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JUS SPERNIANDI - Ilton C. Dellandréa



No (DES)ENTENDA DIREITO:

Cair de salto alto é acidente de trabalho

UOL BLOG - TERRA BLOG



Escrito por Ilton: às 13:26
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SOBRE VACAS, FRANGOS E PINTOS LOUCOS

A humanidade, aos poucos, está se metendo num brete.

Brete, para os gaúchos é aquele local na estala onde se tira leite da vaca. Ela é presa de tal modo que não pode ir nem pra frente nem pra trás nem escoicear ou rabear. Então o leiteiro consegue ordenhá-la sossegado.

Mas a humanidade está se embretando em sua própria vida e vem criando o brete há muito tempo. Não sei se dá tempo de voltar para trás ou se a tranca traseira já foi colocada.

Não esperem aqui grandes colocações filosóficas. Isto é com o Tambosi. Aqui, as constatações, as críticas, os textos são bem mais rasteiros e primários como quem leva a vida com a mesma imbecilidade de quem chupa um sorvete de baunilha pensando que é de morango.

Primeiro foi a história da vaca louca. Ela surgiu na Inglaterra e se descobriu que apareceu porque usavam restos de animais doentes ou imprestáveis ao corte para enriquecer as rações que as alimentava e elas acabaram antropófagas mesmo não sendo carnívoras: a especulação e a busca do lucro era tanta que nada podia ser desperdiçado. Resultado: uma mutação genética criou o vírus mortal.

A aftosa é um mal menor porque não atinge o homem. Até o presidente Lula conseguiu enxergar essa obviedade, pois considera a gripe aviária muito mais séria: "Nós precisamos tomar muito cuidado (...). Essa é grave, porque essa mata gente” (aqui).

De início, instintivamente, quis discordar, mas logo achei que até que enfim o presidente disse alguma coisa óbvia. Não sei quem soprou para ele essa pura verdade. Não é prevenção nem cuidados especiais com a instabilidade do nosso presidente, mas se acompanharmos os seus discursos podemos perceber, claramente, que nem ele acredita muito no que diz: uma vez se disse traído pelos petistas e depois que eles não são corruptos, apenas cometeram atos não contamináveis.

O pior é que a gripe aviária é contaminável, assim como a aftosa e a doença da vaca louca.

Mas não estou muito preocupado porque O Gabinete de Segurança Institucional divulgou hoje nota para informar que o Ministério da Saúde já está elaborando um plano de prevenção à gripe do frango que consiste em produzir vacinas e adquirir insumos para a fabricação de remédios.

Já devem ter marcado a primeira reunião para traçar os planos e a ordem do dia da segunda: indicar os membros que realizarão uma terceira reunião para arquitetar o plano propriamente dito.

Não sei a origem da gripe aviária. Sei que a reprodução dos frangos se tornou tão difícil, por motivos de ordem genética, que muitos nascem com três pernas, duas cabeças, por aí, e são desprezados para o abate: moídos, farão parte da ração dos demais, que é composta também por excremento de porco e alcatrão.

Sei também que, para o sucesso da sobrevivência dos frangos, os criadores são obrigados a aplicar cerca de 27 vacinas e remédios, caso contrário eles morrerão antes da época do abate.

Nunca ouvi ninguém dizer, mas é possível que a alimentação das aves, como ocorreu com as vacas inglesas, as torne antropófagas, contra sua natureza vegetariana.

Então depois da vaca louca é possível que venha aí o frango louco, ou a franga louca. Todo cuidado é pouco, com qualquer dos dois, o frango ou a franga. E a gripe aviária, perto dessas possibilidades, é pinto.

Pensando bem, melhor mesmo cuidar dos pintos antes de se tornarem adultos. Um pinto louco é mais perigoso e incontrolável. E, se formos levar para o lado social, muito mais inconveniente.



Escrito por Ilton: às 10:00
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O ÚNICO PROVÉRBIO GENUINAMENTE BRASILEIRO

Esta é uma colaboração do meu caro amigo Sídnei, de Florianópolis:



Escrito por Ilton: às 10:38
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"A BOLA DE CRISTAL DO GEISEL"

Esta é uma colaboração da Tânia, do Plátanos Coloridos.

Não estou fazendo apologia da Ditadura nem sentindo saudades.

Mas vale como registro.

Afinal, sempre fica a dúvida: é melhor um bom ditador ou um mau democrata?

Estou longe de dizer que o Geisel foi um bom ditador.

Mas estou quase dizendo que o presidente Lula é um mau democrata.



Escrito por Ilton: às 10:26
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MATERAZZIDANE

 

Esta surrupiei do blog do Aluízio.

Acho que a Mágui, no comentário de anteontem, quando disse que achava o Zidane um canalha (até pode ser, não acompanho a vida dele), quis se referir mesmo ao Materazzi.

Pelo menos quanto a este há alguma prova visual de canalhice.

Usando um jargão futebolístico, ele "joga como uma moça”.

Veja, aqui, por quê.



Escrito por Ilton: às 07:18
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No (DES)ENTENDA DIREITO:

Brasil Telecom S/A condenada ao pagamento de indenização por danos morais pela má prestação do serviço de internet banda larga.

 



Escrito por Ilton: às 21:48
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(DES)ENTENDA DIREITO


O (DES)ENTENDA DIREITO mal começou e já muda de endereço.

Ele vai passar para aqui.

Desculpem o vermelhão, mas é que o vermelho é a cor tradicional do Direito.

Espero atualizá-lo durante o dia, inclusive transpondo os comentários para o novo.

O método de postagem do UOL é mais conhecido e permite o acesso no caso de bloqueios comandados pela expressão “blog”, como disse a Hélida anteontem.




Escrito por Ilton: às 08:16
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AMENIDADES, MAS COM CUTUCADAS

Li na coluna da Ana Amélia Lemos em Zero Hora de 26/06/2006 que o senador Pedro Simon (PMDB) convidará o novelista Sílvio de Abreu (Belíssima) para falar na Subcomissão de Rádio e TV do Senado. O senador ficou impressionado com a declaração de Sílvio de que os telespectadores torcem pelo sucesso dos personagens canalhas. Isso, na visão do novelista, tem relação com os escândalos políticos recentes.

Depois que publicaram que está comprovado que a galinha surgiu antes do ovo, até acredito. Mas o que mais esse fato me esclarece é sobre o direcionamento das pesquisas eleitorais recentes...

 


Anteontem saí às 10,00 horas da madrugada para compromissos médicos. Por motivos meio quadrados e macios não vi o Bom Dia Rio Grande, só o Bom Dia Brasil. Uma previsão assustadora: no mapa do satélite uma nuvem cobria o Estado e a moça do tempo anunciava chuva, vento, granizo e tempestades, não necessariamente nessa ordem.

Vesti-me adequadamente. Por via das dúvidas – gosto do frio, mas não de passar frio – coloquei até um cuecão. Capa de chuva, blusa e jaqueta de lã, um xale. Só não cobri a cabeça porque meu boné é meio parecido com o do Evo Morales, aquele que ele usa para explicitar seu populismo e mostrar que sua cabeça serve para alguma coisa.

No carro, com ar condicionado, tudo bem, embora estranhasse o sol radiante (quando tem sol, ele é sempre radiante, se não não tem graça). No estacionamento já senti uma onda de calor. Ao chegar no consultório passara pelo constrangimento de ser observado de esguelha por muitos transeuntes que se mostravam surpresos e alguns assustados.

Confirmando as previsões, deu o contrário do que a Globo previu. Só eu acreditei e passei muito calor. O médico quis me internar num sanatório. Vou ajuizar uma ação por dano moral contra a Globo. E quero saber como é que o satélite mostra nuvens pesadas sobre o Rio Grande do Sul num dia completamente ensolarado... Já estão falsificando até fotos do satélite? Por estas e por outras não creio em pesquisas eleitorais.

 


Ontem passei o dia longe do computador, acompanhando o serviço de dois antenistas que vieram sanar interferências que insistiam em estragar a imagem principalmente do projetor.

Agora que passou a copa e a minha programação voltou ao normal achei que merecia uma imagem melhor. Passamos o dia inteiro trabalhando e resolvemos problemas mais sérios. Por isto meus blogues ficaram parados e não visitei os amigos. Sinto muito. Espero recuperar as visitas hoje.

 


Zidane explicou o porquê de sua cabeçada no Materazzi. Entendi. Eu faria o mesmo. Talvez por isto Deus nunca permitiu que fosse jogador de futebol porque seu tivesse sido logo deixaria de sê-lo.

Queriam que ele não reagisse? Que aceitasse as ofensas contra seus familiares? É desse tipo de acomodação que nasce a inércia e o comodismo e todos os males decorrentes, como a dominação ideológica.

O Bom Dia Brasil, com o padrão Globo de superlativismo, classificou-a como “a maior cabeçada da história”. Sempre pensei que a maior cabeçada da história fosse a 2002 quando elegeram Lula. Em todos os casos, cada um escolhe suas prioridades. É desse tipo de cabeçada que nasce a inércia e o comodismo e todos os males decorrentes, como a dominação ideológica.



Escrito por Ilton: às 08:13
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Hoje, no (DES)ENTENDA DIREITO:

Vestidos idênticos em baile de debutante
podem provocar condenação por dano moral ao estilista?




Escrito por Ilton: às 13:11
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RESCALDO DA COPA, PARA ENCERRAR O ASSUNTO

As maiores críticas que ouço contra os jogadores da seleção brasileira é a de que faltou “entrega”, um termo que está entrando na moda (outro muito usado foi “interessante”, não sei se notaram: qualquer bom jogador, ou boa jogada, ou bom jogo, era chamado de “interessante”).

Mas quanto à “entrega”, não é o caso. Ao contrário, nossos jogadores se entregaram demais e muito cedo. Além disto entregaram o ouro para o adversário, que não ouso chamar de bandido. Bandidos foram eles, os nossos.

 


Zidane, merecidamente, ganhou a Bola de Ouro como melhor jogador da Copa, embora não tenha jogado lá essas coisas, principalmente no início.

Já o Brasil tem que se consolar com o bolão...

 


Elevada à categoria de escândalo internacional a cabeçada que Zidane deu no italiano Materazzi no jogo final. Quem viu a cena percebeu que os dois vinham conversando e o francês já se afastava correndo quando inesperadamente voltou e arremeteu contra o italiano.

Não deve ter sido gratuitamente que assim agiu. Quem tem changre d’italiano sabe que a veia criadora dessa tutti buona gente é insuperável quando quer ofender alguém, não é mesmo Tambosi?

Especula-se que tenha sido uma ofensa racista. Zidane é africano da Argélia e foi xingado de pied-noir, ou pé-preto, que na França constitui ofensa grave. Outra versão diz que o italiano teria chamado, por duas vezes, a irmã de Zidane de putana e a ele de terrorista árabe.

Nessa Copa, em que se procurou exaltar exatamente o anti-racismo, com os capitães dos times lendo aqueles manifestos antes de cada jogo (o que acho de discutível eficácia) a ofensa seria amplificada.

Se eu fosse a França pediria à Fifa a anulação do cartão vermelho do Zidane e a punição do italiano. Até porque, em Direito, já se pacificou que não constitui crime a reação por vias de fato de quem é ofendido em sua honra, desde que não se exceda. Às vezes dói mais uma ofensa pessoal do que uma cabeçada no peito.

Não pediria a anulação da partida porque esta já é direito adquirido da Itália. Mas contrataria o ministro Tarso Genro para tentar fazê-lo, ele que quer relativizar o direito adquirido no Brasil.

 


Jornalistas e ex-jogadores, como Dunga, acham que esse tipo de ofensa é normal em futebol.

O Dunga fala por experiência própria. Deve ter xingado e ter sido xingado por muitos adversários. Se ele se sente bem com isto, tudo bem. Eu não me sentiria, em nenhum dos lados.

 


Pensando bem, agora, o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de ser campeão. A qualidade indiscutível de nossos craques e a mediocridade explícita das outras seleções impede pensar de outra maneira.

Mas a atuante falta de imaginação criadora do técnico, que ficava no banco mastigando nada ao invés de ao menos aproveitar a tenra grama do campo, e a anterior perspicácia da CBF em recontratá-lo quando já o conhecia da Copa de 1994, foram fundamentais para a nossa derrocada.

Acho que Telê Santana, que era o oposto dessa passividade, morreu pouco antes da copa de desgosto antecipado: ele sabia que isto ia ocorrer.



Escrito por Ilton: às 12:56
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PT PEDE INELEGIBILIDADE DE GERALDO ALCKMIN

Desde o início da divulgação das pesquisas que apontavam uma imensa vantagem de pontos para o candidato Lula venho dizendo que não acredito nem nas pesquisas nem na reeleição dele.

Agora os resultados estão revertendo, pouco a pouco.

Ainda não creio que o brasileiro vai reeleger Lula.

E o desespero nas hostes governistas e petistas já começou.

Leia aqui.




Escrito por Ilton: às 17:35
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HOJE, NO (DES)ENTENDA DIREITO: 

 

Quem tem a chave da porta da cadeia? O Juiz ou a Lei?

 




Escrito por Ilton: às 12:36
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A CLASSE MÉDIA ESTÁ EM ASCENSÃO? INTRODUÇÃO.

O Aluízio, um especialista em detectar pontos polêmicos na realidade nacional, postou ontem artigo que refere matéria de O Globo (Reportagem de O Globo diz que classe média está em ascensão) que afirma que a classe média no Brasil está aumentando e desafia – no bom sentido – seus leitores a opinar a respeito.

Eu sou leitor do Aluízio mas ao invés de inserir um comentário em seu post vou dar asas à minha megalomania e escrever um post a respeito.

O pouco espaço para comentar exige um poder de síntese e uma concisão que não tenho. Então, Aluízio, considere este post um comentário à sua matéria, ainda que isto possa soar muito pretenciosamente.




Escrito por Ilton: às 11:37
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A CLASSE MÉDIA ESTÁ EM ASCENSÃO? (início)

Não li nem vou ler a matéria de O Globo sobre o crescimento da denominada classe média no Brasil – um conceito para mim arcaico. Mas concordo com a afirmativa por motivos óbvios e busco na minha memória blogueira parte da justificativa.

Em 21/05/2005 no post “Ora, aumento! Vão plantar batatas”, escrevi: Toda vez que os deputados, ou juízes, ou vereadores, anunciarem que vão aumentar seus vencimentos é hora do povo se levantar e exigir melhores salários também. Pelo menos deveria ser assim. Mas não: se alguém percebe R$ 5.000,00 neste país já é considerado rico e esta sensação de riqueza é falsa e nos rebaixa mais ainda. Já publiquei um artigo chamado Somos um País de Pobres em que tento demonstrar, entre outras coisas, que aquilo que se considera classe média no Brasil não passa de classe pobre em qualquer país medianamente desenvolvido do mundo”.

Em Somos um país de pobres, de 14/06/2004, escrevera: “Talvez seja hora de pensar menos em termos de PIB, de macroeconomia, e de teorias mirabolantes, e fazer com que os níveis inferior e superior demarcadores de nossa classe média se elevem a valores mais condizentes com o próprio conceito de classe média. Porque a nossa, do jeito que está, não suplanta os níveis de pobreza na maioria dos países estáveis do mundo. Neles, ela seria considerada classe pobre mesmo”.

A escancarada política de achatamento salarial leva inexoravelmente a isto. Rebaixando a pirâmide o que está embaixo sobe em termos relativos. Se a pirâmide é baixa é menor a distância entre sua base e seu pico e sua parte média abrange maior espaço.

A Globo colabora galhardamente para isto. Quem não viu reportagens enaltecendo quem vive com baixos salários? Quem não viu programas sobre gente que construiu sua casinha com poucos recursos e ajuda de vizinhos? Havia um quadro, cujo nome esqueço, que valorizava exatamente esse tipo de idéia: não é preciso ganhar muito para conseguir o que quer (mesmo que o sujeito não soubesse exatamente o que queria). A Globo transmite a mensagem subliminar de que todos devessem viver assim.

A reforma da previdência que instituiu um teto máximo para o aposentado de dez salários mínimos, que diminui com o passar do tempo, é outra forma de tentar convencer que aquele que se aposenta com R$ 3.500,00 é um felizardo. O programa de crédito especial a aposentados, que deu lucros aos Bancos, e que fui um dos primeiros a criticar em 07/03/2005 (Enquanto isto, os Aposentados ganham um Chorinho...), também engana os que pouco percebem e os torna temporariamente felizes. E impulsionou o aumento do consumo, também temporariamente, o que transmite a falsa idéia de que o poder aquisitivo em geral melhorou.

Funcionários públicos ficaram mais de nove anos sem reajuste (estou falando de reajuste, não de aumento) e sempre que o pleitearam a grande imprensa caiu impiedosamente sobre eles, acusando-os que o período era de sacrifício, de crise, e que lhes faltava sensibilidade para pedir reajustes em época tão inadequada.

Ao mesmo tempo rolava dinheiro às pamparras em cuecas, malas e mensalões, sanguessugas, Aerolula e outras maracutaias ainda ocultas.



Escrito por Ilton: às 11:24
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A CLASSE MÉDIA ESTÁ EM ASCENSÃO? (continuação)

Além disto há uma situação artificial e distorcida muito utilizada por governos populistas e que será sentido mais tarde. Esse de injetar dinheiro sem contraprestação, ou de dar esmolas ao povo, que faz com que, de um lado, a classe média – a maior fonte de arrecadação do Governo – financie a classe baixa e a puxe para cima.

O programa Bolsa-Família é o melhor exemplo. Muito do aumento do poder aquisitivo se deve a injeção de dinheiro para os menos favorecidos e para aqueles que conseguem se passar por menos favorecidos. A TV Globo apresentou reportagem, dia desses, sobre uma família que morava numa casa que está longe de evidenciar pobreza, orgulhosa por ter adquirido uma geladeira, um televisor e um aparelho de devedê graças ao Bolsa-Família...

Nada contra. Todos deveriam ter a natural possibilidade de adquirir esses aparelhos, principalmente os dois primeiros. Mas um dvd-player com dinheiro do Bolsa Família? Não está havendo aí um desvio, principalmente quando se sabe que a maioria dos pobres não tem acesso ao programa?

Com esta estratégia artificial e artificiosa o Governo aumentou o poder aquisitivo da população. É considerado classe “C”, isto é, classe média, quem percebe por mês entre dois e três salários mínimos. Muitos dos que antes, sem o Bolsa Família, eram classe “D” alçaram-se à classe “C”.

Isto seria muito bom para o brasileiro se ocorresse de forma não imposta, mas sim como fruto de condições de acesso natural ao trabalho. Mas, assim como está sendo conduzida essa política voltada para o “social” vai acabar acostumando mal os beneficiários e, como já disse, cria uma situação artificial. Beneficia-se o candidato à reeleição.

Haveria muito mais o que dizer. Mas deixa-se isto aos especialistas. Esta análise é apenas a de quem tentar ver as coisas com seus próprios olhos e sem interferências ou ingerências ideológicas.

Finalizando, pode-se concluir que aquilo que outrora se chamava classe média empobreceu. Leia, se quiser, aqui. Mas levou consigo o conceito de ainda ser classe média. Já os mais pobres, favorecidos por políticas governamentais demagógicas e populistas, que vão explodir mais na frente, quando a fonte secar, subiram um degrau da pirâmide e agora integram a mesma classe.

Então está se colocando pobres no caldeirão da classe média e, por isto, só há uma conclusão: a classe média no Brasil está crescendo. Como rabo de cavalo, mas está crescendo.



Escrito por Ilton: às 11:22
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A C A B O U!

Acabou a copa mais chocha das que acompanhei.

Aquela que segundo o hiperbólico Galvão Bueno era “a maior Copa da história” acabou num traquezinho frouxo, com a definição vindo só nos pênaltis, num jogo que foi chato como a maioria dos demais.

Só é comparável com a de 1994. Mas naquela fomos campeões.

Nesta, contribuímos com bastante eficácia para o fastio futebolístico.



Escrito por Ilton: às 18:26
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ESTE DOMINGO, UMA SUGESTÃO

Hoje não vou recuperar nenhuma crônica antiga, como vinha fazendo aos domingos.

Esta semana já postei duas, o que é uma façanha extraordinária para a minha tão franciscana criatividade.

Apenas sugiro que você acesse o blog da Shirlei Horta, o mataador (que inseri ali do lado, nos meus links preferidos), que vai encontrar o suficiente para pensar neste final de semana.

Principalmente a questão relativa ao jornalista Reinaldo Azevedo, que é instigante e amedrontadora.

Acho que no presídio federal inaugurado esses dias em Catanduvas haverá uma área só para blogueiros que criticam o PT e o Governo...

Vai faltar espaço logo logo.



Escrito por Ilton: às 02:02
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Hoje, no (DES)ENTENDA DIREITO:

Investigação Demorada Configura Pressão Moral.

E dá direito a indenização...




Escrito por Ilton: às 13:36
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LULA, CAMPANHA & COMPANHIA

Votarei de novo em Lula, mas sem a inocência de antes (Camila Pitanga, atriz – IstoÉ, 14/06/2006, pág. 22).

O que a Camilinha quer dizer com isto? Sem inocência, significa com culpa, pois inocência é exatamente a falta de culpa, segundo o Aurélio... Então ela votou a primeira vez por ingenuidade. Agora vai votar com malícia. É isto?

Logo tu, Camila, que eu amava tanto?

 


O candidato Lula, satisfazendo exigências legais, apresentou declaração de bens quando registrou sua candidatura. Ele quase duplicou seu patrimônio desde que assumiu a presidência, se é que entendi bem.

Os petistas se apressaram a justificar: isto foi possível graças a seu salário de presidente, a uma aposentadoria e a aplicações financeiras.

Tudo bem. Ele percebe, como presidente, R$ 8.885,48, mais uma aposentadoria como metalúrgico que deve se aproximar desse valor – se não for maior, porque o PT não esclareceu o valor – e tem a maioria dos gastos pessoais paga pelo povo por ser Chefe de Estado: despesas domésticas, barbeiro, bebida, cabeleireiro para dona Marisa Letícia, além de outras mordomias (e o termo mordomias é o mais adequado para as circunstâncias).

E conta com o desprendimento e a abnegação de um Paulo Okamoto para pagar suas dívidas... Sem ele saber, naturalmente.

Nestas condições eu teria triplicado ou quadruplicado o meu. E daria arraiás todas as semanas para meus vizinhos e para os pobres das cercanias. Até dispensaria o Aerolula.  

 


Você está convidado a participar de um jantar no dia 20/07/2006 no restaurante São Judas Tadeu – sugestivamente o “santo dos desesperados e aflitos, das causas sem solução ou perdidas” –, em São Bernardo do Campo-SP, por R$ 200,00 sem a bebida. O prato principal é frango com polenta.

O alto preço não é pela comida, mas pela chance de libar na companhia do candidato-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é arrecadar recursos para sua (dele) campanha.

Eu não vou. Embora descendente de italiano fui acometido por um inexplicável asco de polenta com galinha que durará até sexta-feira perto do meio-dia.

 


Esta é novíssima, inédita e inacreditável, apesar de o Jus já ter abordado a matéria esses dias, com dados menos atualizados:

Lula privilegia PT e aliados ao liberar verba de emendas.



Escrito por Ilton: às 13:29
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Hoje no (DES)ENTENDA DIREITO:

PT condenado por Danos Morais




Escrito por Ilton: às 11:56
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MAIS UMA FRUSTRAÇÃO CONSUMISTA.

Mais uma vez saí às compras e mais uma vez voltei de mãos abanando (pelo menos, desta vez, de pés calçados).

Já narrei aqui minha frustrada investida no mundo do consumo em 01/10/2004, no post Saí às Compras e não Pude Torrar a Grana (o último da página), quando saí disposto a gastar uma grana preta para incrementar meu sistema de áudio e vídeo e acabei comprando apenas um gravadorzinho de R$ 100,00, em três vezes no cartão.

Ontem minhas pretensões eram mais modestas. Como há tempos não venho praticando exercícios, encontrei – foi o que pensei – a esteira dos meus sonhos. Fabricada pela Life Fitness, é um equipamento de ponta para quem acha que andar na esteira é muito monótono.

Até não acho. Antes de minha fibrilação cronificar eu andava regularmente uma hora por dia. Nessas andanças sem sair de lugar visitei inúmeros locais do Brasil e do mundo e muito do que publiquei no início do blog surgiram nessas caminhadas de cabeça fria e sem forçar pensamentos.

Aliás, foi para isto que comprei o gravadorzinho. Eu andava e gravava as idéias que surgiam que depois eram transformadas em postes (não gosto do plural posts, como muitos usam, e sei que o meu esclarecido leitor não vai confundir postes com postes: o primeiro é plural de poste e o segundo de post, apenas para não deixar dúvidas).

Mas eu dizia que saí para comprar a esteira dos meus sonhos: a 95Te, uma esteira com monitor de LCD com ligação para TV a Cabo, conforme se pode vislumbrar da gravura muito mal escaneada acima extraída da coluna Cobiça (nome apropriado para o caso) de Carlos Sambrana, em IstoÉ Dinheiro de 05/07/2006.

Ela é tão moderna que nem consta do site da Life Fitness, embora eu não seja a pessoa mais indicada para pesquisas na Internet: geralmente não acho o que busco, a não ser numa segunda oportunidade quando procuro outra coisa.

Pensei até em fazer adaptações para tornar a minha caminhada ainda mais cômoda por causa da fibrilação: como os dois braços da esteira são bem compridos, ataria neles uma míni-rede para que pudesse sentar.

Para aumentar ainda mais minha comodidade pensei em comprar um par de skatênis, esses tênis novos, de rodinhas, para que eu não precisasse nem articular os joelhos: sentaria, após ligar o monitor, ligaria a esteira e pronto. Claro, é mais fácil sentar num sofá e ligar a tevê. Mas tenho sonhos homéricos de consumo e bem-estar e aprecio coisas modernas.

O preço é salgado mas, de novo, me baseio em filmes americanos  e agora também na vida brasileira: os caras não trabalham e estão sempre cheios da nota. Fora os que não fazem nada, a não ser viajar, e ainda assim duplicam seu patrimônio em menos de quatro anos!

Mas a esteira tem um inconveniente grave. O monitor é fixo e eu, sentado, não veria a imagem com nitidez. A tela não pode ser visualizada com perfeição inclinada para trás. Até colocamos uma cadeira para fazer o teste. Inútil. Mais uma frustração consumista.

Conclusão: desisti da esteira, passei numa loja de calçados e comprei um par de tênis comuns por R$ 89,90, em três vezes sem juros no cartão, para não dizer que não fiz nada na tentativa de voltar a fazer exercícios físicos e melhorar minha fibrilação, digo, meu coração.



Escrito por Ilton: às 11:52
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Hoje, no (DES)ENTENDA DIREITO:

Lésbicas podem adotar menina.




Escrito por Ilton: às 13:49
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LIVRO DO PARREIRA? NEM DE BRINDE!

Fui, ontem, a uma livraria no Shopping em busca do livro “Incêndio”, de Jorg Friedrich.

Notei que estava acondicionado num pacote mais grosso, envolto em plástico, com uma faixa em diagonal: pague um, leve dois.

Gosto de promoções. Sempre procuro adquirir devedês dessa forma e já entrei pelo cano várias vezes. A última foi com um filme chamado “Lenda Urbana”, que consegue a façanha de ser bem pior do que “Pânico”.

O brinde estava embrulhado em papel opaco. Indaguei ao vendedor:

- O que é esse brinde?

- É um livro muito bom. A empresa comprou muitos e estamos dando de brinde.

- É mesmo? Que livro é?

Ele ficou meio cabisbaixo e respondeu:

- É o “Como formar equipes que vencem”, do Carlos Pereira.

Estranhei um pouco, pois já ouvira título e autor semelhantes.

- Posso abrir pra ver?

- Não, não. Se abrir perde a garantia.

- Que garantia? Livro não tem garantia. E se eu não tirar o invólucro, como é que vou ler?

- Não sei! As instruções que passaram é que não pode ser aberto na loja, só lá fora. E garantia vence no instante em que o senhor sair pela porta.

Fiquei intrigado, mas como se vê tanta coisa nesse Brasil (como alguém que não faz nada dobrar o patrimônio em menos de quatro anos) não estranhei muito. Como os brindes geralmente são pagos, quis declinar.

- Vem cá. Mas não quero brinde. Quero só o Incêndio. Quanto custa?

- Igual. É brinde mesmo. E não temos condições de vender apenas um porque o preço é o mesmo e não enganamos o consumidor. É um brinde, realmente, no verdadeiro sentido da palavra.

- Então vamos fazer assim: eu te dou o brinde de presente.

- O senhor tá louco? O que é que vou fazer com esta porcaria, quero dizer, eu não gosto de ler e nem tenho tempo para isto.

Rasguei o invólucro e verifiquei se tratar do “Formando Equipes Vencedoras”, do Carlos Alberto Parreira. O vendedor baixou a cabeça.

- Desculpe-me tentar enganar. Mas é brinde mesmo. O senhor leva de graça. Baixaram uma norma aqui: quem não conseguir empurrar esse livro de brinde com qualquer outro perde o direito à comissão. Me ajude, por favor.

- Tá. Eu levo. Mas vou jogar na primeira lixeira ali na saída.

- Ih! As lixeiras já estão cheias desse livro. É melhor o senhor levar pra casa. O senhor não tem lareira?

- Tenho.

- Pois é, com esse friozinho o senhor pode usar para começar o fogo. Não é uma boa idéia?

Fiquei condoído e trouxe o brinde para casa. À noite fui usá-lo para “prender” fogo na lareira, como diz o gaúcho. Depois que pegou comecei a pôr lenha por cima. Tinha queimado quase todo o vento lá fora deu uma rabanada jogando fumaça e cinzas para dentro, sujando o carpete...

Tive mais sorte que o senhor da ilustração aí em cima, que entupiu a rede de esgoto de sua casa. Gastou uma nota para desentupir!



Escrito por Ilton: às 13:41
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O USO DA MALA, DIGO, DA MÁQUINA PÚBLICA E OUTROS ASSUNTOS

Os gaúchos, e todos os que residem no Rio Grande do Sul, estão felicíssimos e satisfeitos com o Governo Federal. Conforme Gustavo Gantois (coluna Poder, IstoÉ Dinheiro, 28/06/2006), o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, liberou R$ 4,8 bilhões para oito Estados. (...) só a Bahia, onde o ex-ministro Jacques Wagner tenta desbancar ACM, elegendo-se governador, receberá R$ 3 bilhões para a recuperação de canais, pavimentos e drenagem. Já ao Rio Grande do Sul couberam R$ 30 mil para pavimentar ruas com blocos de concreto.

Acho até que é engano. Devem ser R$ 30 milhões, o que mesmo assim é muito pouco. R$ 30 mil não pagam nem um mês do papel higiênico do Palácio do Planalto, se é que me entendem.

Para os que não lembram, esta é a terra de Tarso Genro, Olívio Dutra, Paulo Paim e Raul Pont, nomes de escol nos terreiros petistas.

 


Ainda segundo Gantois, o Incra repassou R$ 2,2 milhões à Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária, por meio de um convênio assinado por Edmilson de Oliveira Lima, um dos responsáveis pela invasão do MLST à Câmara dos Deputados. Mas, até agora, ninguém prestou contas do dinheiro que financiou cursos e oficinas de capacitação e 21 encontros regionais.

Este é o único país no mundo que financia baderneiros para destruir seu próprio patrimônio. Claro, os contribuintes é que pagam o pato, mas isto, para quem governa, é o que menos interessa.

 


A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), com dificuldades de justificar a movimentação em sua conta-corrente bancária de R$ 1 milhão entre 2004 e 2005, quando sua renda anual era inferior a R$ 200 mil, não convencendo que o dinheiro tem origem em empréstimos e venda de automóveis, ameaçou processar o procurador da República Celso Três, que investiga seu patrimônio.

Espera, senadora. Não se precipite. Se não acabar em pizza, melhor processar o juiz se ele, porventura, a condenar. Para isto o PT criou o controle externo da Magistratura...

 


Na página 6 da edição de Zero Hora de 27/07/2006, uma matéria que, em outros tempos, seria intrigante:

Planalto promete limitar o uso da máquina pública. Preocupado com as denúncias de uso da máquina do governo na campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encarregou a Casa Civil de elaborar uma portaria com regras de conduta para o governo durante o período eleitoral.

Soa como uma admissão de que o Presidente usava a “máquina pública” em benefício de sua campanha antes de ser candidato. E agora, que está em campanha, vai fazer menos campanha do que quando não estava em campanha? É isto?



Escrito por Ilton: às 02:29
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(DES)ENTENDA DIREITO

Hoje vai ser um post curto, como sempre digo ao começar um post enorme.

Apenas para dizer que estou lançando um outro blog nos ares cibernéticos: o (DES)ENTENDA DIREITO (link ali do lado).

É que recebo clippings da Ajuris e notícias jurídicas de alguns sites e sempre há alguma coisa interessante ou polêmica ou curiosa.

Colocarei, quando entender necessário, ou quando o assunto não for suficientemente obscuro para misturar as idéias na cabeça do leitor, algum comentário que vai colaborar para que isto aconteça.

Afinal, como já disse em outras mensagens aqui no Jus, a linguagem jurídica, ou o juridiquês, existe mesmo para que o leigo não entenda nada do que juízes, promotores e advogados escrevem num processo.

Se entendessem, seria o fim do mundo.

Leiam o novo blog.

Embora as matérias sejam meras transcrições de notícias e decisões de outros sites – às vezes com algum comentário meu para estragar –, muito provavelmente serão mais interessantes do que as que lêem aqui.

Mesmo assim, este vai continuar.



Escrito por Ilton: às 10:53
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CONTESTANDO UM FILÓSOFO

Os filósofos, às vezes, são injustos. O Tambosi, comentando meu último post, disse que o Roberto Carlos “lembra aqueles alemães de dois metros lá de Taió da nossa infância: chuta forte, seja pra que lado for”.

Desculpe, Tambosi: nem o União nem o Cacique (os dois times de Taió, para quem não sabe) merecem a comparação. Principalmente os da nossa infância e adolescência. Depois saímos de lá e perdemos o contato.

Lembra do seu Dodô, centro-avante do União? Ele já era avô, tinha cabelos grisalhos, mas fazia mais do que o Ronaldão fez na Copa. O Militino e o João da Luz, irmãos, e o Fanor, goleiro titular por muito tempo e que deve ser teu parente. O Armin Rutzen no meio do campo, o seu Rola (na verdade Roland) na ponta esquerda, que quando pegava a bola o zagueiro adversário só sentia que ele já tinha passado por ali.

Já falei aqui do centeralfo (nós dizíamos assim) Facão, que era cego de um olho, mas por ali onde ele cuidava não passava nem rato. Talvez por sua deficiência visual ele, que era alto e forte, às vezes chutava um adversário com a bola para a arquibancada, mas tudo com a maior categoria.

Não gostei quando o Moacir Bértoli (que foi prefeito, deputado e ministro do Tribunal de Contas e que conheces bem) buscou seis ou sete jogadores de Florianópolis para o União, tirando o lugar de taioenses. O time ficou enxertado – lembra desse termo? Os caciquenses gritavam das arquibancadas quando um deles pegava a bola: “enxerto, enxerto, enxerto!”

Do Cacique eu lembro do Neumann, um excelente goleiro, que tinha explicações científicas dadas por um irmão, que era torneiro mecânico na oficina de meu pai, até para o modo dele “encaixar” a bola.

O Lípi, na defesa, o Tercílio Fabris no meio de campo, o João Loebach na frente junto com o Sique Rahn – este talvez foi o melhor centro-avante de Taió – formavam um conjunto excelente. Até meu cunhado Homero, que jogou apenas um ano no Cacique antes de ir para o Exército, fez sucesso por lá, ele que jogara nos juvenis do Atlético Paranaense.

E o Branco, que se destacou tanto no União quanto no Cacique? Ele fez testes no Guarani de Campinas ou no Palmeiras, não recordo. Diz a lenda que não suportou a saudade e voltou para casa. Depois jogou em Lages e em times do Rio Grande do Sul, como o Novo Hamburgo e o Pelotas.

Taió, também, foi a primeira cidade do Estado a ter campo iluminado para jogos noturnos, o do União. Não durou muito, pois os postes que seguravam os holofotes, apesar de grossos e altos, começaram a apodrecer e foram retirados por motivo de segurança.

Na inauguração, contra o Olímpico de Blumenau, fiquei perto dos locutores da “sua PRC-4, Rádio Clube de Blumenau”. O comentarista era o Tesoura Júnior. O narrador (não lembro o nome) explica Galvão Bueno. Quando um jogador de Taió chutava em gol e a bola passava longe, gritava: “a bola passou rente, tirando tinta, da meta do quarda-vala do Olímpico”. Quando um do Olímpico chutava e a bola quase entrava, desmerecia: “a bola passou looonge da meta do golquíper Moacir”.

O Santos de Pelé jogou lá, no Cinqüentenário, em 1967. Ganhou de 7 a 1 da seleção de Blumenau. Eu vi Gilmar, Carlos Alberto, Turcão, Oberdã, Rildo, Ramos Delgado, Zito, Douglas, Silva, Coutinho, Lima, Mengálvio, Edu e outros. Pelé esteve lá, por exigência contratual, mas não jogou. Estava “contundido”.

Certamente cometi injustiças. Quando a gente refere pessoas sempre esquece alguém. Além disto misturei épocas e nem todos os lembrados foram contemporâneos. Só não falei dos “enxertos” do União porque acho que aquilo tirou muito da naturalidade do futebol taioense.

Também, graças a Deus, nunca tivemos um Parreira como técnico de qualquer dos times.

Por isto, Tambosi, acho que foste injusto com Taió...



Escrito por Ilton: às 14:01
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SINTO-ME INJUSTIÇADO!

Sinto-me profundamente injustiçado. Eu poderia ter sido o centro-avante do Brasil nesta Copa do Mundo, no lugar do Ronaldão e, se não fosse melhor do que ele, certamente não seria pior.

Até minha massa muscular é superior à dele. Peso 97 quilos harmoniosamente distribuídos ao redor do abdômen. Só sete quilinhos a mais.

Minha fibrilação não seria empecilho. Para andar em campo eu não precisaria fazer muito esforço. É claro que teria que tomar cuidado com os dois ou três piques, como ele fez, mas isto também não seria problema. Bastaria tomar alguma cautela, cair em seguida, e com isto até ganharia tempo em favor do Brasil.

Para fazer o que Ronaldão fez não precisa muito preparo físico. O nutrólogo Carlos Werutsky, “um dos profissionais mais conceituados do ramo e coordena o setor de esportes nas associações brasileiras de obesidade e nutrologia”, disse à repórter Veridiana Sedeh (Veja, 21/06/2006, pág. 40):

Durante uma partida, os jogadores percorrem, em média, 6 quilômetros. Contra a Croácia ele não correu nem 1. Ele é o Ronaldão.

Percorrer um quilômetro em 90 minutos até um fibrilado pode.

Os treinos, como todos sabem, foram apenas brincadeiras de joão-bobo. Também seria capaz de enfrentá-los sem problemas, pois neles nem é preciso correr nem percorrer. Bancar o DJ, então, é mel na chupeta.

Vi o Parreira defender que ele foi escalado pelo que representa para o Brasil. Sugeri, então, que se convocasse o Pelé, que representa muito mais e, como eu, certamente teria feito mais que o Fenômeno.

O Pelé está em forma graças a complexos vitamínicos que tomou – segundo ele mesmo anuncia de vez em quando em comerciais – e que lhe permitiram chegar aos 65 anos com a vitalidade que tem. É certo que muitos desses complexos milagrosos só foram descobertos após ele ter encerrado a carreira, mas isto é apenas um detalhe que não interessa discutir aqui.

Eu sou mais novo do que o Pelé e já tomei vários complexos vitamínicos, o que pesa a meu favor.

Devo ser mais baixo que Ronaldão. Mas como ele não é especialista em cabecear – embora fizesse um gol de cabeça nesta copa – isto também não seria problema. Aliás, com 7 quilos a mais eu poderia trombar com mais eficiência com os zagueiros adversários e talvez até cavar algum pênalti.

Eu, de início, até quis dar um carteiraço na Comissão Técnica exigindo minha convocação. E, depois, minha escalação a cada jogo.

Só desisti porque tenho uma unha encravada e dói pra caramba com chuteiras Nike. É muito pior do que bolhas!



Escrito por Ilton: às 12:39
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AGORA É TORCER POR PORTUGAL

Foi-se o sonho do hexa.

Vamos, agora, buscar os responsáveis, porque responsáveis há. Pela teoria dos atos jurídicos, sempre há alguém responsável, fora se decorrentes de caso fortuito ou força maior.

A França foi uma força maior, mas não no sentido jurídico.

Afinal temos os melhores jogadores do mundo e isto é inegável.

Para mim, os culpados principais foram dois e um é decorrência do outro.

Primeiro, o técnico Parreira, que saiu do Brasil prestigiado por toda a Imprensa. Nunca, nas copas que acompanhei, vi um técnico ser tão endeusado e tão pouco criticado quanto ele. E seu currículo – procurem – não é dos mais ricos.

Sua visão obtusa quis formar um quadrado mágico e insistir com ele mesmo quando viu que não deu certo. E retornou a ele, hoje, sempre mastigando de boca vazia com tanta grama verdinha e tenra no campo...

O segundo é Ronaldão, escalado pelo primeiro, que hoje, além de não fazer nada, fez um pênalti que o juiz não marcou e apenas andou em campo – fora duas jogadas, numa das quais se atirou e cavou uma falta, bem no finzinho do jogo.

Foi um fardo muito pesado, nos dois sentidos, para a seleção, pois os demais jogadores tiveram que se sacrificar e jogar em função dele (Viva! Ele é o maior artilheiro de todas as copas). 

E ninguém, da Imprensa, tem coragem de criticá-lo.

Será que a Nike tem tanta influência assim?

 

Enquanto isto, Felipão vai para a frente... 



Escrito por Ilton: às 17:16
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BRASIL E FRANÇA TAMBÉM VÃO MALTRATAR A BOLA HOJE?

No mata-mata da Copa do Mundo hoje, acredito no Brasil, respaldado pelas doutas manifestações de Gagallo, digo, Zagallo. Ele disse que “Zidane está como uma garça, é o maestro do meio-campo mas está velho e lento”.

Ainda bem que o Brasil conta com um centro-avante esbelto, lépido e ágil: o Fred. Só que na reserva.

Entrevistado, se não me engano pela Globo, disse que a partida de hoje será diferente da que definiu a Copa de 1998 a favor dos franceses. Naquela o Zidane estava inteiro e o Ronaldão doente e mal.

O repórter perdeu uma ótima oportunidade de indagar porque mesmo assim Ronaldão foi escalado. Foi Zagallo quem o escalou.

 


Fico com o Cesar Valente que comentou no meu post de 16/05/2006. Geralmente os comentários dele são melhores que os meus textos:

Há alguns anos venho pensando, cá com meus zíperes, se o que se publica nas páginas de esportes (especialmente sobre futebol) é mesmo jornalismo. Assim como a cobertura de eventos sociais, os relatos de vaidade (Caras) ou mexericos de celebridades, o "noticiário" de futebol (ressalvadas as exceções de praxe), feito por repórteres engajados, partícipes, torcedores pelo menos da manutenção das regalias, parece coisa de assessoria de imprensa. Material produzido por gente comprometida com a "empresa", com o grande negócio do futebol, sem alguns dos requisitos necessários ao jornalismo. No mundo do futebol, a informação que contraria o interesse dos cartolas não tem espaço. E a rebeldia é punida com o corte de mordomias ou, em casos mais graves, com a supressão do emprego. Mas desde que a CBF me garantiu passagem, estadia e entradas para os jogos do Brasil, desisti de pensar sobre este assunto e agora me dedico apenas à culinária.

 


A propósito da final de 1998 recebi um e-mail intrigante, também publicado pela Priscilla Amaral no Achei.ca (ao lado como NÓS, DO CANADÁ), com título Corrupção na Copa de 98. Se non è vero, è bene trovato.

 


Os jornalistas que cobrem a copa são, vamos dizer assim, meio covardes. Defendem a saída de Cafu e Roberto Carlos mas receiam tocar na saída de Ronaldão, que sem dúvida é o mais pesado do time. Superstição ou receio. Afinal, é mais fácil defender a saída de um desses, ou do próprio Adriano, porque Ronaldão é mais celebrity. É intocável.

Nem adianta lembrar da Copa das Confederações do ano passado, na Alemanha, que conquistamos vencendo a Argentina na final por 4 a 1, com Ronaldinho Gaúcho se destacando.

Ronaldão, não sei se lembram, não participou do torneio.

 


Acho que o que chamam de quadrado mágico é mágico porque ele conseguiu fez desaparecer nosso melhor futebol. Mesmo assim, duvido que consiga fazer o Ronaldão levitar. O quadrado é mágico mas o técnico é obtuso. Impossível a existência de um quadrado, por mais mágico que seja, se um ângulo obtuso tenta se intrometer nele.  



Escrito por Ilton: às 10:58
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