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EM BUSCA DE ANTEPASSADOS

Vou viajar, amanhã, à procura de dados familiares, até Rodeio, Santa Catarina, berço dos Dellandréa no Brasil.
Como nos primeiros tempos os ancestrais faziam um filho por ano, pois precisavam de braços para a lavoura, vou enfrentar dificuldades. Com o passar dos anos, uns 130, a família se ramificou e se espalhou. Meu avô até que foi moderado: teve 11. Mas um tio, muito doente, teve 27. Era tão doente que vivia a maior parte do tempo na cama. Por isto é que deve ter tido tantos filhos.
Mas embora minha família tenha seus ancestrais em Rodeio tive um tio-avô que contribuiu muito mais para o desenvolvimento de Luiz Alves do que para o da própria cidade de origem. Luiz Alves é a maior produtora de cachaça de Santa Catarina.
Ele, o tio Tôni, foi um inveterado consumidor de pinga e deve ter engordado o produto interno bruto daquele município muito mais do que qualquer cidadão luizalvense. Merece uma estátua em praça pública. Condizentemente caído, é claro.
Não conheci o tio Tôni, mas por ouvir dizer sei que era uma figura singular. Extremamente tímido e desconfiado, provocava uma briga por domingo, nos finais das missas.
Sentava sempre na parte posterior da igreja e se duas mulheres cochichassem, era dele que estavam falando. Se rissem, então, estavam rindo dele e isto era uma ofensa grave. Na saída da missa ficava num canto da igreja dizendo impropérios. Em certa ocasião chegou a esfaquear, ou melhor, canivetear, um incauto que veio em socorro de alguma dessas indigitadas. Em legítima defesa, é claro.
Não sei porque, mas ele nunca se casou.
À procura de confirmações dessas coisas e de novidades mais ou menos alegóricas, vou sair amanhã.
Move-me, também, um instinto nobiliárquico. Encontrei o Dellandrea Family Tree, elaborado por Craig Dellandrea, no Canadá, e trocamos alguns e-mails. O tataravô dele emigrou para lá nos idos de 1870. Seu nome: Baptista Giovani Dellandrea. O meu tataravô era Giovani Battista Dellandréa, veio para o Brasil logo após 1875, o que leva a crer que há um ascendente comum, pois todos são oriundos de Trento, na Itália.
Descobri que a origem da família é Provence, na França. No século XIII parte emigrou para a região que hoje forma o Trentino, no Norte da Itália. Dois Dellandréas, Antonio João e Benedito, eram conselheiros judiciais de um importante juiz. Isso talvez explique um certo atavismo jurídico.
A família tinha até um brasão, que publico acima por gentileza do Craig. Há um grande risco de eu ter sangue azul. Talvez eu seja proprietário, ou pelo menos co-proprietário, de um castelo na Itália, e nem saiba. Já estou até pensando em que título vou antepor ao meu nome: Don é muito mafioso. Sir é inglês e ficaria depreciativamente cacofônico. Sir Ilton dá mais a idéia siri enlatado. Com um pouco de esforço e muita distorção Doge talvez seja aceitável.
Já vislumbro inclusive o despeito de alguns oriundos, que conheço:
– Qüel Dallandréa un nóbile. Isso sim que é una strombegada. Porco cane, si non é! Por isso é que samo meu caçoro de Dogue!
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 07:45
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HOJE É O DIA DELA.

Acrílico sobre tela - Ieda M. F. Dellandréa
O mês de outubro é um mês de efemérides peculiares aqui em casa, de sobressaltos e de alegrias. Já falei a respeito do nascimento do Francisco, da morte da minha mãe, tive posses importantes nesse mês, o Francisco recebeu, há pouco, um prêmio de piano.
Mas, e todos aqui – menos uma – concordamos, hoje é o dia mais importante de todos.
Ela faz aniversário. Mais do que isto, fui terminantemente proibido de dizer.
Até o cartão de um advogado desconhecido apareceu de manhã sobre o teclado do micro e atrás está escrito: “Experimenta!” A letra eu conheço muito bem.
Então vai apenas uma poesia que fiz para ela em 29/03/2000:
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 06:42
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Ieda
Parceira,
parte,
partiu-se em duas
para ser não minha,
mas eu.
Não é,
não somos.
Eu sou – e não seu.
De mim mesmo ateu
creio no ela
que há em mim.
É mais que isto,
sou menos.
É tudo, inteira,
sou pequeno.
Agiganto-me nela,
reencarnação viva
vívida
vivaz
de quem não morreu.
Concomitante,
mesmo ausente
é a equação dominante
e presente.
Mais dizer não posso.
O resto,
o sumo,
o resumo,
o tudo
é nosso...
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 06:36
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AOS MEUS LEITORES

O Cesar Valente disse, há muito tempo, que contabilizou 17 confirmados leitores de seu blog. Ele é muito modesto e, naturalmente, tem muito mais.
Eu tenho tantos que até o Lula pode contar nos dedos que ainda vão sobrar. Quirodáctilos, não leitores. Mas até esses poucos vou frustrar.
Estou viajando para Rodeo City, com escala em Old Bar (hehe), Blue-Men-All e South River. O mais demorado vai ser, antes, a conexão em Aratingaúba.
Por isto não vou poder postar minhas matérias como gostaria.
Não se desesperem, por favor.
Se eu resolver dar uma chegada em Passo Manso, vou mudar radicalmente meu modus operandi na Internet. Deixarei a tecnologia IBM e usarei a da Burroughs. Não a da Burroughs Corporation (aliás, se não me engano, hoje Unisys), que foi concorrente daquela no tempo em que eu trabalhava na Telesc, mas a do Edgar Rice Burroughs, o criador do Tarzan. Em Passo Manso a única forma de conexão é a www.cipó.com.br mesmo.
Ou sinal de fumaça.
Mas o pior não é a dificuldade, de postar. É não poder acessar os meus blogues favoritos com a persistência de sempre. Por isto, aqueles que estão acostumados com meus sábios comentários, fiquem mais descansados. Na volta eu recupero.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 18:34
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UM FOTOTESTE MEIO RASTEIRO

Para salientar meu imenso sentimento de pura brasilidade vou aprioristicamente refugando responsabilidades. Sou muito volúvel. Se não fosse a Cora Rónai elogiar o Picasa e o Damião postar os seus fototestes, juro que não faria esta – digamos – rateada. Primeiro porque não é bem o meu estilo. Segundo porque não ganho tanto quanto o Ratinho para exibir esse tipo de apelação. Definitivamente, não é minha culpa.
O Picasa eu tinha acessado antes, no Blogspot. Baixei-o e o instalei, mas como sou inseguro com novidades, desinstalei antes de usar. Depois que a Cora, uma especialista, o abençoou, reinstalei-o e concluí que é realmente um ótimo programa. Andou, numa tarde de vento minuano, misturando pastas, tive que desinstalá-lo e reinstalá-lo, mas não alterou os arquivos de imagens do HD.
Com ele descobri fotos que jamais supunha existir.
Essa aí em cima, por exemplo.
Primeiro pensei que tivesse sido plantada no meu micro por algum site de pornografia, mas é muito pudica para isto. E verificando pelo nome do arquivo percebi que foi batida pela minha semi-aposentada Mavica, no Espírito Santo. O número de seqüência é uma prova irrefutável.
Mas não sei quem a bateu.
A Ieda não foi. Eu também não.
O Francisco jura de pés juntos que não foi ele. Como a foto abaixo é dos seus próprios pés (dele) e se consegue visualizá-los, suponho que está sendo sincero.
Mas isto não importa. Alguém bateu e ela esta aí.
Por isto aproveito para propor um fototeste, como faz o Damião com as fotos antigas de Florianópolis. Mas com direito a prêmio...
Aquela que se reconhecer e se identificar como sendo a fotografada ganhará uma caixa de chocolates de Gramado, igual à que enviei para a Tell.
A comprovação tem que ser convincente. Como tenho falado muito em familiares, por estes dias, fica vedada a participação dos mesmos. Aqui o censor sou eu. Pelo menos aqui. Não conheço todas as bundas da família, embora as conheça mais que a minha, cujo acesso visual é uma impossibilidade física (e quando a vejo no espelho a imagem é invertida), mas tenho certeza de que não é familiar.
Uma dica: pela seqüência dos nomes dos arquivos as duas fotos foram batidas em Guarapari-ES, defronte à Cantina do Curuca, em setembro de 2003.

Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 08:58
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CELEBRIDADES NA MIRA DA JUSTIÇA?

A Carta ao Leitor de Veja de 06/10/2004 (A imagem é uma arma) traz uma exortação juridicamente interessante. Pela forma de colocação, o pensamento integra a linha editorial da revista. Foi provocada pela presença de Romário, Edmundo e Renato Gaúcho no enterro do bicheiro “Maninho”.
No que interessa ao post, diz a Carta: “Jogadores de futebol, artistas e outras celebridades têm a maior porção de responsabilidade em sinalizar a intolerância da sociedade com os malfeitores”.
Veja prega que, como nos Estados Unidos, deve ser usado aqui, como política de combate ao crime, o apenamento diversificado de pessoas famosas, num denominado efeito representação: "Uma violação da lei que daria a uma pessoa anônima apenas uma multa ou advertência pode resultar em cadeia para outra famosa".
Juridicamente a tese não é perfeita. A Justiça é criticada porque, segundo se propaga, muitas vezes sem conhecimento de causa, condena somente pobres. Agora se pretende que ela, na outra ponta dos valores, apene com mais rigor celebridades pelo fato de serem celebridades. A Justiça deve se realizar pelo caminho do justo e da eqüidade. Tão abjeto quanto se desviar para a facilidade de condenar um pobre porque é pobre é condenar um rico para servir de exemplo.
Precedente existe. O cantor Belo foi condenado por envolvimento com tráfico de armas e em grau de recurso teve a pena majorada por "sua conduta censurável ter repercutido de forma desfavorável nos admiradores adolescentes" (fonte). Parece que o julgador usou da faculdade do artigo 59, do Código Penal, que permite fixar a pena base acima do mínimo quando as conseqüências extrapolem negativamente os limites da normalidade.
Mas o que aconteceria se o precedente atingisse um dos ícones da nossa cena artística, de projeção maior que a do sofrível Belo? Temo que parte da imprensa se revoltaria contra a “discriminação”.
Há uns meses um ator global foi preso em flagrante adquirindo quantidade considerável de drogas em Porto Alegre. Recebeu o tratamento que outro, na mesma situação, receberia – creio. Depois, teve amplo espaço televisivo para mitigar a má fama circunstancialmente adquirida, este um diferencial odioso e inalcançável pela maioria na mesma situação.
Eu residia em Florianópolis quando Gilberto Gil foi preso por uso de drogas. Hoje ele seria solto logo, pois a legislação é mais branda. Mas foram o Judiciário e polícia que acabaram condenados na época.
Já vi o Boris Casoy, cuja seriedade é indiscutível, defender uma celebridade que emprestou seu carro para terceiros buscarem cocaína no Paraguai. Segundo ele, se tratava de um dependente que precisaria, no máximo, de tratamento médico.
A tese é corretíssima. Mas é preciso considerar que há usuários e traficantes e usuários traficantes. Quem concorre para o crime incide nas penas a ele cominadas, na medida de sua culpabilidade (artigo 29, do Código Penal). Em termos populares: aquele que segura a escada para o ladrão subir também é ladrão.
Aquela celebridade não foi condenada por tráfico. Espero que a decisão tenha sido justa. Mas é contraproducente um julgamento judicial ser precedido de outro, midiático, que poderá não só influenciar juízes – há juízes influenciáveis, sim – mas principalmente passar a idéia de que a Justiça erra sempre quando julga contrariamente ao pensamento de certos formadores de opinião quem nem sempre têm formação jurídica.
Nossa cultura assegura que basta ser celebridade para merecer tratamento diferenciado, a não ser que a vítima seja, também, celebridade. Daí vai depender de circunstâncias especiais, do carisma dos envolvidos e de influências outras que possam interferir no pensamento da mídia.
Em certos casos fico em dúvida sobre se a impunidade é realmente um mal da Justiça ou uma imposição sócio-cultural.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 11:43
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TELL MANDOU, DE PERNAMBUCO

Mas que barbaridade, tchê – como diz o gaúcho. Mas báh!
Ou: óióióióióió – diria o manezinho da ilha – tach tonto, ichtepô?
Oxente! Essa minina!
Tell mandou-me do “Ricifi” (pernambucano, pelo que sei, não diz "Récife") um kit pernambuco, aí em cima. Tem literatura de cordel, jogo de xadrez de barro com personagens sertanejos, sombrinhas de frevo e o caboclo-de-lança, símbolo do maracatu. Claro, e um postal da Veneza brasileira com uma bela mensagem.
Hoje foi o meu dia de ficar inédito e estatualizado – isto copiei do blog dela própria, a Tell do Tagarela.
Uma surpresa da gota serena. Da muléstia, mesmo.
Junto veio uma tesoura, abaixo, no detalhe! Não sei porquê. Ignoro o que ela quis dizer com isto. Acho que se enganou de destinatário.
Glauco! Chama o Hercule Poirot e o Sherlock Holmes do seu livro Aventura Alucinante para investigar. Se lhe interessar, claro...
Mas essa tesoura é coisa de ficar aperreado? É não!
Fiquei foi muito contente.
Tell: todos daqui agradecem. Um beijão.

PS: a Ieda esclarece que a tesoura não veio junto. É nossa e foi usada para abrir o pacote. Esqueci de retirá-la na hora de bater a foto.
Desculpa, Tell.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 12:08
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O SORRISO DE MINHA MÃE

Uma das evidências mais claras de nosso processo de envelhecimento é a coleção de efemérides que vamos acumulando vida afora. A primeira – creio – é a do próprio aniversário.
Quanto mais velho, mais datas arquivadas: nascimentos de filhos a netos e bisnetos (estes para uns poucos privilegiados), mortes de avós, pais e parentes, acontecimentos marcantes, aniversários de irmãos, cunhados, sobrinhos, mortes extemporâneas de amigos, primeiro sutiã (geralmente para as moças, mas há exceções), posses em cargos, etc. Vão se acumulando e às vezes passam de mero referencial a pontos de influência, negativos ou positivos, conforme a natureza.
No dia 05 de dezembro de 1985, quando fui acometido a primeira vez por uma crise de arritmia cardíaca, eu me apavorei. Supus que ia morrer. Até pensei em fazer o meu testamento mas lembrei que era juiz iniciante e não tinha nada ainda que pudesse ser transmitido aos meus herdeiros e desisti.
O tempo passou e fui resistindo, sofrendo periodicamente as visitas dessa coisa que considero minha amante indesejável, a Átria Fibrilini. No começo, a cada crise o mesmo sentimento de horror. Sentir o coração batendo forte, aos solavancos, desequilibrado, sem se poder identificar o ritmo para acompanhar a dança, com a impressão de que a qualquer momento poderá vir um breque definitivo, é algo assustador. Afinal, só temos um coração e ele parar lá se foi este blog, por exemplo.
Mas a gente se adapta ao desconforto. Quando descobri que não sou eterno e tomei consciência de que não adianta forçar os olhos abertos para se manter vivo, o medo da morte foi desaparecendo. Hoje a encaro com relativa naturalidade. Aliás, muito relativa. Ela virá um dia. É claro que não gostaria que fosse hoje. Nem amanhã. Pode demorar pelo menos uns trinta anos, desde que eu não fique gagá, jogado no fundo de uma cama, usando fraldões e incomodando meus filhos ou a Ieda. Se com mais trinta eu ainda me sentir bem, peço um adicional.
Ainda não me preocupei em fazer meu testamento porque ainda não tenho muita coisa a transmitir aos meus filhos. Os cds e os dvds de música clássica vão para o Francisco e os dvds de filmes para a Clarissa. Desde que eles paguem as dívidas pendentes e zelem pela Ieda se intrometendo na vida dela apenas o absolutamente necessário.
Porque escrever sobre a morte, hoje, sábado? Efeméride. Faz 32 anos que minha mãe faleceu. Desta data nunca esqueço. Ela tinha 42 anos, apenas, e não conheceu netos. Só viu um filho casado – eu – porque casei cedo, com 19 anos (sim, com a Ieda). Aliás, nosso casamento foi sugerido por ela logo que passamos no vestibular porque teríamos que sair de Taió para estudar em Florianópolis.
Não lembro mais dela com perfeição. Fotos, para isto, não valem. Guardo apenas a imagem de um sorriso triste e conformado. Sabedora de que estava gravemente enferma proibiu os médicos de falarem a respeito aos familiares para que meu pai, que era cardíaco, não soubesse. Ele não podia se incomodar. Ela se sacrificou por ele.
Só depois fomos entender porque aquele sorriso era tão enigmaticamente espiritual e profundo. Nem Leonardo da Vinci seria capaz de retratá-lo.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 10:58
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UM EXEMPLO DISPENSÁVEL

Dia 20 houve uma exibição deprimente de como não se deve proceder num Tribunal, protagonizada por membros da mais alta Corte de Justiça do Brasil. Ministros do STF bateram boca como... ia dizer lavadeiras. Mas vamos falar de Justiça e eu já sairia cometendo injustiça: elas, nos interiores do país, quando se encontram nos riachos, primeiro fazem sua catarse particular, falam da vida alheia e até podem bater boca. Depois, desafogadas, usam belos cantos-de-trabalho para aliviar o peso de sua faina.
Então fica assim: bateram bocas como lavadeiras em início de jornada.
Deve ficar claro que: (a) como no caso do Imprensa Marrom a decisão revogada era liminar e o mérito pende de definição e (b) a decisão não tornava o aborto obrigatório. Caberia, sempre, à mulher resolver. Ela é dona do seu corpo e do corpo em formação no seu ventre, e enquanto, embora a lei preconize direitos ao nascituro.
É uma ignomínia obrigar uma mulher que traz no ventre um feto comprovadamente sem cérebro, e que queira abortar, correr o risco de uma gravidez a termo e dar à luz um monstro. Um ser descerebrado, assim como um cadáver, é um monstro.
A Justiça sai debilitada. Até as misses leitoras de O Pequeno Príncipe sabem que “a autoridade repousa na razão”. Isto foi dito a ele quando pediu ao rei de um pequeno planeta que ordenasse que o sol se pusesse fora do seu ciclo normal.
A revogação surpreende, mas não muito. Pareceu levar em conta mais critérios pessoais – isto ficou patente na rezinga encenada – do que jurídicos. Ressalve-se condutas de ministros que mantiveram a compostura.
O STF demonstra que está dividido politicamente e o erro é de origem: seus ministros são nomeados pelo Presidente da República, conforme suas conveniências, com respaldo do Congresso.
A nomeação deveria ser cautelosa quando o nomeado é de tradição político-partidária acentuada e transeunte dos bastidores dos altos escalões, ainda que, em tese, pudesse ser dono de um notável saber jurídico. Os juridicamente sábios também podem cometer injustiças por conta de sua ideologia. Notável saber jurídico é um conceito um tanto vago quando visto com olhos interesseiros.
É no mínimo discutível ingressar no Judiciário pela porta dos fundos e exatamente na corte suprema. Nada pessoal. Mas tecnicamente os critérios deveriam ser mais sérios. Não se pode passar pela vida escolhendo cargos e insuflando vaidades.
O julgamento definitivo não tem data. Mas com certeza vai recompor a liminar revogada. Entretanto, não se dispensa a observância do frio procedimento legal. O pensamento vencedor é que não é prudente um ministro do Supremo pré-definir algo tão relevante monocraticamente (isto é, individualmente). Só o colegiado pode fazê-lo. A forma suplanta o conteúdo.
Enquanto isto se protela o sofrimento de mulheres que se encontram nesse triste dilema. A Justiça, para algumas, vai chegar tarde: terão dado à luz normalmente e enterrado aquilo que nem vida pôde ter. Outras terão abortado clandestinamente, sofrendo riscos, pagando caro e serão criminosas por se negarem a parir monstros.
Não analiso a questão do aproveitamento das células-tronco dos embriões para uso no tratamento de enfermidades. Isto é assunto para outro post. Preocupa-me, agora, a situação das mulheres sem saída.
O STF hesitou formal e fundamentalmente. Não se desafogou nem cantou cantos-de-trabalho. Fechou uma saída que estava aberta ciente de que terá que reabri-la adiante.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 19:10
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DESCULPEM, MAS...

Hoje sou obrigado a parabenizar o Francisco novamente.
Dia 18, congratulei-o pelo aniversário.
Não posso afastar a idéia de que contribui para isto. Afinal, sou o pai e participei da concepção de que resultou seu nascimento de modo bastante ativo.
Não estou me queixando. Muito pelo contrário. Não foi algo trabalhoso nem me exigiu sacrifício. Foi extremamente prazeroso e sem conseqüências físicas maiores para mim. Foi até rápido, comparado ao encargo mais pesado que acabou jogado nas costas, ou melhor, na barriga da Ieda: a gestação foi dela.
Em todos os casos, sombra e aniversário são coisas que todo mundo faz. Mas hoje o Francisco conquistou algo por seus próprios méritos.
Participou do 17.º Concurso Artlivre de Piano, em São Paulo, e conquistou o primeiro lugar num grupo cuja faixa etária ia até 32 anos... Ele tem 20 (não custa repetir).
Houve empate com outro candidato, Iuri Gonçalves.
“A Artlivre é uma escola fundada em 1983, pela pianista e professora Mercêdes Mattar Sciotti. (...) É dirigida por Sérgio Sciotti, pianista e tecladista com formação erudita e popular, e Derico Sciotti, flautista e saxofonista do programa do Jô”.
Nossos parabéns, Francisco. Teus pais, orgulhosos, e alguns poucos sabemos o quanto esse prêmio é merecido porque acompanhamos teus estudos e somos testemunhas dos teus esforços e dedicação.
O troféu conquistado pode ser visto no Espelho sem Aço.
Aos leitores que esperam algo melhor peço que perdoem esses arroubos de um pai adolescente de mais de 50 anos de idade.

Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 14:16
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CASAMENTO GAY?

Há certas discussões em Direito que são cíclicas. Também aqui se tem memória curta e fatos ressuscitados obtêm saudação de novidade, como aquele filme que a tevê mostrou umas duzentas vezes, mas continua inédito.
Provocou certa celeuma no meio jurídico decisão do STF que absolveu um réu que manteve relações sexuais com uma menor de 14 anos de idade. Considerou que a compleição física da moça e sua capacidade apontavam para o pleno discernimento do ato que praticava. A decisão, em tese, contraria a lei penal: se a vítima de crime sexual for menor de 14 anos a violência é presumida ainda que fisicamente inexista.
Sem que seja motivo de vanglória, até porque constitui exceção, eu havia julgado no mesmo sentido umas três vezes. Mas um ministro do STF dizer uma coisa e um juiz da Tristeza dizer a mesma coisa é uma coisa muito diferente (Tristeza, para os de fora, é um bairro de Porto Alegre em cujo Foro Regional atuei por mais ou menos cinco anos).
Agora a união entre homossexuais está periodicamente na ordem do dia. Hoje há famílias com cabeças do mesmo sexo e que adotam crianças como filhos. Nada contra. As realidades jurídicas têm que ser acolhidas pelo Direito. Não é o Direito que dita o costume, mas o costume que faz o Direito. Minha discordância com esse novo instituto familiar é puramente semântica. Não vejo como definir essa união de casamento.
Casamento é a união de seres que formam um casal. Um casal é dois, de gêneros diferentes: uma fêmea e um macho. Então um par de machos ou um de fêmeas não forma um casal. A união deles, ainda que seja até que a morte os separe, não é, idiomaticamente, casamento.
A evolução da nossa língua levou muito tempo para resumir, numa palavra, a união de seres de sexos opostos como “casamento”. Não pode ser desvirtuada em seu sentido literal.
Por outro lado, usar uma locução substantiva para definir a nova realidade é complicar. Dizer, por exemplo, “casamento de dois homens” ou “casamento de duas mulheres” ou, mesmo, “casamento gay” (que nem esclarece o sexo do par), é involuir lingüisticamente. Eu quis dizer idiomaticamente.
É preciso que os interessados exercitem sua criatividade para conceituar com apenas uma palavra a união de duas pessoas do mesmo sexo que forme uma sociedade de cunho familiar. Acho que ela merece uma denominação exclusiva, até para se impor como conceito autônomo e eficaz. Tentei alguma coisa e não consegui.
Homomento é muito cacofônico. Gaymento também não soa bem. Cairíamos fatalmente no gueimento, porque o "y" oficialmente não existe em nosso alfabeto. E a forma verbal poderia incutir um conceito equivocado, como o de se tornar gay, e lá ficaria o Português machucado de novo:
– Sabia que o Pedrão vai gueizar?
Poderia indicar tanto que ele vai se unir a outro homem como que optou por assumir sua homossexualidade.
Nunca fui criativo em nominar coisas e pessoas. A Ieda quase se separou de mim quando a Clarissa nasceu e eu quis que ela se chamasse Radojka (pronuncia-se radóika).
Agora, aposentado, estou definitivamente preguiçoso para as nuances conceituais do Direito, embora às vezes me sinta moralmente coagido a postar alguma matéria jurídica.
Ainda não encontrei o homem da minha vida. Talvez quando o encontrar, me interesse mais (brincadeira, Ieda).
– Ei, Ieda, é brincadeira, é brincadeira, eu juro! Cruzes!
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 11:01
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NOTAS DE RODAPÉ IV

(1) Percorre a Internet um e-mail, que a mim chegou através do Giovani Mainhardt, com o assunto: Barão do Itararé ou Nostradamus? Diz ele: Das páginas do livro "Máximas e Mínimas do Barão de Itararé", Editora Record, 1985, retiro esse pensamento, contido na seção "Observações Morais, Satíricas ou Irônicas" (pág. 115): "Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio".
(2) O presidente Lula, depois de muita tergiversação, assinou medida provisória autorizando o plantio de soja transgênico, entre choros e lágrimas da ministra Marina da Silva. Tem-se a impressão de que o país é um imenso laboratório de experimentações desnecessárias, tanto o vai-não-vai da administração. Quer descobrir ouro numa mina esgotada.
(3) Mas os agricultores já iniciaram a plantação. A medida não deixa de ser uma espécie de capitulação para fugir de uma conseqüência inadministrável. Os plantadores teriam que ser considerados tecnicamente infratores (eu já disse, aqui, que está muito fácil se transformar em bandido neste país). O Governo deve ter concluído que não teria condições de punir ninguém. Quando a infração é coletiva e os infratores são milhares o bandido, na verdade, é outro.
(4) A velhice vem me trazendo a ranzinzice. Acho que aquele médico alemão, o Doutor Alhzeimer, anda por aqui escondendo minhas coisas, bloqueando meus pensamentos, colocando palavras na minha boca e me fazendo um crítico amargo. Não era bem isto o que eu queria. Eu sempre fui muito tímido, feio e crítico ao mesmo tempo em que me projetava para o futuro um velho efusivo, bonito e bonachão. Acho que não vai dar. Vou ficar contente se conseguir não me transformar num dinossauro.
(5) Mas quando vejo notícias sobre o imponderável não posso conter minha indignação. Ocupa espaço de jornais e revistas a notícia de que Patty, irmã de Marge Simpson, é lésbica, conquistará mulheres depois de ser esnobada por homens, e vai se casar com sua namorada. Homer vai ser ordenado pastor e realizará o casamento. Citei os personagens apenas com base em referências porque não assisto Os Simpsons nem sei quem são esses que nomeei. Mas será que um acontecimento futuro sobre personagens que não existem pode ser notícia? Tanta coisa real mais importante e ficam noticiando fantasias. O mundo está ficando muito surrealista para mim, de Taió.
(6) Tenho criticado muito comerciais da televisão. Os da Casas Bahia são um exemplo acabado da mais pura chatice, se é que a chatice pode ser pura. Mas nem tudo é baboseira. Pena que é regional, pois sua finalidade é conseguir fundos para a construção do multipalco do Teatro São Pedro. Mas há três chamadas muito bem feitas aqui que valem por um programa do Ratinho, ou da Hebe, ou do Faustão. Uma é da mulher que simula dor de cabeça para não manter relações sexuais com o marido; outra é do jogador de futebol que sofre uma falta e teatraliza como se tivesse fraturado todos os ossos do corpo; a terceira é do garotão que chega pela primeira vez com a namorada na casa dos pais dela e encena um puxa-saquismo só comparável ao do Tibério, marido da Clarissa, quando veio a primeira vez aqui (foi logo me chamando de sogro). A mensagem: “Já que você está acostumado a fazer teatro, ajude a construir o multipalco”. Dois deles podem ser baixados por aqui. Mas para ver é necessário um programa rode vídeo no modo .mov.
(7) Eu gostava muito mais da hora do “nãna, nãna” da minha infância do que dessa criação sem criatividade de uma marca de cerveja. Meus pais colocavam meu irmão e a mim na cama, faziam carinho em nossas cabeças, e nós pedíamos “bênção, pai, bênção, mãe”. Eles respondiam “Deus te abençoe!”. Era algo um tanto maquinal, mas a gente dormia com a sensação de que estava protegido contra todos os males das noites do mundo.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 11:54
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O FRANCISCO FERNANDO FERNANDES DELLANDRÉA ESTÁ DE ANIVERSÁRIO HOJE!

Um dia, há exatos 20 anos, um ET baixou em nossa casa, fazendo alarde, a cavalo num cagaço que a Medicina pregou no pai: problemas anestésicos provocaram uma parada respiratória na Ieda e o guri quase que nasceu órfão.
Por algumas horas, eu me senti viúvo. Fugi para telefonar para o meu amigo Tonico Raymundi, médico de Taió, que me tranqüilizou. Na maternidade só me assustavam. Mas tudo se resolveu de forma boa.
O nome era para ser Tito Lívio. Mas na última hora, pela emoção, foi decidido que homenagearíamos os dois avós. E ficou tudo isso aí, que ele já abreviou.
O piá foi crescendo mas não se alimentava direito. A Ieda se animava quando ele comia pelo menos uma colher de papinha. Prevíamos que seria nanico e magrela. Quando dissemos ao Dr. Renato, pediatra, que o achávamos exageradamente magro, ele apontou uma foto de seus filhos sobre a mesa e fomos obrigados a nos conformar. Hoje é o maior da família: mede 1,76 m, o que não é muita vantagem. Não é o mais gordo porque este privilégio é do pai como o foi, por algum tempo, o de usar os cabelos mais compridos. O passar dos anos e a inadaptação a perucas fulminou esse direito.
Enviei, depois, uma carta ao mesmo médico Raymundi, que é gaúcho, dizendo: “Nossa vida mudou muito depois que nasceu o piá. Todos os nossos conceitos e princípios sobre educação de filhos foram por água abaixo. Mas acho que a culpa é minha. Ninguém mandou botar tantos “ff” no nome dele. F.F.F.D. É f(*)da”.
Nasceu meio de guampa torta, como diz o gaúcho querendo expressar destemor, pois se mostrou desafiador. Certo dia, em 1987, eu estava no escritório brigando com o meu primeiro micro, um Expert MSX da Gradiente, daqueles que nem disquete possuía.
Eu gravava uma sentença enorme numa fita K-7 – alguém lembra desse sofrimento? – e isto demorava um século. Acho que estava de joelhos, rezando para que não travasse. Mas a luz oscilou, o micro desligou e perdi a sentença. Dei uma porrada na mesa, disse um palavrão, e abaixei a cabeça, desanimado. Teria que começar tudo de novo.
Percebi um arrastar de chinelos se aproximando e na porta surgiu ele. Com a autoridade de seus 3 anos, calçando meus chinelos, e me olhando de cenho franzido (ele já nasceu de cenho franzido), indagou:
– Pu quê que tu pode dizê fidaputa e eu não?
Liberei geral:
– Podes dizer quando tu quiseres também e pronto!
Saiu de fininho.
Em tudo o que se meteu foi bem sucedido. Venceu torneios de karatê (quebrou a quina de uma parede de alvenaria e uma janela para mostrar seus progressos) e foi campeão de kart (de prêmio, ganhou um Fiat Uno que amenizou os gastos do paitrocinador). Sofreu um acidente sério, mas aqui também foi só um susto: o capacete rachou mas a cabeça permaneceu íntegra. Depois elegeu o piano, alçou-o à categoria de sua projeção profissional, e tem sido muito elogiado. Sobre isto sou suspeito e não falo. Há coisas que pertencem ao Futuro.
Recebeu apoio integral quando se dedicou à Música. Fiz comparações sobre a vida de um juiz, que lida com aquilo que há de socialmente pior, e a de um artista, que sobrevoa essas misérias e se fixa num patamar moralmente superior, longe da degradação dos homens.
Não é bem assim. Descobri que há indignidade no mundo artístico também. Por exemplo: colocar lâminas de gilete entre as teclas do piano para prejudicar um candidato em concurso...
Cuida, filho, com as pedras e as giletes do caminho, mas siga em frente.
Quando estás sentado ao piano, tocando, tu te envolves apenas com transcendências e o mundo é teu. O resto é circunstancial.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 00:51
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O "IMPRENSA MARROM" ESTÁ FORA DO AR NOVAMENTE.

O blog Imprensa Marrom está fora do ar novamente. Mantive contato com o Fernando, o responsável, que me enviou e-mail:
“Por inacreditável que pareça, a liminar voltou a produzir efeitos. Na verdade, ela não chegou a ser 'cassada', mas tão somente foi passada a instrução específica, ao servidor, de que apenas o texto supostamente ofensivo, com os comentários idem, deveriam sair do ar. Mas não. Pelo visto, a intenção é tirar TODO O BLOG, com todos os textos e comentários. Sinceramente não entendi. Assim que tiver comigo maiores detalhes, passo para você”.
Eu também não entendi, Fernando.
O problema da Justiça é que ela é cega. Além disso, lhe colocam vendas nos olhos...
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 13:13
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UTILIDADE PÚBLICA RESTRITA AOS BLOGUEIROS E SEUS LEITORES

Os juristas Cynthia Semíramis e Túlio Vianna escreveram a quatro mãos um artigo que interessa a todos os blogueiros cujo objetivo não seja o de apenas registrar amenidades ou futilidades (quando entrei no mundo bloguista me disseram que blog era coisa de adolescente). Aqueles que pretendem criticar e/ou elogiar devem estar atentos a possíveis ataques de vermes malditos, como os que atingiram o Imprensa Marrom. É bom, por isto, que leiam o Manual de Sobrevivência na Selva de Bits, publicado também no Observatório da Imprensa, cujo link está aí do lado.
O Observatório publicou, também, o artigo, A Lei e a Rede (A Justiça às turras com a Internet), de Alexandre Cruz Almeida, abordando o mesmo assunto, e que traz uma conclusão lógica que coloca no seu devido lugar a cabotina vanglória do jeitinho brasileiro: “Todos também adoram conclamar a liberdade de expressão. Ninguém defende a liberdade de expressão mais do que eu, um liberal libertino que fala o que lhe dá na veneta. Mas vamos lembrar que esse conceito não vale nada sem a salvaguarda legal de que cada um é responsável e imputável pelas besteiras que falar. Se chegarmos a uma situação de fato em que a internet esteja fora do alcance da lei, a rede rapidamente se converterá em uma terra de ninguém de calúnias e difamação e perderá toda a credibilidade. Para que a internet seja a ferramenta democrática de comunicação que já é não é necessário – e nem desejável – que ela esteja à margem da lei”.
A sempre atenta Cora Rónai sugeriu, nos últimos dias, dois excelentes programas, um elaborado e outro encampado pelo Google, que já instalei no meu micro e que facilitam: um (Google Desktop), a busca de arquivos no seu próprio micro, com uma eficácia muito superior ao Pesquisar do Windows; outro, a localização e edição de arquivos de imagem (Picasa). São ferramentas que o uso selvagem e constante do micro exigem em nome da racionalidade e da racionalização.
O Minuano, que consta ali do lado por ter propiciado, junto com a Anja Azul, meus primeiros contatos com o mundo dos blogues, traz dois textos interessantes. Um sobre um anacrônico imperialismo argentino-brasileiro, que tenta estender seus tentáculos sobre a política do vizinho Uruguai, em que transcreve parte de artigo do Mídia sem Máscara (procurei rapidamente mas encontrei vários sites com esse nome e não identifiquei o apontado por ele); outro sobre as previsões das eleições americanas, bem diversas – segundo ele – do enfoque da Rede Globo em seus noticiários. A análise do mérito fica por conta de quem lê.
Modestamente, e para aqueles que dispõem de conexão ADSL e achem cansativo o uso dos programas em que seja necessário teclar para falar à distância, como o MSN ou assemelhado, sugiro o Skype, que é facílimo de configurar, fácil de usar, e permite falar ao vivo com outro ser que também fale e ouça em qualquer lugar do planeta. Óbvio que é preciso um microfone e caixas de som ou fones de ouvido. Não é nenhum primor gráfico, mas é funcional e permite configurações como as do MSN: a exibição de sua imagem, a fixação de um status e a busca de contatos, chamadas, etc.
Foi-me sugerido por meu irmão Celito, de Florianópolis, que é um pouquinho mais novo do que eu na idade, mas bem mais experiente no campo da informática. Conversamos, no primeiro dia, quase uma hora e meia. Minhas brigas com o micro e suas manhas serão agora resolvidas com maior facilidade. Sempre que dá algum “bode”, aqui, é ele quem me socorre.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 09:08
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