Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


UOL


Outros sites
 ADORO CINEMA
 KUSC CLASSICAL FM
 AL-KARISMI
 ALUÍZIO AMORIM
 AQUARELA POÉTICA
 BALAIO DE SIRI
 BLOGlauco
 CARLOS DAMIÃO
 COISAS BOBAS
 CONVERSEJANDO
 DE OLHO NA CAPITAL
 DOGMAN
 ELAINE PAIVA
 ESPELHO SEM AÇO
 GLAUCO STONELL
 JUS INDIGNATUS
 KÁTYA TEIXEIRA
 M Á G U I
 MaGenCo
 MataADor
 MINHOCA NA CABEÇA
 Mr. MOZART
 NAU CATARINETA
 PLÁTANOS COLORIDOS
 POR ONDE ANDEI
 R O S E B U D
 SERGIO OLIVÉ
 S I L S A B Ó I A
 T A I Ó - Fotoblog
 TAMBOSI, DE TAIÓ
 VOTO SEGURO
 VOX LIBRE


 
JUS SPERNIANDI - Ilton C. Dellandréa


ESTADO DE GRAÇA OU DESGRAÇA?

Não sei como sair desta. Estou contente, feliz, bem disposto e até dormindo bem, em estado de graça mesmo. Isto é provocado pelos pitacos de leitores elogiando meus textos por serem engraçados ou espirituosos (pelo amor de Deus, não estou me queixando, apenas registrando).

Isto me deixa feliz, claro, pois estaria sendo injusto e contraditório se dissesse o contrário. Meu objetivo é alegrar quem lê o que publico. Não quero a gargalhada escancarada – salvo uma vez ou outra – porque não conto anedotas; apenas tento escrever usando de um estilo leve, de alguma ironia no que, confesso, nem sempre sou bem sucedido.

Mas esses últimos elogios estão me estragando. Só consigo escrever coisas alegres quando estou deprimido. Só consigo enxergar a desgraça alheia e a situação caótica do Brasil de bom humor quando estou de mau humor. Isto não é contraditório. É da natureza humana.

Mozart compôs suas obras mais galantes e festivas quando vivia em situação de penosa amargura. Beethoven compôs a música para a Ode à Alegria, de Schindler – que integra o último movimento da Sinfonia Coral –, quando completamente surdo e amargurado (estou longe de querer me comparar a eles, mas vale o exemplo).

Por favor, não sintam comiseração por mim. Não sou, propriamente, um infeliz. Mas no setor pontual da relação com minha criatividade e inspiração é preciso estar aborrecido e indignado. A alegria destrói a criatividade e afasta a inspiração.

Pois vejam que me flagrei elogiando mentalmente Lula, o estradista, dias destes, porque ele declarou que não vai reduzir a idade de aposentadoria nem o tempo de contribuição nem congelar aposentadorias.

— Não me venham com discurso de déficit da Previdência Social. Se você pegar o que pagam os trabalhadores brasileiros e o que recebem, não tem déficit. Qual é o déficit? O déficit é que um dia, em 1988, o Congresso Nacional, com o voto de todos nós, aprovou a extensão de benefícios previdenciários para trabalhadores rurais, depois de criamos a Loas, depois de criarmos o Estatuto do Idoso, então é essa a carga que o Tesouro tem que assumir, não como déficit, mas como política social – disse, em entrevista, em Parnamirim (RN), em fins de janeiro.

O pior é que ele está absolutamente certo. Pior ainda só mesmo eu reconhecer isto, embora ache que não se trate de política meramente social, mas uma relação débito-crédito mesmo.

Ele está indo contra a opinião pública dos grandes jornais. Aqui no Sul a RBS, por exemplo, não pode ver ninguém ganhar além do salário mínimo, talvez como pretexto para não pagar salários elevados a seus empregados – exceto para os dinossauros que a carregam nas costas.

(A declaração de Lula é a prova mais evidente de minha tese: ele não foi reeleito e não está governando o Brasil. Sua eloqüente afirmativa nada mais é do que a continuação de sua campanha para a reeleição – agora sim – em 2010. Se fosse o presidente defenderia ponto de vista contrário).

Meu objetivo principal, quando escrevo, é deleitar quem lê. Fugi disso durante a campanha eleitoral e agora estou voltando ao que desejei sempre para o blog: a crítica séria e indignada mas bem-humorada e satírica, até onde eu conseguir. Não descarto a possibilidade de, de vez em quando, como fazia no início, escrever sobre filmes, um assunto de minha predileção.

Mas sem inspiração não dá. Já me vejo até, faceiro, saindo no carnaval e tentando acompanhar o ritmo da bateria com o meu coração desafinado. E lá vou parodiando Guilherme de Brito e cantando: tire a sua dor do meu caminho que eu quero passar com meu sorriso! Só falta a fantasia!



Escrito por Ilton: às 23:28
[] [envie esta mensagem] []



O CNJ QUEIMANDO A LÍNGUA

No dia 1º de fevereiro o Cesar Valente, sob o título Ai, Meus Calos!, (role a página quase até o fim) escreveu no seu blog (que é reprodução de sua coluna no Diarinho) sobre uma campanha de desmoralização encetada contra o Conselho Nacional de Justiça, por parte de membros no seio da Magistratura (leiam com atenção porque esta é boa!), porque ele, o Conselho, fixara o teto dos vencimentos dos magistrados em R$ 22,1 mil.

Deixei lá meu comentário reprisando e resumindo o que venho teclando neste piano de uma tecla só, que é a do combate ao óbvio e que nem nele consigo ser um virtuose: desde antes da criação do Conselho venho afirmando que ele já nasceu desmoralizado. Um de meus artigos foi publicado no Observatório da Imprensa (aqui), no qual previ: esse Conselhão vai cair no vazio e não revolver nada, apenas acomodar mais cargos e somar despesas que os contribuintes pagarão

O CNJ é um monstrengo esdrúxulo e sem sentido. Nasceu para controlar o Judiciário mas suas decisões não são definitivas e ele acaba sendo controlado pelo próprio Poder que controla e vai estar sempre atado a essa incômoda realidade (como é que vou dizer que controlo as coisas aqui em casa se a última palavra é sempre dela?).

Na medida em que nada pode ser subtraído ao crivo judicial, e é para isto que existe o Poder Judiciário no seu papel de distribuir a Justiça, não há órgão que lhe possa ser sobreposto. Se o STF decidir em alguma ação que os juízes podem adquirir carros importados sem pagar os tributos alfandegários não é o CNJ que vai poder modificar essa decisão. Nem ele nem ninguém, por mais estapafúrdia que possa ser (e seria) uma definição nesse sentido. 

No meu comentário cometi o ato falho de afirmar que estou entre os desembargadores que percebem acima do teto. Depois corrigi, dizendo que Freud explica mas me antecipo e explico: é que talvez (esse talvez não expressa tanta dúvida quanto pode parecer que expresse) eu gostaria de estar entre eles.

Mas os desembargadores que recebem acima do teto - esclareço que não estou entre eles - ajuizaram ações defendendo seus direitos que, bem ou mal, são constitucionalmente defensáveis sob a ótica do direito adquirido. Juridicamente, não há como fugir disso.

Terminei afirmando que o CNJ é um monstrengo inútil e cujas decisões são sempre provisórias.

Pois acabo de ler na Folha que o Conselhão adiou o exame das justificativas de oito Tribunais de Justiça contra o corte no salário dos desembargadores que recebem acima do limite de R$ 22.111,15, que ocorreria hoje porque aguarda o julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade que a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) interpôs no STF – a associação referida pelo Cesar – que visa derrubar o subteto dos Estados para que desembargadores recebam até R$ 24.500,00...

 O Conselho tomou a decisão de ofício, isto é, sem provocação. Nem foi necessária uma campanha de desmoralização, pois ele, em última análise, se desmoralizou ao não manter a decisão pelo menos até que recebesse uma contra-ordem do Supremo.

 


Comecei falando no Cesar Valente e vou terminar com ele que, em seu post de hoje, tece lúcidas considerações (deixei meu comentário) sobre a reação demagógica de nossos representantes políticos em face do crime de que foi vítima um garoto de seis anos, no Rio de Janeiro.

Vale à pena dar uma chegada lá e ler As Leis e a Emoção.  



Escrito por Ilton: às 15:45
[] [envie esta mensagem] []



NO CAMINHO DA IMPERFEIÇÃO PERFEITA

Sou, desgraçadamente, um perfeccionista. Que lê este blog talvez não perceba, pois os erros de colocação de palavras, a repetição de uma muito próxima a outra, algumas seqüências de proposições e conjunções como “de”, “que”, “em” e outras permitem concluir exatamente o contrário. Mas esses errinhos são a prova mais evidente e absoluta do que estou dizendo.

Invejo os que escrevem um texto e quando chegam na última linha simplesmente passam o corretor ortográfico do Word, ou equivalente, e o publicam porque têm a ciência de que não há outros erros.

Sou quase assim. O texto que por primeiro escrevo é aquele que eu deveria publicar. Contém poucos erros. Além disso, segundo dizem alguns escritores, é ele o mais autêntico porque, por ser o primeiro, é o que expressa o verdadeiro sentimento daquele que escreve. Mas não consigo, simplesmente, não consigo.

Passo a remexer no texto, alterar palavras, modificar a ordem das frases e orações e aí é que acabo estragando tudo. Até aqui, este texto está bom. Mas depois de eu corrigi-lo certamente surgirá uma porção de erros que eu, viciado no que escrevi, não percebo.

A Ieda já foi minha revisora. Mas ela é muito bondosa. Apontava um erro, eu ficava “p” da vida (pelo erro, não por ela ter me avisado) e, de uns tempos para cá, para poupar meu coração de um desconforto maior, não me corrige mais. Afinal, ela é dona do meu coração.

Esses dias reinstalei o Windows do micro porque ele estava lento. Gosto muito de atualizar o Windows. Colocar o cedê na gaveta, iniciar a instalação, e ver, aos poucos, tudo se encaixando, tudo sendo montado, peça por peça, item por item, dá um prazer extraordinário. Já reinstalei o Windows mesmo quando desnecessário pelo simples prazer de fazê-lo. Na maioria das vezes acontece algum “bode”, mas nada que um telefonema para meu irmão em Florianópolis não resolva.

Gosto, também, de incomodar a Microsoft. A cada reinstalação, na ativação do sistema, surge a mensagem de que a chave usada já ultrapassou o número permitido de instalações (esse número é igual a um) e tenho que fazê-lo por telefone.

Geralmente é a Patrícia que me atende (após aquele procedimento todo de digitar um número para isto, outro para aquilo) e quando digo “alô” ela reconhece minha voz e responde:

— Oi, seu Ilton, qual é o motivo da ativação agora?

Estou ficando íntimo do pessoal da Microsoft.

Explico a situação, dito-lhe os números que aparecem no monitor, ela me dita os que gerou (ou sei lá como surgiram), pede para eu clicar em “avançar” depois em “concluir” e sempre confirma:

— O seu Windows está ativado, seu Ilton, até que o senhor resolva reinstalá-lo.

Agradeço e peço desculpas pelo incômodo. Ela é muito simpática e termina:

— Não por isto, a Microsoft é que lhe agradece e lhe deseja um bom dia.

Então, ativado o Windows, passo para aquilo que é ainda mais interessante do que a própria instalação: a atualização, que faço sempre personalizada para demonstrar a mim mesmo que entendo do assunto (as atualizações personalizadas são para usuários experientes), mas acabo instalando tudo, como se fosse a expressa. Apenas faço por etapas aquilo que o sistema faria numa vez só.

Depois a instalação do antivírus, do Spybot e, finalmente, a transferência para o HD dos arquivos, e-mails e outras configurações guardadas em backup.

É o que estou fazendo agora. Só parei para escrever este texto. Estou quase finalizando e vou passar a tarde transferindo arquivos.

Passei o fim de semana nesse processo de reinstalação. Nem sei mais por quê.

Por isto não tive tempo de elaborar um texto melhor para os meus leitores. Fica para amanhã. Ou depois. Desculpem eventuais erros: são frutos de inúmeras correções.



Escrito por Ilton: às 15:29
[] [envie esta mensagem] []



EFEITO ESTUFA: O MUNDO VAI ACABAR

De repente, é consenso: o pólo Norte vai descongelar, os furacões aumentarão seu furor, as inundações serão constantes, mudanças climatológicas impossíveis de se imaginar até antes do recente encontro de Davos, aquele dos poderosos, agora são verdades absolutas (veja aqui, acenda uma vela, reze e chore). É o Apocalipse.

Ouvi esses dias que, mesmo que todas as atividades provocadoras do efeito estufa cessassem agora – inclusive os puns das vacas inglesas – ainda assim o mundo só se recuperaria em mil anos. O Willian Waack disse que é o fim do mundo.

Embora me preocupe não creio na metade do que se diz. Claro que a poluição prejudica a atmosfera, mas, no primário, meus professores já ensinavam que a temperatura da Terra subia cerca de um grau por século, por fenômenos climáticos naturais. Pois esses dias ouvi na tevê que de 1906 a 2006 o aquecimento foi de 0,76º... Estamos no lucro. A projeção, repito, a projeção é que de agora em diante ele será maior. Dou meu testemunho pessoal de que as maiores cheias em Taió foram na década de 1950 – antes de se falar do efeito estufa – e depois em 1983 e 1984.

Não acredito nesse bombardeio terrorista que principalmente a televisão vem nos impingindo em todos os noticiários e em programas de entretenimento. Prevejo que o Faustão, do alto de sua sabedoria, vai abordar o assunto no seu “Dumingão”. É isso aí, galera, quem sabe faz ao vivo.

Intempéries catastróficas sempre houve na história da Terra mas só começamos a ter consciência delas quando, após a explosão de um vulcão, um macaco foi atingido por uma pedra na cabeça que lhe produziu sensíveis alterações cerebrais e ele adquiriu a capacidade de pensar e escolher a forma de reação fora da área instintiva e reflexiva, não sei se me faço compreender. Foi quando surgiram os humanos.

Mas sou um desconfiado crônico. Cá com os meus dedos no teclado do micro, fico pensando: por que, de repente, esse espalhafato todo?

Um desses jornais nacionais aí, ainda que muito rápida e quase que imperceptivelmente (acho até que escapou da revisão), trouxe a resposta: as poderosas economias que se reuniram em Davos vêem no combate ao efeito estufa a possibilidade de grandes negócios e de lucros incomensuráveis com a fabricação de aparelhos redutores da emissão de gases e detritos nocivos na atmosfera. Não sei se inventarão alguma coisa específica para as vacas inglesas, mas é possível.

Então está aí. A humanidade, depois desse choque terrorista, pode começar a respirar – literalmente – aliviada. Os grandes do hemisfério Norte farão alguma coisa porque isto lhes acarretará lucros enormes. Os pequenos do hemisfério Sul, certamente pagarão um preço bem alto.

Não fosse o componente econômico certamente tudo continuaria igual: o mundo não acabaria tão cedo, o pólo Norte não derreteria, a vida continuaria por milhões de anos – ou por cinco bilhões de anos, que é a previsão de o Sol explodir feita há cem anos, quer dizer, retificando (o que os cientistas esquecem de fazer), por quatro bilhões e novecentos e noventa e nove milhões e novecentos e noventa e nove mil e novecentos anos.

Creio na Natureza e em sua capacidade de reação e recuperação. O degelo e as devastações são a maior prova de que ela é capaz disto, ainda que seja transformando o hemisfério Norte uma nova Atlântida.

Talvez, então, o Brasil se transforme numa potência mundial, apesar do petismo e dessa Argentinazinha aí, grudada no nosso garbo, que teve mais coragem, passou o calote nos davosnianos e por isto apresenta um ritmo de crescimento muito superior.



Escrito por Ilton: às 12:46
[] [envie esta mensagem] []



ANÚNCIO: VENDA OU PERMUTA DE IMÓVEL

Por via das dúvidas, vende-se uma casa situada em Porto Alegre, a 1 km do Rio Guaíba (que muitos dizem se tratar de uma lagoa), a 2,63 metros acima do nível do mar.

Se ocorrer tudo o que dizem os 2500 cientistas da ONU, resumido acima, no ano de 2100 (eles adoram números redondos) você, adquirindo essa casa, gozará de inúmeras vantagens e, se gosta de praia, a terá no seu quintal.

Assim, poderá usá-la para moradia e de vez em quando visitar o que sobrou de Porto Alegre – de canoa – e, ao mesmo tempo, como casa de veraneio.

Aceito permuta, desde que seja com imóvel situado no mínimo a 800 metros acima do nível do mar.

Não aceito barco no negócio.

Propostas de troca de moradores da ilha de Florianópolis serão rejeitadas sumariamente.

Contatos com o dono do blog. `

 

RETIFICAÇÃO: Considerando a chamada do Cesar Valente, nos pitacos, fica esclarecido que propostas de troca de moradores de Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina, serão rejeitadas sumariamente, pelos motivos seriamente justificáveis expostos no comentário do MaGenCo.



Escrito por Ilton: às 12:44
[] [envie esta mensagem] []



AINDA HÁ JUÍZES EM BRASÍLIA?

O Aluízio Amorim, num comentário recente e em artigo publicado no seu blog no dia 03, manifestou vontade de saber minha opinião sobre a possível redução da remuneração mensal dos professores universitários em virtude de uma perda, resultado do plano Bresser, e que vinha sendo paga até então, pelo que entendi, por força de mandamento judicial. A questão fora levantada pelo MaGenCo uns dias antes.

Eu havia lido ambas as matérias, mas pela dificuldade de analisar e, principalmente, de dar uma posição mais ou menos certa ou menos incerta, sem estar a par da origem do ato, do teor do processo, se o tal do direito já se afigura como adquirido ou não, enfim, sem ter elementos concretos das posições das partes, isto fica muito difícil.

O Judiciário criou um instrumento diabólico de interpretação das leis e o repositório dessas interpretações é a Jurisprudência, isto é, o conjunto de decisões dos tribunais guardadas e acessíveis via internet ou publicadas em revistas pelos próprios tribunais.

Eu já disse aqui: na jurisprudência o advogado encontra sempre algum precedente em defesa de sua tese e, se quiser, da tese contrária também. Pela jurisprudência é fácil provar que água é vinho ou que água é água mesmo, embora esta última opção seja muito mais difícil.

Há variações, mas antigamente se dizia que em barriga de mulher, traseiro de mula e cabeça de juiz não se podia confiar. Hoje, com as ecografias, é possível saber antecipadamente o sexo da criança que vai nascer, por isto as barrigas das mulheres são confiáveis; as mulas estão cada vez menos presentes nos cotidianos; mas as cabeças dos juízes proliferam, até por necessidade de trabalho, e por isto o risco aumenta já que – este é outro adágio antigo – cada cabeça é uma sentença.

Em princípio, se se configurar o direito adquirido na questão dos vencimentos dos professores, eles terão ganho de causa no STF. É certo que há precedentes negros, como o da desconsideração do direito adquirido dos funcionários que, mesmo aposentados, foram, de repente, obrigados a contribuir para os institutos de previdências dos Estados e da União.

Mas naquele tempo sombreava o STF o então deputado-ministro-candidato a presidente ou vice e principalmente político Nelson Jobim, que deixou o posto para se dedicar ao PMDB que, aliás, o merece. Depois de sua aposentadoria houve uma sensível melhora nas decisões do Supremo, mais qualificado agora, mas é bom lembrar que Tarso Genro ronda perigosamente o ambiente, como um zangão mal ferido, é já declarou alto e bom som que pretende relativizar o ato jurídico perfeito e fulminar o direito adquirido.

Por isto tudo, mas principalmente por não ter em mãos dados concretos – a inicial da ação, o ato que instituiu o benefício, a contestação, a decisão judicial – faltam-me dados para uma opinião tranqüilizadora ou não. Se me enviarem cópias dos atos judiciais referidos, poderei analisá-los com acuidade e dizer algo mais concreto.

Conta-se que em 1745 o rei Frederico II, da Prússia, após construir seu castelo em Potsdam, percebeu que um moinho velho atrapalhava a visão da paisagem. Ordenou, por isto, sua demolição, mas o moleiro discordou. O rei quis impor sua autoridade com o tradicional eu sou o rei e ordenei a destruição do moinho!, mas a ameaça não surtiu efeito. O soberano argumentou: você não entende que eu sou o rei e posso, com minha autoridade, confiscar sua fazenda, sem indenização? O moleiro respondeu, decidido a lutar contra o rei na Justiça: Vossa Alteza é que não entendeu. "Il y a des juges à Berlin" (Há juízes em Berlim).

Na Alemanha de então a Justiça era imparcial e o povo acreditava nela. Infelizmente, caros professores universitários, não posso dizer se ainda há juízes em Berlim, digo, em Brasília.



Escrito por Ilton: às 15:47
[] [envie esta mensagem] []



FIM DA INÉRCIA E O PORQUÊ

Algumas emoções nesses dias numa casa da Zona Sul de Porto Alegre, quando uma pequena reunião interfamiliar nos acordou para uma verdade que se aproximou – parece – rápido demais, protagonizada pelo casal e principal culpado (no bom sentido) aí em cima.

São o nosso filho Francisco e a Michele, sua namorada, formados em Música pela UFRGS. Ele com especialização em piano, ela em canto. No domingo as famílias se reuniram para uma confraternização com uma inafastável feição de despedida. Os dois, para aprimorar suas formações musicais e tentar reconhecimento artístico, partiriam, como de fato partiram, na terça-feira (ontem), para Karslruhe, na Alemanha.

Houve alguns choros incontidos e principalmente contidos. A Ieda conhece uma fórmula especial para engolir lágrimas cuja mecânica ignoro e da qual usou e abusou, exceto nos beijos e abraços no aeroporto. Por isto tudo o blog ficou em segundo plano.

Minha crise principal é comigo mesmo? Pode um pai que sempre quis ser dedicado e amigo ficar contente com a partida de um filho para tão longe, sentindo o vazio em mais um quarto da casa? Será que o pai extremoso e bom não deveria sentir tristeza?

Então não sou extremoso nem bom. Estou feliz. Senti o gosto amargo da despedida e da certeza de que nem nos fins de semana os teremos presentes. A casa está se tornando muito grande.

No Brasil dos sertanejos, dos pagodeiros de terceira categoria, de uma cultura vaziz e rasteira (não é de estranhar que não temos ainda um prêmio Nobel de Literatura, que nossos músicos fazem mais sucesso lá do que aqui, que nossa música não tem projeção internacional – salvo raríssimas exceções), eles não encontrarão espaço, a não ser reduzidos, para sua arte. A arte do canto, aqui, é medida pelo tamanho das bundas e das pernas das cantoras. Quando a Ivete Sangallo canta, por exemplo, a câmara foca mais suas coxas do que seu rosto. Ela é desafinada mas deve emitir graves por baixo. Só pode ser.

Mas o que se esperar de um país em que usar sandálias havaianas é considerado chique? Em que os guinchos desafinados de duplas sertanejas são considerados arte? Em que o cinema – novo, velho ou moderno – é caracterizado pelo amadorismo mais completo embora seus diretores se considerem intelectuais de primeira? De teatro, não falo. Fui apenas uma vez e minha decepção foi tamanha que saí de lá aos prantos. E era uma comédia.

Há algum tempo um peão que venceu o campeonato de Barretos transformou-se instantaneamente numa celebridade porque conseguiu ficar oito segundos sobre um touro, embora já não se saiba mais do nome dele. E a imbecilidade dos componentes dos BBB que viram celebridade pelos simples fatos de não fazer absolutamente nada, a não ser se expor ridícula e teatralmente numa casa à vista de todos promovendo baixarias?

Nem falo da violência, da insegurança, da corrupção, da educação, do desgoverno...

Chamem-me de pai de coração duro, mas eu estou contente porque meu filho foi para o Exterior. Isto, no Brasil, não é crime nem demonstra falta de sentimento. Emerge da realidade e o não pergunte o que seu país faz por você mas o que você faz por seu país, dito por Kennedy, nos EUA, aqui soa como pilhéria. Uma absoluta pilhéria. Importa-me, mais, o crescimento deles se isto lhes trouxer felicidade, ainda que tenham que ir para a China.

Estou feliz por meu filho ter partido. Estou feliz pela Michele ter ido com ele. Eles levaram um par de sandálias havaianas cada um, mas disseram que vão usá-las única e exclusivamente no banheiro. Não vão exibi-las, na Alemanha, como símbolo da grandiosidade estética brasileira.



Escrito por Ilton: às 15:44
[] [envie esta mensagem] []



Blog em recesso até amanhã.



Escrito por Ilton: às 11:14
[] [envie esta mensagem] []



ONTEM FOI FERIADO EM PORTO ALEGRE

Foto extraída do site Mundo do Bacalhau

 

Ontem não escrevi porque foi feriado em Porto Alegre.

Ainda que esteja aposentado gosto de respeitar os feriados nem que seja para fazer com mais afinco aquilo que faço todos os dias, ou seja, absolutamente nada.

Comemorou-se Nossa Senhora dos Navegantes (imagem acima), a padroeira de Porto Alegre. A festa, que se realiza aqui há 132 anos, é muito freqüentada e se subdivide em terrestre e aquática.

Na procissão fluvial, um contingente de quase duzentos barcos saiu da Ilha da Pintada até a Usina do Gasômetro, que o PT transformou num dos pontos culturais de Porto Alegre. Nela, mais do que Nossa Senhora, é homenageada Iemanjá, a rainha do Mar, e que segundo os crentes se trata da mesma entidade. Ou pessoa.

Essa procissão esteve suspensa entre 1989 e 2000, após o acidente com o Bateau Mouche, no reveillon de 1989, no Rio de Janeiro. A maioria dos barcos de Porto Alegre não era guarnecida com coletes salva-vidas e por isto foi proibida.  

A procissão terrestre exige muito mais sacrifício. Os fiéis saem da Igreja do Rosário, próximo ao Centro, e carregam uma imagem de Nossa Senhora até o Santuário de Navegantes, distante quatro quilômetros, na Zona Norte da Capital.

Ontem, cem troncudos marinheiros se revezaram no transporte do andor com a imagem, dez de cada vez. Foram milhares os fiéis participantes – cem mil, segundo a Brigada Militar – e grande parte deles participou da procissão para cumprir promessas.

No noticiário local, vi meninos de cinco ou seis anos vestidos de anjinhos sobre os ombros dos pais, visivelmente envergonhados pelos trajes que vestiam. Um dos pais foi entrevistado e esclareceu que o menino nasceu com asma e, por isto, fez a promessa: se a doença desaparecesse ele participaria de sete procissões seguidas com o garoto vestido de anjo.

Não sou muito adepto desses que fazem promessas para os outros cumprirem.

Dona Yeda com “y” também participou da celebração. Não sei estava cumprindo alguma promessa de campanha. Idem o prefeito José Fogaça, que acompanhou, segundo o noticiário, a procissão do início ao fim.

Geralmente é quente, nesse dia, e ontem não escapou à regra. A procissão demorou cerca de quatro horas e os fiéis sofreram sob o sol inclemente e com o calor cuja sensação, no trajeto, deve ter ultrapassado os quarenta graus.

Por isto também se tornou tradicional, na festa de Navegantes, o consumo de melancia, que é um ótimo hidradante. Ao longo do trajeto há barracas que vendem o produto e, depois, a casca é jogada ao chão mesmo, produzindo lixo e servindo, às vezes de escorregador para os mais distraídos.

Muitas pessoas se sentem mal e desmaiam no trajeto.

Enfim, é um resumo da vida brasileira, em si, em que o povo sofre fiel às suas crenças e devoções enquanto é explorado por patrões e Governo e vergastado pelas dificuldades do dia a dia.

Não é crítica. Apenas constatação.  



Escrito por Ilton: às 06:11
[] [envie esta mensagem] []



HASTA EL VISTA, MISTER BILLY THE GATES

Dia 30 marcou o lançamento mundial do Windows Vista. O Feirão Big de Eletrodomésticos de Porto Alegre e a Microsoft fizeram uma promoção: por R$ 589,00 à vista, ou pelo cartão a prazo, vendiam o Vista Home Premium Full e davam de brinde o Office Professional 2007. Com um detalhe: como tanto a Microsoft quanto o Big são empresas generosas, que consideram mais o ser humano que o lucro, a promoção era válida para os 10 (sim, dez) primeiros clientes que comprassem o Windows.

Considero a Microsoft a maior empresa pirata de todos os tempos. Ela copia softwares e esquemas que, depois, acabam ficando melhores que os originais. Para o Vista, por exemplo, introduziram recursos de segurança próprios do Linux e o visual lembra o Macintosh. Certamente dirão que são aperfeiçoamentos naturais, e não plágio. Seus técnicos são piratas altamente sofisticados e conseguem ludibriar até a atenta Justiça americana.

Como sou assanhado por esse tipo de coisa, corri para o Big quando soube da promoção mas, logicamente, o produto havia esgotado. Nunca estou entre os dez primeiros. Meu interesse maior era, mesmo, o Office 2007 (a minha versão é a 2003). E o atrativo principal era o preço e as condições.

Como as uvas estavam verdes, vamos desancar o pau.

Se você pensa em migrar para o Vista é prudente esperar um pouco. Apenas reproduzo um conselho da revista Info, da Abril, de janeiro de 2007, que em seu Infolab fez testes e chegou a conclusões pouco entusiasmantes. A principal constatação: para rodar o sistema com desempenho razoável e todos os efeitos visuais é necessário ter 1 GB de memória principal e placa de vídeo compatível com DirectX 9 e memória independente de pelo menos 128 MG, além de um processador de 1,4 GHz ou mais.

Outro teste revelou a lentidão do Vista: num Pentium 4 de 3 GHz com 2 GB, uma seqüência de operações no Photoshop demorou 4% mais no Vista que no XP. Já num Pentium D 920 com 512 MB de memória, o tempo foi 64% maior.

É possível você pré-examinar seu micro ver se ele tem condições de acolher o Vista. A Microsoft disponibiliza o Windows Upgrade Advisor que pode ser baixado daqui (talvez seja obrigado a instalar mais um dois programas).

Meu micro rodou no teste. Tem apenas 512 MG de RAM. A placa de vídeo é suficiente, mas teria que trocar a de som. A minha, uma X-Lerate semi-profissional (comprada para o micro de meu filho rodar programas especialistas em música) teria que ser trocada por alguma mais elementar, possivelmente da Creative. Programas da família Nero não rodariam nele. E, ainda teria que liberar espaço no HD.

Por isto, estou lançando um boicote nacional contra o Vista. Vocês deverão espalhar a idéia de que o XP, o 98 e o ME são melhores e que a mudança só trará despesas, incômodos na instalação e instabilidade no sistema.

Infelizmente, só lanço a idéia. Não participarei do boicote. Já me conheço. Mais dia menos dia numa loja de informática acabarei adquirindo o Vista. Serei miseravelmente traído pela chamada atração por repulsa. Afinal, é em cima disto que a Microsoft trabalha: daqui a uns tempos não se encontrarão mais softwares que rodem no XP e ela encerrará as atualizações desse sistema, como fez com o ME recentemente, deixando-o capenga. O bom de ontem é o lixo de hoje.

É o preço do progresso que idiotas como eu pagam apenas pelo prazer de estar na frente do bom de hoje mesmo que o lixo de ontem seja melhor...



Escrito por Ilton: às 16:49
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]