista que fariam Churchill, De Gaulle e Kennedy morrerem de vergonha. Igual ao bêbado, aquele, que cochila na mesa do bar enquanto seus companheiros de mesa discutem acaloradamente sobre futebol e de vez em quando acorda, dá um palpite fora do contexto, e volta a cochilar.
Há algum tempo, enquanto teclava algumas formalmente bem traçadas aqui no micro, ouvi Lula dizendo alguma coisa que me pareceu soar como um país chamado Suquistão. A notícia estava no fim e não consegui, na hora, captar maiores detalhes. Mas pensei: bem, para quem viaja pelo Caribe, pelos países nórdicos e para a África, vai ver que ele quer vender seu biocombustível para outros países pobres e não têm como gastar combustível porque não têm veículos a ponto de impressionar as estatísticas mundiais. Acho que se ele se dedicasse a vender cachaça seria mais bem sucedido. Segundo dizem, seria um ótimo garoto propaganda. Para beber pinga não é preciso ter carro (aliás, é melhor não ter, ou pelo menos não dirigir).
À noite comecei a matutar: ouvi falar do Paquistão, do Curdistão, do Azerbaijão, do Quirguistão, do Afeganistão, do Casaquistão mas do Suquistão não recordava. Talvez — ainda pensei — Lula se equivocou e queria dizer Curdistão mesmo. Vender biocombustível naquela zona conflagrada do Norte do Iraque seria uma façanha espetacular.
Na manhã seguinte, no Bom Dia Brasil, recuperei — para usar um termo da moda — o que ele realmente dissera. Falara, claramente, suquistão, mas não se referia a nenhum país do Oriente Médio (nada impede que, lendo isto, ele se inspire e viaje para algum deles). O suquistão foi pronunciado em outra circunstância. Ele fora vaiado e disse que não merecia as vaias da platéia principalmente suquistão vaiando foram os que mais se beneficiaram da política econômica, algo assim nunca visto antes na história deste país.
Então, por ora, qualquer viagem ao Suquistão — ou ao Curdistão — é mero boato criado, mesmo sem intenção, por este blog. Fica adiada até segunda ordem.
Mas a prova de que Lula mora com ânimo definitivo no Exterior e nos desgoverna por controle remoto foi confirmada no último sábado (20), quando ele, que está na África, foi representado no enterro do ex-ministro José Aparecido pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Não se trata, como pode parecer, de gozação. Está tudo de acordo com o atualizado cerimonial palaciano brasileiro, devidamente adequado às regras de conduta de nossos desgovernantes.
Afinal, se o presidente mora no Exterior, somos, para ele, estrangeiros. E nada mais apropriado do que ele ser representado aqui pelo Ministro das Relações Exteriores.
Escrito por Ilton: às 08:12
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HOJE É DOMINGO!
Deixo-lhes o livre arbítrio de acessarem o Nau Catarineta para ler uma crônica que publiquei originalmente aqui em 10/09/2004:
DIZEM QUE EU JÁ TENHO "UMA HISTÓRIA DE VIDA"
Eu fora convidado para participar do programa do jornalista Joabel Pereira, o “Justiça Gaúcha: Histórias de Vida”, o que ocorreu alguns dias depois.
Espero que na semana que vem o blog volte à sua anormal normalidade.
Bom fim-de-semana.
Escrito por Ilton: às 23:57
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DIRIGINDO, ESPIANDO E APRENDENDO

Um cidadão de Taió, antigamente (ou no antes tempo, como diziam descendentes de alemães da época), sempre comprava jipes velhos. Não era hobby, mas necessidade. Ele pouco cuidava, as estradas eram ruins, viajava muito pelo interior e os veículos desmontavam logo. Não era exigente, mas dois itens eram fundamentais: a buzina e o limpador de pára-brisas.
No último aspecto meu Vectra 2003 foi exemplar na viagem de ida a Rio do Sul: o limpador de pára-brisas funcionou o tempo inteiro, numa viagem que durou cerca de 8,00 horas. O trajeto é de 488 km.
O trecho proporcionalmente mais demorado foi até após São Leopoldo, onde, para atalhar caminho, pegamos uma rodovia estadual inutilmente pedagiada há mais de quinze anos, pois apresenta defeitos, como panelas, acúmulo de água e... pardais. Contamos 15 no trecho entre Portão e a subida da serra para Farroupilha. Sobre isto falarei outro dia.
Em post anterior disse que gostaria de provar que o motorista brasileiro, apesar do que se apregoa, está entre os melhores do mundo. Na viagem vi que é verdade. Falta muito para demonstrar minha tese proficientemente, pois ela é tormentosa e difícil de ser aceita, pois todo mundo está condicionado a culpar, imediatamente, o condutor. A tarefa é inglória, mas sigo o caminho certo.
Por exemplo: não nos deparamos com nenhum acidente nos trechos em que o fluxo de veículos era normal para as condições da estrada. Na BR-470, em que o tráfego é incomparavelmente maior, vimos dois. Um, próximo a Pouso Redondo, foi grave. Mas nenhum deles ocorreria se a rodovia fosse duplicada e permitisse a fluência normal – apenas normal – do tráfego.
Posso andar a 40 km/h numa curva de 90º e ser imprudente. Por outro lado, posso andar a 300 km/h (claro, não com o meu Vectra) numa Autobahn alemã sem que isto constitua irregularidade, sequer administrativa. Já afirmei, mesmo em julgamentos oficiais, que discordo de nossas autoridades quando dizem que trânsito lento é trânsito seguro. Trânsito seguro é trânsito fluente, normal, sem armadilhas oficiais nem tranqueiras motorizadas.
A maior imprudência sempre foi (e é) governamental. Deixar as rodovias se deteriorarem, permitindo acidentes e mortes, é uma conduta criminosa. Isto vem de há muito. Ninguém se preocupa que morrem cerca de 35.000 brasileiros no trânsito. Lula, antes das eleições de 2006, fez uma desajeitada operação tapa-buracos que custou caro (se fossem colocadas cédulas e moedas nos buracos, ao invés de asfalto, talvez custasse menos), que não resolveu absolutamente nada. Apenas o ajudou na reeleição.
Agora se decidiu privatizar as rodovias e permitir seu pedagiamento para resolver os problemas. Tenho sérias dúvidas! Não creio que esse pedágio barato, em algumas rodovias de R$ 0,99, seja mantido. A proposta foi apenas uma trampa espanhola para vencer a licitação. Depois, invocarão mil e umas razões, o Governo curvar-se-á e o valor será, no mínimo, quintuplicado. Esperem para ver.
Esta viagem serviu de alerta. Pagamos R$ 46,80 em 9 praças de pedágio no Rio Grande do Sul. Na última delas antes da divisa com Santa Catarina, o valor foi de R$ 5,20 para um trecho de 22 km. Quer dizer, bem superior ao proposto pelos espanhóis.
Esse trecho, sob os cuidados da Rodosul, está uma porcaria: remendos mal feitos, ondulações e, na viagem, foi o único em que não consegui desviar de uma panela: se desviasse, cairia noutra maior. Isto prova que cobrar pedágio, só, não adianta: as concessionárias aplicam um corregozinho minúsculo na remendação da rodovia em cotejo com o rio de dinheiro que arrecadam.
No post anterior defendi o pedágio. Até porque não vejo outra saída. Mas, se for mal utilizado, ou inutilizado, de nada adiantará, como não adianta o que pagamos de IPVA e CIDE. Somos reféns do Governo que não destina o que arrecada para as finalidades próprias e, daqui a um tempo, o seremos também da iniciativa privada que não aplicará convenientemente os valores do pedágio.
Talvez nossas atiladas autoridades criem então a CPMFT: Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras para o Transporte... Que, pouco a pouco, de provisória passará a permanente, como no filme que estamos vendo.
Escrito por Ilton: às 22:59
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O FRANCISCO FERNANDO FERNANDES DELLANDRÉA ESTÁ DE ANIVERSÁRIO HOJE!
Meu filho, que está na Alemanha aperfeiçoando-se nos estudos de piano, completa 23 anos de idade hoje.
Em 18/10/2004, quando completou 20 anos, escrevi um texto em sua homenagem, então sob o mesmo longo título acima.
Como as atribulações da viagem me impedem de escrever algo novo, o estou reeditando no Nau Catarineta, aqui, renovando as homenagens familiares, constatando que é o primeiro aniversário de sua vida que não privamos de sua companhia.
Parabéns, filho, e um beijo!
Escrito por Ilton: às 00:34
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