Por absoluta falta de tempo, estou republicando uma croniqueta que postei em 22/07/2004, quando, por motivos diversos, fui para Santa Catarina.
Como não deve ter mudado muita coisa, em termos de perigos na estrada, segue igualzinha à publicada naquela vez.
Apenas os motivos são diversos. Agora estamos indo para festejar o aniversário de minha sogra.
Quando eu tiver uma folga, voltarei.
Escrito por Ilton: às 13:58
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POR MARES SEMPRE DANTES NAVEGADOS
Vou ter que dar uma pequena freada no meu blog. Talvez postarei apenas alguns telegramas. É que amanhã viajarei para Santa Catarina, minha terrinha de santa beleza, e estarei, por alguns dias, afastado de uma conexão de banda larga.
Na verdade, como acredito que pouca gente o visita, isto não vai fazer muita diferença. Apenas o esclareço porque a sensação, algo megalômana, que se tem quando se escreve um blog é a de que o mundo inteiro o lê e que apenas algumas pessoas se dignam a deixar comentários. A grande maioria é despeitada e invejosa e prefere não dizer nada e ainda deprecia mentalmente toda a nossa exuberante criatividade.
Vou pela BR-101, pois minha primeira parada será em Florianópolis. Terei que atravessar o trecho Sul, uma empreitada árdua e perigosa, algo assim como escalar o Everest pela face Norte.
Para tentar minimizar os riscos pensei até em ir de ré. Em termos de velocidade não haveria muita diferença e afastaria o risco de bater de frente com alguma carreta mal intencionada. A jurisprudência pacificou que aquele que bate na traseira é sempre culpado. Assim, mesmo que eu morresse num acidente, a culpa seria do outro.
Jasão, na busca do velocino de ouro, certamente enfrentou perigos mais brandos do que os que vou enfrentar amanhã. E ele contava com o auxílio grandioso e definitivo de Hércules. Eu conto comigo mesmo e nunca sinto a segurança de que, com a roda do volante, consigo dominar eficientemente as quatro rodas do chão.
Por favor, rezem por mim e pelos familiares que vão comigo.
Depois vou para a Praia do Grant, uma miniatura que certamente nem a maioria dos catarinenses sabe onde fica. Situa-se entre Piçarras e Barra Velha. É uma praia na medida exata para quem, como eu, não gosta de praia. O mar é horrível, entra-se uns cinco metros e a água já bate no gogó, mas o ambiente é calmo e tranqüilo. Sinto-me como se estivesse dentro de uma catedral.
Ficarei ali dez dias revisando um romance que escrevi, incrementando outros dois que estou escrevendo, selecionando poesias ultrapassadas para um quarto livro, tratando mais diretamente com o meu revisor sobre a publicação de um primeiro, e tentando ver se recupero, do hd do meu inconsciente, os esboços de pelo menos outros 18 ou 19 que mentalmente escrevi pela vida afora e publiquei. Foram, sem exceção, best-sellers.
Desta vez não vou visitar Taió. Provavelmente deve estar do mesmo jeito que a deixei da última vez em que lá estive. Comparando com a Eternidade, não faz muito tempo: apenas 18 anos. Corresponde a menos do que a milionésima parte de um milissegundo eternal.
Se conseguir vencer a irresistível preguiça que me toma conta nessas ocasiões vou dar umas caminhadas e bater algumas fotos, daquelas de matar de inveja o Carlos Damião. Mas não conto muito comigo para isto, embora, reconheço, devesse dar mais valor aos tripés que possuo. Tenho cinco, dos mais variados tamanhos, e duas máquinas fotográficas. Na verdade três, mas uma está ultrapassada e nem vou levá-la.
Se não fosse o perigo de ser assaltado eu fotografaria alguns trechos do sul da BR-101 no modo sépia e venderia como fotos antigas. Afinal, ela é a mesma desde que foi inaugurada, em 1970, e ninguém iria poder apontar diferenças nem me tachar de charlatão. Era só evitar a presença de algum carro mais moderno na exposição.
Uma vez eu gostava de filmar. Ainda guardo, como relíquia, uma filmadora Braun, modelo Nizzo, Super-8. Depois comprei uma VHS. Mas isto acarretava um inconveniente muito sério: não via a hora de voltar para casa para ver as coisas bonitas que, filmando, tinha deixado de apreciar ao vivo.
Agora só filmo eventos familiares. De vez em quando...
Escrito por Ilton: às 13:55
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É FESTA E FESTA!

Ontem, sentado na cadeira defronte ao micro, rodei-a para um lado e, valendo-me da lei do menor esforço, tentei juntar um cedê que caíra.
Na hora senti um repuxo na coluna lombar, uma dor incrível, e não pude me erguer: pus-me de quatro e rolei ficando na posição fetal gemendo e chamando a Ieda.
Dores lombares são constantes na minha vida. Mas como a de ontem, poucas vezes ocorreu. Talvez a posição “de quatro” seja mesmo a mais adequada para mim.
O pior é que tenho uma imensidade de coisas para fazer, já que amanhã viajaremos para Santa Catarina para o aniversário de minha sogra, dona Albertina Fernandes, nascida Feuser, que completa 80 anos. E deixei para fazer hoje tudo aquilo que deveria ter feito na semana passada e agora estou limitado e ainda não consegui me erguer na posição normal. Estou digitando com os dedos dos pés apenas para justificar que não vou postar nada hoje. Desculpem, leitores.
Sinto-me mais velho e alquebrado que minha sogra. Aliás, acho que sou mesmo. Ela não sofre dores maiores, seu coração bate regularmente (ou no ritmo sinusal, como preferem dizer os médicos) e tem um vigor físico invejável. Perco pra ela em qualquer corrida, de 50, 100 ou 200 m rasos até às de resistência, de cinco ou dez mil metros.
Não pensem nela como uma velhinha senil sentada numa cadeira de balanço, servida pelos filhos ou por alguma empregada. Ela só senta para ver uma ou duas novelas e o resto do tempo caminha, vai à missa, aos cultos, reza e cantarola o dia inteiro. Muitas vezes em alemão.
Ela tem um vasto repertório. Já fui acordado por ela, certa vez, em Itajuba – ela sempre levanta cedo – quando fazia sua caminhada matinal pelo terreno adjacente à casa cantando garbosamente o Hino Nacional. Além de religiosa, ela é muito patriota.
Imagine-a, se você quiser, como uma pessoa cordata, tranqüila e sadia. Como na foto acima, que, todavia, foi batida há algum tempo, quando ela contava com 79 anos. Não mudou nada. Ela não envelheceu.
Na gravidez da primeira filha, em Taió, em 1948, ela foi acometida de uma então gravíssima crise de eclampsia e quase morreu. Foi levada para Rio do Sul, onde havia mais recursos médicos, deitada no fundo de um jipe por quase 60 km de estrada de chão.
Recuperou-se, naturalmente, caso contrário eu não estaria escrevendo isto hoje. Aos oito meses de gestação a criança nasceu com 900 g e cabia numa caixa de sapatos. Mas se desenvolveu bem e hoje pesa... Deixa pra lá. Não sou eu quem vai querer brigar com a própria esposa às vésperas do aniversário da mãe dela.
Naqueles tempos de poucos recursos, quando a menina nasceu os médicos foram categóricos:
– A senhora não pode mais ter filhos. É grande o risco de que a senhora venha a morrer se engravidar de novo.
Ela teve apenas mais 10 (dez). Todos estarão festejando dia 29.
Escrito por Ilton: às 09:41
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Que a alegria do Natal, neste ano, nasça do seu íntimo, contamine seus familiares, se intrometa pela vizinhança, se dissemine pelo seu bairro, pela sua cidade, pelo seu Estado, pelo seu país e, se não for muita pretensão, pelo mundo inteiro.
Escrito por Ilton: às 08:57
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O TAL DO ESPÍRITO NATALINO

Estou entrando muito devagarzinho no tal espírito natalino. Já recebi e-mails de boas festas, inclusive um do Beno Dresch, de Viena, com fotos lindíssimas do Natal, ou do pré-Natal, nevado que está vivendo lá (esse “pré-Natal” aí dá margem a dupla interpretação, por isto procurei separar e... bem, vocês entendem).
Para tentar incrementar sem excrementar esse clima resolvi ir a um lugar que abrisse meu espírito para a comemoração do nascimento do Salvador, que até hoje não entendi direito do que nos salvou.
Mas sou muito pessimista. O nascimento de Jesus não me impressiona muito. Eu penso logo na sua morte. Aquela criancinha na manjedoura, ladeada pela mãe extremosa, pelo pai meio desconfiado, por reis magos, pastores e animais do estábulo, é a mesma pessoa que uns trinta anos depois morreu pregada numa cruz.
Enfim, saí para tentar melhorar esse espírito. E fui ao melhor lugar que atualmente pode colaborar para isto. Igreja? Não. Lá o clima é triste. Você tem que ficar em silêncio, e no caso dos católicos, ajoelhar num estrado duro e rezar. Tenho uma saliência óssea no joelho direito que dói quando ajoelho, ainda mais que o meu peso é um pouco elevado. Acho que vou virar evangélico-luterano por causa disso. Nos cultos deles não há essa forma de tortura que deve ter sido instituída no tempo da Inquisição.
O lugar apropriado para insuflar o espírito natalino moderno é o shopping. Lá há presépios, neve artificial, papais-noéis ao vivo ou bonecos, renas, bengalas coloridas (este ano, curiosamente, aumentou o número de bengalas penduradas nas árvores de natal), enfeites, enfim, tudo o que faz a alegria de uma criança. E lojas também, é claro, de presentes os mais variados, que faz a tristeza de muitos pais.
Passeei olhando vitrinas e vi de longe a fila de crianças tirando fotos com o Papai-Noel, algumas chorando de medo. Não cheguei muito perto para não ser confundido. Mas sorri.
Há anos, quando meus filhos e os primos eram pequenos, num Natal aqui em casa meu irmão Renato, cujo apelido familiar é Nego, foi escalado para ser o Papai-Noel e distribuir presentes, um costume não cultivado em família. Naquele ano resolvemos fazer uma surpresa para a gurizada.
Na hora combinada ele se fantasiou, inclusive colocando uma daquelas máscaras de plástico frias e inexpressivas, bochechudas, para não ser reconhecido. Foi uma lástima.
As crianças – seis ou sete – entraram na sala até então proibida para elas, pararam estupefatas diante do Papai-Noel que não esperavam e que as cumprimentou:
– Boa noite, rapaziada! – o “rapaziada” foi dito vagarosa e solenemente, num sotaque italianado e inconfundível, e a criançada não teve dúvidas, proclamando em uníssono:
– É o tio Nego, é o tio Nego!
Avançaram como uma horda de bárbaros sobre os pacotes, abrindo-os. Papai-Noel foi ignorado e, pior, pisoteado, teve as roupas rasgadas, fraturou duas costelas e foi levado ao Pronto Socorro. A surpresa acabou antes de começar. Nos anos seguintes nem tentamos repeti-la.
Acho que estou entrando no clima.
Escrito por Ilton: às 09:43
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MEDICINA OU BRUXARIA?

Eu quero ter saúde, claro, quem não quer. Esforço-me para isto na medida do possível. Mas a Medicina não me ajuda. Ela tem uma espetacular má vontade contra mim e é uma desinibida praticante de bruxaria.
Uma vez meu colesterol estava elevado, ao redor de 300 mg/dL. O médico disse que deveria baixá-lo para 250, o máximo admissível. Fiz uma dieta séria, cheguei ao extremo de ingerir verduras e legumes, deixei de comer pão com banha e açúcar, e consegui baixá-lo para 248 mg/dL.
Orgulhoso, levei o resultado. Decepção: a CUUMI (Confederação Ultra-Universal de Medicina Iatrogênica), num congresso intergalático, decidiu baixar o limite tolerável máximo para 200 mg/dL...
Continuei a luta. Baixei-o ainda mais. Mas só agora consegui colocá-lo em 195 mg/dL.
Então inventaram uma tal de relação entre o Colesterol total e o HDL-Colesterol (o colesterol ruim e o colesterol bom). Meu cardiologista de Taquara dizia que essa relação deveria aproximar-se o mais possível de 5,00. Consegui-o, por algum tempo, mas um novo passe de bruxaria alterou os valores de referência: risco baixo, menor de 3,78; risco moderado, entre 3,78 e 5,01; acima disto, risco elevado. A relação dos meus está em 5,42.
Quer dizer: os dois aí não se entendem e quem paga o pato sou eu. Que culpa tenho se eles, embora parentes, são inimigos? Se um é “do bem” e outro “do mal” têm mais é que brigar mesmo. Mas me deixem fora desta. Não sou mais juiz e, de luta de box ou de briga de galos, nunca fui mesmo. Nem me posiciono do lado do bom. E se o mau vencer?
E a pressão sanguínea? Uma vez eu ia ao médico e ela estava sempre em 13,0 x 9,0 milímetros de mercúrio (é assim que se diz), no máximo 14,0 por 9,0. Ele e eu ficávamos satisfeitos. Está boa. Quando acontecia de estar em 12,0 por 8,0 vinha o elogio: “Isto é pressão de criança!”.
Minha pressão nunca incomodou, salvo raríssimas exceções. Mas acabou essa alegria também. Agora 14,0 por 9,00 ou 13,0 por 9,00 são consideradas altas. Resolveram que 12,0 por 8,0 já representa uma situação de risco... As crianças que se cuidem. Eu me transformei num hipertenso da noite para o dia sem ter sofrido qualquer alteração de pressão!
Mais uma. Nunca tive diabetes. Minha glicose estava sempre no limite, mas nunca superior aos 110 mg/dL. Da última vez, há um ano, estava em 104.
Agora consegui baixá-la mais ainda, para 98 mg/dL, e fiquei contente com isto. Surpresa: o valor de referência máximo baixou de 110 para 99 mg/dL.
Quer dizer: a gente se esforça, quase morre para poder melhorar o organismo e viver, mas a Medicina não colabora. Parece o King Kong, que de vez em quando aparece cada vez mais feio, pior, e com intenções mais maléficas. Não dá para fugir da idéia de que a Medicina está me deixando doente! Vai acabar me matando.
Mas desta vez a enganei, ao menos em parte. Minha glicose ainda está no limite, é claro, mas abaixo dos 99 recém-estabelecidos.
Há um ano, pelos padrões de hoje, eu era diabético. Agora não sou mais! E nem fiz tratamento. Enganei a bruxa!
Escrito por Ilton: às 13:35
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ESTÃO TIRANDO A VENDA DOS OLHOS DA JUSTIÇA PARA AMORDAÇÁ-LA
O jornalista Alberto Dines que, não se pode negar, é um paladino da liberdade de expressão, exagerou outro dia quando disse que os juízes que autorizaram a escuta na TV Gazeta deveriam ser submetidos ao CNJ (aqui):
“Mancada igual do judiciário nunca aconteceu. Precisa ser punida com rigor pelo recém-instalado Conselho Nacional de Justiça (CNJ)”.
Defende punição, ainda que até agora não se provou má fé ou interesse particular ou corporativo ou outro que não o de aplicar o Direito – ainda que ocorrente erro de fato.
Quer dizer: os juízes podem sofrer censura ou punição. Os jornalistas não. Contra a Magistratura pode o Estado estender seu braço autoritário e bastardo, nascido da vontade de podar e amordaçar juízes e impedir o próprio dinamismo do Direito. Já a Imprensa não quer que o Judiciário, um poder oficial que nasceu para assegurar o bem estar, possa estender-lhe as decisões.
Impedir a Imprensa de publicar fatos ou opiniões, ou ser obrigada a fazê-lo, é uma violência absurda e inominável. Mas é pior a violência contra juízes e julgadores por suas decisões na aplicação da Justiça. Porque o que advém daí é o fato concreto que impede alguém de gozar seus direitos e o único que pode assegurar isto é o Poder Judiciário.
Por isto não é justo sacrificar o Judiciário em nome da liberdade de imprensa (não estou, agora, falando, da liberdade de expressão). Embora seja um mal grandioso e dantesco, prefiro a sociedade sem Imprensa do que sem Justiça.
Sem jornais a Justiça poderá continuar sendo feita. Mas sem Justiça ninguém assegurará, entre outros direitos da cidadania, que a própria Imprensa seja livre.
Esse esdrúxulo Conselho Nacional de Justiça que o senhor Dines defendeu é o equivalente ao Conselho Federal de Jornalistas, que nós, juízes, através de nossos órgãos de classe – e eu, aqui sozinho, neste humilde blog – combatemos e que, graças a Deus não foi aprovado.
Se um juiz erra, há recursos e tribunais para corrigir o erro. Se um jornalista erra a única chance do ofendido é procurar a Justiça. Ou curvar-se àquelas notinhas infames tipo “Veja errou”. O direito de resposta é um instituto deficiente e, muitas vezes, quando usado, o dano já foi causado e ninguém se importa mais com o desmentido que nunca tem a mesma força do mentido.
Se um juiz erra de má fé, é corrupto, mal intencionado ou venal, ele será processado exista ou não o CNJ, e nada mais justo do que isto. Cada um responde por seus atos perante a Lei e o Direito. O ex-juiz Lalau foi condenado antes da existência deste órgão. Agora mesmo, dia 17,
“O juiz federal João Carlos da Rocha Mattos foi condenado a três anos e seis meses de reclusão pela destruição das fitas de escuta telefônica sobre o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), em 2002” (aqui).
Um pouco de coerência não faz mal a ninguém. Não vale, ou não deveria valer, a rasteira inspiração de que pimenta nos olhos dos outros não arde. Ainda mais nestes tempos em que as raposas estão dominando a Justiça, retirando-lhe a venda dos olhos para usá-la como mordaça...
E não se pode esquecer nunca a lição de Eduardo Coutoure: “No dia em que os juízes tiverem medo nenhum cidadão poderá dormir em paz”.
Escrito por Ilton: às 12:09
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O QUE MOZART TEM A VER COM KARTISMO?
À primeira vista, para o mundo em geral, absolutamente nada. Na época do compositor sequer se poderia imaginar que algum dia um americano meio louco transformasse seu cortador de grama em um aparato para disputar corridas com amigos a uns 3 cm do solo.
Mas aqui, no âmbito de nossa cidadela familiar, que já passou por várias fases, inclusive a kartiana (não confundir com cartesiana), houve uma relação, ainda que meramente nominal e restrita, entre o gênio musical e o kartismo (não confundir com kantismo).
Meu filho, aos 11 anos de idade, era piloto de kart. Foi campeão da Copa Balestro e do Campeonato Citadino e vice-campeão da Copa Cidade de Porto Alegre, em 1995.
Acabou conquistando um prêmio excepcional: um Fiat Uno, doado pela revendedora Zen, de Lajeado, pela Copa Balestro.

Sua categoria era a hoje extinta Cadete, de 85 cc, condizente com sua faixa etária, e não tão potente quanto a de 125 cc, dos marmanjos (na qual ele chegou a competir, no ano seguinte, e foi novamente campeão citadino e vice-campeão do Campeonato da Serra, na subcategoria Júnior Menor).
Tínhamos dois motores, um para treinos leves e outro para corridas.
O que usávamos nos treinos, batizamos de Haydn. O das corridas era o Mozart, em homenagem ao compositor austríaco, cujas obras sempre foram por nós muito apreciadas. Era um motor afinado, suave e harmonioso, mas despejava seus rompantes estritamente necessários e eficientes quando as circunstâncias o exigiam.

Depois que um piloto da subcategoria graduados perdeu a falange distal do indicador da mão esquerda numa corrida em Farroupilha, meu filho, que já estudava piano havia uns três anos, aos poucos foi pendurando as chuteiras, digo, o capacete, as luvas e o macacão.
Com isto foi-se a esperança de que poderia vir a ser um bem sucedido piloto de Fórmula 1 e enriquecer a família inteira e mais alguns agregados.
O kart e o motor Mozart continuam na garagem. A fase kartiana passou, para alívio da Ieda, que sofria muito, principalmente após um acidente formidável (nos sentidos moderno e obsoleto), mas sem conseqüências graves. Ficou naquele limite tênue e acinzentado entre a vídeo-cassetada e a tragédia.
Meu filho ainda estuda piano, na Faculdade de Música da UFRGS. Talvez não enriqueça a família nem aparentados. Mas ninguém retira de um pai o orgulho e o prazer indescritível que é ouvir uma obra desconhecida pela primeira vez ao vivo e não através da frieza de uma gravação eletrônica. E, o que é mais importante, interpretada pelo próprio filho.
Mozart, portanto, continua em nossa cidadela, só que agora com muito maior pertinência.
Escrito por Ilton: às 17:46
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PiTza Mista: Tá servido?

Na prestação de contas da campanha eleitoral de Lula consta o pagamento, provado por notas fiscais, de R$ 796 mil a Santorine Comercial e Distribuidora Ltda. pela fabricação de faixas e bandeirinhas (aqui).
Acontece que a empresa, segundo seu contrato social na Junta Comercial, é “atacadista de alimentos e bebidas”.
Não vejo nada de mais. Ou vocês acham que os arraiás do Planalto iriam ser regados a faixas e bandeirinhas? E as caipirosas?
Assisti, quarta à noite, o final da sessão da Câmara dos Deputados que absolveu o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), contra o parecer da Comissão de Ética, de quebra de decoro parlamentar, livrando-o da cassação. Recebeu 250 votos a favor e 162 contra.
Antigamente tudo acabava numa única pizza, grande e entregue de uma só vez. Mas a Câmara demonstra grande capacidade de modernização (embora a votação ainda seja por cédulas e lenta) e sua pizzaria inaugurou o sistema de rodízio: as pizzas agora são servidas em fatias inversas.
Da coluna Poder, de Hugo Studart, na IstoÉ Dinheiro de 14/12/2005:
“PRIORIDADES. O Tesouro acaba de fechar o balanço de despesas de outubro. De janeiro de 2003 a outubro último, o gabinete da Presidência da República gastou exatos R$ 4 bilhões. Quase o mesmo que os investimentos em Saneamento e Habitação (R$ 4,9 bilhões). O governo investiu no período R$ 60,7 bilhões em Educação e R$ 54,7 bilhões no Ministério do Trabalho. E pagou R$ 362 bilhões com o serviço da dívida pública”.
Bono Vox quer se encontrar com o presidente Lula nos próximos shows do U2 no Brasil, provavelmente em 20 e 21/02/2006 (aqui).
Vai ser difícil, Bono. Não quero desapontá-lo, mas se você tentar a Colômbia, a Venezuela, ou algum país da África ou da Ásia, talvez seja mais fácil encontrá-lo.
Telefone aos aeroportos e pergunte pelo Aerolula. Ele pode estar aí perto de você agora. Esteja você onde estiver.
A falta de criatividade de Hollywood só é inferior à minha. Vem aí mais um King Kong... Pela publicidade, será sem dúvida um grande sucesso de bilheteria. Inclusive no Brasil. Falamos mal da Cultura americana, mas na hora “h” estamos todos lá babando por um lugarzinho na primeira fila. Eu, nessa aí, fora! Não estou a fim de ver as chorumelas de um macaco daquele tamanho com um complexo de inferioridade tão acentuado.
Quem faz uma pergunta dúbia merece uma resposta pronta, ainda que não seja a que quer ouvir. Chamada de capa do Zero Hora de 11/12/2005 (domingo): “Qual a melhor hora para tirar as fraldas das crianças?”
O Jus responde: “Quando elas estão cagadas, ora bolas!”
Escrito por Ilton: às 18:44
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