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UMA LIÇÃO DE ÉTICA AO CANDIDATO LULA

No post de segunda-feira, sobre a inesperada decisão do presidente Lula de concorrer à reeleição, declinei uma série de motivos que me faziam não acreditar que ele se candidatasse. No final escrevi: “A maior prova de que ele não estava em campanha é que nunca cogitou se afastar do cargo, como outros candidatos foram obrigados a fazer. Nosso presidente sempre demonstrou um acurado senso ético e certamente teria se afastado para a campanha, como se prevê que vai fazer agora que é candidato oficial”.

Terça-feira, lendo Zero Hora, deparei com a seguinte manchete na página 6 (Política), em reportagem de Fábio Schaffner: “Lula pede a prefeitos que se licenciem”.

Enquanto fui ao banheiro trocar de roupa e me lavar, pois o susto foi tão grande que derramei o café na roupa, pensei: ele lê o meu blog. Ele lê o meu blog. Pode não ser ele, mas algum assessor lê e o informou. Por isto está pedindo aos prefeitos que se licenciem para depois fazer o mesmo. Está agindo eticamente. Quer apenas equilibrar as forças da campanha para não dizerem que usa a máquina pública a seu favor. Vai fazer desta campanha uma campanha justa.

Voltei para terminar a leitura e então descobri que valorizo demais a teoria da confiança objetiva. Minha alegria durou o tempo de trocar de roupa e me lavar e voltar ao jornal.

O presidente pede, sim, que os prefeitos se licenciem. Mas não para equilibrar as forças da campanha. Muito pelo contrário. Segundo a coluna: “A rigidez da legislação eleitoral levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedir a prefeitos e governadores do PT que se licenciem dos cargos para ajudar na campanha à reeleição”.

É isso mesmo. Seu objetivo não é equilibrar forças; é desequilibrá-las ainda mais e a seu favor. Isto é um exemplo acabado de que no Brasil a Ética é aética, ainda que seja legal. Ou que não seja ilegal. Considera-se ético tudo o que é permitido, confundindo-se Direito e Moral.

O presidente exigiu que as lideranças entrem de cabeça dedicando o máximo de tempo possível à reeleição – esclareceu Valdeci Oliveira, prefeito de Santa Maria-RS e coordenador da campanha de Lula no Rio Grande do Sul, após uma reunião com ele dia 23, da qual participou também o prefeito de Bagé-RS, Luiz Mainardi.

Ainda espero que o presidente Lula se afaste do cargo para tornar a campanha eleitoral mais transparente para seu lado. Sei que a esperança é a última que morre e que, na política, ela é muitas vezes precocemente assassinada. Mas espero! O afastamento é o mínimo que se pode exigir de quem pretende a reeleição. Ainda mais daquele que ocupa o cargo de supremo magistrado na Nação e quer democraticamente permanecer nele. Deve dar o exemplo porque o exemplo maior, o que mais cala, é o que vem de quem ocupa os cargos mais elevados.

Afinal, foi ele quem nos advertiu num discurso:

"Quero dizer para vocês, meus companheiros, que nesse país de 180 milhões de habitantes pode ter igual, mas não tem mulher nem homem que tenha coragem de me dar lição de ética, de moral e de honestidade. Nesse país, está para nascer alguém que venha querer me dar lição de ética" (aqui).

Sei, presidente, que o senhor não lê meu blog. Nem vou enviar outra carta, como já fiz, à sua Secretaria Geral. É inútil! A esperança de que o senhor vai se afastar é pura ironia, não sei se deu para perceber.

Mas estou, sim, lhe dando uma lição de Ética. Pode ter certeza.



Escrito por Ilton: às 12:17
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E SEGUE A COPA...

Ganhou a França.

Nada de excepcional. Não é zebra nem obviedade. Jogou melhor e mereceu.

O pior, de agora até sábado, será a encheção de saco do Galvão Bueno e outros com a inevitável comparação com o final da Copa de 1998.

Vai pintar "o fantasma da final de 98" e ser a “grande revanche”, a “hora da vingança”, a chance de lavar a honra da pátria, o momento de quebrar tabus, e outros jargões bombásticos que não tenho capacidade de imaginar.

Eles têm.



Escrito por Ilton: às 17:09
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O JOGO FOI TRANQÜILO

Esse foi o jogo menos tenso da seleção na Copa que assisti.

O do Japão não vale, aquilo foi um treino.

Não senti efetividade na equipe de Gana.

Estou sempre na contramão do Galvão Bueno: ele passou o tempo todo falando em sofrimento, mas eu vi um Brasil muito seguro e Gana sem capacidade de fazer gols.

Ronaldão fez um golaço e mais nada, além de ser flagrado em dois impedimentos, errar passes e se movimentar pouco.

Tanto que o Galvão narrava até quando ele se mexia: “o Fenômeno se mexe lá na frente”.

Pelas características do jogo, ele foi um fardo menos pesado (sem trocadilho) para os companheiros.

Acho que a próxima, seja contra Espanha ou França, será ainda mais fácil.



Escrito por Ilton: às 13:21
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O MELHOR FUTEBOL DO MUNDO CONTRA GANA

A gente espera quatro anos para ver a seleção jogar bem, mostrar seu verdadeiro futebol, confirmar que somos os melhores do mundo, mas sempre tem alguém que esculhamba nossas expectativas.

Sei, sei, o dinheiro é que comanda tudo. Não adianta o Felipão ser mais eficiente se o Parreira dá mais lucro. Tudo se transformou num grande negócio e futebol, mesmo, ficou lá para trás, em 1982.

O que se espera de um time para uma copa do mundo? Que esteja preparado para jogá-la, que seus jogadores estejam na melhor forma técnica e física e que joguem em suas posições, pois nelas certamente rendem mais.

O que estamos vendo nesta Copa com o Brasil?

Um quadrado mágico tentando dominar uma bola que, todo mundo sabe, é redonda desaparecendo num buraco negro... Coisas de um Parreira que está perdido e não sabe o que fazer. Ou melhor, sabe, mas é indeciso e teórico, apenas teórico. No jogo contra a Croácia, segundo leitura labial da TV Globo (que, aliás, o incomodou), a instrução que deu ao Robinho quando o colocou em campo foi: “vai lá e incendeia!”.

Quem acompanhou partidas do Barcelona, ou os compactos que a tevê geralmente veicula, sabe que Ronaldinho Gaúcho joga muito mais do que vem jogando. Por quê? Porque na Espanha ele atua adiantado e tem liberdade: é bem servido e joga com a bola nos pés, “partindo para cima” dos adversários, que é o que ele sabe fazer de melhor.

Por que o Parreira não faz o mesmo na seleção?

O Adriano é um goleador. Mas joga num setor do campo em que não se adapta. Depois que o vi fazendo um cruzamento capenga da ponta direita com o pé esquerdo (no jogo contra a Holanda) cheguei à conclusão de que o Parreira deveria usar uma braçadeira no braço para saber se orientar no espaço. Foi constrangedor. Para cair pelo lado direito, o jogador tem que ser destro; para o lado esquerdo, canhoto... Isto é elementar, tão elementar quanto pisar no freio com o pé direito e debrear com o esquerdo.

E o Ronaldão? Merece todo o respeito pelo que foi e pelo que ainda representa. Mas está fora de forma, jogando bisonhamente, errando chutes, mas o Parreira insiste que ele jogue. Para “pegar ritmo de jogo”, pois estava há meses sem jogar. O treino contra o Japão não conta.

Mais uma vez vai por água abaixo nossa esperança de ver o melhor da seleção desempenhando o melhor do futebol. Aliás, é do convencimento geral de que o que vale é o resultado e não o show. Ainda assim a Copa do Mundo é o último torneio que se pode dar ao luxo de permitir a um jogador jogar para “pegar ritmo de jogo”. Isto é absurdo!

Insistir com o Ronaldão e fazer toda a equipe jogar em função dele pelo que ele representa é ser pouco prático e, no mínimo, correr riscos. Se não tivéssemos outras opções, vá lá! Mas temos. E do jeito que as coisas vão – estou admitindo que o Brasil chegue à final e seja campeão – ele adquirirá pleno “ritmo de jogo” quando a Copa terminar.

Então estará apto para voltar ao seu clube e reconquistar seu lugar de titular no Real Madrid, que agradece penhoradamente. Não é todo clube que conta com a Comissão Técnica de um país para recuperar um seu jogador desacreditado e mal das pernas. Ao menos para isto terá servido a Copa...

Estou postando antes da partida contra Gana com a certeza de que o Ronaldão não vai jogar bem, embora possa marcar gols. Vou torcer pelo Brasil e para que eu queime a língua. Ou os dedos, pois foram eles que digitaram o texto.



Escrito por Ilton: às 10:10
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ROBINHO E O FENÔMENO

Num recanto de Acra, capital de Gana, um ganense encontrou uma garrafa estranha, abriu-a, e dela saiu um gênio dizendo:

– Sou perito em futebol. Conheço tudo. Você tem direito a realizar apenas um desejo, desde que seja relativo a futebol.

O ganense pensou um pouco e pediu:

– Eu quero que o fenômeno não jogue a partida contra Gana.

– Assim será! – respondeu o gênio, e desapareceu.

Na mesma hora Robinho, que treinava na Alemanha, sentiu uma fisgada na coxa direita...

Um ganense, preocupado com o jogo Brasil x Gana, procurou um pai-de-santo, profundo conhecedor de candomblé, e pediu sua intervenção para enfraquecer a seleção brasileira.

– Painho – pediu o ganense – quero uma magia para tirar o fenômeno do jogo contra o Brasil.

– Pois não, zifio! Vamo vê o que pai véio consegue fazê. He, he, he! (ufffffffffffff – isto é uma puxada no cachimbo – cóf, cóf – isto é a tosse que os pais-de-santo velhos geralmente têm). Vai pra casa sussegado, zifio. O véio aqui sabe o que fazê meia-noite nas encruziada da vida.

(Como se vê, os pais-de-santo usam idiomas semelhantes, no Brasil e em Gana).

O pai velho resolveu usar o vodu. Confeccionou um boneco e enfiou-lhe uma agulha na coxa direita.

Na mesma hora Robinho sentiu uma fisgada e deixou o treinamento da seleção na Alemanha.   



Escrito por Ilton: às 23:35
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LULA É CANDIDATO À REELEIÇÃO. VOCÊ SABIA?

 

Surpreendentemente, e contra todas as expectativas, o presidente Lula lançou-se candidato à reeleição no último sábado, em chapa em que é vice o mesmo José Alencar.

Ninguém, absolutamente ninguém, acreditava nisto. Nem o TSE, apesar de seis representações ajuizadas no órgão por advogados de Alckmin por discursos falsamente acusados de eleitoreiros de Lula. Afinal, em Direito vale a teoria da confiança objetiva.

É certo que alguma coisa sinalizava para a possibilidade.

Jornais apontavam, há dias, João Santana, ex-sócio de Duda Mendonça como responsável pela propaganda de reeleição do presidente Lula.

Depois de vários anos, foi concedido aumento acima da inflação ao funcionalismo público federal. Mas a proposta nada tem de eleitoreira. Apenas se cumpre a lei. Na contramão, pretende-se vetar reajuste de 16,6% aos aposentados. Por absoluta necessidade previdenciária.

O Ibope, a Datafolha e outros órgãos de pesquisa, davam como certa a candidatura de Lula, mas isto era mera especulação estatística.

O candidato Geraldo Alckmin, que deixou o cargo de Governador do Estado para concorrer à presidência, chamou a atenção de que o presidente Lula está abusando da máquina pública, calculando em 64 mil quilômetros de Aerolula, com dois helicópteros de apoio, “lançando obra, lançando pedra fundamental de obra que não tem edital, de obra que não tem licenciamento ambiental”. Puro despeito de adversário. Lula não fez nada mais nada menos do que vinha fazendo em palanque desde a campanha das eleições de 2002...

De janeiro a 19 de junho Lula fez 45 viagens, esteve em 63 cidades de 21 Estados. Hoje já é mais difícil dizer. Não fiz as contas ainda. Mas todo mundo sabe que ele comprou um aviãozaço exatamente para viajar. Está até se sacrificando: antes ia para o Exterior, viagens muito mais agradáveis, e agora se dedica com amor e carinho ao seu povo.

O Contas Abertas apontou que após a publicação do Orçamento Geral da União 2006 foram empenhados R$ 88,4 milhões (até 7/06) e que emendas de deputados e senadores dos partido que apóiam o governo (como PT, PP e PL) foram beneficiadas com mais da metade do valor empenhado. Só a bancada petista é responsável por 36% dos empenhos liberados pelo governo, totalizando R$ 32 milhões. Coerência, apenas.

Enfim, meros indícios, como outros que é ocioso apontar, de uma campanha inexistente. A imprensa é a culpada por fazer ilações apressadas e sem se preocupar com o direito do presidente de exercer suas funções.

A maior prova de que ele não estava em campanha é que nunca cogitou se afastar do cargo, como outros candidatos foram obrigados a fazer. Nosso presidente sempre demonstrou um acurado senso ético e certamente teria se afastado para a campanha, como se prevê que vai fazer agora que é candidato oficial. Ou seria querer demais? Afinal, se ele pensasse assim, nunca poderia ter assumido.

A lei lhe assegura o direito de, mesmo presidente, continuar no cargo e, conseqüentemente, valer-se da máquina pública na sua propaganda.

Há restrições. Ele, infelizmente, não mais vai poder inaugurar buracos – nem reinaugurar os que já inaugurou – nem benzer pedras fundamentais.

Mas pode continuar a usar bonés e chapéus representativos dos diversos órgãos e locais que visitará na sua campanha, como fez até aqui.

O presidente tem cabeça boa.  



Escrito por Ilton: às 11:42
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HOJE É DOMINGO,

dia de recuperar crônicas e “causos” antigos do blog.

O que segue foi publicado em 19/07/2004 .



Escrito por Ilton: às 23:48
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"CAUSOS" NA VIDA DE UM JUIZ - I

Quando assumi minhas funções em Iraí, em 1982, o clima na cidade estava conturbado. O prefeito anterior renunciara e o substituía o Presidente da Câmara de Vereadores, um forasteiro, de partido diverso, dotado daquele dúbio dom especial, hoje comum na maioria dos homens públicos: atrair a simpatia dos correligionários e o ódio da oposição com o mesmo grau de sentimento inversamente apaixonado.

Era, além disto, tempo de Ditadura Militar, embora nos seus estertores. Mas muito temor ainda se camuflava nos recônditos dos lares e nas atitudes propositalmente contidas dos cidadãos honestos e sofridos desta pátria.

Convidaram-me para discursar no dia 7 de Setembro. Mas, como era comum naquele tempo, o tema (no caso, temas) veio previamente fixado pelo Cerimonial da Prefeitura: “Liberdade, Independência, Ordem e Progresso”. Isto para limitar o conteúdo da fala e não ensejar margem a pregação ideológica contrária ao regime.

No começo não gostei muito da idéia e pensei em declinar, penhoradamente, de tão honrosa missão. Depois, olhando enviesado, acabei achando bom. Aliás, não podia ser melhor. Erguia-se ali uma ótima oportunidade para eu dar o meu recado.

Fiz a minha oração para centenas de alunos perfilados naquela manhã ensolarada. Em termos não agressivos, mas suficientemente claros, construí uma linha de pensamento que projetava a conclusão de que no Brasil da época não havia nem liberdade nem independência nem ordem nem progresso. Detive-me em cada um dos temas e, obviamente, explicitei razões objetivas. Procurei não me estender muito porque discursos e reuniões são coisas que até admito existir, desde que eu não seja participante. Mas às vezes não há como escapar.

Notei alguns sorrisos amarelos das demais autoridades e recebi uns cumprimento frouxos, depois, mas nada que me inquietasse ou surpreendesse.

Ao chegar em casa encontrei a Ieda com ar preocupado. A solenidade fora transmitida pela Rádio Marabá e ela ouvira:

– Acho que vão te prender por causa desse discurso!

Obviamente não me prenderam nem repreenderam e as repercussões foram mínimas. Quem iria se preocupar com o que dizia um juiz de Iraí? Mas, também, nunca mais me convidaram para discursar em qualquer solenidade na Comarca.

Um ano e pouco depois, no jantar de minha despedida, fui impedido de falar. Mas então por um persistente edema de cordas vocais.

Dizem que foi praga!



Escrito por Ilton: às 23:47
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ONDE ESTÃO OS HOMENS MAIS PERIGOSOS DO BRASIL?

O Sídnei me enviou esta charge, assinada por Myrria, do jornal A Crítica, do Amazonas, dizendo:

Esta merece ser divulgada.

Em minha opinião, é a charge mais "informativa" do ano.

Também acho. Por isto aí vai.

Qualquer relação com a matéria de ontem é mera coincidência.

 



Escrito por Ilton: às 14:38
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RESCALDO FUTEBOLÍSTICO E, FINALMENTE, ALGO DE CONCRETO

Não dá mais para suportar. Nas telas só se vê verde a amarelo e gritos de “já ganhou”. Isto em razão da previsível vitória contra o time mais fraco do grupo do Brasil e, talvez, da Copa.

A vitória foi estrondosa pelos números. É justo comemorar porque vimos alguns lances que lembram o futebol brasileiro e pouco comemoramos até então. Mas é precipitado considerar que somos os melhores do torneio por causa desta partidinha que nem emocionou. Só considerarei emocionante a partida que conseguir reverter o meu coração ao ritmo normal.

Se aos corações sadios a emoção provoca palpitações e taquicardia é justo eu pretender que, no meu caso, em que preexistem e ainda assim fora do ritmo, cessem e meus batimentos revertam ao ritmo sinusal, isto é, ao considerado normal pela medicina.

Agora a partida contra Gana. Zagallo está felicíssimo. Afinal, Gana tem 13 letras. E a Globo já definiu o jogo como sendo “a mãe de todas as partidas”. Claro. Ela disse que a criação foi do próprio selecionado de Gana. Mas quem tem uma tendência intransponível em transformar o óbvio em grandioso é a própria Globo.

Que essa mãe não nos seja uma madrasta, porque a farra terminou. Agora é mata-mata, embora Gana não seja assim um perigo tão grande.

 


Alguém lembra da Copa de 1974, também na Alemanha? O técnico Zagallo, que foi traído pelo número 13 na partida contra a Holanda (veja aqui, role a página até 25/06/2005 – quase um ano atrás – no post Zagallo e o nº 13), mantinha o Ademir da Guia esquentando o banco de reservas.

Resolveu escalá-lo contra a Polônia, na disputa pelo terceiro lugar. Ele vinha jogando um partidão, era de longe o melhor do time, mas foi logo sacado. Zagallo temeu críticas por não ter escalado Ademir nas partidas anteriores. Aliás, porque o Fred não foi escalado ontem? Ah, tá! O Ronaldão precisa pegar mais ritmo de jogo.

 


Inaugurado hoje, em Catanduvas-PR, o primeiro presídio federal de segurança máxima. Já era tempo. Finalmente alguma coisa concreta e de concreto (e aço)! Deveria ter ficado pronto em janeiro. Mas chuvas, segundo o ministro Thomaz Bastos, atrasaram a construção.

Acho que São Pedro é petista ou entrou no esquema do mensalão. Afinal, atrasou a inauguração para que ela pudesse ocorrer em plena campanha eleitoral do ainda não mas sempre candidato à reeleição presidente Lula, que como todos sabem, inclusive o TSE, ainda não está em campanha...

Certamente participará da inauguração. O ministro Thomaz Bastos já traçou o perfil dos que devem ser abrigados pelo novo conjunto penitenciário.

Os agentes carcerários percebem cerca de R$ 4.000,00 por mês, um valor mais do que justo pelos riscos que correm. Já os estaduais... Para essas igualdades não existe isonomia salarial. Para outras, menos isonômicas, há.

Meu temor é que na inauguração, quando as autoridades (presidente, deputados, senadores, candidatos, candidatos a candidatos e outros aproveitadores) estejam lá dentro e os monitores façam o teste de segurança final e tranquem as portas o mecanismo emperre e ninguém mais possa sair.

Esse seria o melhor teste para sabermos se o sistema é realmente seguro.



Escrito por Ilton: às 16:17
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FIM DO JOGO

Ronaldão marcou dois.

Para os que entendem de futebol, isto é jogar bem, mesmo que tenha jogado mal.

Não sai mais do time.

De resto, o resultado era previsível.



Escrito por Ilton: às 16:55
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NO INTERVALO

O Ronaldão marcou um. Galvão Bueno teve um orgasmo. Segundo ele, durante a transmissão, Ronaldão marcou “quase três”.

Um dos que ele quase marcou foi de cabeça. Conseguiu uma impulsão de quase dez centímetros. Logo logo vai bater seu próprio recorde (de impulsão) nesta copa.

No outro, chutou fracamente e o goleiro defendeu.

O outro “quase gol” não lembro.

Acho que está fácil ganhar. Não está fácil e agüentar esse jogo. As substituições não surtiram o efeito que até eu, ao iniciar o jogo, esperava.

Mas ganharemos.

Se algum atacante substituir o Ronaldão, mais facilmente.



Escrito por Ilton: às 15:57
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BRASIL E JAPÃO VÃO MOSTRAR ALGUMA COISA?

Estou preparado para o sufoco que talvez não venha porque a seleção do Japão é fraquíssima. A mais fraca que vi jogar. Robô ainda não ganha jogo!

Parreira, coerente, esconde a escalação como vem escondendo o jogo. Espero que neste ele apareça e funcione esse quadrado mágico que tem de lutar com uma bola redonda e parece um buraco negro que suga para suas entranhas a qualidade de nossos jogadores.

Não sei se notaram. Parreira mudou seu relacionamento com a imprensa depois que foi para a Europa com a seleção. Está mais fechado e irritável. Na página Bola Dividida de Zero Hora de 20/06/2006, página 11, o repórter Mario Marcos de Souza constata:

Entre os jornalistas brasileiros que fazem a cobertura da Seleção na Alemanha já é possível ouvir algumas declarações saudosas dos tempos de Luiz Felipe à frente da comissão técnica. Considerado conservador, radical às vezes, adepto do estilo sargentão consagrado nos clubes por onde passou, Felipão abriu mais o ambiente da Seleção do que o pintor, escritor, palestrante de sucesso e professor Carlos Alberto Parreira. Felipão fazia questão de não isolar os jogadores e concentrava a equipe em hotéis abertos, permitindo o contato do grupo com repórteres e hóspedes. Parreira é adepto do isolamento total. Foi assim em Weggis, Königstein e agora em Bergisch Gladbach, cidade fundada em 1856, com 110 mil habitantes. Lá, a equipe está fechada no Castelo Lerbach, com acessos controlados por seguranças. Ao compararem a abertura de Felipão com o sistema de quartel de Parreira é que alguns repórteres ficam saudosos. É curioso.

Buscando-se a biografia de Parreira percebe-se que não é tão curioso assim. Sua vocação castrense – gostaram desta? – vem de longe. Ele, na Copa de 1970, era preparador físico e “observador” da Seleção brasileira, seja lá o queria dizer “observador”.

Época da Ditadura, e os anos 70 foram os mais negros, em todos os segmentos da vida social havia sempre a suspeita de alguém espiando. O Exército, de prontidão, era eficaz em espionagem e contra-espionagem intrometendo-se em eventos e atividades que nada tinham, originalmente, de políticas, como a CBF e a seleção brasileira.

Na Copa do México foi comandante da Delegação Brasileira o major-brigadeiro Jerônimo Bastos. O capitão Cláudio Coutinho, que depois foi técnico – com ele perdemos a Copa da Argentina (nessa briga de militares envolvidos com esporte os argentinos foram mais eficientes) – era supervisor.

O preparador físico e “observador” Carlos Alberto Parreira era também capitão do Exército.

Está bem! Já que ninguém mais lembra disto mesmo, deixemos de ser revanchistas e esqueçamos o passado. Só o mencionei para justificar o regime que Parreira instituiu na seleção brasileira de 2006. Ele mudou (mudou mesmo?), nós mudamos, eu mudei, o mundo mudou.

Temos que pensar no presente. E o presente, hoje, é Brasil x Japão. Ronaldão, se escalado, terá mais chances de fazer alguma coisa. Aí o temor! Se marcar um gol, mesmo atuando mal, jogará enquanto o Brasil estiver na Copa. Se marcar dois, então, poderá até quebrar uma perna que entrará engessado e de muletas.

Afinal, na seleção de hoje, tem mais peso quem rende mais. Ou seria, rende mais quem tem mais peso? Ou pe$o?

Há umas quatro ou cinco conclusões que meus inteligentes visitantes podem extrair da minha visão.

Agora vou rezar e acender uma vela. Para o Zico!



Escrito por Ilton: às 10:58
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UMA INTRODUÇÃO (OPS!)

O post de hoje tem origem num e-mail encaminhado pela Marília Motta, que infelizmente suspendeu – espero que apenas temporariamente – as atividades do seu excelente DE NOVO.

A matéria não visa discriminar aqueles que fazem do sexo sua profissão.

Pelo contrário: se críticas há, é contra quem se apropria de regras preexistentes, óbvias ou absurdas, como o que se pode ver resumidamente abaixo e, mais extensivamente, no site do Ministério do Trabalho, como se fossem seus iluminados criadores.

O Brasil está se tornando cada vez mais chato com esse chorrilho de regras e leis comprometidas com uma falsa visão do que seja politicamente correto.

Obrigado, Marília.



Escrito por Ilton: às 13:45
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O QUE É UM PROFISSIONAL DO SEXO, SEGUNDO O GOVERNO

Você sabe o que é um profissional do sexo? Creio que a maioria sabe. São eles: garota de programa, garoto de programa, meretriz, messalina, michê, mulher da vida, prostituta, puta, quenga, rapariga, trabalhador do sexo, transexual (profissionais do sexo), travesti (profissionais do sexo).

O que fazem esses profissionais? Numa descrição sumária: batalham programas sexuais em locais privados, vias públicas e garimpos; atendem e acompanham clientes homens e mulheres, de orientações sexuais diversas; administram orçamentos individuais e familiares; promovem a organização da categoria. Realizam ações educativas no campo da sexualidade e propagandeiam os serviços prestados. As atividades são exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam as vulnerabilidades da profissão.

Para ser um profissional do sexo, o interessado tem que observar as condições gerais do exercício: trabalhar por conta própria, na rua, em bares, boates, hotéis, porto, rodovias e em garimpos. Atuar em ambientes a céu aberto, fechados e em veículos, em horários irregulares. No exercício de algumas das atividades podem estar expostos à inalação de gases de veículos, a intempéries, a poluição sonora e a discriminação social. Há ainda riscos de contágios de DST, e maus-tratos, violência de rua e morte.

Há que se ter formação: para o exercício profissional requer-se que os trabalhadores participem de oficinas sobre sexo seguro, oferecidas pelas associações da categoria. Outros cursos complementares de formação profissional, como por exemplo, cursos de beleza, de cuidados pessoais, de planejamento do orçamento, bem como cursos profissionalizantes para rendimentos alternativos também são oferecidos pelas associações, em diversos Estados. O acesso à profissão é livre aos maiores de dezoito anos; a escolaridade média está na faixa de quarta a sétima séries do ensino fundamental. O pleno desempenho das atividades ocorre após dois anos de experiência.

São requisitos pessoais, inerentes à competência: demonstrar capacidade de persuasão; de capacidade lúdica; de expressão gestual; de realizar fantasias eróticas; de paciência; de comunicação em língua estrangeira; ética profissional; sensualidade. Devem agir com honestidade; planejar o futuro; prestar solidariedade aos companheiros; ouvir atentamente (saber ouvir); respeitar o silêncio do cliente; manter sigilo profissional; respeitar código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho; proporcionar prazer; cuidar da higiene pessoal; conquistar o cliente.

Para o exercício efetivo do trabalho, têm que batalhar o programa e para isto devem: produzir-se visualmente; aguardar no ponto (esperar por quem não ficou de vir); seduzir com o olhar; abordar o cliente; encantar com a voz; seduzir com apelidos carinhosos; conquistar com o tato; envolver com o perfume; oferecer especialidades ao cliente; reconhecer o potencial do cliente; dançar para o cliente; dançar com o cliente; satisfazer o ego do cliente; elogiar o cliente; agendar a batalha.

Se você quiser se aprofundar no assunto, por interesse ou curiosidade, basta acessar o site do Ministério do Trabalho e Emprego, em que a profissão está regulamentada sob o código n. 5198-05. A página foi elaborada com assistência de especialistas e instituições que defendem os direitos dos profissionais do sexo, indicados no site.

Creio que é uma boa iniciativa, afora os exageros que cada um vai descobrir. A retórica do PT está presente com evidência proverbial. Não se resolve nada, recomenda-se exigências absurdas (como a de comunicação em língua estrangeira), sem que se tome a iniciativa de retirar das ruas e ofertar condições de trabalho menos promíscuo, mais estável e menos arriscado aos que batalham contra sua vontade porque não têm outra opção.

Não creio que a maioria das prostitutas goste do que faz. Mesmo assim, deve propagandear sua atividade. Essa Cartilha, mais um desvio do politicamente correto, parece uma desculpa de um Governo que oferece empregos insalubres à classe trabalhadora, já que não tem condições de criar empregos mais sadios e seguros, pessoal e previdenciariamente.



Escrito por Ilton: às 13:31
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TARSO GENRO APERTA E AFROUXA

O pior administrador é aquele que não tem o que fazer. Cansado de coçar, após gastar tubos e tubos de pomada para cicatrizar esfoladuras, ele irremediavelmente sai a campo para fazer alguma coisa. Ainda que seja nada.

Quando faz nada, tudo bem. Ninguém será prejudicado. O pior é quando ele sai para fazer alguma coisa pífia ou que importe na mudança de situação consolidada e que ele entende deva ser alterada. Propõe alguma coisa completamente absurda, mas que a vaidade faz vê-la com lampejos da mais pura genialidade.

Isto, muita vez, produz situações inusuais e constrangedoras, até vexatórias, que se chocam de frente com fatos consumados: a proposta, ao invés de melhorar, vai piorar as coisas.

Esse tipo de administrador precisa ter cara de tacho para sugerir a mudança de manhã e recuar com galhardia à tarde, ou na manhã seguinte, porque sua proposta era bem menos genial do que imaginava.

Já referi neste blog que o ministro Tarso Genro criticou o Governo de São Paulo e o acusou de ter feito acordo com a bandidagem para acabar com a violência daqueles dias no Estado. À noite, constrangido, desmentiu-se: pessoalmente “não acreditava” no acordo. Também sobre representação que protocolou em 14/10/2005 ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra o deputado Onyx Lorenzoni. A assinatura foi questionada pela revista Veja, com base em laudo grafotécnico confirmado pela Polícia Federal: era falsa. Tarso afirmara que a assinatura era dele... Referi, ainda, a mala de dinheiro enviada pelo valerioduto ao Rio Grande do Sul, usado à sua revelia para a sua campanha eleitoral. Quem quiser se rever o texto, clique aqui.

Passou meio despercebido, mas Zero Hora, em 16/06/2006, pág. 6, noticiou que o ministro sugeriu mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal e “despertou a fúria da oposição e a desconfiança de especialistas”.

A proposta foi de flexibilizar os limites de endividamento e gastos dos administradores públicos (conveniente em tempo de campanha eleitoral, principalmente com seu partido no Governo e na disputa) com um dispositivo para “orientar a combinação de patamares mínimos de crescimento e máximo de inflação aceitáveis” – justificou no seu vago linguajar petista, que é mesmo para ser entendido por poucos. Enfim, para injetar mais dinheiro público para fins não esclarecidos, ou que ele não esclareceu.

As reações foram imediatas. Jorge Bornhausen, senador do PFL de Santa Catarina: “Flexibilizar a lei é irresponsabilidade. Isso só pode passar na cabeça de quem não gosta de trabalhar, governar e cumprir a legislação”.

Darcy Carvalho dos Santos, especialista em finanças públicas: “A Lei Fiscal é um dos maiores acertos. O que precisamos é que seja cumprida com mais rigor”.

Segundo o jornal, então “Tarso Genro recuou e negou que exista proposta dele ou do governo para mudar a lei: o que houve foi uma manifestação minha em um diálogo que estou fazendo com todos os setores da oposição. Queremos aprimorar uma visão de desenvolvimento” – mais uma vez o confuso linguajar petista.

Enfim, o ministro da Coordenação Política Tacho, digo, Tarso Genro, está se especializando em desdizer de noite aquilo que disse de manhã.

Por enquanto só não desistiu de sua investida mais violenta e que certamente entrará para o folclore dos anais jurídicos da Pátria: a relativização do ato jurídico perfeito.



Escrito por Ilton: às 09:03
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O MELHOR DUELO DA COPA

O Marco Aurélio, criativo chargista do Zero Hora, captou muito bem o que foi, até agora, o melhor duelo da copa.

 



Escrito por Ilton: às 11:02
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BRASIL CAMPEÃO: AGORA EU ACREDITO!

Você já deve ter recebido por e-mail a interessante pirâmide, acima, das copas do mundo desde que o Brasil venceu a sua primeira, em 1958.

Ela é antiga. Acho que saiu logo após o Brasil ter vencido a de 2002, ou até antes. Mas foi o Sidnei, agora, que se lembrou dela e me enviou.

Apontam-se coincidências nas copas de 1966 e 1998: em ambas, a seleção do país-sede foi campeã (Inglaterra e França); em ambas, o terceiro lugar foi conquistado por um país estreante (Portugal e Croácia), dos quais saíram os artilheiros (Eusébio e Süker).

Esta explicação, para os cabalistas ou supersticiosos que elaboraram a pirâmide, é necessária porque, ao contrário das outras copas, não há coincidência de vencedores na linha horizontal.

O mais interessante é que a subida-descida dos degraus da pirâmide aponta o Brasil, a se confirmar os antecedentes, como vencedor em 2006.

A estas alturas do campeonato esses são os elementos mais concretos que permitem acreditar que, mais uma vez, seremos “campeões do mundo”.



Escrito por Ilton: às 08:58
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BRASIL E AUSTRÁLIA

Fim do jogo.

Sufoco.

Será que não há ninguém aí que possa intermediar um patrocínio vitalício da Nike para o Robinho?



Escrito por Ilton: às 14:12
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INTERVALO DO JOGO BRASIL X AUSTRÁLIA

O Galvão Bueno disse que o jogo do Brasil está “com cara do treino”.

Não. Está com cara do treinador: boca mole e caído.

E com cara do Galvão: a este falta coragem de criticar os amigos que faz (Parreira, Ronaldão, Barrichello...) em sua atividade jornalística para obter entrevistas e informações privilegiadas como ao Brasil falta coragem de desenvolver um jogo pra frente.

“Como nós já dizíamos”, esta Copa está cada vez mais parecida com a de 1994...



Escrito por Ilton: às 12:55
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HOJE É DOMINGO,

geralmente dias de amenidades no blog.

Mas a morte do Bussunda (nunca fui fã do Casseta & Planeta, mas é inegável que ele era naturalmente engraçado) lembrou-me uma crônica que publiquei em 29/11/2004.

Os mesmos motivos de então me levam a republicá-la agora: a morte, mesmo natural, e a sanha pela procura de culpados.

É que o jogador Roberto Carlos, do alto de sua qualificação de lateral direito (ou ala) da seleção brasileira, já saiu com esta: "Acho que o Bussunda poderia ter sido salvo se tivesse tido um atendimento imediato. Isso tem que ser investigado” (aqui, no último parágrafo).

Certamente o fato será investigado. Mas essa tendência prematura a buscar alguém culpado, transformando toda morte em homicídio, é prematura. Salvo melhor juízo.

As notícias informam que Bussunda se sentiu mal num jogo de futebol e, de madrugada, teve nova crise, mas recusou atendimento médico dizendo que estava bem.

Foi atendido por paramédicos e morreu ainda no hotel, vitimado por um enfarte...



Escrito por Ilton: às 22:17
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NINGUÉM ME EMPURROU. A CULPA É MINHA!

Eu não posso dizer que sou agnóstico porque acredito em alguma coisa. Não sei no que, mas acredito. Não peçam para me explicar porque não conseguiria. Mas tem que haver alguma coisa superior, ainda que meio visionária, que nos permitiu a possibilidade de raciocinar que desgraçadamente nos distingue dos animais.

Depois de caminhar entre as desgraças que as folhas de um processo transmite, pouca coisa ruim me impressiona. Mas há coisas boas que me comovem, ainda, graças a Deus!

Um amigo que há algum tempo não vejo é espiritualista, ou espírita (parece que o termo mudou). Ele foi promotor substituto na Tristeza quando eu era Juiz Criminal.

Uma vez mostrei-lhe uma nota raivosa publicada num jornal pedindo justiça a um motorista que matou, num acidente em Balneário de Camboriú, um familiar dos autores da publicação. Só para esclarecer: o processo não estava sob minha jurisdição.

Ele balançou a cabeça desolado e afirmou que aquilo era a pior coisa que se poderia fazer para a alma do morto. Ela não descansaria enquanto ficassem aqui pranteando e sentindo ódio por sua causa.

Não soube responder nada. Não conheço a filosofia espírita e não teria qualquer argumento, pró ou contra. Mas a afirmativa calou no meu íntimo e lembro dela sempre que estimulado por fato idêntico.

Por isto não comentei nada sobre o caso Wladimir Herzog quando da publicação daquelas fotos. Pensei: está na hora de deixarem ele descansar em paz. Afinal a família já recebeu indenização, houve uma anistia que entendi fosse para ambos os lados, e não tem sentido reavivar feridas. Há certas coisas que é melhor esquecer.

Depois li que vão rebuscar a causa mortis da Cássia Eller. Parece proposital: deixam passar um bom tempo, os elementos de prova mais vívidos se apagaram, vão talvez querer exumar o que resta do cadáver, enfim, revolver todas as circunstâncias sórdidas e não sórdidas que rodeiam a morte de uma pessoa famosa.

Parece-me que mais do que a busca da Justiça, há gente que quer se promover e lucrar às custas da desgraça alheia. Um lucro que, neste caso, se ela fosse viva, seria apenas dela, por seus méritos, e não de outros.

Houve o caso jogador Serginho, do São Caetano, um atleta que morreu do coração dentro do campo. A culpa foi jogada, por primeiro, na administração do Estádio, como se essa fosse obrigada a prever tudo. Um repórter da Rede Bandeirantes vociferava, desfigurado, como se detivesse o domínio da verdade. Nada melhor que um dia atrás do outro e uma noite entre eles para deixar bem claro que o primeiro apontado não é necessariamente o responsável.

Dia 14/11/2004 uma ciclista, no Piauí, se arriscou numa prova perigosa, passou mal e morreu. A culpa foi imediatamente repassada aos organizadores do evento que não providenciaram água em determinados locais do percurso. Como se um copo d’água, num caso desses, tivesse poder ressuscitador.

Cresce cada vez mais, na mídia, uma espécie de jornalista que se assemelha a abutres, rezando por uma carniça para levantar sua audiência e seu ego. Eles entendem que hoje não se pode morrer sem que alguém seja culpado. Principalmente se for alguma “celebridade”.

Sou cardíaco, mas meu médico já me liberou para alguns exercícios. Posso, por exemplo, correr 200 metros em duas horas sem que isto constitua qualquer risco.

Mesmo assim, se eu morrer numa dessas desabaladas corridas – às vezes me dou ao luxo de correr até de ré – fiquem todos cientes: a culpa é minha. Não responsabilizem ninguém pela minha morte, nem que eu esteja sentado no meu sítio no Passo Manso, a 300 metros do asfalto, e um veículo me atropelar dentro do casebre.

Deixem eu ir sozinho ao encontro daquilo que for pra ser. Não me chamem nem façam apelos inculpando terceiros ou quartos. Desde que nasci assumi a culpa pela minha morte.



Escrito por Ilton: às 22:15
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COPA E FENÔMENO: NÃO DÁ PRÁ FUGIR DO ASSUNTO

Pelo que li, Parreira vai manter o Ronaldão contra a Austrália porque, entre outras, coisas:

1) Futebol é momento:

Tudo é momento e por isto mesmo o Ronaldão deveria sair. Ele passa por um mau momento.

2) Em respeito ao currículo do jogador:

Então deveríamos ter levado o Pelé, a Argentina o Maradona, a Alemanha o Beckenbauer, por aí. Currículo não ganha jogo. Senão, bastaria enviar apenas os currículos dos nossos craques para Copa. Seríamos campeões sem a mínima possibilidade de objeção.

O primeiro que deve respeitar seu currículo é o próprio curriculado, isto é, o interessado. Ronaldão reconheceu que atuou, desde o início da partida, com tontura ou tonteira – tanto faz – e dor de cabeça. Demonstrou falta de autocrítica ao não pedir para ser substituído logo (ou até para ser poupado), porque sem condições de jogo.

Ah! Mas daí iriam tachá-lo de covarde? Evidentemente que a maioria da imprensa o faria. Mas a resposta ele mesmo, Ronaldão, poderia dar na partida seguinte, jogando bem, sem tontura e dor de cabeça, e calando a boca de todo o mundo. Até a minha.

3) Para oportunizar a Ronaldão igualar Pelé e superar Gerd Müller na artilharia das Copas do Mundo:

Corremos dois riscos: o de que o Ronaldão, no ritmo – que ritmo? – em que atuou a primeira partida não marcar gol nenhum e, além disto, perdermos a oportunidade de marcarmos através de outros que atravessam melhor fase. Ele deu apenas um chute a gol.

Então deveria ter convocado também o Romário, que anda aflito para superar Pelé em número de gols da seleção. Diz-se até que, como nos Estados Unidos não está se saindo bem, se ofereceu para jogar pelo Cacique ou pelo União de Taió, no próximo campeonato da Liga Riosulense de Futebol. Não sei se vai conseguir fazer gols, em todos os casos, vale a intenção. Há forte resistência entre os dirigentes e torcedores de ambos os clubes. Parece que o Cacique está disposto a abrir-lhe uma vaga nos veteranos.

4) Parreira considera a Copa um laboratório. Diz que se Ronaldão nunca jogar ele não pegará ritmo de jogo.

Quer dizer, espera-se quatro anos para se ver uma copa, jogadores em forma, times tinindo, e o Brasil vai usar a cópia para ir se preparando para a Copa...

Está certo que um time deve ir crescendo à medida que avança no torneio. Mas já deve estar preparado, física, tática, técnica e psicologicamente para qualquer jogo. A convocação dos jogadores ocorre bem antes para treinos e correção de deficiências. Usar os primeiros jogos como treino é um perigo que não podemos correr.

5) O próprio Ronaldão pediu, em entrevista, que deve ser respeitado por seu currículo e que todo o bom jogador tem o direito de jogar mal um dia.

Também acho. Não apenas um dia. Pelé fez más partidas pelo Santos (menos contra o Corinthians, que castigava sempre). O que ocorre é que Ronaldão não jogou mal contra a Croácia. Ele simplesmente não jogou...

6) Dizem que a Skol, uma das patrocinadoras do Brasil, está insatisfeita. Em recente comercial inseriu um gordinho de cuecas que faz gol.

Ronaldo está redondo, embora não tanto. Mas não desce: nem para o ataque nem no espírito do torcedor que, em enquete realizada pela TV Record, prefere vê-lo substituído na partida de domingo pelo Robinho.



Escrito por Ilton: às 08:25
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