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MANIFESTO PELA ÉTICA

No dia 20 de setembro, em que se comemora a Revolução Farroupilha, sessenta magistrados gaúchos (entre os quais tenho a honra de figurar) firmaram o MANIFESTO PELA ÉTICA, que pode ser visto com maior amplitude (inclusive com comentários de leitores) aqui, em que questionam a conduta do atual Presidente do STF, Ministro Nelson Jobim:

 

A desunião em um edifício é ruína. Em um navio é naufrágio. Em um Exército é derrota… E os mais fortes muros de uma nação não são os de pedras ligadas, mas os de corações unidos…” (Padre Antônio Vieira, no longínquo Século XVII…)

“Os Magistrados que ora firmam o presente Manifesto pela Ética vêm expressar à Nação brasileira o que segue:

1. A cidadania espera dos homens públicos do Brasil que retomem o norte da Ética e da responsabilidade no trato da coisa pública, independentemente do partido que esteja no Poder, eis que, tanto na época do Regime Militar, quanto na Democracia - e, nesta, tanto em partidos de direita como de esquerda -, a corrupção na política se configurou de forma grave e ostensiva, afrontando a imagem brasileira diante das demais nações.

2. Não aceitamos a omissão neste momento grave da vida nacional; é necessário ecoar o clamor da cidadania em prol da ética, da decência, da lisura, da correção e da honestidade, sob pena de comprometermos, de forma grave, o futuro das próximas gerações, que precisam de um exemplo digno e marcante, para que o triste quadro que hoje se apresenta perante a Nação não mais ocorra.

3. De outra parte, é necessário salientar que o descompromisso ético, hoje configurado na cúpula dos Poderes da República, não pode ser tido como algo generalizado. Não é. Não abarca a todos – ao contrário, é importante ressaltar. Não atinge a base da Magistratura (de Primeiro e de Segundo Graus), por exemplo, que não aceita que o Presidente do Supremo Tribunal Federal, distanciando-se da sua condição de Magistrado, efetue considerações acerca da “ingovernabilidade” do País, caso se configure a hipótese constitucional do impeachment (se será, ou não, o caso, o futuro dirá). Não constitui função do Presidente do Supremo Tribunal Federal fazer considerações de índole política. Não faz qualquer bem à Nação manifestar opiniões dessa natureza. Sua função, como Presidente do Supremo Tribunal Federal, distancia-se de abordagens ou considerações sobre a realidade da política brasileira, notadamente quando poderá ter de se manifestar, mais adiante, jurisdicionalmente, em eventual processo.

4. Da mesma forma, não faz bem ao Poder Judiciário, à Magistratura e à cidadania, omitir-se de afastar, de modo definitivo, as conjeturas e ilações da mídia sobre eventual candidatura sua à Presidência da República. A razão é singela: a sua condição de Ministro do Supremo Tribunal Federal o coloca como membro da Magistratura – ainda que por indicação política de quem detinha o Poder, à época -; logo, além de ser exigível do mesmo que se porte com a ética, isenção e imparcialidade próprias do Poder Judiciário, está impedido, pela Constituição da República (art. 95, parágrafo único, inciso III, combinado com o art. 14, parágrafo 3º, inciso V), de disputar qualquer cargo eletivo junto aos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, o seu silêncio diante das reiteradas notícias da mídia brasileira no sentido de que seria candidato à Presidência da República constitui um escárnio e um acinte à Constituição da República do Brasil.

5. É preciso um basta: ou o Presidente do Supremo Tribunal Federal afasta, em definitivo, essa possibilidade, ou renuncia à condição de integrante do Poder Judiciário. A Magistratura não aceitará calada, inerte, omissa e amorfa a continuidade dessa conduta. É exigível de todos os que integram a Magistratura – e também de quem a integra por indicação política, não por concurso público – que se conduzam com a Ética, com os princípios e dentro dos limites que a Constituição brasileira estabelece para o Poder Judiciário.

6. Ao exigirmos, publicamente, do Presidente do Supremo Tribunal Federal – autoridade máxima do Poder Judiciário – que se atenha aos limites éticos da Magistratura e às regras da Constituição da República pensamos estar dando o exemplo para que a cidadania brasileira faça o mesmo em relação à cúpula dos demais Poderes da República.

7. Ao finalizarmos, esperamos que este gesto ecoe, em todos os recantos do País, como um brado de esperança pelo resgate da nossa dignidade como Nação. E que os cidadãos e cidadãs de bem da terra brasileira se unam em torno deste ideal”.



Escrito por Ilton: às 18:41
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DESARMAMENTO E ARMAMENTO

Há algum tempo postei uma matéria visando cooptar investidores para uma fábrica de arcos e flechas em Iraí, já que vão acabar proibindo armas de fogo para todos os brasileiros, exceto para os facínoras (Vou Enriquecer com o Desarmamento). Assim, para nos defender, vamos ter que, num processo concomitantemente liberal e regressivo, voltar à era das armas primitivas.

Alguém deve ter lido o meu post e, muito espertamente, lançou a semente da minha fábrica explorando um segmento social muito mais rentável: o infantil, cujo poder de chantagem amplamente divulgado e sugerido pela mídia como forma de convencer os pais é seguramente um dos mais lucrativos do mercado.

Quem não lembra da propaganda em que o pai, além de agüentar o filho na garupa num shopping, suportava uma bronca estrepitosa porque o garoto queria um brinquedo? O pai era dupla e amestradamente montado. Essas propagandas são muito educativas.

Pois a IstoÉ Dinheiro de 28/09/2005, página 18, na coluna de Rosenildo G. Ferreira, sugestivamente chamada de “Empresas do Bem”, informa que a fábrica Rosita está lançando uma série de brinquedos inspirados na cultura indígena: “Zarabatana, machadinha e arco e flecha são alguns itens da linha Wakay”.

Nada mais adequado. Afinal, já que no futuro não vamos ter armas de fogo para defesa é bom que as crianças se familiarizem desde cedo com essas que serão o supra-sumo da modernidade. Depois, evidentemente, que eu abrir a minha fábrica para municiar os adultos. Preciso me aligeirar.

Defendo a tese – e já disse isto aqui – que se brincar com armas de brinquedo, na infância, tornasse um adulto bandido eu seria um dos mais perigosos, pelo muito que brinquei de caubói. O Guédi e eu, sozinhos, nos domingos à tarde, matávamos mais índios do que poderiam existir na face da terra no tempo das diligências. O Guédi formou-se em Teologia e é hoje um piedoso pastor da Igreja Evangélica de Confissão Lutherana... O que acabou convivendo mais com a bandidagem fui eu, mas em razão de minhas funções de Juiz. E da nossa turma toda apenas um, depois de adulto, esfaqueou um terceiro numa cancha de bocha, em Taió. Pelas costas, mas insisto: em legítima defesa.

Brincar de arco e flecha, zarabatana e machadinha – talvez até de tacape, lança e borduna – não incita à violência, mas à vida pacífica e tranqüila dos nossos índios que usavam essas armas para brincar de guerra.

Como eu disse em outro post (Sonhos de um Megalômano...), complementar ao primeiro, talvez algum dia conquistaremos o mundo por dominar a arte de fabricar arcos e flechas de extrema precisão.

Ou, talvez, acabemos vivendo em ocas sob o comando do cacique Lula-Nove-Dedos. O pajé Zé-Cada-Vez-Mais-Convencido-de-Inocência será o chefe do Conselho dos Anciãos.



Escrito por Ilton: às 12:50
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ATUALMENTE, SÓ O TOMATE FICA VERMELHO

O Boris Casoy, no seu Jornal da Record, reproduziu segunda-feira (dia 26), uma entrevista que o então sindicalista e político Lula concedeu ao jornalista esportivo Milton Neves em 1993.

Eu ouvi. Senti-me frustrado por não ter ligado meu gravadorzinho para depois “degravá-la” e publicá-la aqui.

Ontem, por coincidência, o Sidnei enviou-me a dita entrevista. Segue abaixo, por mim degravada. Não dá para perder a oportunidade.

Já a enviei aos meus contatos.

Se alguém se interessar pelo arquivo com som, no formato waw, é só pedir. Ele é pequeno: 187 kb. Meu e-mail: icdellan@gmail.com.

 

Milton Neves: Com você aqui na (...) e o meu negócio é futebol e o seu negócio é política, primeira vez que falo com você lado a lado, mas me diga uma coisa, uma curiosidade que eu tenho: Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, você tem pena de Fernando Affonso Collor de Melo?

Lula: Tenho. Não é que eu tenho pena, é como ser humano eu acho que uma pessoa que teve a oportunidade que aquele cidadão teve, de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja, e, e, e, e ao invés de construir um governo construiu uma quadrilha como ele construiu, me dá pena porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena porque eu acho que o povo brasileiro, ãããã, esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país se não a soluções definitivas pelo menos a indícios de soluções para os graves problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político.

 

Pelo jeito, o povo brasileiro não aprendeu a lição. Acreditou de novo no salvador da Pátria e ele repetiu, com intensidade superior, o que fez o outro e só se segura no poder porque ninguém tem coragem suficiente de requerer-lhe o impeachment. Acham que, ruim com ele, pior sem ele, ao menos nesse momento histórico e histérico. Ou seja, por covardia explícita.

E como dizia, meio enigmaticamente, a dona Rita, que era Escrivã do Cível do Fórum de Taió quando eu lá trabalhava como datilógrafo:

A língua é chicote da bunda!



Escrito por Ilton: às 10:30
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REPASSO COMO RECEBI POR E-MAIL (AUTOR DESCONHECIDO)

Pra quem não tem arma, não gosta de arma, não quer ter arma...

PARE! PENSE!

O PROBLEMA NÃO É VOCÊ NÃO TER ARMAS, MAS OS CRIMINOSOS SABEREM QUE NINGUÉM TEM!

Em outubro você deverá votar (voto obrigatório) sobre a proibição da venda e comercialização de armas e munições pelo cidadão brasileiro.

Na prática, será definido se O CIDADÃO BRASILEIRO TERÁ DIREITO À LEGÍTIMA DEFESA...

Você não tem armas. OK. Você jamais usaria uma arma para atirar em alguém. OK. Você acha perigoso e não quer uma arma em sua casa. OK. Você não pretende ter armas. OK.

MAS VAMOS IMAGINAR UMA SITUAÇÃO COMUM EM NOSSAS CIDADES

Você vai concordar comigo que no caso de um marginal começar a arrombar a porta para invadir sua casa, você ficaria muito feliz que a policia chegasse imediatamente e o prendesse. Concorda?

Você vai concordar comigo que a policia não tem condições de fato hoje de atender a todos os chamados e ocorrências no tempo desejado. Concorda?

Você vai concordar comigo que, em geral, a policia chega DEPOIS do assalto acontecer. Concorda?

Você concorda comigo que, num caso como este, seu instinto seria de correr para uma janela a chamar por socorro. Concorda?

Agora pergunto:

SE A POSSE DE ARMAS FOR PROIBIDA... DE QUE VAI ADIANTAR VOCÊ GRITAR POR AJUDA? NENHUM DE SEUS VIZINHOS PODERÁ AJUDAR! (presumindo que todos são gente de bem e cumpridoras da lei). E O BANDIDO SABERÁ DISTO!

Agora imagine alguém seguindo sua filha a caminho da faculdade... Imagine um maníaco a atacando e jogando-a em um terreno baldio... Imagine sua filha gritando por socorro... E agora, imagine que NINGUÉM poderá ajudá-la! (a não ser telefonar para o 190 e aguardar... aguardar...). E O BANDIDO SABERÁ DISTO! Sua ÚNICA alternativa será deixar sua família à mercê de bandidos, estupradores e assassinos enquanto espera pela policia.

O PROBLEMA NÃO É VOCÊ NÃO TER ARMAS,

MAS OS CRIMINOSOS SABEREM QUE NINGUÉM TEM!

Mesmo que você não queira ter armas, ache-as perigosas e tenha receio de tê-las em casa VOCÊ VAI CONCORDAR COMIGO QUE É MELHOR QUE OS BANDIDOS NÃO SAIBAM DISSO!

Para ilustrar melhor... se você realmente é a favor do desarmamento, antecipe-se e coloque o cartaz abaixo no seu portão. Cole-o na portaria de seu prédio, fábrica, casa de campo, vidro do carro: EU SOU DA PAZ! NESTA CASA NÃO EXISTEM ARMAS! PODE ENTRAR. NÃO VOU REAGIR!

PARE! PENSE!

Você realmente vai querer depender unicamente da ação da policia como ela é hoje?

PARE! PENSE!

Não é estranho que os deputados e senadores que promovem o desarmamento NÃO SERÃO OBRIGADOS A SE DESARMAR?

Eles aprovaram um texto que permite a eles continuar com suas armas. Ou seja... a vida da família deles é mais importante que a vida de sua família.

Você concorda com isso? Não concorda? Então: VOTE NÃO!

VOTE NÃO AO DESARMAMENTO DO CIDADÃO DE BEM!

Vamos exigir que a policia tenha condições de trabalho! Vamos exigir critérios rigorosos para a aquisição e uso das armas! Vamos exigir exames constantes dos candidatos à compra de armas!

Mas proibir o cidadão de bem de se proteger, enquanto a policia não recebe condições para fazê-lo, é absurdo!

Se você NÃO concorda com o desarmamento dos brasileiros – no plebiscito - DIGA NÃO e repasse esta mensagem para todos que conhece.



Escrito por Ilton: às 15:45
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MEU AMIGO SOCIAL-CAPITALISTA

Sou um consumista de coisas pequenas e ainda assim as compro aos poucos, na medida do meu orçamento. Há anos adquiro devedês pela Internet e nesse ritmo de formiga devo ter mais de seiscentos. São no máximo cinco por mês porque nas Americanas, por exemplo, se você comprar cinco não paga frete. Nenhum pode ser superior a R$ 30,00. Por incrível que pareça há coisas excepcionais a esse preço desde que você não tenha a curiosidade apressada dos que querem o último lançamento.

Mas compras via Internet às vezes reservam dissabores. Você pode ser considerado um cliente, para consumo externo, mas um paspalhão no âmbito interno da vendedora. Isto ocorreu comigo e vou contar outro dia como me vazou a informação, adiantando que não se trata de nenhuma empresa conhecida.

Há tempos procuro a Missa Campesina Nicaragüense, da qual conheço o Credo, interpretado por Mercedes Souza e Nana Mouskuri. Pesquisei na Internet e localizei um cedê na DHNET, Rede de Direitos Humanos e Cultura, a R$ 10,00. Além da Missa, segundo o anúncio, mais de 250 músicas revolucionárias.

Deixei para o mês seguinte e o preço já estava em R$ 25,00. Solicitei esclarecimentos e responderam que o Correio não aceitava mais encomendas pelo sistema simples e isto encarecia o valor de remessa. Tinham razão! Andei escrevendo algo a respeito, na época.

Adquiri o cedê, enviei dois ou três e-mails comprovando o pagamento, até que finalmente me enviaram. Não cheguei a contar quantas músicas existe, mas devem ter sido baixadas pela Internet, pois são no formato MP3.

Se você é socialista, apesar de tudo, vai gostar: as primeiras 16 faixas são todas da Internacional Socialista, em vários idiomas, algumas gravações de péssima qualidade. Quando ouvi pela primeira fez, na sétima versão, senti-me enjoado e a Ieda me deu água com açúcar. Mas não bastou: tive que tomar um Plasil mesmo e desligar o som.

Há músicas incompletas, outras repetidas, algumas, de repente, silenciam e o disco fica rodando pois a gravação foi interrompida. Aliás, estas partes são as melhores do cedê. Mas da Missa Campesina constam apenas excertos e apesar de ter adquirido o disco em função dela, continuo sem.

Pensei em dar o cedê a um amigo, mas quando meu genro, que foi um petista empedernido, o recusou, achei que isto não se faz: corre-se o risco de uma inimizade. Talvez a um inimigo, mas não tenho nenhum declarado. Mesmo que tivesse, se a nossa divergência fosse política, correria o risco de ele querer uma aproximação.

Na verdade, tenho um amigo que o merece. É aquele que anda enviando e-mails aos meus contatos fazendo proselitismo descaradamente petista, tentando convencer que a administração atual é uma maravilha. É socialista, embora tenha um perfil eminentemente burguês: além de uma bela moradia no centro de Porto Alegre é proprietário de 8 ou 9 apartamentos que usa para explorar o povo, digo, para dar moradia ao povo, sem dispensar aluguel, é claro.

Embora as ideologias divergentes, ele é muito mais capitalista que eu. Não tenho um décimo do patrimônio dele. Quando me comparo com certos socialistas e comunistas sinto-me envergonhado de minha ideologia capitalista. Não é que eu ache que um socialista não possa ter patrimônio. Mas é tão humilhante um capitalista pobre...

O Luiz Fernando Veríssimo matou a sua Velhinha de Taubaté. Não posso dizer que o meu amigo é uma reencarnação dela porque são (ou eram) contemporâneos.

Mas ele não é fruto da imaginação de ninguém. Ele existe realmente.



Escrito por Ilton: às 11:45
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DESARMAMENTO: ANTES DE VOTAR PENSE

Zero Hora, 25/09/2005, página 3:

 

Vida no Campo

A Farsul é contra o desarmamento.

O MST é a favor.

 

FARSUL: Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul.

MST: Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (na sigla – algo sugestivamente – faltam o “t” de trabalhadores e o “r” de rurais).

Em 08/08/1990, o policial militar Valdeci de Abreu Lopes foi morto a golpes de foice pelas costas por integrantes do MST, em pleno centro de Porto Alegre.

O policial, que estava sozinho em seu posto de serviço, tentava controlar tumulto provocado por manifestantes na esquina democrática.



Escrito por Ilton: às 09:55
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ENFRENTANDO O FUTURO DE TRÁS PRÁ FRENTE

Moro num recanto de Porto Alegre desde 1989. A 18 km do Centro. Foi o que deu para comprar, pelo Sistema Financeiro da Habitação, quando cheguei aqui.

O bairro era aprazível e as noites só eram atrapalhadas de madrugada, quando o jornaleiro passava (ele era gordo e pisava tão forte que estremecia os alicerces das casas) ou quando os ônibus começavam a trafegar.

Mudou muito. A sexta-feira traz a insônia dos fins de semana. Uma insônia que não é de ordem médica. Jovens, de todas as idades, em bandos, promovem gritarias, se embebedam, se drogam, gritam impropérios, assobiam e discutem pelas ruas do bairro... Demonstram – e isto é deprimente – que se têm família certamente esta não os apóia. As algazarras atravessam a madrugada. Para essa insônia não há remédio.

Há, até. Mas a advertência que há na bula de alguns medicamentos se aplica aqui: a tolerância, ainda que em outro aspecto.

Não adianta reclamar. Acionar a Polícia significa desforra, mais cedo ou mais tarde. Reclamei, no início, e como resultado recebi prejuízos e pedras que esses pequenos marginais, “meninos e meninas”, como os qualificam a imprensa e os defensores dos direitos humanos, atiraram sobre o meu telhado. Atrapalhei seu direito de fazer bagunça noite adentro, num bairro residencial. Se ajuizarem alguma ação contra mim, por dano moral, é possível que eu seja condenado.

Em Londres, às 22,00 horas, os pubs fecham. Fecham mesmo. Aqui não. Aqui barzinhos e pontos de drogas funcionam 24 horas, a polícia os conhece, mas mesmo que queira não pode fazer algo mais eficaz: falta-lhe condições materiais (e muitas vezes psicológicas) de desenvolver um trabalho eficiente. Os jovens vão se acostumando a essa vida insana.

Qual o futuro deles? Alguns serão marginais: aqueles que, desabituados da forçosa “tolerância” social, que não se estende aos adultos, continuarão sua vidinha de tumultos e bebedeiras e descambarão depois para furtos, roubos e crimes mais graves.

Outros serão marginalizados: tentarão se adaptar às regras sociais, mas sofrerão e viverão frustrados. Colocarão a culpa nos outros – se tiverem capacidade de raciocinar –, principalmente nas elites, por sua vida sem perspectiva. Sem formação, serão subempregados ou jornaleiros (no sentido primeiro do vocábulo).

Pode ser até que algum, num golpe de sorte, faça um cursinho em entidade tipo SENAI, consiga depois um emprego, entre na militância sindical e política e venha a ser presidente da República. Mas esta é uma possibilidade rara. Ao que se sabe, em 502 anos de História do Brasil, aconteceu apenas uma vez. E, pelo jeito, não vai se repetir tão cedo.

Mas há jovens fora deste contexto. Eles, que dormem nas madrugadas sem dispensar o lazer sadio e necessário, é que dominarão os outros. Eles, que agora estudam, aprofundam seus conhecimentos, buscam seu próprio bem estar e se esmeram em se formar em alguma faculdade ou em algum curso técnico, estes conseguirão se impor socialmente e governar – em sentido amplo – o país.

Então serão chamados de elite e culpados pela degenerescência dos outros.  



Escrito por Ilton: às 00:55
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CPIS: MUITA ENCENAÇÃO, POUCO PROVEITO

Estou cada vez mais estupefato, se é que a estupefação pode ser medida em graus, tal assim um terremoto.

Ontem vi parte da oitiva do senhor Daniel Dantas. Sempre evitei usar o termo oitiva quando Juiz porque o acho pedante, mas caiu no gosto parlamentar e vai em homenagem a eles. Sempre considerei oitiva um erro datilográfico, tão mal me soa. Quando trabalhei no Fórum de Taió, entre 1968 e 1970, sempre que o juiz ditava oitiva eu datilografava ouvida, mais inteligível.

Felizmente perdi o show de incivilidade do início da sessão, com troca de ofensas, primeiro com a senadora Heloísa Helena e João Fontes e depois, outro menor, com a senadora Ideli Salvati. Pelo que vi no noticiário da noite armaram um barraco para aparecer e realmente obtiveram um acréscimo nos seus minutos de fama. Já Nicole Kidman pode chegar em qualquer lugar do mundo que se destaca sem precisar promover confusão. Se pelo menos fosse ela quem presidisse as sessões...

Mas voltemos ao termômetro de minha estupefação.

Para evitar que o depoimento do senhor Daniel Dantas se estendesse até tarde da noite o presidente da CPI limitou em quinze minutos o tempo de pergunta e resposta em relação a cada excelência perguntadora.

Os deputados, que obviamente falam antes, papagaiavam e diziam asnices dez ou mais minutos e a testemunha dispunha do tempo restante para responder.

É claro que filtrando as perguntas da maioria dos deputados no tempo que lhes cabe se aproveita quase nada. A resposta pode ser dada em um ou dois minutos, isto se o inquirido conseguir ser prolixo.

Mas a estrela do dia era este e ele também fazia força para aparecer. Algumas testemunhas descobriram que essas situações podem servir de trampolim para as próximas eleições. Assim acreditam, por exemplo, a Karina Somaggio e o Sebastião Buani, este que foi o único completamente sincero, na opinião dos parlamentares, da mídia e do povo brasileiro nessa história toda. Eu não acho. Só não digo que o Severino e o Buani são farinha do mesmo saco para não comprometer a integridade do saco. Nem que seja do meu.

Mas limitar o tempo de resposta de uma testemunha é algo que nunca vi. O juiz (no caso, o presidente da sessão) pode filtrar tanto as perguntas quanto as respostas, indeferindo as impertinentes ou as meramente protelatórias. Mas limitar o tempo de resposta – principalmente o de resposta – é terrífico (se este post demorar a sair é porque estou no Aurélio e no Houaiss procurando um termo mais adequado para qualificar essa estupidez). É um cerceamento ao mesmo tempo de defesa e de acusação, se é que isto pode existir.

Ao invés de buscarem informações precisas e producentes, poda-se o direito-dever de a testemunha dizer tudo o que sabe. Mas talvez seja exatamente isto o que eles pretendem: o máximo de encenação com o mínimo de proveito.



Escrito por Ilton: às 12:38
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PROTOCOLANDO UM POST

Na última quinta-feira, dia 15, no programa Bom Dia Brasil, o jornalista Alexandre Garcia voltou a criticar o uso do verbo “protocolizar” pelo deputado Severino Cavalcanti.

O Dogman me enviou um e-mail dizendo que Ricardo Feltrin, de A Folha, dois ou três dias depois do meu post, também criticou o equívoco que, para um jornalista padrão global, é imperdoável, revelando a opinião de seu leitor Bruno Curi:

Se o Alexandre Garcia se deu ao trabalho de pesquisar na Constituição qual o artigo que diz que a língua portuguesa é símbolo da pátria, por que cargas d'água ele não pesquisou o dicionário?

Eu imagino por quê.

Ele não lê nem mesmo os e-mails enviados à redação do Bom Dia Brasil. Eu remeti dois, sobre o assunto.

Apenas um foi respondido, de forma automática e padronizada, dizendo que estava sendo encaminhado ao setor responsável...



Escrito por Ilton: às 12:51
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A PROPÓSITO DO DEPUTADO GREENHALGH

com quem troquei um e-mail a respeito do Estatuto do Desarmamento (post do dia 19), recebi, no mesmo dia, um e-mail do meu amigo Sidnei – que não é novidade na Internet, pois não foi a primeira vez que me foi enviado – e por isto o publico integralmente:

 

Esse golpe bilionário os brasileiros vão pagar pelo resto da vida!

Pergunta: Vocês sabem quem é o advogado que representa todas as causas de pedido de indenização às "vítimas da ditadura militar" no Brasil?

Resposta: O Sr. Luis Eduardo Greenhalgh.

Pergunta: Vocês sabem qual a participação ou "taxa de sucesso" do Sr. Greenhalgh em cada indenização concedida?

Resposta: 30%.

Pergunta: Vocês sabem qual o lucro obtido até agora pelo Sr. Greenhalgh com a máquina de indenizações que montou com conivência do Planalto?

Resposta: Cerca de R$ 900.000.000,00. Sim é isto mesmo que vocês leram, 900 milhões de reais!

Pergunta: Vocês sabem qual é a estimativa de lucro prevista para ser obtido pelo Sr. Greenhalgh em cima do restante dos processos indenizatórios existentes?

Resposta: Cerca de outros R$ 2.000.000.000,00. Não, não é engano de digitação não, são 2 bilhões de reais mesmo!!!

Ou seja, o homem que defendeu os seqüestradores de Abílio Diniz com argumentos do naipe de que eles deveriam ter atenuantes, pois as motivações do seqüestro eram políticas (como se, para a vítima de seqüestro fizesse alguma diferença ser seqüestrado e mantido dentro de um buraco imundo no fundo de um barraco por causa política, social ou criminal).

Pois este mesmo homem montou um esquema azeitado com a ajuda do Partido dos Trabalhadores e vai amealhar um patrimônio aproximadamente igual ao que um empresário como Antônio Ermírio de Morais obteve em algumas gerações de trabalho duro e competente.

Isto está ocorrendo em nossas barbas, nas barbas do povo brasileiro e nas barbas da imprensa! E o dinheiro que está sendo desviado, roubado sob esse pretexto ridículo de indenização, é nosso, é meu, é seu! Nunca houve no Brasil um processo tão escrachado de desvio de verbas!

Esse mesmo homem por pouco não foi eleito presidente da câmara dos deputados. O que mais "eles" poderiam armar comandando executivo e legislativo?

Jorge Muniz Barreto, Professor Titular Universidade Federal de Santa Catarina - Membro do Laboratório de Conexionismo e Ciências Cognitivas - Trindade-SC - (site).



Escrito por Ilton: às 09:58
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'FLORES, FLORES PARA LOS MUERTOS!"

Fernando Gabeira escreveu um excelente artigo na Folha de São Paulo, que merece ser lido aqui.

Chama-se “Flores, flores para los muertos“. Ele dá a entender que a frase-título foi proferida por uma moça no final de um filme.

Talvez seja um que eu não conheça.

Entretanto, numa cena da mais deslavada insensatez de um dos melhores que assisti (Quem tem Medo de Virginia Woolf?), que comentei aqui (é preciso rolar a página, pois é o penúltimo texto), ela foi pronunciada por George (Richard Burton) no meio de uma noitada tensa e de desesperança na vida de dois casais, na cena retratada acima.

O filme, baseado numa obra teatral, é, naturalmente, uma ficção. E “los muertos” anunciados por Richard Burton nem se sabe se estão ou não mortos.

Já Fernando Gabeira depõe suas flores no túmulo da grande experiência eleitoral da esquerda latino-americana e faz comparações relevantes sobre o que sofreu durante a Ditadura Militar e o governo Lula.

Hoje não vou escrever mais nada. Falta-me nitidez.

Só quem vivenciou o que autor viveu poderia escrever o artigo que estou indicando no início. Eu não vivi, nem de longe, esse tipo de situação.

Então, me calo!



Escrito por Ilton: às 21:26
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DESARMAMENTO: A VAIDADE IMPEDE UMA REVISÃO DE IDÉIAS

Conforme referi aqui, há cerca de um mês, em outubro de 2003, tramitava no Congresso aquilo que viria a ser o “Estatuto do Desarmamento”. Enviei a todos os deputados um e-mail expondo meu ponto de vista.

Quatro deputados responderam favoravelmente. Apenas um, Luiz Eduardo Greenhalg, contestou. Segue abaixo o nosso diálogo de surdos.

O post é extremamente longo e antecipadamente peço desculpas por cansá-los. Vai ser um verdadeiro post-espada, isto é, chato e comprido. É o que nos resta. Já que nos tiram a quase instantaneidade de um tiro, vamos lutar com as armas que nos restam.

Mas não quis sacrificar o conteúdo da “conversa” para preservar-lhe a autenticidade e porque aborda pontos de vista contrários num assunto que é muito mais importante do que parece, se não a curto, pelo menos a médio e longo prazo.

As transcrições em itálicos são minhas. As em escrita normal são as do deputado Greenhalg.

Comecei assim:

Senhor Deputado:

V. Exa. me sugeriu uma “melhor reflexão” sobre o assunto. Não creio que seja necessária. Ele já foi pensado e repensado e falo com algum conhecimento de causa, pois estive à frente da judicatura cível e criminal de março de 1982 a dezembro de 2002, quando me afastei por aposentadoria, infelizmente por moléstia cardíaca.

Estou tentando, abaixo, discutir seus pontos de vista, sem esperança de tentar convencê-lo de que estou certo. Afinal, as pessoas não mudam suas opiniões com facilidade, muito menos após estarem lidando com determinado assunto já durante algum tempo. Por teimosia, vaidade ou convencimento.

Em todos os casos mantenho alguma esperança de uma visão menos intervencionista e mais realista do Estado em relação à vida privada dos brasileiros hoje...



Escrito por Ilton: às 10:29
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Estatuto do desarmamento.

Respeito sua opinião, mas gostaria de sugerir uma melhor reflexão sobre o assunto. Acreditamos que a guerra urbana já fez vítimas demais no País. São os nossos jovens, entre 16 e 29 anos, que estão matando e morrendo em razão do uso descontrolado de armas de fogo.

Os jovens entre 16 e 29 anos morrem mais porque se arriscam mais. Não necessariamente são vítimas de armas de fogo. A grande maioria morre em acidentes de trânsito. Aqui em Porto Alegre, há umas três semanas, cinco jovens que tripulavam um veículo dirigido por um deles morreram numa colisão.Talvez a realidade regional seja diversa, mas aqui quem mata com armas são geralmente bandidos (latrocidas ou traficantes em brigas de quadrilhas).

A sociedade não quer mais conviver com esse fenômeno crescente que aterroriza e deprime.

Concordo em gênero, número e grau. Mas quem aterroriza e deprime não são as armas de fogo. São pessoas que não tiveram e não têm condições de se projetar no sistema produtivo e que não conseguem trabalho porque o Estado brasileiro não permite condições de desenvolvimento eficaz de empresas privadas. Por isto se dedicam a viver do alheio, embora, convenhamos, as causas não podem ser consideradas tão simplistas assim, incidindo outros motivos. Em todos os campos de atividade há um excesso de paternalismo que atrapalha o desenvolvimento de empresas. Mas isto é outro assunto.

Em geral, os que se opõem ao projeto, argumentam que o Estatuto vai deixar sem defesa o cidadão de bem. Não é verdade.

É verdade, sim. E falo por mim. Tenho duas armas registradas e porte em face de minhas funções. Nunca precisei usá-las e espero sinceramente nunca precisar. Mas gostaria de ter uma à disposição se uma situação emergencial exigir providências mais severas em minha própria defesa ou de terceiros. Tenho 52 anos, sou casado, nunca respondi a qualquer processo em minha vida mas o senhor e outros mentores desse projeto decidiram que eu não tenho discernimento suficiente para portar uma arma de fogo. Como já me proibiram de comprar um litro de álcool num supermercado. Isto é humilhante e degradante. Nunca pensei que fosse chegar a essa idade patrulhado autoritariamente como estou sendo. Quais os conhecimentos que os senhores invocam para decidir o que é melhor para mim no âmbito de minha vida privada? Só há uma explicação: o ranço autoritário.

O projeto, com muito empenho, pretende tirar das ruas as armas clandestinas e não registradas, tornando o porte de arma ilegal inafiançável. O projeto pretende incentivar o registro de armas, na lógica de quem não deve não teme registrar a sua arma.

O registro é algo necessário, absolutamente necessário, mas eu ter uma arma registrada e não poder portá-la é um contra-senso. Só posso usá-la eventualmente dentro de casa. E no meu veículo? E nas viagens que faço, às vezes à noite, pelas estradas inseguras e perigosas em que a qualquer momento posso ser vítima de algum assalto? Ou cair numa “panela” e furar um pneu e ficar à mercê de bandidos armados enquanto o troco? Dezenas de situações que deixo de abordar.

Sabe-se também que a arma não é uma boa defesa diante da surpresa de um assalto. Quem reage morre, mesmo armado. É o que dizem as estatísticas. Em 90% dos casos, quem tenta usar a arma para evitar um assalto acaba morto e a arma roubada.

Gostaria de saber a fonte de suas estatísticas. Fui juiz por mais de vinte anos, treze deles em grandes centros (Novo Hamburgo e Porto Alegre) e, ao menos aqui, essa estatística é completamente furada. Uma perfeita balela. A maioria dos assaltos acontece a domicílios e então pouco importa se a arma é registrada ou não. O senhor deveria basear suas afirmativas em dados mais seguros ou, pelo menos, transmitir a fonte para que se possa conferir. É o mínimo que se pode exigir de pessoa com poder de propor medidas como esta, de duvidosa e, mais do que isto, contraproducente eficácia.

Nossa idéia é que os cidadãos de bem se desarmem para que suas armas não sejam usadas como instrumento de dano a eles próprios e às suas famílias. Que não sejam roubadas por bandidos.

Com o perdão da palavra, não posso conter minha indignação. Desarmar o cidadão para evitar a autolesão, ou a lesão familiar, é de uma cabotinice sem igual. Suicídios, por exemplo, não serão evitados. Agressões familiares também não. Acidentes domésticos (como disse no e-mail anterior, a maioria deles acontecem no banheiro) podem acontecer com qualquer instrumento e o que se deve fazer é educar os responsáveis para que não deixem armas de fogo ao alcance de crianças. Assim como se faz com remédios, cuja ingestão equivocada podem provocar também danos e isto acontece, certamente, com maior freqüência do que como resultado do uso de armas. A educação está na base de tudo mas isto parece ser ignorado. Nos casos que julguei posso reafirmar: a maioria das armas roubadas por bandidos o são em residências e, portanto, para isto, de nada vai adiantar essa lei. Até porque confunde causa com conseqüência.



Escrito por Ilton: às 09:45
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Evidentemente, aquele que demostrar necessidade de portar arma, poderá ter garantia de posse em sua residência ou local de trabalho.

Eu julguei muitos assaltantes e condenei muitos. Inclusive um que residia a três quadras de minha residência. Está preso ainda, por latrocínio contra um cobrador de ônibus. Aproxima-se a data de sua liberdade condicional. Mas eu não estou incluído entre aqueles que o projeto de lei contempla com a possibilidade de portar uma arma. Mais do que isto, essa lei vai cassar o porte que eu detenho em decorrência de lei e que me dá muito uma sensação de segurança que o Estado não me dá.

A polícia, por sua vez, é quem deve desarmar os criminosos. Se ela hoje não dispõe dos instrumentos necessários para isso, que seja equipada e melhorada para que cumpra a obrigação que é do Estado.

Ora, senhor Deputado, não vamos baixar o nível. Claro que cabe à polícia desarmar os criminosos. E para isto não há necessidade dessa lei. Mas é óbvio que ela não tem condições de fazê-lo. V. Exa. mesmo está concordando. Então, por uma questão de lógica, pura e simples, vamos primeiro capacitá-la e instrumentá-la. Depois, desarmados os bandidos, vamos fazer campanhas para desarmar os cidadãos de bem. Se o Estado me proporcionasse segurança bastante e eficiente eu não teria dúvida em entregar minhas armas legalizadas e não iria sequer querer ser indenizado por isto. Mas nas circunstâncias atuais, Excelência, essa proposta é uma aberração.

O projeto intensifica o combate ao tráfico das armas de fogo. Pois o Estatuto tipifica o crime de tráfico, prevendo o controle das fronteiras. O projeto também prevê punição para o desvio de armas de fogo.

O tráfico de armas, internacional ou interestadual, deve ser combatido. Sem dúvida nenhuma. O controle das fronteiras para essa finalidade idem, mas a Polícia Federal (tenho um genro que é agente) não tem condições de fazê-lo. Mas nesse aspecto concordo, embora o contrabando já seja crime e mesmo assim ocorre mais do que seria desejável, mesmo com outros tipos de mercadorias. Sem que seja eficazmente contido. Por quê?

Finalmente, gostaria de esclarecer que todas as ponderações foram feitas e todos os efeitos levados em consideração.

Pelo que procuro dizer acima, assim não parece. Esse “estatuto” deveria ser repensado. Aliás, a atual legislação sobre armas e munições é eficiente e o Estado, e pessoas de escol como V. Exa., que têm competência e oportunidade, deveriam pugnar para implementá-la. As exigências para que uma pessoa possa ter uma arma são mais do que suficientes. São rígidas e filtram as possibilidades de forma exemplar não permitindo o acesso àqueles que não reúnem condições mínimas. Não há necessidade de mudar. Basta aplicar essa lei. Mas no Brasil, infelizmente, se parte do pressuposto de que se deve mudar para, a final, ficar tudo como está. Quando mais exigências faz uma lei, mais difícil o seu cumprimento.

Esse Estatuto vai “pegar” porque é a vontade da sociedade, refletida em pesquisa recente que constatou o interesse de mais de 80% dos cariocas em proibir o posse de armas no País.

Novamente as estatísticas duvidosas. Afirmo-lhe, com triste convicção: esse estatuto “não vai pegar” e, além disto, vai gerar muita iniqüidade. Aqui no Rio Grande do Sul, numa enquete patrocinada pelo provedor Terra, do qual participei, percebi que a maioria era contra as novas limitações. No entanto, gostaria de poder voltar a trocar idéias com V. Exa. daqui a cinco anos, caso esse monstrengo seja realmente aprovado. Não é difícil antever que a situação estará, no mínimo, pior, que essa lei não estancou a criminalidade e que os homicídios e latrocínios não terão sido diminuídos.

Agradeço sua atenção e espero ter contribuído para uma nova visão do problema da violência urbana no País, aproveitando para enviar uma cópia do Estatuto do Desarmamento.

Atenciosamente

Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP)

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação da Câmara dos Deputados

Sou grato pela sua atenção. Apenas uns poucos deputados responderam ao e-mail que enviei. Peço desculpas por eventuais vocábulos mais fortes e incisivos. Não tive nem tenho intenção de ofender, apenas expressar o meu nível de indignação.

Atenciosamente,

Ilton Carlos Dellandréa

Desembargador Aposentado no TJRS



Escrito por Ilton: às 09:39
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PARA ENTERNECER O SEU FIM-DE-SEMANA

O Dogman contou uma historinha melhor no seu site. Aqui, foi isto o que deu para arranjar.

No avião, rumo a Vitória, sentamos no fundo, após as asas. À frente, na janela, um menino tagarela com a mãe. Não parava de indagar e questionar embora já tivesse visivelmente passado da fase dos “porquês”.

Após algum tempo olhando para fora, pergunta:

– Mãe! O que quer dizer “istépi”.

– “Istépi”? Não sei, meu filho, nunca ouvi essa palavra. O socorro do carro é estepe. Pode ser isto.

– Não, manhê, é uma coisa que não se deve pisar em cima.

– Então é “estrepe”, filho, uma farpa de madeira que a gente pode enfiar no pé, quando anda descalço, ou num dedo, ou na palma da mão quando lida com madeira bruta. Isso dói.

Depois de algum tempo.

– Mãe! Asa de avião é de madeira?

– Não, meu filho, é do mesmo material do resto do avião, um material mais leve. Não sei bem o quê.

– Ali na asa está escrito “não pise no istépi”.

A mãe esticou o pescoço e viu o que eu, no banco posterior, já tinha visto e entendido e estava louco para dar o meu pitado. Mas me contive.

Sobre a asa do avião há uma advertência aos mecânicos:

 

NÃO PISE

NO STEP

 



Escrito por Ilton: às 12:46
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ENCHENDO LINGÜIÇA

Diretamente da terra em que o espírito é santo mas os homens têm os mesmos defeitos profanos que os demais brasileiros – aliás, dizem até que o nível de corrupção e criminalidade por aqui é um dos maiores do país – vou deixando essas mal traçadas (ui!), um pouco atordoado pela fibrilação que veio em seguida, já no dia seguinte, e se agarrou no meu peito mais do que o Severino na presidência da Câmara.

 

Vamos deixando de lado as amenidades dos dois últimos textos e escrever alguma coisa menos séria. Não é possível ainda, por incapacidade mental temporária e fibrilatória, analisar questões mais recentes, como a cassação do Jefferson e o malabarismo do Severino, por isto seguem apenas algumas notas já preparadas há uns dias. Amanhã, talvez, coisa pior.