AINDA SOBRE A VIOLÊNCIA DESTES ÚLTIMOS DIAS

O presidente Lula, que não tinha mais nada relevante a fazer em Viena, com avião próprio e por isto não dependente de horário, deveria ter vindo imediatamente ao Brasil para acompanhar de perto os acontecimentos de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul como qualquer outro governante consciente faria.
Mas não. Demonstrando sua evidente queda pelo lazer, foi a um jantar com o presidente da Áustria, seu último compromisso oficial na visita a Viena. O presidente Putin foi duramente criticado, interna e externamente, quando, por ocasião da tragédia com o submarino Kursk, não foi até o Mar de Barents, em agosto de 2000.
Aos jornalistas que tentavam obter declarações sobre os fatos do Brasil, desconversou e perguntou se eles não iam cobrir os discursos de Chavez e Morales. Uma bela maneira de, mais uma vez, empurrar a responsabilidade com a barriga.
Mais: contando com um luxuoso avião, com um quarto de casal que, segundo dizem, tem até espelho no teto, deveria ter aproveitado para descansar na viagem e determinar que os ministros da área o aguardassem para uma reunião, juntamente com autoridades de São Paulo. De madrugada. Já que é incapaz de tomar decisões sozinho, pelo menos deveria convocar o mais rapidamente possível a reunião para quando chegasse.
Mas não. Certamente, sem autocrítica e viciado pelo estilo petista de se reunir até para marcar reuniões, convocou uma reunião de emergência para esta manhã. Emergência se trata assim? Não! Para mim essa é apenas uma reunião normal em que apenas o assunto é excepcional e grave.
Há críticas à atuação do governo paulista que está numa situação de dificuldade técnica. Se não tivesse promovido a transferência dos presos e algo de grave acontecesse, seria criticado. Resolveu agir por antecipação porque vazou, do presídio, que alguma coisa estava sendo preparada para os próximos dias. Os policiais de São Paulo foram inclusive desafiados por Marcola que, quando interrogado, teria dito: eu posso invadir delegacias e matar policiais, mas vocês não podem invadir cadeias para matar presos.
Como, realmente, não pode invadir prisões e matar presos transferiu os mais perigosos para o interior visando isolá-los e enfraquecer as lideranças e o movimento. Agiu certo.
Então veio a reação. O risco foi calculado, mal calculado, pois não souberam interpretar o recado do Marcola e se descuidaram exatamente na proteção de seus próprios agentes. Esse o grande erro.
Poderão dizer que o problema é dos Estados onde os fatos ocorrem e por isto o presidente Lula não precisa se preocupar. É. Mas não é só isso! A questão da segurança pública, principalmente no estado de coisas que se vive no Brasil, é um problema nacional e deve importar a todos, em qualquer nível: municipal, estadual e federal.
O Governo de São Paulo recusa ajuda porque afirma ter meios de agir eficientemente por suas próprias forças. Não se duvida. Mas não dá para entender a contradição deste país gigantesco. O poder centralizado determina que a liberação de verbas para a segurança dos estados-membros cabe à União. Mas a polícia é descentralizada, ao cuidado de cada Estado...
Segundo a ONG Contas Abertas, “os investimentos do governo federal em segurança pública diminuíram 11% em 2005. Foram investidos R$ 475 milhões no ano passado contra os R$ 533 milhões aplicados em 2004 , já considerados os restos a pagar de exercícios anteriores. A redução de verbas atingiu três das cinco mais importantes unidades orçamentárias do Ministério da Justiça”.
Neste ano de eleições, segundo a mesma ONG, os investimentos subiram 51%, mesmo antes da aprovação do orçamento da União (aqui). Mas a Segurança não consta entre as mais contempladas. Em primeiro lugar, o Ministério dos Transportes, com a operação “tapa-buracos” e depois Educação e Saúde.
A segurança do cidadão brasileiro, que é uma coisa imediata e grave, é menos importante.
Escrito por Ilton: às 21:20
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LULINHA DO PASSO CERTO ATACA OUTRA VEZ
Nas últimas noites a bandidagem saiu de seus covis em São Paulo para mostrar o poder que tem chamando o Estado para a guerra.
No momento em que escrevo, às 0,25 horas de segunda-feira, "segundo balanço parcial do governo do Estado, até a noite deste domingo, foram 115 ataques. Morreram 20 policiais militares – 12 deles em folga –, cinco policiais civis – todos em folga –, três guardas municipais, oito agentes penitenciários – todos em folga –, dois civis e 14 suspeitos, baleados em confrontos" (veja a notícia aqui).
Numa atitude ímpar nestes tempos de conivência governamental com a baderna e o crime, o Governo de São Paulo resolveu isolar líderes de facções criminosas, separando-os e levando-os, juntamente com alguns mais perigosos, para presídios de segurança máxima no interior do Estado.
A facção PCC (Primeiro Comando da Capital) reagiu e realizou a operação criminosa em São Paulo lançando ataques a policiais e se rebelaram em presídios. O movimento se alastrou para o Paraná e Mato Grosso do Sul, por enquanto, evidenciando o intenso poder de dominação dos chefões do crime organizado que, do interior da prisão, comandam assaltos, seqüestros e até assassinatos via celular e através de visitas que levam e trazem recados.
O governador de São Paulo, Cláudio Lembro, informou que a reação era esperada. Mesmo assim, não se evitou esse morticínio que, até agora, a imprensa não se encorajou de chamar de “massacre”. São 36 mortos, contando dois civis. Em Carajás, foram 19 e é ainda hoje qualificado com esse epíteto. Embora, de um modo geral, não haja crítica à atitude do Governo de São Paulo e até o Fantástico fez um tributo à Polícia, em Editorial lido por Pedro Bial (ver abaixo), resta mais ou menos claro que a dureza dos adjetivos se aplica distintamente para a direita e para a canhota.
Esse tipo de reação, na forma como realizada, de repente e em grande escala, é muito difícil mesmo de coibir. Mas é justo crer que não estavam os órgãos de segurança de São Paulo tão preparados quanto apregoam ou ainda acreditam que bandidos são capazes de agir lealmente, mesmo na guerra, o que se sabe é uma falácia.
Mas alguém criticou. O presidente Lula, borboleteando em Viena, para tirar o seu da reta, agiu de forma absolutamente esperada, transferindo responsabilidades. Ele, o Magistrado Supremo da Nação, nunca tem a ver com as tragédias que acontecem em seu Governo.
Leia em Lula comenta ataques em SP e critica governo. Entre outras desconversas, nas quais, culpou o passado pela crise (e nisto é especialista), criticou o candidato Geraldo Alckmin (que nem está no exercício de suas funções) ao atacar um dos lemas de sua campanha. Disse que o Brasil precisa não é um "choque de gestão – expressão usada por Alckmin – mas de um "choque de inclusão".
Num momento de extrema gravidade, em que deveria demonstrar algum vestígio, ainda que mínimo, do estadista que seus asseclas pregam que é, o mínimo que se esperava era que apoiasse a ação do Governo paulista. Passou uma ótima oportunidade de demonstrar bom senso e preparo. Perdeu-se em palavras pífias próprias de quem desconhece os e não sabe o que diz.
Ele contatou o Ministro da Justiça e lhe pediu "para fazer o que for necessário não apenas para acabar com as rebeliões em São Paulo, mas, sobretudo, para evitar que novos crimes e mortos apareçam". (O “apareçam” pode ser um ato falho. Creio, entretanto, que é apenas desconhecimento da Língua. Há muita diferença entre não acontecer e não aparecer. Mas deixa pra lá).
Não parece que somos uma nação. Não se lê de seu discurso a proposta de colaboração ou ação conjunta. Age como agiu quando interveio nos hospitais do Rio e permitiu que o Exército invadisse favelas em busca de armas furtadas. De forma independente, como se fosse auto-suficiente.
Se der certo, mesmo que não tenha ajudado em nada, vai tentar tirar dividendos em favor de sua campanha. Ah, isto vai! Isto é outra coisa no que é especialista.
Mas hoje mesmo, quando retornar, vai mudar seu tom de voz. Esperem pra ver. A incoerência é outra de suas especialidades.
Escrito por Ilton: às 00:00
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EDITORIAL DO FANTÁSTICO LIDO POR PEDRO BIAL
Quando erram, nós não os perdoamos. Somos freqüentemente implacáveis com eles. Até que num fim de semana trágico vislumbramos o que seria de nós sem a polícia. Aos mortos e aos vivos o Fantástico faz um tributo.
Eles são a linha de frente da Democracia. Para além de manter a ordem, sua função é garantir nossa liberdade. Há coisas que consideramos certas, como o ar que se respira, e que só valorizamos quando as perdemos, como a saúde, a liberdade, a vida. É fácil criticá-los. São eles que morrem por nós. Num fim de semana 35 se foram. Dia das Mães, dia do enterro dos filhos. Policiais civis, militares, um bombeiro...
O nome oficial é Agente do Estado, mas desde criança aprendemos a chamá-lo de “seu guarda”. Guarda! Vivem e morrem para nos guardar. Quem sabe esta tragédia não seja a oportunidade que nos faltava para refletir sobre esses homens e mulheres que por tão pouco soldo, protegem algo muito frágil e delicado: a construção do Brasil. Sua principal arma não é de fogo nem branca. É letra, palavra, o nome da Lei.
Escrito por Ilton: às 23:38
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CONSIDERAÇÕES PRÉ-ELEITORAIS

A Veja foi maldosa, em sua última capa, ao desenhar dois chifrinhos na cabeça do Garotinho presciente de que ele, por ser evangélico, é mais do que outros melindroso a essas insinuações demoníacas. Veja sabe disso e, embora tenha publicado denúncias contra ele – algumas me soaram pífias – adora esse tipo de expediente rasteiro, como, por exemplo, chamar a Martha Suplicy de perua.
Acho que quem se propõe fazer um jornalismo “sério”, ao menos, da boca pra fora – ou neste caso, da capa para dentro – não precisa usar deste tipo de expediente. Não é o caso de O Diarinho que é conscientemente escrachado e pode se dar ao luxo dessas liberalidades. Quem não gostar, não o compre, mas nunca vai ser enganado comprando gato por lebre.
Não estou defendendo o Garotinho político. Ao que sei, e li sobre o episódio de Campos, ele não é flor que se cheire, mas mesmo neste campo não se afasta daquilo que é a maioria dos nossos políticos. Isto também não é uma justificativa, mas como se trata de explicação que abunda nestes tempos petistas vamos com ela mesmo. Não acompanhei sua administração no Rio de Janeiro, até pela distância, mas se ele conseguiu eleger sua própria mulher como sucessora é porque agradou à maioria dos eleitores cariocas.
Achei inoportuna e inconseqüente a greve de fome a que se submeteu. Há meios mais saudáveis de se fazer regime. E para obter o direito de resposta pelas ofensas que diz ter sofrido a conduta era completamente desnecessária. Ele obteve as liminares da Justiça e para isto a greve de fome influenciou como um pum debaixo d’água influenciaria no aquecimento do globo terrestre: bolhas de chocho efeito pirotécnico.
No Brasil a intolerância é muitas vezes gratuita e sem sentido. Não importa se o Garotinho é evangélico e sê-lo não significa necessariamente que seja desonesto. Ou honesto.
Como também não me interessa se o Alckmin pertença à Opus Dei. Isto é problema dele, de foro íntimo, e se chegar à presidência e for um bom presidente é o bastante. Vou me rebelar se ele pretender impor-me sua crença ou se quiser transformar o Brasil numa enorme grei da Opus Dei. Caso contrário ele pode até autoflagelar que não me interessa, principalmente se livrar o povo brasileiro do flagelo institucional e crônico que vem sofrendo.
Parece também que ainda não conseguimos, sob certos aspectos, nos liberar completamente da influência eclesiástica nas nossas discussões eleitorais ou, neste caso, pré-eleitorais. FHC, candidato, declarou-se ateu e isto ocasionou algum mal-estar. Lula acredita em Deus e às vezes se acha superior a ele e explicitou isto claramente quando falou que nem Deus iria impedir as reformas que estava conduzindo. Mas Lula é da esquerda e pode dizer a besteira que quiser porque ninguém mais o leva a sério e quem o leva é petista e vai sucumbir com ele.
Por isto, neste mapa pré-eleitoral, em princípio, não me importa quem seja o próximo presidente da república. Desde que não seja Lula, FHC e o próprio Garotinho. Não por suas crenças íntimas. Mas não posso deixar o vício de julgá-los pelos seus antecedentes, embora, quando ao último, “por ouvir dizer”. Mas fonte é segura e o testemunho sério.
Escrito por Ilton: às 14:14
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MISTURANDO IDÉIAS

Ninguém comentou sobre o meu post de ontem. Quando o assunto é sexo, as pessoas colocam as barbas e outras coisas de molho. Aliás, quem deu o exemplo fui eu. Fui um tanto covarde em só expor o pensamento de outrem. Acontece que não sou sexólogo e o que sei de sexo, por enquanto, me basta. Sou um amador (entenderam o duplo sentido?). Mas se alguém pensou no assunto, principalmente no “sexo do futuro”, já está bom. Não sei se os jovens encararão o sexo com mais naturalidade – como diz o autor – sem elevá-lo à condição de principal coisa da vida. Mas seria bom se assim fosse. O sexo é uma atividade lúdica – pelos menos assim acho – e nem todo o dia a gente está disposto ao jogo.
Agora mais rasteiramente: alguém aí tem que ser coerente e decidir de uma vez. Ou deixar de lado essa mania de eleger o que é melhor para os outros. Há tempos jornais e revistas vêm aclamando Gisele Bündchen como uma das mulheres mais lindas do mundo. Não sei, mas suas medidas devem ser 60 de busto, 60 de cintura e 60 de quadris. Por aí. Agora a revista americana People – eu vi no Fantástico num domingo destes – diz que a atriz Juliana Paes, cujas medidas são 89 de busto, 67 de cintura e inacreditáveis 98 de bunda, digo, de quadris, é uma das cem mulheres mais bonitas do mundo...
Eu passei da idade de me incomodar com isto. Mas fico preocupado com os adolescentes. Ficarão desnorteados com esse excesso de informações contraditórias, sem um referencial certo, e vão ter seriíssimas dúvidas em escolher. São capazes de confundir gatas com lebrões.
O presidente Lula é um prometedor sério. Ninguém pode acusá-lo de, pelo menos, tentar cumprir suas promessas. Ele prometeu criar dez milhões de novo empregos em sua campanha. E trabalha arduamente para chegar lá. É claro que falta muito e o programa Primeiro Emprego não deu muito certo (parece que descobriram que uma das exigências para a admissão de jovens para o primeiro emprego era a de que as empresas só poderiam aceitar quem já tivesse pelo menos dois anos de experiência anterior).
Mas o presidente Lula, e seu Governo, num esforço sobre-humano para cumprir suas promessas, enquanto passeia pra lá e pra cá, criou 37.543 novos cargos públicos, segundo informa a Folha de 16/04/2006 (aqui).
Força, presidente. Força que nóis geme. Só faltam 9.962.457...
Não vale contabilizar os criados pelas empresas privadas. Ou vale? Eu não arriscaria, presidente.
Há algum tempo, nos blogues do Tambosi, do Aluízio e, se não me engano, do Damião, surgiu uma discussão sobre Serra e Alckmin, esse rechaçado pelos demais por pertencer à reacionária Opus Dei. Fui um dos poucos, se não o único que, em comentários, defendi a candidatura Alckmin. José Serra me parece muito autoritário. Pois na IstoÉ Dinheiro n. 437, vem a confirmação de quem os conhece, FHC: Um governo Alckmin será um governo do PSDB. Um governo do Serra será um governo do Serra (coluna Poder, de Hugo Studart, pág. 13).
Não tenho dúvidas de que o autoritarismo é o pior dos vícios de um governante e José Serra já deu mostras disso quando era ministro do próprio FHC. Integrar a Opus Dei é um mal muito menor.
As táticas petistas são mais enganosas que a de qualquer outro Governo, desde as teorias do bolo crescente, do Delfim Neto, até os pacotes diabólicos dos governantes pós-ditadura. O presidente Lula jacta-se de oferecer o maior salário-mínimo em 25 anos para o Brasil. Tudo bem. Mas como ressalta a mesma IstoÉ Dinheiro: A New Economics Foundation (da Inglaterra), estima que no atual ritmo de crescimento do PIB serão necessários 304 anos para atingirmos o patamar das nações desenvolvidas (pág. 10).
Escrito por Ilton: às 01:58
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"NINGUÉM NASCE GAY"

A afirmativa do título é do sociólogo americano John Gagnon, 74 anos, professor emérito da Universidade do Estado de Nova Iorque, “um dos pioneiros no estudo sobre sexo. Publicou 12 livros e cem artigos. Na semana passada, lançou o primeiro no Brasil, Uma Interpretação do Desejo” (revista Época, 08/05/2006, pág. 86).
O assunto é polêmico. Como não me considero apto a debater, rebatendo tudo ou parcialmente, deixo isto para vocês, que são entendidos (ops!). Limitar-me-ei a transcrever partes da entrevista que ele concedeu à jornalista Gisela Anaute:
Sexo e impulso natural: Em minha carreira, analisei como os atos sexuais são diferentes em épocas e lugares diversos: do Brasil de hoje à Rússia de cem anos atrás. As atividades sexuais são parecidas, mas as razões ou motivações que levam as pessoas a transar são diferentes.
Sexo e Cultura: A cultura oferece diversas possibilidades. Você pode querer ter relações homossexuais, fazer sexo só no casamento, transar com uma pessoa bem jovem ou mais velha. Todas as possibilidades estão lá, mas a cultura também nos diz quais são as corretas.
Homossexualidade: Existem evidências de que a homossexualidade é construída socialmente. É uma capacidade aprendida, não algo com que se nasce.
Há uma diferença entre ter uma identidade sexual e uma prática sexual. Um homem que se diz gay não é homossexual apenas porque faz sexo com homens. Ser gay tem a ver com o comportamento, com os amigos, a política etc. O gay é uma nova pessoa social. Há homens que só têm relações sexuais com homens, mas não se apresentam como gays porque não pensam como gays.
Os papéis sexuais: Os papéis são os elementos que você tem de saber para poder se relacionar com o outro. Quando quer fazer sexo, você se pergunta: é a pessoa apropriada?; é homem ou mulher?; é meu chefe?; dá para fazermos sexo na sala de casa?; fechados no escritório? A pessoa é um ser social e sabe quais situações serão aceitas. Tudo é aprendido. Não está incrustado no corpo.
Sexo e aprendizado: As pessoas aprendem a ser sexuais da mesma maneira que aprendem a jogar futebol: praticando.
Sexo no futuro: Todo mundo acha que as pessoas vão fazer mais sexo. Mas o corpo é um recurso limitado e há apenas alguns arranjos possíveis. O interessante não são as atividades físicas, mas a forma como as pessoas encaixam o sexo dentro de sua vida. O futuro não será simplesmente físico, mas cultural.
A próxima geração será mais racional em relação à vida sexual. Vai pensar por que o sexo é importante: se é uma fonte de prazer, o que significa estar com esta ou aquela pessoa. Ao mesmo tempo os jovens vão perceber que sexo não é o que há de mais relevante na vida. Temos de pensar em como viver longos relacionamentos com ou sem sexo. No futuro, ficaremos melhores nisso.
Sexo e Internet: A tecnologia pode tanto melhorar como piorar nossa vida sexual. Muitas vezes, quem toma Viagra não pensa se a ereção prolongada agradará ao parceiro, o usuário final. Os brinquedos sexuais e até o sexo pela Internet também podem ter bons e maus usos. O problema é que não sabemos como dosá-los.
É o que está escrito. A interpretação é por conta e risco do leitor. Quem quiser se aprofundar deverá ler o livro do autor, Uma Interpretação do Desejo, cuja editora não é referida por Época.
Escrito por Ilton: às 15:12
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O CASO PIMENTA NEVES: CABE OU NÃO CABE A PRISÃO?

Há uma grita enorme contra a decisão do Juiz de Ibiúna que permitiu ao réu Pimenta Neves, condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca a 19 anos de reclusão, no regime fechado, recorrer em liberdade.
Ele poderia ter determinado a prisão do condenado? Claro que poderia. E o que aconteceria ao réu? Ele seria transportado ao presídio onde permaneceria até um tribunal superior determinar sua soltura. E ao Juiz, poderia acontecer alguma coisa? Absolutamente nada. Nem o Tribunal nem o CNJ poderiam lhe aplicar qualquer penalidade. O juiz é livre para julgar dentro daquilo que se convencionou chamar de “livre convencimento” e a expressão abrange aspectos fáticos e jurídicos de um processo. Então o juiz errou? Não. Ele apenas observou a lei, que permite ao réu primário e de bons antecedentes o direito de apelar em liberdade com base na presunção de inocência da qual falei aqui no dia 18/04/2006.
O dogma absoluto da presunção da inocência é que precisa ser temperado com a interpretação de que, num caso como este, em que a prova é evidente, a condenação seja, porque é, uma verdade tão ou mais dogmática quanto a presunção de inocência. Ainda mais quando a decisão condenatória é tomada pelo povo, representado pelos sete jurados, e o juiz é obrigado a subordinar-se objetivamente a ela.
Entendo que já não se está mais em sede de presunção de inocência. O réu passou de suspeito a condenado o que (isto vai soar como heresia aos ouvidos de doutos e preocupados juristas, principalmente de advogados e magistrados) significa que ele não é mais tão presumivelmente inocente quanto a jurisprudência majoritária determina que se aceite: ele, agora, é um presumível culpado e o grau de presunção da condenação supera (vou colocar um “salvo melhor juízo” aqui), em qualidade, o da inocência pura e simples.
Há necessidade de que haja um retorno em pelo menos metade do nosso sistema legislativo (ou pelo menos da interpretação jurisprudencial), o que não significará efetivamente retrocesso, mas adequação.
Antes da Lei n.° 5.941/73 (a Lei Fleury, que alterou o artigo 594 do Código de Processo Penal e permitiu ao réu primário e de bons antecedentes apelar em liberdade) o acusado de homicídio era preso antes do julgamento pelo Júri, assim que proferida a chamada “sentença de pronúncia”. Essa lei, por caminhos tortos, acabou instituindo um sistema mais justo e adequado com os princípios gerais de direito porque a sentença de pronúncia, por si, é apenas provisória e o juiz não pode, nela, expor o conteúdo probatório em sua integridade nem estabelecer conclusões que possam influenciar os jurados na sessão do Tribunal do Júri.
Mas sobrevindo a condenação, como no caso de Ibiúna, a prisão é perfeitamente cabível sem que isto importe em revogação de decisão anterior, ainda que de tribunal superior, que assegurou ao réu o direito de aguardar o julgamento final em liberdade. Há um fato novo e extremamente relevante: a condenação, que não pode ser simplesmente desconsiderada porque sujeita a recurso. É um ato que emergiu da prova e dos debates de um processo que – supõe-se – foi examinado e estudado à exaustão por todos aqueles que participaram do julgamento.
Eu, por exemplo, decretaria sem nenhum problema de consciência e convencido de que é o melhor caminho a ser tomado, ainda que presciente de que o Tribunal de Justiça revogaria a minha decisão e determinaria a soltura.
Mas então o problema não seria mais meu, e sim dos “velhinhos” do Tribunal, que detêm o poder de decidir esses casos.
E correria o risco de, talvez, ver minha decisão confirmada, num acaso muito respeitável, que teria o poder de dignificar o papel da Justiça e dissimular um pouco o mal-estar social que este tipo de coisa provoca.
Considerar um réu confesso, condenado por sentença de primeiro grau, como um presumível culpado e determinar sua prisão imediata – quando couber – não é nenhuma heresia.
Escrito por Ilton: às 13:39
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COMO HOJE É DOMINGO...
Aos domingos, venho publicando textos mais amenos, como crônicas e poesias, para não estragar o fim-de-semana de ninguém.
Geralmente, por falta de inspiração, republico alguma coisa já postada na pré-história do blog.
Como esta, de 17/08/2004, no tempo em que minha fibrilação ainda não havia cronificado.
Eu era feliz e não sabia!
Escrito por Ilton: às 23:38
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C O N F I T E O R

Quem lê o meu blog, e sei de alguns que o lêem, deve imaginar que sou um ser doméstico, comedido, fiel, tão pudico que nem faz amor totalmente pelado e que, antes de dormir, se ajoelha no lado da cama e reza contritamente um pai-nosso e três ave-marias. Geralmente o blog reflete a personalidade do blogueiro e o meu é bem comportado.
Os pataços que eventualmente distribuo são de natureza política e cívica e isto não é pecado; é de um dever ditado pela indignação ética e sempre foram até comedidos. Mas em termos de respeito ao ser humano nada há em desabono de sua conduta.
No entanto, para o bem de minha consciência, devo fazer uma confissão estarrecedora: eu tenho uma amante.
Não vou revelar seu nome correto para evitar açular-lhe sentimentos de vingança. Vou chamá-la de Átria Fibrilini. Não significa que seja italiana. Poderia ser Fibrilovski, ou Fibrilarsson, ou Fibrilman. Não tem uma nacionalidade definida, é universal e dotada um certo dom de ubiqüidade porque já me encontrou em lugares tão diversos quanto Alegrete, Salvador, Vila Velha, Itapema, Joinville, Bragança Paulista, Florianópolis...
A Átria é especialista em me fazer sofrer. E não consigo me livrar dela, e de suas visitas periódicas, de jeito nenhum.
Ela não marca hora nem para chegar nem para sair. Já permaneceu aqui em casa por quinze dias seguidos, desapareceu por uma semana, depois voltou e ficou mais dez dias. Quando viajei para Santa Catarina, em julho, ela não respeitou nem minha filha e foi junto. Depois de uns dois dias de intenso frio na Praia do Grant resolveu buscar um aconchego mais quente.
Completamente despudorada, chega de mansinho, geralmente de madrugada, se intromete entre a Ieda e eu e toma conta do meu coração. Exatamente do meu coração! Não podia ser mais cruel e possessiva. Sádica, fica dando chicotaços no meu peito. Sinto-me desequilibrado, fraco e desgastado e completamente dominado antes de se passar pelo menos um minuto.
Que ela não me respeite tudo bem. Mas e a Ieda? A Ieda não tem culpa das minhas fraquezas. Mas é quem acaba sofrendo mais. É cinicamente desrespeitada.
Eu, é claro, faço o que todo homem nessa hora tem que fazer. Não discuto, não digo nada, fico exemplarmente comportado, na exata medida em que um homem com sua amante na frente da mulher pode ser comportado. Procuro me mexer o menos possível. Absolutamente passivo e inerte.
A Ieda, nessas ocasiões, ainda tem que satisfazer as vontades impudentemente sádicas da Fibrilini. Às vezes nem percebe que ela está na cama conosco e eu a acordo, tocando no seu braço, e digo apenas, baixinho:
– A Fibrilini taí!
Diante da Ieda trato-a pelo sobrenome para parecer mais impessoal.
A Ieda já sabe o que fazer. Levanta-se conformada e vai preparar um coquetel de quinidine, digoxina e propranolol.
Cerca meia hora depois meu coração vai se acalmando, mas segue descompassado. Para voltar ao ritmo sinusal vai depender da vontade da Fibrilini. Às vezes é questão de horas, às vezes ela só sai depois de uns dois ou três dias, ou mais.
Não diz adeus nem até logo. Mas depois de algum tempo, volta.
Escrito por Ilton: às 23:36
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O FRANCISCO COMEÇA A BATER ASAS INTERNACIONALMENTE

E a vida vai seguindo, com a seqüência de coisas ruins, boas e mais ou menos lhe temperando, azedando ou adoçando os dias. Para quem gosta desse tipo de prosa poética sugiro a leitura do Eclesiastes, aliás muito melhor aproveitada em “Por quem os sinos dobram?”, de Hemingway.
Aqui, num recantinho de Porto Alegre, os sinos dobram de alegria e não posso deixar de comungar com meus leitores, que vêm diminuindo a olhos vistos porque o blog está cada vez mais fraco e isto por incapacidade emocional do blogueiro (espero que a crise seja passageira), a razão do soar dos carrilhões.
Meu filho recebeu, ontem, do Panamá, o seguinte e-mail, com o assunto “Notificación”:
Estimado candidato. Nos complace informarle que, después de realizadas las Pruebas de Selección, Usted ha sido aceptado para participar en las tres pruebas siguientes, Eliminatoria, Semifinal y Final, del II Concurso Internacional de Piano 2006, que se realizarán aquí en Panamá del 20 al 27 de Agosto. Aprovechamos para recordarle que debe llegar a Panamá el viernes 18 de agosto, tal como señala el reglamento del Concurso. Mucho le agradecemos avisar recibo de esta notificación, mientras quedamos a su disposición para aclarar cualquier duda que le pueda surgir. Atentamente, Secretaria – Fundación Concursos Internacionales, Panamá.
Explico, sem nenhum pudor e sem esconder o orgulho.
Meu filho, que todos os que acompanham o blog sabem, formou-se em janeiro em Música no Instituto de Artes da UFRGS, com especialização em piano. Soube da realização desse concurso, cuja magnitude pode ser avaliada aqui, e resolveu se inscrever enviando para a Comissão um devedê, que gravamos caseiramente procurando obedecer estritamente ao regulamento, e a documentação pertinente.
O devedê foi a primeira prova de fogo. Há, conforme se pode ver do regulamento, regras a serem seguidas para evitar fraude e as obras tocadas (de cor) foram escolhidas dentre uma relação organizada pela comissão do concurso.
Houve alguma dificuldade no pagamento da taxa de inscrição. Como não temos a mínima familiaridade com o procedimento de evasão de divisas e não quisemos nos assessorar com Duda Mendonça & Cia., mantivemos contato com uma pessoa que reside nos EUA que fez a remessa de lá através da compra de uma simples ordem de pagamento. Aqui, nem o Banco de Boston nem o Citybank souberam informar como fazer. Muito menos a Carteira de Câmbio do Banco do Brasil...
(Acho que esses corruptos que mandam divisas para o Exterior merecem algum louvor, porque realmente não é fácil mandar US$ 50.00 para fora. Talvez a dificuldade seja exatamente por ser um valor pequeno). Bem. O que importa é que conseguimos.
Nessa primeira fase do concurso foram classificados apenas 15 candidatos e o Francisco está entre eles...
É o primeiro prêmio internacional que ele consegue. Porque viajará e permanecerá no Panamá com todas as despesas pagas pela Comissão do Concurso, o que já é um prêmio. Eu considero assim, embora não seja um país europeu.
Mas já há previsão de ele continuar os estudos na Europa, mais especificamente na Karlsruhe, da Alemanha. Estamos nos aprumando para isto e já contatamos o professor Roman Zaslavsky, que respondeu estar disposto a ministrar-lhe aulas.
O concurso do Panamá, sabe-se pela relação de obras disponibilizadas aos candidatos, é difícil. Essa foi apenas a primeira etapa. Mas a premiação é muito boa, conforme se pode ver aqui.
Meu filho diz que o prêmio em dinheiro é o que menos interessa. Interessa-lhe uma boa interpretação e classificar-se bem no concurso.
Não tem problema, meu filho.
Vá com esse pensamento. Depois, se obtiveres boa colocação, o papai aceita o dinheiro do prêmio... Qual é o pai que não faz um sacrificiozinho por um filho?
Escrito por Ilton: às 21:34
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LIDANDO COM O DIREITO

Não gosto de abordar assuntos jurídicos específicos no meu blog. Fi-lo (ui!) a respeito da cadela Preta, aquela que foi atada ao pára-choque de um Chevette e arrastada pelas ruas de Pelotas até morrer – lembram?
Critiquei posturas de juízes, do ex-ministro Jobim, mas sempre evitei abordar fatos concretos, como casos e causas e decisões em geral porque passei a vida inteira fazendo isto e criei uma espécie de antipatia pela matéria, talvez por não poder mais me dedicar a ela profissionalmente. E são passados mais de quatro anos de minha aposentadoria.
Perdi excelentes oportunidades de analisar fatos da hora, como o da guria Richtoffen, que matou os pais, foi liberada para responder ao processo em liberdade, caiu numa armadilha da Rede Globo – que posa de heroína, no fato, embora dela tenha partido a maior das sacanagens, um exemplo arrematado da falta de ética jornalística – e voltou a ser presa. Não digo que ela não mereça, mas de acordo com a lei ela continua tendo – no meu modo de ver as coisas (percebem como julgar não é fácil?) – o mesmo direito de responder ao processo em liberdade. Este é assegurado a milhares de brasileiros na mesma situação em face da presunção de inocência referida em 18/04/2006, entre outras coisas que a lei definiu (primariedade, endereço certo, ocupação fixa).
Muitos desses conceitos foram mitigados. Não se exige mais o requisito da ocupação fixa, isto é, de emprego legalmente registrado porque isto está fora do alcance da maioria dos brasileiros. Se aos que nunca cometeram um crime já é difícil arranjar trabalho, imagine-se a situação de um réu... A quebra da primariedade, então, exige um esforço sobre-humano do bandido para atingi-la. Às vezes pode cometer vários delitos sem deixar de ser primário. Viver no Brasil não é fácil e se torna cada mais vez mais difícil para as pessoas de bem. Só melhora para os bandidos.
Isto tudo seria assunto para vários textos e estou fazendo uma auto-análise para ver se vale à pena enveredar por este caminho. Talvez valha.
Perdi, também, a oportunidade de escrever sobre o Seco, o bandido que atacava carros-fortes no Rio Grande do Sul e em Santa Cataria e que foi pego num posto de gasolina por quatro policiais, após ter atirado e matado um capitão da Brigada Militar. Ele, que alardeava ser muito corajoso e que jamais seria preso, pois lutaria até a morte, quando se viu rendido implorou para que não fosse morto. Sua coragem não impediu que mijasse nas calças...
Lidar com o Direito é uma atividade insalubre mentalmente (e também fisicamente, porque há processos tão velhos, corroídos pelas traças, bacterizados e ensebados que podem transmitir doenças. A ex-juíza e hoje deputada federal Denise Frossard adquiriu uma leptospirose ao manusear processos impregnados com urina de ratos!). Mas é uma atividade mentalmente insalubre porque qualquer afirmativa que você faça você está certo e errado ao mesmo tempo.
Se você percorrer os caminhos da Jurisprudência vai encontrar decisões que dizem uma coisa e outras que dizem exatamente o contrário e as linhas de argumentação são tão perfeitas e convincentes que só lhe cabe uma conclusão: ambas estão absolutamente certas. É só escolher a que lhe interessar e transcrevê-la no processo, citando a fonte, para ser lida pelo juiz.
Só não espere que ele adote a sua tese. Nem a parte contrária deverá esperar que ele adote a dela. Nem sempre o juiz dispõe de tempo de ler as razões escritas pelas partes. Lê a narrativa dos fatos e cria a sua justiça que às vezes é ainda diferente de precedentes jurisprudenciais contrários. A isto se chama “decisão salomônica” e todos sabem porquê.
Escrito por Ilton: às 20:06
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UM DOMINGO DIFERENTE.

Domingo resolvi fazer um programa diferente: ver um jogo de futebol ao vivo. Não pela tevê, ao vivo mesmo. Não fui ao Olímpico nem ao Beira-Rio, mas a um campinho aqui no bairro, aberto ao público, sem alambrado e, pelo que pude observar, nem é bem retangular nem muito plano.
Fui para matar a saudade de minha infância em Taió, quando o União e o Cacique eram os dois times mais fortes, embora em certa época o Fortaleza, do Ribeirão da Vargem, tenha dominado o cenário regional por algum tempo.
Lembro de jogadores como o seu Dodô que era avô, mas ainda jogava de centro-avante do União. O Facão, alto e forte, nariz adunco e cego de um olho era o center-half. Depois o União andou importando jogadores de Florianópolis e com isto perdeu-se a identidade futebolística taioense. Mais tarde, depois de voltar do colégio, por ter ido morar na parte de cima da cidade passei a torcer pelo Cacique.
Eu também joguei futebol em Taió. Minha carreira foi meteórica. Saí do juvenil diretamente para os veteranos do Cacique. Devo ter jogado umas duas partidas em cada categoria. Bati um recorde que, acho, vou pedir para inscrever no Guiness: sem dúvida sou o jogador mais novo a jogar nos veteranos. Apenas 25 anos... O Ronaldinho Gaúcho tem 26 e não chegou lá ainda.
Mas no jogo que fui ver domingo jogavam um time chamado Estrela, aqui do bairro, contra um da Restinga. Quando cheguei estava 2 a 0 para os visitantes, mas o jogo acabou 3 a 3. Sorte do juiz! O nível das equipes se compara com o dos grandes times do Brasil, pelo menos num aspecto: a manha dos jogadores. Qualquer encostada provocava uma queda cinematográfica e a impressão de fraturas generalizadas que dois minutos depois estavam perfeitamente consolidadas...
Mas não há mais aquele fair-play da minha infância. A torcida, embora pouco numerosa, é agressiva e o juiz é a principal vítima. Ele marcou um pênalti contra o time da casa e cinco ou seis torcedores – quase a totalidade – invadiram o campo e um deles chutou a bola para longe. Nada comparável à torcida de Taió comandada pelo seu Maneca Negreiros, que ficava gritando chistes não ofensivos aos jogadores adversários. Já assistir a jogos perto do seu Vital era um perigo: quando, no campo, um jogador estava com a bola nos pés e demorava para chutar ele chutava e não poucas vezes acertava alguém próximo.
Já a dona Santa, da antiga Rua do Inhame, torcedora fanática do União, levava os filhos juntos, Uma vez, na arquibancada, um deles mijou nas costas do Eládio, sentado mais abaixo com a namorada...
Todas essas coisas até poéticas foram substituídas por palavrões, agressões físicas e ameaças.
Mas quando voltei e sintonizei o jogo Corinthians contra Ponte Preta, aqui transmitido pela Record, senti uma das vantagens do campinho do bairro: lá não havia um locutor esportivo chato berrando e se esganiçando descrevendo aquilo que a gente vê e muitas vezes aquilo que nem acontece, nos desmentindo assim na cara.
Mas há desvantagens também. Você não pode se distrair num jogo visto no campo. Eu tive a capacidade de perder um gol. Meio distraído só olhei quando a torcida comemorava, o goleiro estava caído e a rede balançando.
No momento não me preocupei. Fique olhando e esperando o... replay. Isto mesmo. Acostumado a ver jogos pela televisão digitando ou navegando na Internet ao mesmo tempo, meu inconsciente mal acostumado me fez aguardar a repetição do lance... É uma sensação estranha, essa de esperar o que está para vir mas nunca virá.
Já tenho a solução para a próxima vez: vou levar uma câmera de vídeo e um aparelho de tevê para servir de monitor e gravarei a partida. Terei replay e poderei ver o jogo pela tevê sem a inconveniência de ouvir um narrador chato.
Escrito por Ilton: às 13:53
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