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A MULA-SEM-CABEÇA

Gravura copiada do site Páginas Terra, aqui.

Neste fim-de-semana deixo aos meus prezados leitores um problema que os juristas, num processo, qualificariam como sendo de alta indagação jurídica.

A Rede Globo apresentou nesta noite (29) o episódio A Mula sem Cabeça no seriado Carga Pesada.

(Uma justificativa desnecessária: não gosto do programa, mas hospedado em casa de outros a gente não pode escolher o que assistir).

No episódio o personagem Pedro (Antonio Fagundes), vestido de padre, transou com uma moça que se transformou numa mula-sem-cabeça.

Após o ato ele adormeceu e acordou com o barulho de um tropel e de relinchos. Depois confessou ao seu colega caminhoneiro Bino (Stenio Garcia), que esses ruídos estranhos foram provocados pelo lendário animal.

Minha alta – e importantíssima – indagação é a seguinte: uma mula-sem-cabeça relincha por onde?



Escrito por Ilton: às 22:49
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O SEGREDO DA BLINDAGEM DE LULA

Com o perdão do PedeVento pela cópia e pela adaptação.

Ando meio afastado dos noticiários e, também, dos blogues, inclusive do meu.

Se por um lado isto é bom, pois nos priva da ira provocada pela calhordice nossa de cada dia — qualquer semelhança com Calheiros não é mera coincidência —, por outro é ruim, porque o retorno à normalidade pode ser prejudicado por falhas provocadas exatamente por desconhecimento, ainda que momentâneo, de causa (o post anterior estava pronto há dias e só foram introduzidas pequenas adaptações para não perder completamente a atualidade).

Ouvi ontem (27) — só ouvi, e por acaso — que o rei Sadim conta com o apoio de 64% dos brasileiros, que acham bom seu governo.

Explicando: de trás para diante Sadim é Midas. O rei Midas, todos conhecem a lenda, era um sovina de marca, conhecido por seu amor à riqueza, e foi amaldiçoado por isto: tudo o que ele tocava se transformava em ouro. Até a comida. Por isto estava fadado a morrer de inanição, pois assim que o alimento tomava contato com seu corpo, virava ouro. Ouro, como se sabe, não é deglutível.

Com o rei Sadim as coisas caminham em sentido contrário. Quanto mais desgraça o toca mais protegido ele fica, como se revestido de uma impenetrável armadura de ouro que cada vez mais se engrossa e fortifica. O rei Sadim também aprecia viver opulentamente (ele vai pensar que estou dizendo que gosta de polenta) mas é fã mesmo da pobreza que o elegeu e que é sua base de sustentação social (a política, todos sabem, é formada por Renan Calheiros et caterva).

O brasileiro tem vocação para viver por baixo e Lula, o estradista, digo, o rei Sadim, sabe muito bem disto. Tanto que se aproveitou dessa circunstância para comprar votos através de programas sociais que os contribuintes financiam.

Seria bom para o país se ele, pelo menos uma vez por semana, lotasse um avião com simpatizantes e o mandasse ao Exterior fazer propaganda positiva do Brasil. Há dois riscos: o de a maioria não querer voltar e o de a propaganda ser definitivamente negativa.

Não entendo os institutos de pesquisa, nem sua mecânica, nem sua forma de atuação e já confessei isto aqui por ocasião das eleições. Não acreditei nos números que apontavam Lula como reeleito e, muito coerentemente, ainda não acredito que isto tenha ocorrido.

Mas com a experiência de várias chapoletadas morais na cara estou propenso a modificar meu modo de pensar. Talvez seja melhor acreditar nos institutos do que na consciência dos brasileiros. Pelo menos, na de 64% deles.

Os institutos são coerentes; os brasileiros não. Quanto menos fatos deletérios atingem o rei Sadim, menos acreditado ele é. Ao contrário, quantos mais ao seu redor forem atingidos e desmoralizados, mais ele se fortalece e se engrandece no espírito crítico (?) dos brasileiros.

Se dona Mariza for acusada de alguma coisa a aprovação de seu governo atingirá níveis em torno dos 90%. E se ele mesmo for acusado de alguma chegará a 99,9% (incluo-me entre os 0,1%, com muita humildade). Para tanto, basta alegar, como sempre, que não sabia de nada.

Talvez esteja aí o segredo de sua blindagem.

Conheci um cara tão mentiroso, mas tão mentiroso, que quando ele dizia que era mentiroso ninguém acreditava.

Com o rei Sadim ocorre algo semelhante. Ele está cansado de dizer que não sabe de nada, demonstra que não sabe nada, e deixa tão evidente que não sabe nada, em nenhum aspecto, que o povo realmente acredita nele.



Escrito por Ilton: às 20:57
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RENAN SEVERINO

Vocês acham que esse calhau de justificativas do senador Renan Calheiros vem a calhar e que tudo, realmente, não passa de uma calhandrice orquestrada por inimigos políticos? Ou ele, à falta de mais convincentes explicações vai ter que caminhar pela calhe suja e fedorenta dos calhordas?

Afora esta introdução meio canalha, nada inovadora no país da piada pronta, não vejo como ele possa alegar perseguição de inimigos políticos. Ele não tem inimigos políticos. Ele conviveu e convive em relação concubinária com Collor, Itamar, FHC e Lula num compáscuo duradouro e estercado por interesses próprios: colocar-se acima de qualquer suspeita convivendo com quem está por cima.

Ainda não conseguiu amasiar-se com o P-SOL, porque este é um partido pequeno. Se estivesse no poder – por cima, como disse antes – já teria iniciado as bolinações.

Nem todos, mesmo políticos, têm essa capacidade camaleônica de libar com amigos de hoje que foram inimigos de ontem e que poderão voltar a ser inimigos amanhã com tanta exuberância e naturalidade como ele.

Em 22/10/2005 escrevi que ele é um matreiro político que consegue estar sempre onde estão os poderosos e que “andando a par dos reis e com os grandes lidando” consegue postar-se ao lado do patrão político, não importa ideologia. É integrante da nova geração que consegue a extrema façanha de ser e parecer igual aos políticos da velha cepa, um Severino Cavalcanti mais bem apessoado e instruído: um coronel moderno.

Severino teve um lampejo de última hora e renunciou, até porque temia a cassação e, com a renúncia, poderia concorrer ao cargo nas eleições seguintes (tentou, mas não se reelegeu). Isto por causa de um mensalinho de R$ 10 mil reais, uma merreca comparada a outros mensalistões e aos valores em jogo no caso Renan Vísceras Expostas Canalheiros, e que, particularmente, acho que nunca foi bem demonstrada.

Calheiros é um homem de visão. Antecipa o futuro. Suas defesas são apresentadas antes da acusação. Ele pesca possibilidades, é informado por seus pares ou sabe, realmente, as cagadas que fez? Só uma dessas três hipóteses explica suas ágeis e prontas defesas.

Todos os dias é visto com um calhamaço debaixo do braço dizendo que ali está a prova da verdade, a certeza da verdade!

Conta, ainda, com o amparo escancarado e descarado de seus comparsas, digo, de seus pares no Senado que confessam explicitamente que não querer condená-lo. Epitáfio Caceteira não levou seu relatório inocentador à votação porque recebeu um telefonema de sua mulher pedindo para adiá-la. E publicizou sem vergonha nenhuma diante das câmeras.

Dizem que foi Renan quem ligou para a mulher de Cafeteira para que ela intercedesse. Esquisito, esse Renan, e apreciador de triângulos de variadas espécies: primeiro com a jornalista, depois com o Gontijo e agora com a mulher de Cafeteira. Ele ganharia o prêmio do BBB7 porque tem o mesmo espírito enganador e falastrão do Alemão. Talvez deva se inscrever para o próximo.

Está longe de sua intenção deixar o cargo para imparcializar as investigações sobre as falcatruas de que é acusado. Político brasileiro, com raras exceções, não tem hombridade para isto. A maioria é como o cão faminto (no caso, de poder e influência) que não quer largar o osso.

Melhor dizendo, como uma sanguessuga, daquelas que gruda no seu corpo e lhe vai chupando o sangue. Ela sabe que, se arrancada, morre. Por isto resistem. Renan também sabe que longe do cargo que ocupa será alvo mais fácil e, talvez, mais adiante, reprise Severino, só que no Senado.



Escrito por Ilton: às 19:20
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HOJE É DOMINGO.

Estou retomando um costume antigo e republicando uma crônica do início do blog (de 15/03/2005), até por incapacidade de criar algo novo.



Escrito por Ilton: às 15:56
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MUDANÇAS SOCIAIS EPILÉPTICAS...

Quando penso em mudanças sociais, sempre me acomete alguma inquietação. Coisas da idade: nas revoluções, os que mais sofrem são os velhos, os doentes e as crianças.

Que as coisas mudem devagarzinho, tudo bem, a gente vai se adaptando. Mas do que vai adiantar virar o mundo de pernas pra cima se, depois, eu não vou ter tempo nem forças de me adaptar à nova realidade? Certos traumas são difíceis de ser vencidos e isto se aplica também ao social.

A História, que é feita de horrores, está aí para demonstrar: nazismo, pós-guerras, revoluções, cataclismos (outro dia escrevi, equivocadamente, cataclismas, o Aurélio corrigiu, mas eu me achei mais inteligente e mandei ignorar), tudo isso pode provocar uma necessidade de readaptação e nem todos poderiam consegui-la. As crises de epilepsia social podem ser graves e atingem especialmente aqueles que têm menos energia.

Revolução é para os jovens que depois podem colher o fruto de sua semeadura e têm uma capacidade superior de se adaptar a novos tempos e às próprias mudanças. O exemplo vivo do que estou dizendo é Fidel Castro que, jovem, fez uma revolução contra um déspota, venceu-a, instalou-se no poder e se adaptou perfeitamente à nova realidade, tanto que sua revolução permanece e ele se mantém no poder. E se transformou noutro déspota, com ideologia diversa, mas com idêntica tendência ditatorial, repressora e sangüinária.

Ele se tornou um velho e um dia vai sucumbir porque não descobriu a fonte da eterna juventude nem a imortalidade e em Cuba deve haver jovens revoltados também. Então vão mudar o que ele mudou e o mundo caminha assim porque assim sempre caminhou.

Teilhard de Chardin, filósofo cristão hoje praticamente esquecido, retratou bem a questão: “O progresso da Humanidade não é retilíneo. Ele se assemelha antes a uma rosca de parafuso, a uma espiral”. Estamos agora numa parte da espiral bem próxima à linha inferior anterior, tentando retroceder e pular etapas para trás. Nem que seja para tomar impulso para, depois, ir para frente.

Não penso em construir um mundo melhor nem em ser paladino de uma verdade para meus filhos e netos. Eles que destruam o mundo nosso com as mesmas guerras, a mesma desonestidade, a mesma cabotinice com que estamos destruindo o dos nossos pais e avós. A humanidade sempre foi e sempre será assim.

Não se busca a convivência ideal, mas a supremacia. Não há um período da história universal que possa servir de exemplo. Nem nunca haverá. Só existimos como seres humanos por teimosia.

Nos sonhos dos nossos pais e avós éramos a esperança de continuidade e a somos. Somos, por dentro, como eles eram. Talvez mais artificialmente sofisticados, mais inseguros, mais intranqüilos, mais requintadamente desonestos. Na verdade, mais desesperadamente visionários.

As nossas crenças são mais vazias, o nosso comportamento é menos autêntico e os nossos atos são mais artificiais. Virtuais seria o termo mais adequado.

Não cremos no que eles criam nem ele mais crêem em nós, como criam. Não somos o que queriam que fôssemos, nem somos: vamos. Mas nem sempre vamos por querer: é porque os fatos sociais nos levam de roldão que vamos, mais nada.

Destruímos o mundo que eles fizeram, anulamos a revolução deles, e construímos um mundo novo. Não necessariamente melhor nem pior nem igual. Novo, apenas. Para que os nossos filhos e netos tenham o que destruir mais tarde, (in)conseqüentes e (ir)responsáveis.

E eles serão como nós. Mais que nós, um pouco, talvez, tudo isto...



Escrito por Ilton: às 15:53
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EM RIO DO SUL...

Estamos passando uns dias em Rio do Sul, uma agradabilíssima cidade próxima a Taió, mais antiga e mais desenvolvida, em franco progresso e já pode ser considerada pólo empresarial da região.

Há obras de infra-estrutura no centro que prejudicam o trânsito, mas isto é compreensível. Não se pode arrumar erros do passado nas ruas, nos esgotos e na cidade em geral a não ser remexendo exatamente nos pontos em que isto é necessário. Por isto o trânsito está caótico em alguns lugares.

Demos umas voltas pelo Município procurando um imóvel para, talvez, mudar de Porto Alegre para cá, e descobrimos que as dificuldades não ocorrem apenas por força de obras.

Foram introduzidas alterações na rede viária que tornaram difícil você se locomover, estacionar e até andar a pé pelas ruas. Um dos acessos ao centro, por exemplo, é feito pela Ponte dos Arcos, uma enjambração que fizeram de uma antiga ponte ferroviária e que, por isto, permite o trânsito de apenas um veículo...

Às vezes você está a 200 m de um determinado lugar, num lado do rio, e pode visualizá-lo do outro lado. Mas para chegar lá precisa andar – de carro, naturalmente – uns três quilômetros.

Para quem não conhece as novas ligações viárias isto é um tormento. A sinalização de direção das ruas e as placas com os nomes destas também são deficientes.

Eu, que reclamo do trânsito de Porto Alegre, cheguei à conclusão de que o de Rio do Sul, guardadas as proporções, é pior. Enfrentei congestionamentos inexplicáveis em horários variados que nada têm a ver com o rush – de pequena duração, é claro – que lá nunca encontrei.

As armadilhas que o PT colocou nas ruas de Porto Alegre, e que o Fogaça não retirou nem demonstra vontade de retirar, chegam a ser de menor importância, comparadas às de Rio do Sul. Os postos de gasolina devem estar agradecidos e os vendedores de amortecedores também. Em muitos lugares há tachões transversais que, se sabe, são proibidos pelo Código de Trânsito exatamente porque danificam a suspensão dos veículos.

Mas o pior é o trevo de acesso para quem vem do Sul. É um trevo vazado e ontem mesmo foi palco um acidente violento que transtornou o trânsito na BR-470 (não sei se houve mortes, porque minha curiosidade mórbida ainda não chegou a esse ponto).

Mas para o forasteiro que, por exemplo, sai da cidade para pegar a BR para o Sul, o perigo é enorme. Ele encontra uma placa PARE, aguarda, e imaginando que os veículos que vêm do Sul passam por ali, a transpõe e segue adiante. Mas ela é apenas um pista secundária e logo em seguida é que encontra as principais, de ida e vinda, com trânsito rápido e pesado. Daí a um acidente não passam mais do que dois segundos.

Este, claro, não é um problema municipal, mas federal. Entretanto a responsabilidade da administração municipal não pode ser afastada de plano: ela precisa encontrar um meio de exigir que as autoridades federais ergam, ali, e também no acesso Norte da cidade, viadutos que evitarão esses acidentes e preservarão a vida de quem é obrigado a transpor armadilhas. Se bem que o Governo Federal, em nenhum campo de suas atuações, demonstra apreço pela vida humana.

Estou falando de Rio do Sul porque estou por aqui, vivendo os problemas locais. Outras cidades do Estado apresentam as mesmas falhas, principalmente ao longo da BR-470. Deve ser por isto que Santa Catarina está nos primeiros lugares em números de acidentes de trânsito com morte no Brasil.



Escrito por Ilton: às 09:49
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HOJE É MEU ANIVERSÁRIO...

Hoje é meu aniversário. Anteontem enterrei um amigo. Duas circunstâncias tão estranhas e distantes que só a vida pode explicar. Só a vida!

Não adianta se apegar a crenças ou descrenças porque esses acontecimentos ocorrem com os que crêem e com os agnósticos também. Ninguém escapa. A morte de um amigo traz tristeza, aos crentes e aos descrentes e duvido daquele que tem força suficiente para afastar esse tipo de dor.

Em 2001, no Natal, enviei aos meus conhecidos um cartão virtual do qual, mais tarde, o trecho mais importante, reproduzi no blog, na Mensagem ao Túlio (27/05/2005):

“Nossa vida é feita de acontecimentos alegres e de momentos tristes e nem sempre somos capazes de lembrar apenas as coisas boas e esquecer as ruins, como deveria ser, para nosso próprio bem. Aproveite com intensidade os momentos de paz e serenidade que se intercalam entre os momentos tristes de nossa vida, mas que, no final de tudo, é o que conta se não nos esquecemos deles”.

É o que estou tentando fazer hoje, mas não vai ser possível naquela plenitude desejável. Nem pretendo que seja.

Quando um amigo se vai uma linha de nossa vida – a da convivência e interrelação com ele – se quebra definitivamente. Pode-se arrumar outro amigo. Mas aquele que se foi nunca será substituído. Fica um vazio na alma que nada nem ninguém pode preencher, como uma estrela que se apaga na via láctea ainda que ninguém perceba.

Pára um relacionamento e só lembranças persistem que o tempo vai tornando cada vez mais tênues e cada vez menos vívidas.

Sexta-feira última, quando falei com um filho dele ligado à área médica, ele disse que o pai estava em coma induzido e que infecções sérias haviam se instalado em seu organismo. A previsão era a de que vivesse no máximo até quarta (hoje) ou quinta-feira.

Talvez o que eu vá dizer agora seja mais uma figura de retórica, uma baboseira sem sentido e despida de qualquer senso lógico e natural.

Mas acho que o meu amigo não quis morrer hoje. Nós tínhamos laços profundos de amizade e de entendimento e uma ligação que começou quando eu tinha quinze anos e ele trinta. Essa diferença de idade nunca impediu que ele falasse comigo como um igual, naquela época. Ele nunca foi paternal e não era sem esforço que se rebaixava à minha visão adolescente da vida para que nossas conversas fossem mais produtivas. 

Quando os anos vão passando a diferença de idade diminui consideravelmente, mesmo que, em termos numéricos, permaneça a mesma. Mais tarde nos tornamos compadres, somos padrinhos de um filho dele.

Então, vocês não precisam acreditar nisto, ele antecipou deliberadamente a própria morte em três dias. Ele não quis morrer no dia do meu aniversário. Ele não quis que, daqui para diante, toda vez que eu comemorasse aniversário, lembrasse também da sua morte.



Escrito por Ilton: às 09:39
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Escrito por Ilton: às 19:31
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LULA PUXA AS ORELHAS DOS BRASILEIROS

Lula, que não tem o mindinho mas se acha o pai-de-todos, puxa a orelha dos brasileiros e quer que estes não falem mal do Brasil no Exterior.

Está certo, Lula. Mas... sabe, o exemplo vem de cima. Estamos acostumados a ouvi-lo falar mal dos governos passados, de governadores atuais e, principalmente, da Imprensa, que pensamos poder fazer o mesmo em relação ao Brasil.

Vamos combinar: o senhor, quando viaja — e olha que o senhor viaja um bocado — pára de fazer micagens, palhaçadas e idiotices que isto, muito mais do que nós aqui, que não somos visualizados internacionalmente com tanta assiduidade, melhorará, e muito, a nossa imagem lá fora...

Depois, o senhor diz o que há de bom e elogiável neste Brasil.

Não sei se seria aconselhável falar do nosso sistema de saúde, por exemplo, com gente morrendo nas filas do SUS e outros ajuizando ações para ter direito medicamentos e a cirurgias de urgência que demoram um ano para serem realizadas. O pior, ainda, é dizer que o presidente da República afirma que esse sistema é quase-perfeito...

Ou de nossas rodovias (sem comentários). Ou de nossas casas gradeadas que mais parecem presídios de alta segurança do que moradias. Acho, até, que seria falta de educação falar de nossa Educação e desse racista sistema de cotas que está sendo introduzido aí.

E nossos políticos? Falar, por exemplo, que o presidente do Senado está sendo investigado por receber propinas de uma empreiteira e que sua defesa se baseia na desculpa esfarrapada de que os valores eram dele, que apenas usava o preposto da empreiteira — o senhor acredita nisto? — como mandalete para pagar pensão alimentícia a uma filha que ele, o presidente do Congresso, teve fora do casamento? E que, mesmo investigado, permanece no cargo?

Os estrangeiros, na melhor das hipóteses, ririam na cara da gente. Na pior, sentiriam pena e nos dariam um prato de comida.

E o nosso sistema aéreo e seus constantes apagões?

Temos, claro, o Aerolula. Quando ele chega lá fora, todo luxuoso e novo, não deixa de bem impressionar. Mas quando dele desembarca o senhor e sua comitiva, dizendo graçolas e fazendo gatimonhas típicas de cascas-grossas, começa a contrapropaganda.

Seguem três fatos referidos em 30/06/2005 neste blog (Lula vai Desconhecendo e Esquecendo) que não devem ter causado boa impressão por lá.

O senhor diz que os suíços não falam mal da Suíça. Tenho uma sobrinha que mora e trabalha lá há alguns anos. Não pensa em voltar. Ela é brasileira, mas não fala mal da Suíça. Mas fala mal do Brasil.

Aliás, se o Brasil fosse assim tão bom não haveria tantos jovens atrás de vistos para trabalhar lá fora, fazer uma economiazinha, e voltar para montar algum negócio próprio ou pelo menos construir uma casa onde morar. O senhor já ouviu falar de jovens suíços que viessem ao Brasil fazer o mesmo?

A melhor coisa que o senhor poderia fazer para melhorar a imagem do Brasil no Exterior é viajar menos. E melhorar as coisas internamente, não através de bolsas-famílias e bolsas-escolas pagas pelos cofres públicos, ou seja, por nós, e que só incentivam o ócio, mas através de medidas que efetivamente garantam a todos o acesso ao trabalho honesto e compensador.

E se viajar, comportar-se com mais comedimento, como disse no início. Não precisa ser ascético, como o Papa, mas, também, não precisa fazer palhaçadas sem graça só porque a troupe que o acompanha faz de conta que o senhor é engraçado. Apenas como um presidente, se não for pedir demais. 

Tenha certeza: isto ajudaria muito. Ou, pelo menos, não prejudicaria em nada!



Escrito por Ilton: às 13:10
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OS TRÊS EXEMPLOS, REFERIDOS ACIMA

Na Coréia do Sul a primeira gafe: aquela de brincar com o dedo da luva dependurado porque o presidente tem apenas quatro dedos na mão esquerda, numa ocasião séria, de queima de incenso em homenagem a mártires coreanos. Não pegou bem. Não naquele momento. Que ele use a falta do dedo para brincadeiras nos arraiais do Planalto, enfiando, por exemplo, o cotoco no nariz para fingir que enfiou o dedo inteiro, tudo bem. Mas numa solenidade séria, jamais. Afinal, a luva estava certa. Se há algo anormal é com a mão do presidente.

Depois aquele gesto de virilidade, erguendo o punho imitando a ereção de um pênis, quando foi presenteado com uma caixa de ginseng e informado de suas propriedades afrodisíacas. E o presenteado nem foi ele, foi dona Marisa. Também não ficou bem. Nada sei sobre a intimidade sexual do casal, mas desde adolescente ouço dizer que aquele que apregoa sua força sexual é porque, na verdade, precisa de afirmação. Propaganda enganosa, em outros termos. Em todos os casos, este é um problema dele, do casal.

A terceira gafe foi ao receber de presente, do Diretor do Metrô de Tóquio, um relógio-de-bolso e perguntar: "Põe onde? No pescoço?" Mas a falha maior, no caso, foi da assessoria ocupada em aplaudi-lo. Será que ninguém da enorme comitiva teve a perspicácia de lhe dizer onde enfiar o presente? Ninguém? Relógio de bolso se prende no cós da calça e se enfia... no bolso, ora bolas!



Escrito por Ilton: às 13:04
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