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PERFUNCTÓRIAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESPÍRITO SANTO
Estamos no Espírito Santo há alguns dias e aqui ficaremos até dia 18, com previsão de chegada em Porto Alegre às 17,30 horas, salvo algum calçapé da Gol – Linhas Aéreas Inteligentes, como o que ocorreu na vinda.
Aliás, esqueci de dizer que a aterrissagem no Galeão, na vinda, não foi propriamente uma aterrissagem: foi uma meia-queda. O solavanco deu a impressão de que o piloto simplesmente deixou o avião cair de uns, talvez, 10 metros. Minha coluna, que vinha em franca recuperação, reclamou de novo.
A estas alturas não há como deixar de comparar o Estado em que vivemos com o que visitamos. As etnias são praticamente as mesmas: italiana, alemã, portuguesa e até polonesa. O problema é que – e isto foi um capixaba que me disse (em tom de brincadeira, claro) – por uma inspiração nem espiritual nem santa os bons foram para o Sul e os maus vieram para cá. Não tenho como confirmar a veracidade dessa afirmativa, mas se sabe que este é considerado um dos Estados mais corruptos e violentos do Brasil.
A corrupção existe em todos os poderes. Isto é consabido. O Poder Judiciário, que é que mais me interessa, é composto por uma dinastia há tempo no poder. Diz-se, até, que muitos advogados não fazem concurso para juiz por falta de sobrenome: o acesso, mesmo através de concurso, se dá na ordem de vocação hereditária, isto é, filhos, sobrinhos, primos, por aí.
Quanto à violência nada diferente de Porto Alegre. Aliás, acho mais perigoso andar por lá do que por aqui, talvez por desconhecimento de causa. Quando fui comprar um cartão de memória para máquina fotográfica de minha filha deixei um pacote sobre o balcão e a atendente estranhou que eu, de vez em quando, olhava para ele. Disse-lhe que em Porto Alegre provavelmente já o teriam surrupiado e ela: “Aqui não acontece isso não!”
O trânsito de Vitória e Vila Velha é coisa de louco. A buzina prepondera sobre placas de sinalização e semáforos e no último fim-de-semana foram doze os mortos em acidentes. A seta, ou sinaleira, também prepondera: se você vai tranqüilo pela sua pista e alguém estacionado à sua frente quer sair, liga a sinaleira e, autorizado por esse simples sinal de luz, corta a sua frente e você é obrigado a parar para não bater. Em Porto Alegre só os motoristas de ônibus têm esse direito.
A Praia da Costa é uma beleza de praia, bonita, extensa, arborizada, de águas límpidas e cristalinas, com estacionamento fácil porque aqui se procura simplificar a vida inclusive dos que gostam de levar o carro até próximo ao mar. Pequena parte dela pode ser vista acima.
Dia desses percorri a praia inteira, duas ou três vezes, ida e volta, em menos de duas horas e não senti cansaço. Minha filha dirige bem e o clima estava agradável dentro do carro, com aquela brisa do ar condicionado em meu rosto.
“Deus é fiel”. Você lê essa frase em todos os lugares: em carros, em lojas, outdoors, fachadas de igrejas, motéis, tatuada em braços de fortões e de fracotes, na frente e nas costas de camisetas, por aí afora. Acho que é porque o filho de Deus foi concebido pelo Espírito Santo.
A religiosidade é muito grande e deve ser o local do Brasil onde mais se misturam e se congregam igrejas de vários credos. Um advogado milionário, envolvido no caso do assassinato de um Juiz ocorrido há uns dois anos, até há pouco esteve custodiado na cela da Polícia Federal. Converteu muitos outros presos e, ao que parece, gente de Brasília também. Logo foi solto.
Com base nessa única e desgraçada premissa acho que Deus é realmente fiel. Mas o povo, que sofre nas mãos dos corruptos do Espírito Santo, parece que não!
Escrito por Ilton: às 15:45
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A URNA ELETRÔNICA E AS VOZES DO DESERTO

Parecem vozes do deserto soando em vão. Os ventos não sopram ondas sonoras para o Planalto e os que gritam aqui em baixo estão sozinhos. Os raros ecos que chegam lá encontram ouvidos entupidos por bolores dogmáticos e fervorosos que obliteram consciências e se impõem aos que apenas podem gritar.
A Imprensa, que bem ou mal, é a amplificadora das grandes mazelas politiqueiras, como as do mensalão, dos correios, dos sanguessugas e outras que não adianta relacionar porque vai apenas esgotar os limites de caracteres do post, também parece dormente, acalentada pelo canto de sereias, sem se animar a perseguir mais fundo o dever de informar e divulgar denúncias. Mais interessa o fato consumado da briga de foice, de preferência com vítimas sanguinolentas – dá mais Ibope – do que amplificar vozes do deserto para que elas, como os caminhões de som dos candidatos que passam pelas ruas nesta época, atormentem, ou pelo menos, obriguem a ouvir os que não querem ouvir. Para que depois não digam que não foram alertados.
O que está ocorrendo – ou melhor – o que não está ocorrendo com as denúncias de que a urna eletrônica é fraudável? Ninguém dá a mínima. Domingo, no Roda Viva, o jornalista Joelmir Betting, iniciou o que pensei fosse um questionamento ao Ministro Marco Aurélio, presidente do TSE, sobre o assunto. Pura esperança! Além de não questioná-lo partiu do pressuposto de que ela é infalível para indagar sobre seu uso futuro.
Parece que todos os setores da sociedade brasileira se uniram num conluio perverso e universal para evitar um problema crucial e deixaram de lado os poucos que berram. Será que esses poucos são loucos conspiradores e inimigos do Estado e do sistema eleitoral? Será que o livro dos doutores Brunazo e Cortiz (Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico) é apenas um panfleto mal intencionado, que visa gratuitamente desacreditar a instituição dogmática e fechada(?) da ungida urna eletrônica? E o Voto Seguro, é igualmente apenas panfletário? Será que ninguém vai dar bola para o que escrevo aqui, não porque sou eu que escrevo, mas porque o assunto é grave? Não interessa que seja eu, sou capaz de andar troteando para demonstrar que sou burro, mas o que estou dizendo não é fruto de imaginação. Já vi muitos burros terem lampejos instintivos de absoluta lucidez e muitos inteligentes fazerem besteiras com galhardia acreditando-se gênios.
Ninguém está pedindo que as urnas eletrônicas sejam dispensadas. Apenas que nos dêem a certeza de que o candidato cujo número digitaremos nelas seja exatamente aquele que receberá nosso voto. É pedir demais?
O computador, quando surgiu, era confiável. Poucos admitiam a possibilidade de o “cérebro eletrônico” errar e era louco quem ousava desacreditá-lo – eu era programador quando os primeiros computadores, aqueles enormes mainframes, chegavam ao Brasil e o da Telesc, em Santa Catarina, da Burroughs, era um dos mais modernos da época. Dizia-se que não fora escolhido um IBM, mais sólido no mercado, por que esta empresa mantinha uma rede de espionagem mundial através de seus computadores.
Quem, ao se iniciar no mundo computadorizado, acreditava que podia ser vítima de hackers, de vírus, de espiões e de bugs? Eu não. Mas eles estão aí. São uma realidade apenas menos visíveis que os programas legais.
Os senhores do Planalto passam por uma fase de deslumbramento com a urna eletrônica e não admitem que ela possa ser mal utilizada. É um dogma eleitoral e só loucos procuram destruir dogmas. Galileu, Freud e Darwin? Loucos! Apenas loucos porque destruíram mitos e dogmas.
A urna eletrônica foi parida de repente, sem a segurança das coisas que nascem pequenas e aos poucos vão se consolidando com firmeza, é o Sol que gira ao redor da Eleição, é a ausência do inconsciente e do subconsciente eleitoral.
Quando os gênios do Planalto, hoje de olhos e ouvidos fechados, atinarem para essas verdades muita injustiça terá sido cometida. Talvez seja tarde.
Escrito por Ilton: às 16:48
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"NÃO ANULE SEU PROTESTO. NÃO ANULE SEU VOTO"

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançou no dia 1º de setembro mais um movimento em prol da ética na política — a campanha
"Não anule seu protesto. Não anule seu voto".
Nosso objetivo é estimular o eleitor a fazer da escolha do melhor candidato a forma mais veemente de repúdio aos homens públicos que recentemente mancharam o cenário político nacional.
Em resposta às diversas correntes disseminadas na internet, que convocam os eleitores a anular o voto, a AMB decidiu fazer da Rede Mundial de Computadores a principal arma de divulgação da campanha.
Una-se a nós! Encaminhe esta mensagem aos seus colegas, familiares, listas de discussão de que faz parte, enfim, para todos os seus contatos via e-mail. Só assim faremos que o maior número possível de pessoas conheça e se engaje no movimento.
Rodrigo Collaço
Presidente
Para auxiliar os eleitores nessa empreitada, a AMB formulou seis dicas para o voto consciente. Clique no link abaixo para conhecê-las.
NÃO ANULE SEU PROTESTO
Esta foi enviada pela Vera:
Vai no Google e digita "politico honesto". Aí clica em Estou com Sorte.
Escrito por Ilton: às 09:18
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UM LOG, OU SEJA, UM GOL CONTRA

É realmente modernoso você pensar que pode sair de Porto Alegre e, mesmo fazendo uma conexão no Rio de Janeiro, chegar no Espírito Santo em oito horas de viagem apenas.
Foi o que tentamos dia 08, a Ieda e eu, pela Gol, aquela que se diz Linhas Aéreas Inteligentes e que, com a quebra da Varig empurrada por um consistente desapoio governamental, começa a tomar conta do campinho. Ou dos campos de aviação, como se dizia antigamente. Saímos de Porto Alegre às 14,50 e chegamos ao Rio às 17,30, com escalas em Curitiba e Campinas sem anormalidades. O enjôo com aquelas barrinhas de cereais se rebate fácil, no outro dia, com uma limonada purgativa.
O vôo 1787 para Vitória era às 21,45 e a espera fora calculada por injunções econômicas da ordem de R$ 500,00. Permitiu uma caminhada para desinchar os pés e ingerir alguma coisa mais substanciosa.
Liberado o acesso ao embarque, pelo portão 3. “A aeronave está em solo”. Pelo portão 2 caminhavam passageiros com destino a Salvador, vôo 1805. Então nos transferiram ao portão 2. Estranhamos quando o pessoal de Salvador voltou, passou à nossa frente e se dirigiu à plataforma de embarque do portão 3, que era o nosso.
Todos na fila, pediram que sentássemos pois o embarque demoraria um pouco. Esse pouco foi transformado pelo sistema do som em duas horas e quinze minutos: nosso avião partiria à meia-noite.
As informações foram transmitidas a conta-gotas, por insistência: uma peça de segurança precisava de substituição e estava a caminho. Não era peça perigosa para a aterrissagem ou decolagem, mas obrigatória por lei, segundo o atendente Rogério. Se estava a caminho, melhor. Mas então informaram que a peça vinha de São Paulo, pois no Rio não havia igual para reposição. Estava a caminho do Aeroporto Santos Dumont. Nós estávamos no Galeão. Uma advogada instigou que todos assinassem procuração para entrar com ação danos morais. Outros, como eu, registraram reclamação na ANAC.
Afinal nosso avião partiu aos 30 minutos do dia 9, com mil desculpas pedidas pelo comandante: a tal peça era uma escorregadeira que fora inadvertidamente acionada e bloqueara a abertura da porta da frente...
Tudo bem. Cá estamos. O reparo era necessário à segurança, mas restam dúvidas. Por que a Gol desviou o nosso avião para Salvador? Os atendentes diziam que eram “ordens da Coordenação Geral”. Será que havia alguma autoridade importante nele? O presidente/candidato Lula não poderia ser: ele é privilegiado e tem avião próprio para viajar às nossas custas. Os atendentes não sabiam de nada.
Mas faltou consideração da Gol aos que ficaram aguardando no saguão de embarque. Nem aquelas enjoativas barrinhas de cereal, ou algum líquido, serviram. Só se a demora for superior a 4 horas – disseram – proporcionar-nos-iam melhores condições.
Eu, fibrilado, nem conto. Houve quem sofreu mais. Havia pelo menos três mães com bebês de colo na espera e mais três crianças entre um e 4 anos por ali, as mais grandinhas correndo e pulando enquanto tiveram energia. Uma senhora com pé machucado, sentada numa cadeira de rodas, não resistiu: esticou-se em três bancos, usou a cadeira como apoio para os pés, e dormiu toda torta. Se fosse eu, que estou com problemas de coluna, teria que ser levado deitado para o avião. Daí sim a Gol veria o que é problema.
Culpar o Governo pelo deixou pelo que deixou de fazer com a Varig, permitindo o domínio das linhas aéreas nacionais e internacionais por empresas apressadas, mal preparadas e cujo objetivo principal é ganhar mais dinheiro – cada vez mais dinheiro – sem se preocupar com o bem-estar dos passageiros, não adianta absolutamente nada.
Até porque a Varig ainda existe. Passou a chamar-se Varig-Log. Log? Por que LOG? Não seria melhor entregar os pontos LOGO e virar esse LOG de trás para frente? Afinal, o que a Gol Transportes Aéreos fez foi isto: marcou um LOG, ou seja, um GOL contra.
Escrito por Ilton: às 10:58
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MÃO PESADA NA FÓRMULA 1

O piloto Fernando Allonso foi punido com a perda de cinco posições na corrida de hoje, por ter fechado o Felipe Massa nos treinos oficiais de ontem.
O Galvão Bueno disse que realmente infração houve. Mas que na punição, que beneficiou Michael Schumacher e a Ferrari, pegaram com a mão muito pesada.
Será que foi essa mão aí?
Escrito por Ilton: às 09:31
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HOJE É DOMINGO.
Por isto estou republicando – diretamente de Vila Velha, no Espírito Santo –,uma crônica de 24/08/2004, do início do blog, quando a nossa atleta Daiane dos Santos em sua apresentação nas Olimpíadas, cometeu aqueles dois erros e perdeu o primeiro lugar.
Amanhã espero escrever sobre o mico que a Gol Transportes Aéreos nos fez passar, e aos passageiros do vôo 1787, no Rio de Janeiro.
Um Gol contra!
Escrito por Ilton: às 05:32
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D A I A N E

– Errei porque errei... um pouco de nervosismo... eu sei fazer tudo... no treino deu certo aqui errei, eu errei, foi só isto... eu não estou triste por não subir ao pódio, mas porque eu errei ali...
Nenhuma desculpa esfarrapada, nenhum redirecionamento de responsabilidade, embora a repórter da Rede Globo tentasse, de todas as formas, arrancar uma resposta padrão, recheada dos chavões que geralmente os perdedores avocam para justificar seus erros. Afastou a qualificação de semideusa que lhe quiseram impingir. Apesar de toda a cobrança, demonstrou ter discernimento suficiente para saber que não é devedora.
Também não é uma perdedora – e agora sou eu que me permito utilizar lugares comuns – porque já comprovou que o que não conseguiu fazer ontem já o fez com precisão em outras ocasiões.
Venceu quem arriscou menos e por isto errou menos. Daiane arriscou mais, com dois movimentos que ela criou, de elevada complexidade, e errou mais.
Mas ela sabe e sabe que sabe. Isto, em termos, é o que importa. É claro: uma medalha olímpica é um empurrão para frente, a consagração, a possibilidade de ganhos financeiros que certamente a tranqüilizariam quanto ao futuro e a retirariam mesmo do nosso Jardim Urubatã – ela mora aqui, não sei se vocês sabem, embora treine em Curitiba.
O que falta aos nossos atletas solistas não é treinamento físico. É uma assistência psicológica mais eficiente e personalizada. Percebe-se uma tensão invencível estampada no rosto de cada um, quando focalizados em close no momento da prova. No semblante dos concorrentes estrangeiros isto não aparece com tanta evidência: demonstram mais segurança e os traços do rosto influenciam no ânimo. Também um apoio oficial mais efetivo. Só telefonar depois não adianta.
– Foi por causa do joelho? O que você sentiu? Você está triste? – tentei imaginar qual seria a reação da repórter se ela respondesse que estava alegre.
– Sua mãe te ama – a repórter repetiu a assertiva diversas vezes tentando arrancar alguma lágrima. Mas ela se manteve firme. Não chorou.
– Sua mãe está dizendo que você já é uma vencedora, uma guerreira, ela está muito emocionada, ela diz que te ama – e nada!
A televisão não gosta de reações autênticas. A repórter ficou mais desconcertada com a falta de lágrimas do que a Daiane por não ter conseguido medalha.
Escrito por Ilton: às 05:30
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A VORACIDADE DO LULEÃO
Texto de autoria de Carlos José Marques, escaneado da IstoÉ Dinheiro de 30/08/2006, página 7:

Escrito por Ilton: às 08:36
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ENTREVISTA À GLOBO.COM
Como os meus queridos leitores
devem estar frustradíssimos por não poderem acompanhar a minha entrevista na
Rádio Câmara – porque, como informado ontem, ela não foi ao ar – transcrevo
abaixo entrevista que concedi à jornalista Mariana Oliveira, da Globo.com, que
também já era para ter sido publicada e até agora não foi – pelo menos não a
encontrei, embora eu seja péssimo nas pesquisas pela internet.
Então,
segue abaixo, em primeira mão e com a mais absoluta das exclusividades – e olha
que passar a Globo para trás não é fácil –, a transcrição da entrevista que,
como a que não saiu, tem como objeto a urna eletrônica.

Globo.com: A
urna eletrônica brasileira, do jeito que é, é confiável? Por
que?
Ilton
Carlos Dellandréa:
Infelizmente acho que não. Pelo que li no site Voto Seguro (www.votoseguro.org) e no livro Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico, de Amílcar Brunazo
Filho e Maria Aparecida Cortiz – que é no mínimo inquietante – a
urna eletrônica virtual que será usada nas próximas eleições não é segura como
deveria ser e, por isto, não é confiável. A urna é um aparato de informática e
todo mundo sabe que qualquer aparelho programável por seres humanos apenas
obedecem a comandos que se lhes introduzem. Pode ocorrer a inserção de comandos
mal intencionados por programadores também mal
intencionados.
GC: O
voto de papel era mais seguro?
ICD: São
duas realidades distintas. O voto manual, ou em cédulas, evidentemente, não
evitava fraudes. Mas, na maioria dos casos, era mais fácil de detectá-las porque
era escrito em papel e ficava registrado. Em caso de impugnação o exame se fazia
na hora da apuração, diante da cédula ou das urnas impugnadas. A fraude era mais
visível e concreta e por isto reparável.
GC: O
sr. Já foi juiz eleitoral. No início confiava nesse sistema? Como percebeu que a
urna eletrônica não era segura?
ICD: Nas
primeiras eleições em que usaram urnas eletrônicas eu era Juiz Eleitoral em
Porto Alegre. Acreditei nelas porque representavam um progresso efetivo em
termos de rapidez e segurança. Mas essa segurança era relativa à apuração do que
havia no interior da urna, nada tendo a ver com possíveis fraudes. A nenhum juiz
foram dadas informações detalhadas sobre o software utilizado e seu desempenho,
nem seria lógico que isto ocorresse, pois para tanto havia (e há) técnicos e
especialistas nos Tribunais Eleitorais.
Escrito por Ilton: às 13:56
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CONTINUAÇÃO DA ENTREVISTA
GC: Pelo seu conhecimento, o que os demais juízes pensam da urna eletrônica?
ICD: Não tenho dialogado com juízes eleitorais sobre esse assunto após minha aposentadoria, em 2002. Por isto não sei de juiz eleitoral que não aceite a urna como confiável. Mas pelo que disse acima, e a realidade não deve ter mudado no aspecto, os juízes não têm condições de examinar urna por urna nem sabem como ela é programada e qual o conteúdo de seu software. Nem têm como verificá-las porque, atualmente, pelo que sei, as urnas são enviadas diretamente às secções eleitorais (mesas receptoras de voto) diretamente pelo TRE, salvo no interior.
GC: Por que o sr. Acha que o TSE não acata pedido de técnicos na área para efeturar teste de penetração no sistema?
ICD: Não tenho conhecimento dos motivos da denegação. Sei que os juízes são obrigados a motivar suas decisões, por força de lei. Por isto deve haver alguma fundamentação que o TSE acha suficiente para negar os pedidos. Mas essa negativa é, de certo modo, surpreendente, já que se trata de um teste em determinadas urnas, aleatoriamente escolhidas, sem prejuízo ao processo eleitoral.
GC: O sr. Poderia dar exemplo de uma eleição que foi fraudada, ou pelo menos, apresentou indícios de fraude?
ICD: Pessoalmente, não tenho conhecimento de fraudes, a não ser aquelas que a imprensa publica, depois de eleições, como a do município em que havia mais eleitores que habitantes... Ou a existência de eleitores fantasmas que o juiz, por ocasião das eleições, não tem como averiguar. As fraudes são elaboradas exatamente para não serem detectadas pelos juízes e pela Junta Eleitoral e só aparecem quando há efetiva fiscalização pelos partidos. Mas aqui no Rio Grande do Sul cito o exemplo do hoje senador Pedro Simon que atribuiu a fraudes o fato de não ter sido eleito governador do Estado em 1982. Ele culpou a Justiça Eleitoral por isto.
GC: Acha que os próprios funcionários do sistema eleitoral participam das fraudes?:
ICD: Nas urnas eletrônicas, fraudes concernentes a desvios de votos ou outras que dependam de alteração de software, só podem ser efetuadas por quem mantém a guarda das urnas e, mais especificamente, pelos encarregados de carregá-las com os dados e programas pertinentes, que mudam a cada eleição. Então, se eles forem funcionários do TSE ou dos TREs – e se houver fraude –, necessariamente haveria que ocorrer pelo menos a sua colaboração. Para alterações no software da urna é preciso alguém que conheça a linguagem utilizada na programação e, mais do que isso, que tenha acesso à urna.
GC: Pode haver envolvimento dos funcionários do alto escalão ou mesmo dirigentes do TSE?
ICD: Não creio. O ministro Marco Aurélio Mello, que não conheço pessoalmente, mas cujo trabalho acompanhei por muito tempo, quando na ativa, sempre foi respeitado no seu meio, é um grande jurista, probo e íntegro. Acho que no aspecto, nas condições de hoje, poucos seriam tão acertadamente indicados para o cargo que ocupa quanto ele. Sua firmeza e lucidez, seu passado e o que é, são, de certa forma, uma segurança para as eleições, no que depender dele. Quanto a outros funcionários “do alto escalão”, por não conhecê-los, e por não ter familiaridade com suas funções – principalmente com os que lidam diretamente com a urna eletrônica –, não posso responder.
GC: Vc acha que é viável levantar suspeitas sobre a transparência das eleições em véspera de pleito eleitoral?
ICD: Não se levanta suspeitas sobre a transparência das eleições, mas sobre a possibilidade – apenas a possibilidade – de ocorrerem fraudes nas urnas porque elas são inseguras e não confiáveis. Também não se diz que ocorrerão fraudes, mas que elas podem ocorrer. Então, qualquer momento é momento para se levantar suspeitas até para tentar prevenir, e na medida do possível, barrar a intromissão de comandos mal intencionados na programação das urnas. E alertar os partidos para que instruam adequadamente seus fiscais.
Entendo, como sugere o Voto Seguro, que seria absolutamente conveniente usar a urna eletrônica real, que registra o voto do eleitor e que serviria para apurar eventual fraude, ao contrário da urna eminentemente virtual, que se vai usar, em que tal averiguação não será possível.
GC: Por favor, faça uma descrição de sua atuação na área eleitoral, para eu citar no texto. Agradeço...
ICD: Fui juiz eleitoral nas Zonas Eleitorais de Iraí, e lá presidi as eleições de 1982. Em Novo Hamburgo presidi o processo de recadastramento eleitoral de 1986 e eleições em 1986 e 1988. Em Porto Alegre presidi, na 161ª. Zona Eleitoral as eleições de 1994 e 1996, em que pela primeira vez se utilizou a urna eletrônica.
Escrito por Ilton: às 13:50
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SEGUNDA ORDEM
Telefonaram, de Brasília – não foi a Danielle –, dizendo que o programa foi adiado sine die em virtude de outro, sobre a votação do voto secreto mais importante.
Ficaram de me comunicar a nova data.
Quando isto ocorrer, informarei aqui, desde que ainda não tenham transcorrido as eleições.
Escrito por Ilton: às 16:31
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URNA ELETRÔNICA: ENTREVISTA NA RÁDIO CÂMARA
A Danielle, simpática repórter da Rádio Câmara, informa que a entrevista que lhe dei por telefone, esses dias, sobre a Urna Eletrônica, vai ao ar amanhã, quarta-feira, ao vivo, às 8,30 horas.
Pode ser ouvido pela Internet.
É só entrar aqui e depois clicar em “Conheça os Programas” (à esquerda, com fundo verde) e escolher o “Palavra de Especialista”, que você acompanhará a entrevista e ouvirá a minha maviosa voz.


O programa será retransmitido por volta de 9,00 e não perca a oportunidade de ouvi-lo de novo, porque não vale a desculpa: “Ah! Não ouvi bem!” ou “O que será que ele quis dizer?”
A previsão é de enorme ascensão dos índices do IBOPE da Rádio Câmara, no horário.
Pela performance da entrevistadora, claro.
Escrito por Ilton: às 12:43
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PERDÃO, LEITORES!
Esta minha dolorida coluna provoca desconfortos emocionais, desinteresse, desânimo, falta de vontade de escrever, de pensar, porque o sofrimento – ou estresse, como queiram – bate mais no psíquico do que no físico.
Por isto, por uns dois ou três dias ela estará fora do ar.
Estou fazendo acupuntura, fisioteraria, quiropraxia e exercícios físicos – na medida da minha capacidade – visando melhorar o emocional e voltar à normalidade.
Talvez eu só volte a postar do Espírito Santo (viu, Mágui, estamos indo para Vila Velha dia 08), mas esta não é uma afirmativa muito confiável: é possível que amanhã já esteja mais animado, a coluna mais aliviada, e poste alguma coisa.
Até!
Escrito por Ilton: às 10:51
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FRANCISCO NO CONCURSO DE PIANO DO PANAMÁ

Foram dias de compenetração e expectativa aqui em casa, esses últimos, pela participação de meu filho Francisco, recém-formado na UFRGS, no 2.º Concurso Internacional do Panamá.
Sempre incentivei a decisão dele em seguir carreira musical. Um dos argumentos que usei era o de que, envolvido com o mundo das artes, com o Belo musical, estaria longe das misérias humanas, da imoralidade e da velhacagem que tanto vi nos processos que julguei e que me angustiaram.
Mas o mundo musical erudito, quando se trata de concursos, dá rasteiras na Arte e no Belo.
Transcrevo, abaixo, trechos de reportagens de Veja, de 19/07/2006 (Fraude em Tom Maior) e 16/08/2006 (Notas Suspeitas), de Sérgio Martins, sobre falcatruas no concurso Villa-Lobos, de projeção internacional – como o do Panamá – realizado em São Paulo.
Referi em 04/05/2006 (aqui, quase no final da página), que o Francisco foi selecionado entre os 15 participantes. Já no Panamá, passou a primeira etapa com mais sete candidatos mas foi eliminado nas semifinais.
Ele era o mais novo dos participantes e disse que tocou bem. Errou, mas em concursos todos cometem erros. Mas errou menos que outros que foram adiante. Ele é muito exigente consigo mesmo, ficou quatro meses se preparando, e acredito nele.
Dois cubanos que não tocaram bem foram adiante. Contavam com a presença de sua professora, certamente para evitar que eles pudessem fugir e pedir asilo político (lembra a piada argentina que diz que um quarteto é o que sobra de uma orquestra sinfônica cubana após um giro pela Europa). Ela comprou matérias em jornais do Panamá elogiando seus pupilos e jantava com jurados. É uma celebridade da música erudita cubana e convidou alguns para participarem de um concurso na ilha. Cada um extrai suas conclusões.
Boato após o concurso diz que o vencedor, um espanhol, comprara quatro jurados (não se sabe a troco de quê). Uma jurada brasileira radicada na Europa comentou que ele lhe enviara, no hotel, uma garrafa de champanha que, indignada, mandou devolver. Cortou, talvez, pela raiz, uma abordagem mais objetiva e direta.
Vou resguardar fontes. Mas um dos jurados é desafeto do pianista Miguel Proença, de renome internacional e professor do meu filho, e teria arquitetado, com outros mais influenciáveis, um plano para atingir o professor. Mas o atingido foi meu filho, preterido em função de pianistas que erraram mais do que ele.
Eu não estava lá. Apenas relato fatos que me foram transmitidos – não exclusivamente por meu filho – para que cada um tire suas conclusões.
A lição é que, para esse tipo de concurso, é preciso ter infra-estrutura, malícia e... dinheiro. A preparação vai além dos estudos do pianista. Uma professora de piano russa, radicada em Curitiba, disse que isto é normal e comparou os concursos menores, do Brasil, a uma briga de gatinhos. Os concursos internacionais são brigas entre leões.
Talvez este post seja considerado um desabafo de um pai despeitado. Conscientemente não. Afinal, não vencer um concurso com essas características não põe em risco uma carreira. Meu filho disse – e de novo acredito nele – que está mais satisfeito por ter tocado bem e concluído que tem condições de se apresentar em qualquer lugar do mundo do que se tivesse vencido tocando mal.
Escrito por Ilton: às 10:10
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PRIMEIRA REPORTAGEM: 'FRAUDE EM TOM MAIOR"
Autor, Sérgio Martins, de Veja:
Em outubro do ano passado, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) anunciou a criação do Concurso Internacional de Piano Villa-Lobos. Com prêmios de até 30.000 dólares, o concurso atraiu a atenção de pianistas do mundo inteiro. Em meados de maio, os vinte finalistas foram anunciados. Mas agora, às vésperas das audições que vão determinar o ganhador, surgem indícios de que a seleção foi um processo fraudulento, em que o talento dos participantes ficou em segundo plano. A história que emerge desse tiroteio é feia: mostra que o sigilo das inscrições foi quebrado, que alguns músicos foram protegidos e que notas foram manipuladas para que se criasse um time de competidores que parecia "adequado" à organização do evento.
O musicólogo americano Jeffrey Moidel e o pianista brasileiro Gilberto Tinetti analisaram cerca de 100 gravações para escolher os finalistas. Então, a confusão. Ilan Rechtman, ex-diretor do festival, foi demitido dia 23. A Osesp o acusou de mudar a ordem da classificação de Tinetti e de telefonar a candidatos brasileiros dizendo-lhes, antes do anúncio oficial, que eram finalistas (o que não ocorreu). À Veja Rechtman confirmou que mexeu na lista de Tinetti porque o brasileiro confessou ter privilegiado amigos: ele sabia de quem eram as gravações que deveriam ser identificadas apenas por um código. Por outro lado, ele pôs em posição muito baixa pianistas que já ganharam algumas das maiores competições do mundo.
O americano Moidel comparou os nomes e suas anotações: Percebi que meu trabalho não foi levado em conta. Pianistas a quem eu dei pontuação baixíssima estavam entre os finalistas, disse. Ele apontou um fato grave: o CD da candidata russa Irina Chkourindina tinha indícios de gravação editada e isto é motivo de eliminação – mas se classificou. John Neschling, diretor artístico da Osesp, não avisou Moidel que suas notas foram descartadas e desconsiderou seu trabalho por dois motivos: ele se hospedou no apartamento de Ilan Rechtman em São Paulo, o que o poria em suspeita, e deixou de cumprir com todas as formalidades do processo de seleção.
A Osesp insistiu para que o americano fizesse um ranking dos participantes muito depois de convocar uma substituta para ele, Rosana Martins que dias após completar seu trabalho se tornou administradora artística da Osesp. Fonte ligada à orquestra diz que a lista final do concurso foi elaborada por Neschling e Rosana numa reunião a portas fechadas. Tinetti não esteve presente: Eu fui assinar uma ata de participação. Eles precisavam resolver assuntos da orquestra e eu fui passear e visitar amigos – disse.
É praxe que pessoas ligadas à instituição que promove um concurso não possam participar dele para evitar embaraços. Na lista final do prêmio Villa-Lobos figurou a russa Olga Kopylova, pianista da Osesp desde 1999. Kopylova foi trucidada por Moidel em seu relatório – como a brasileira Simone Leitão. Ambas foram classificadas.
Desde a demissão de Ilan Rechtman, seis jurados escalados para a final cancelaram sua participação. Os motivos das desistências são diversos, mas o burburinho sobre a idoneidade do concurso certamente ajudou. Produtor da Deutsche Grammophon, o selo de música clássica mais importante do mundo, o alemão Christian Leins foi uma das baixas. "Tudo o que posso dizer é que estou escandalizado com o que está acontecendo", diz ele. Põe escândalo nisso.
Escrito por Ilton: às 09:42
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SEGUNDA REPORTAGEM: "NOTAS SUSPEITAS"
Esta matéria é anterior ao anúncio dos vencedores. Nela o repórter Sérgio Martins diz:
Seja qual for o resultado, um processo de seleção de competidores que resultou em escândalo já deixou o evento da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) marcado como um vexame. Uma medida do descrédito em que caiu o concurso está na desistência da competidora Inna Faliks, pianista americana de 27 anos, premiada no circuito erudito. Na terça-feira passada ela anunciou que não viria ao Brasil. "Ainda bem que fiquei doente", diz. "Um concurso manchado por fraudes não iria acrescentar nada à minha carreira." As desistências também aconteceram entre os jurados. A última foi do crítico americano James Keller, que cancelou sua participação em 18 de julho. No total, sete dos onze julgadores originalmente escalados deixaram o barco – nem sempre de maneira cordial. "Ouvi xingamentos incríveis ao anunciar minha saída", afirma um deles. O pior é que a Osesp ainda tem muito que esclarecer sobre o concurso.
Em seguida, resume parte da reportagem anterior e diz que a Osesp defendeu a “lisura” do concurso e atribuiu ao israelense Ilan Rechtman, ex-diretor do concurso, a culpa pelas irregularidades na seleção de competidores, que alterou a lista de classificação do brasileiro Gilberto Tinetti. Segundo a Osesp, a demissão de Rechtman, em 23 de abril, pôs ordem na casa. Mas não é bem assim. No tiroteio que se seguiu, Rechtman revelou que Tinetti lhe havia confessado conhecer a identidade de alguns competidores brasileiros, supostamente escondida por um código numérico nos discos de seleção. Essa quebra de sigilo teria sido relatada ao diretor artístico da orquestra, o maestro John Neschling. Uma medida prudente teria sido afastar Tinetti – mesmo que se acredite que o julgamento desse músico veterano não foi afetado pelo fato de ele conhecer a identidade dos inscritos. Curiosamente, Tinetti foi promovido a jurado também da segunda fase. O trabalho do outro julgador contratado, o americano Jeffrey Moidel, é que acabou sendo descartado.
A orquestra teria agido assim por dois motivos: o americano se hospedou no apartamento de Rechtman – dá-se a entender que ele teria feito isso em segredo e seria uma espécie de conspirador – e não entregou oficialmente as notas dos competidores. As duas afirmações são capciosas. O endereço de Moidel no Brasil não foi segredo. Se ele não ficou num hotel, foi a pedido da orquestra e para poupar dinheiro, como comprovam e-mails trocados pelos organizadores do concurso. "Pediram que fosse assim e eu concordei", diz Moidel. "Foi um motorista da Osesp que me pegou no aeroporto e me levou à casa de Rechtman." Em segundo lugar, o contrato firmado por Moidel não falava em notas. "Lista de notas é coisa de concurso de calouros", diz o americano. De acordo com as regras originais, a tarefa de cada avaliador seria ouvir cinqüenta CDs e pinçar os 25 melhores. Em seguida, eles trocariam entre si os escolhidos, para chegar a um time final. A Osesp mudou os parâmetros no meio do caminho. Cobrou a tal lista de notas de Moidel, e ele a entregou dias antes do anúncio dos finalistas. Mas a lista não foi usada. Nesse momento, a ex-pianista Rosana Martins já trabalhava numa avaliação alternativa. Depois ela se tornou funcionária da Osesp. A orquestra se negou a comentar as afirmações de Moidel e os documentos que ele apresentou a VEJA.
E conclui: durante esta semana, é provável que música de boa qualidade seja apresentada pelos pianistas que participam do concurso Villa-Lobos. Infelizmente, isso não cancela o desastre de organização do evento – que teve um diretor demitido, dois avaliadores postos sob suspeita, uma nota de esclarecimento público com passagens duvidosas (se não mentirosas), uma mudança de regras de seleção feita de última hora e sem transparência e uma lista de finalistas que inclui a pianista da própria Osesp (a russa Olga Kopylova). É uma lástima que jurados e uma competidora tenham desistido do concurso nos últimos dias. Mas surpresa não é.
Escrito por Ilton: às 09:40
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