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UMA TENTATIVA DE CONFIRMAR DIOGO MAINARDI DOMESTICAMENTE

Sou fã incondicional do Diogo Mainardi. Cancelaria a assinatura da Veja se ele deixasse de escrever nela. Aliás, não. Teria que pensar mais: é que o Millôr Fernandes voltou. Fiquei anos sem assinar a IstoÉ porque o Millôr saiu. Até escrevi à redação, protestando. Como sempre, ninguém me ouviu.
O Diogo, na última Veja, manifesta fundado temor pela sorte de Nova Iorque após Lula passar por lá. Declina, como exemplo, desgraças ocorridas em outros países pelos quais circulou o presidente.
Eu já tinha tido essa idéia. Sem alcance internacional. A minha visão é doméstica. Mas será possível que, além de sua clarividência normal, ele (o Diogo, não o Lula) tem o poder de penetrar do computador da gente, mesmo quando desligado, passear entre os chips e HDs e captar idéias? Não creio. Deve ser coincidência. Até porque ele fatalmente iria achar minha abordagem muito fraca.
Mesmo assim, vamos a ela. Cada um apeia do seu jeito, me dizia um gaúcho velho se refazendo de um tombo do cavalo.
Eu vinha coletando dados para uma retrospectiva de fim de ano. Mas se demorar, o elenco das demonstrações de que Lula é pé-frio vai crescer e não caberá num post.
A idéia surgiu quando o dólar começou a baixar, há alguns meses, e um desses puxa-sacos de plantão qualificou Lula de “Presidente Pé-Quente”.
Mas sinistros terríveis e incomuns, nunca vistos antes no país, ocorreram após ele assumir e desautorizam a qualificação:
Em agosto de 2003 o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, chefe da missão das Nações Unidas no Iraque, morreu em atentado contra a sede da ONU em Bagdá.
No mesmo mês explodiu um foguete brasileiro na Base de Alcântara, no Maranhão, matando 21 de pessoas.
Houve o apagão na Ilha de Santa Catarina, durante quatro dias (29 a 31/10 e 1º/11), com enorme prejuízo à população que ficou 55 horas às escuras.
O primeiro furacão da era Brasil atingiu o Sul em março deste ano provocando danos e pelo menos duas mortes. Cerca de 3 mil pessoas em Santa Catarina tiveram as casas destruídas ou danificadas por ventos, chuva ou ondas. Aqui no Rio Grande do Sul 150 famílias foram desabrigadas
Em abril os índios cintas-largas torturaram e mataram 29 garimpeiros desarmados na reserva Roosevelt, no Maranhão, num dos piores massacres da história recente do País. O episódio chamou a atenção por sua selvageria.
Houve recrudescimento recorde das invasões dos sem-terra que agora, próximo às eleições, estão na moita. Voltarão com força total logo em seguida, podem esperar.
Não anotei dados mais exatos, mas foi notícia, aqui e ali, que este ano morreram quase cem brasileiros em razão de chuvas e deslizamentos; o desemprego bateu recordes; houve seca braba no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; a safra de grãos apresentou os níveis mais baixos dos últimos anos.
Não sou supersticioso e não acredito em bruxas. Nem sei se las hay. Por via das dúvidas se o Lula passar por aqui vou me proteger. Ele pode ter muitas qualidades que eu desconheço. Mas, definitivamente, pé-quente ele não é.
Putz! Agora descobri porque demorei tanto a digitar este texto. Só usei a mão direita: a esquerda ficou o tempo todo fazendo figa. Puro reflexo!
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 06:40
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CONCERTO SESI: NELSON FREIRE E MARTHA ARGERICH

É preciso sensibilidade artística superior e arrojo incomum para organizar um evento como o que o Teatro do SESI, cujo Diretor Artístico é o renomado pianista e professor Miguel Proença, apresenta em Porto Alegre no dia 1.º de outubro, às 21,00 horas: um concerto com a argentina Martha Argerich e o brasileiro Nelson Freire, dois dos maiores pianistas em atividade no mundo, hoje.
Ambos foram incluídos pela Philips na coleção “Os grandes pianistas do Século XX”, que mapeou a história do piano no século passado, elaborou uma lista de 74 nomes de gerações e nacionalidades diferentes e lançou uma coletânea de 200 cds com especial esmero.
A dupla se apresenta na série Concertos SESI interpretando obras de Brahms, Rachmaninov, Lutoslawski, Schubert e Ravel.
O concerto encerra a turnê brasileira de seis apresentações dos dois virtuoses.
O Teatro divulga os preços dos ingressos em seu site: Platéia baixa, R$ 80,00; platéia alta, R$ 60,00; mezanino, R$ 40,00. Há desconto de 10% para titular e acompanhante do Clube do Assinante Zero Hora.
Postos de venda: SESI Farmácia do Centro (Rua Uruguai, 19) e Moinhos de Ventos (Av. 24 de Outubro, 826) das 9,00 às 18,00 horas. No dia do evento, na bilheteria do teatro a partir das 17,00 horas. Pode-se adquirir o ingresso pelo fone 3311.1137, com taxa de R$ 10,00 pela entrega domiciliar.
O teatro conta com amplo estacionamento, ao preço de R$ 5,00, incluindo seguro contra roubo e incêndio.
Há transporte público e personalizado para o local. Basta consultar o site do teatro – que não mantém contrato com as empresas transportadoras – para conferir.
O concerto é imperdível não só para quem gosta de música erudita, mas para os que apreciam a arte, em si, não necessariamente apenas musical, mas como expressão lídima do sentimento humano.
Só para se ter uma idéia da grandiosidade do evento, a Folha Online noticiou que “em seu primeiro concerto em São Paulo, os pianistas Nelson Freire e Martha Argerich tiveram de voltar ao palco para executar quatro "bis", ovacionados de pé por cerca de 1.500 pessoas – a lotação completa da Sala São Paulo”.
É uma raríssima oportunidade de admirar dois indiscutíveis virtuoses, lado a lado, num mesmo concerto. Não creio que tão cedo Porto Alegre tenha outra oportunidade de assisti-los. Aliás, não sei se no Brasil se conseguirá reunir novamente os pianistas, pois esse tipo de apresentação não é comum em nenhum lugar do mundo.
O encontro é de difícil consecução pelos valores em jogo – e não estou falando apenas no aspecto financeiro, embora este influencie de forma considerável. Em São Paulo os ingressos custaram entre R$ 130,00 e R$ 250,00 e esgotaram bem antes dos concertos.
Os nossos, aqui, já foram adquiridos.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 21:43
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"CAUSOS" DA VIDA DE UM QUASE-JUIZ: TROCANDO DE ROUPA NUM TÁXI.

Sempre tive a impressão de que minha vida é linear e sem fatos interessantes, quer pelo lado do ridículo, quer pelos caminhos edificantes do altruísmo. Pensando bem, divagando no caminho da volta, descobri alguns que podem ser considerados inusitados.
Um ocorreu no concurso para juiz. Pode parecer engraçado, mas para mim aquelas horas foram angustiantes. Só mais tarde eu ri.
Vim a Porto Alegre para uma entrevista que até hoje não sei para que servia. Eu tomava o ônibus às 22,00 horas em Pouso Redondo, perto de Taió, e vinha por Lages, Vacaria, São Marcos, Caxias do Sul até Porto Alegre. Chegava por volta de 7,30 horas.
A Penha naquele tempo só colocava ônibus vencidos nessa linha, sem calefação ou ar condicionado, e no inverno padecia-se muito frio na serra. Eu vestia, por baixo, dois pares de meia, ceroulas, blusas e forrava o tênis com jornal.
(Numa viagem fiquei condoído com o sofrimento de uma moça desprevenida, não habituada ao itinerário. Ela tremia, coitadinha, e dividi com ela a manta que previdentemente trazia).
Cheguei e fui a uma farmácia comprar sabonete para tomar banho – a rodoviária dispunha de chuveiros – e vestir a fatiota para bem impressionar o entrevistador. Então descobri que esquecera a leva-tudo no ônibus, com a documentação e o dinheiro. Apavorei-me.
Voltei o mais rápido possível. Era tarde: o ônibus fora levado à garagem, no Bairro Navegantes, que eu nem sabia onde ficava.
Convenci um taxista a me levar até lá. Prometi o meu relógio se não conseguisse recuperar o dinheiro.
Na garagem o atendimento demorou. Estavam limpando o ônibus. Suspirei aliviado quando a servente entrou no escritório com a carteira. Logo a apontei para a atendente que pediu um documento para comprovar. Repeti, um tanto surpreso, que os meus documentos estavam todos no interior da leva-tudo.
Boa vontade nunca foi predicado de quem cumpre rotinas ordinárias e as vê quebradas por circunstâncias ocasionais exigentes de um esforçozinho pouco além do usual. Mas minha carteira de identidade era de 1977, estávamos em 1981, e não havia muita diferença entre a minha fachada e a foto. Tive que assinar uns papéis mas o pior fora vencido.
Eu que pensava! A entrevista fora marcada para as 9,00 horas e já eram 8,30. Eu me sentia desconfortável por uma noite mal dormida. Os cabelos sebosos exigiam banho. Mais do que isto, precisava trocar de roupa.
Perguntei ao taxista quanto demoraria até o Tribunal. Se tudo transcorresse bem, uns vinte minutos. Não dava para fazer mais nada.
O táxi era um fusca, graças a Deus sem o banco do caroneiro. Eu pesava 116 kg, na época. Mas não tive dúvidas:
– O senhor dirija, por favor, o mais rápido possível e não se assuste com o que vai acontecer aqui. Tenho uma entrevista importante às 9,00 horas e sou obrigado a trocar de roupa.
Fui tirando a roupalhada que vestia. Foi difícil naquele espaço exíguo, mas consegui me trocar. A cada gemido que eu dava o taxista me olhava pelo retrovisor, mais desconfiado que bode em canoa...
Cheguei na hora, com um garbo ressabiado, aparentando naturalidade, de terno e gravata. Com a mala nas mãos mais parecia um mascate do que um candidato a juiz. Deixei-a na Portaria e subi para a entrevista.
Nada contei ao entrevistador. Para um novato não ficava bem ir logo relatando intimidades. Poderia ser mal interpretado. Em cabeça de juiz não se deve confiar.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 07:51
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SÓ AMANHÃ
Ontem prometi que iria postar matéria sobre uma aventura minha num táxi em Porto Alegre.
Entretanto, duas coisas me fazem adiar a postagem.
Uma alegre. Descobri um site sobre Dellandreas e estou redigindo um e-mail, no meu Inglês deficiente, para um primeiro contato.
Mas na verdade, mesmo, não estou motivado a contar um fato anedótico – embora para mim tenha sido, até certo ponto, angustiante – no dia em que, se fosse vivo, meu pai estaria completando 83 anos.
Fica para amanhã.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 08:35
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NOTAS DE RODAPÉ

(1) Esta seria mais adequada ao Português Hoje. Mas como o Glauco anda muito atarefado, lá vai. Não pelo conteúdo lingüístico, é crítica mesmo. Alguns apresentadores de tevê complicam a pronúncia de certas palavras. Dia 23, no Jornal Nacional, falando sobre duas reféns italianas no Iraque, a repórter noticiou que um grupo ia divulgar um vídeo provando a “decaptação” de ambas. Decapitou o vocábulo retirando um “i” de onde não devia. Mas continua a implantação de “ii” onde não hai: pissicologia, opição (cuidado, revisão, é uma palavra só), abistrato...
(2) Há uma seqüência impressionante de chibatadas fonéticas no atual Ministério. Tipo “O guverno não tem upusição, mais isto é um poblema da própia upusição”. O distúrbio é articulatório. Fonética e politicamente.
(3) A ministra Marina Silva, no dia campanha mundial contra a poluição (Deixe seu Carro em Casa), foi de ônibus para o trabalho. Demagogia desnecessária. Gostaria de ver se ela, aqui em Porto Alegre, com o céu desabando, faria a mesma coisa. Teria que ir de canoa.
(4) GOVERNO SE ASSUSTA E COMEÇA A DESAQUECER A ECONOMIA – é a manchete de capa de O SUL de hoje. Quer dizer que... Sei lá!
(5) Haverá excesso de arrecadação tributária este ano, segundo o noticiário de ontem. “Excesso” foi a palavra usada. Se houver, mesmo, devem providenciar a devolução: se há excesso é porque alguém pagou demais e está sobrando.
(6) O presidente Lula desculpou-se pela cantada de votos para a candidata Marta Suplicy. Eu nem sabia que ele os havia pedido, mas a exculpação está em todas as horas em todos os noticiários. A um ato falho segue-se um racional e racionalizado. Isto é que é golpe publicitário.
(7) Nossa legislação é prenhe de casuísmos. Por que um presidente não pode, num discurso eleitoral, pedir votos para os candidatos de seu partido? Surpreendente seria se ele os pedisse para a oposição. Se bem que, pelo que recordo, isto vai contra os princípios do PT. Ou ia, quando era oposição.
(8) O ministro José Dirceu está em Porto Alegre. Não vou sair de casa. Temo algumas eminências pardas. Comparo-as a um foco ectópico do átrio cardíaco, igual àquele que provoca minha fibrilação. Algo assim: o presidente Lula é o foco principal que deveria comandar os destinos da nação. Mas de vez em quando um foco secundário, ectópico, se intromete e altera o ritmo cardíaco da administração.
(9) A Gisele Bündchen está nos noticiários por atuar no filme Táxi. Dizem que ela fica nua, mas não esclarecem se no interior ou fora do veículo. Eu queria ver é ela conseguir tirar a roupa dentro de um fusquinha. Eu já tirei. Nada demais, dirá a maioria dos jovens da minha geração. A maioria fez isto. Pois é. Mas eu tirei a roupa no interior de um táxi no centro de Porto Alegre e a caminho do Tribunal de Justiça. À luz do dia. No próximo post eu conto.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 19:43
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HOJE SOU EU NO "JUSTIÇA GAÚCHA: UMA HISTÓRIA DE VIDA"

Se alguém quiser assistir ao programa que vai ao ar hoje, dia 24, a partir das 23,00 horas, pelo canal da Assembléia Legislativa do Estado (canal 16 da NET e 24 em UHF), pode fazê-lo tranqüilamente.
O horário adiantado não significa que seja impróprio para menores. Pelo contrário, é um programa ameno, excepcionalmente bem conduzido pelo Joabel Pereira, um jornalista sério e competente.
Procura-se desmistificar a figura do juiz entrevistando-se os aposentados que, por si só, são automaticamente desmistificados quando se aposentam. Hoje sou eu... Foi tão informal que quando pensei que ia começar já havia terminado.
O horário vai impedir que a maioria veja a minha fachada e ouça a minha história de vida. Na verdade, quem por acaso cochilar defronte à telinha não vai se decepcionar.
Não sei como me saí. Nem vou poder ver. Moro em Porto Alegre, no perímetro urbano, mas há um morro defronte ao Jardim Urubatã que barra o sinal UHF. Não sou assinante da NET e a DirecTV não veicula o canal da Assembléia.
Não vou poder nem me envergonhar nem imaginar a reação dos telespectadores diante de minha performance. Farei isto depois, no mais extremo anonimato. O Joabel me prometeu uma fita e vou para o Passo Manso, interior de Taió, vê-la com fones de ouvido para que nem o vizinho mais próximo – que mora a uns dois quilômetros – possa ouvir.
O programa foi gravado e não adianta telefonar para querer falar comigo no ar, ou fora dele, ou marcar encontro. Escrevam neste blog. Para os mais gozadores já vou alertando que há um mecanismo que permite que eu delete comentários. Nunca reprovei nenhum mas...
Abaixo estou publicando a Sentença do Beijo, abordada na entrevista. Foi a mais notória que proferi, embora não a considere a mais relevante, em si. Referi a circunstância ao Joabel e ele não perdeu tempo: pediu que eu comentasse as que julguei mais importantes.
Relatei duas, do tempo em que era juiz em Novo Hamburgo, e que considerei justas porque favoráveis ao povo, em geral.
Ambas foram reformadas pelo Tribunal.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 12:18
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A "SENTENÇA DO BEIJO"
Autos: PROCESSO CRIME n.º 1.981/90 Autora: JUSTIÇA PÚBLICA Réu: P. J. S. P. Juiz Prolator: ILTON CARLOS DELLANDRÉA
Vistos, etc...
1. P. J. S. P. foi denunciado por infração ao artigo 214, combinado com o artigo 226, inciso III, do Código Penal, porque no dia 08 de agosto de 1.981, por volta das 17,30 horas, na Av. Ângelo Macalós, nesta cidade, próximo ao depósito da Brahma, agarrou a vítima C. O. S. e passou a beijá-la.
2. O réu, interrogado (fls. 28), nega a imputação, afirmando que apenas fizera uma brincadeira com a vítima, colocando a mão sobre o ombro dela e falando de namoro. Em Alegações Preliminares, se diz inocente.
3. Foram ouvidas a vítima e três testemunhas de Defesa. O processo trilhou caminhos demorados e meandrosos à procura de uma testemunha, J. A. P. O., de cujo depoimento desistiu o Ministério Público, por não ter sido encontrada.
4. Nada se requereu na fase do artigo 499 do Código de Processo Penal. Em Alegações Finais, o Ministério Público opina pela absolvição, por insuficiência de provas, no que é secundado pela Defesa.
5. Certidão de Antecedentes a fls. 19, noticiando que o réu já foi processado anteriormente. Certidão de Nascimento da vítima a fls. 15. Certidão de Casamento do réu a fl. 24.
6. É O RELATÓRIO. DECISÃO:
7. “A juventude não quer aprender mais nada, a ciência está em decadência, o mundo inteiro caminha de cabeça para baixo, cegos conduzem outros cegos e os fazem precipitar-se nos abismos, os pássaros se lançam antes de alçar vôo, o asno toca lira, os bois dançam” (UMBERTO ECO, “O Nome da Rosa”, página 25).
8. No Espumoso, P. é processado porque beijou C. que não gritou por socorro porque o beijo selou sua boca. Que todas as maldições recaiam sobre a Sociedade que condenar um homem por beijar uma mulher que não reage porque o próprio beijo não o permite.
9. Pois como pode o beijo não consentido calar uma boca, por mais abrangente que seja? Pois como pode alguém ser reduzido à passividade por um beijo não consentido? Não me é dado entender dos mistérios dos beijos furtivos, queridos-e-não-queridos, mais queridos-do-que-não, roubados-ofertados nos ermos do Espumoso tal assim como em todas as esquinas do mundo.
10. Expressão lídima do amor, dele também se valeu Judas para trair o Nazareno. Mas não é nenhum destes o caso dos autos. O beijo aqui foi mais impulsivo, mais rápido, menos cultivado e menos preparado. Foi rasteiro como um pé-de-vento que ergue os vestidos das mulheres distraídas.
11. Aliás, sua própria existência é lamentavelmente discutível. Nega-o P., que dele deveria se vangloriar; confirma-o C. que, pudoradamente, deveria negá-lo. Não o ditam assim as convenções sociais?
12. A testemunha-intruso J. A. P. O. não foi encontrada, pelo que a prova restou irremediavelmente comprometida. Ainda bem! Qual a glória de um juiz em condenar um homem por ter beijado uma mulher, nos termos deste processo? Por este pecado certamente não serei julgado pelo Supremo Sentenciador.
13. Julgo, pois, improcedente a denúncia de fls. 2/3, para absolver P. J. S. P. da imputação que lhe é feita, com base no artigo 386, inciso VI, do Código de Processo Penal.
14. Publique-se, registre-se e intime-se.
Espumoso, 04 de outubro de 1.984.
ILTON CARLOS DELLANDRÉA Juiz de Direito
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 10:19
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CHOVE NA MINHA CAPACIDADE MENTAL

A minha mentalidade é tacanha. Não consigo entender certas coisas, por mais que me esforce. Acho que é uma dificuldade natural de absorver idéias. Nem sei como fui aprovado no concurso para Juiz. Acredito, até, que se algum advogado mais atilado resolver tomar alguma providência poderá anular as sentenças que prolatei argüindo minha incapacidade mental.
Hoje, por exemplo, alguém teve a idéia de fechar o trânsito de automóveis na avenida João Pessoa para conscientizar os motoristas sobre a poluição. Mas o dia acordou com chuva torrencial, acho que foi a manhã mais chuvosa do ano. Resultado: engarrafamento, gente chegando tarde ao trabalho e muita irritação. Certamente não vai produzir o menor efeito.
Vão dizer que o fechamento estava programado e que integra uma campanha mundial. Tudo bem. Mas não haveria ninguém com autoridade para, nessas circunstâncias especiais, adiar o evento? Os motoristas, fechados em seus veículos, com pouca visibilidade, sequer poderiam adivinhar os motivos da paralisação. Debaixo da chuva não apareceu ninguém para divulgá-los...
Há alguns anos, no centro, presenciei uma cena deplorável: dezenas de deficientes mentais (outrora chamados de mongolóides) foram reunidos na praça defronte ao antigo Palácio da Justiça e conclamados a se darem as mãos e “abraçar a praça”...
Não sei de qual mente luminosa partiu a idéia, não sei dos motivos nem do resultado. Nem quem idealizou tal abraço. Os deficientes jamais teriam esse tipo de iniciativa.
Estava quente e pouco depois alguns começaram a se sentir mal, desmaiaram, vomitavam, e a brilhante manifestação foi interrompida.
Acabaram protestando contra seus mentores da melhor forma possível: sentindo-se mal e desmaiando, ainda que não tivessem consciência de que isto era um modo muito peculiar de protestar.
Essas são coisas que não consigo entender.
Na próxima manifestação de deficientes vou participar, dar as mãos a eles, abraçar a praça e vomitar nos pés dos organizadores. Acho que ali é o lugar adequado para mim. Os deficientes têm suas limitações mas sabem que certas coisas são impraticáveis: vomitar para o alto, por exemplo, é contraproducente.
Assim como fechar uma avenida movimentada em Porto Alegre, num dia de chuva torrencial, para alertar motoristas de que há poluição em São Paulo.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 13:05
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COISAS QUE DETESTO EM FILMES

Partos explícitos com mulheres berrando. Na vida real nem todas gritam. Não sei porque a maioria dos diretores acha criativo inserir este tipo de cena em seus filmes. Já foi criativo uma vez. Hoje é banal e irritante. O pior é quando a criança nasce com as feições de quem tem um ano de idade, pele lisinha e cor normal, quando se sabe que elas nascem feias, vermelhas e enrugadas. Em alguns casos tem-se a impressão de que se o parteiro não cuidar o recém-nascido sai saltitando ventre afora.
Em documentários cansei de cenas de predação de animais mais fortes por mais fracos, ainda que justificadas pela lei da sobrevivência e pelo equilíbrio ecológico. Tornaram-se banais, são carnificinas, e às vezes sem sentido no contexto em que veiculadas. Se o leão mata o veado e a hiena se aproveita dos restos e os corvos dos restos dos restos e isto faz parte da lei de sobrevivênvia, tudo bem. É assim mesmo. Mas mostrar todos os dias chateia!
Também não gosto de certos exageros nos filmes que abordam o nazismo. Foi uma página negra na história mas há que se levar em conta que, apesar de toda a lavagem cerebral aplicada por Hitler e seus asseclas, havia oposição na Alemanha e nem todos os alemães aprovavam a política do ditador. O pior é quando, mesmo nos filmes sérios, caricaturizam esse povo que já pagou por seus erros e é um dos mais cultos do mundo, que nos deu Bach, Mozart, Beethoven, Brahms, para ficar só no campo da Música.
Estão agora criticando um filme que exibe Hitler acariciando animais e atencioso com crianças. Não há nada demais. Se ele fosse bandido desde pequeno não teria chegado onde chegou. Só no Brasil é que quem já foi condenado pode voltar a concorrer em eleições, mesmo pendente contra ele ordem de prisão. Aliás, entre 3 e 5 anos de idade Hitler devia ser uma gracinha, como qualquer criança. Depois é que veio a insanidade. Além disto, conheço muita gente que chama cachorro de filho e filho de cachorro e que é considerada boníssima...
Não gosto de cenas de sexo sobre a mesa ou o balcão da cozinha. Que mau gosto! Sem contar o perigo de alguém machucar-se numa faca, espetar-se num garfo, lambuzar-se de catchup ou mostarda, levar um choque na torneira elétrica, queimar-se numa das bocas do fogão ainda quente... Porque essas cenas ocorrem sempre com avidez, com pressa, com sofreguidão. Não deve ser agradável passar a mão numa bunda suja de água de louça ou ensebada de margarina.
Não posso deixar de fazer uma comparação. Hoje, mesmo as mulheres que transam a cada minuto num filme nunca engravidam. Antigamente um beijo engravidava. Viva a pílula!
Também não gosto de crianças fazendo papel de adultos ou de adultos fazendo papel de crianças. Não há nada mais ridículo do que um guri almofadinha, de óculos, terno e gravata, imitando um executivo.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 11:55
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HOJE É O FERIADO MAIS CULTUADO DO RIO GRANDE DO SUL

Hoje é feriado no Rio Grande do Sul. Em 20 de setembro de 1835 os farrapos sitiaram Porto Alegre.
A Revolução Farroupilha, iniciada em março daquele ano e encabeçada pela elite riograndense, foi um movimento contra decisões da Coroa que onerou tributariamente produtos gaúchos (principalmente charque e couro) e facilitou o ingresso de produtos semelhantes do Uruguai e da Argentina, criando uma situação iníqua e economicamente prejudicial à província.
Há quem veja inspiração ideológica da Revolução Francesa, pois os insurretos pregavam a queda da Monarquia (o seu auge foi a proclamação da República Juliana, em Laguna, Santa Catarina). Seu lema era Liberdade, Igualdade e Humanidade.
No campo de batalha os farroupilhas foram vencidos. Por isto há gaúchos (sou catarinense) que desqualificam as comemorações: não se festeja uma guerra perdida.
Em 281 a.C. Pirro, Rei de Epiro, cruzou o Mar Jônio (hoje Adriático) com um exército de 28 mil homens (infantaria e cavalaria) e 20 elefantes para conquistar Roma. Venceu a batalha em Heracléia mas sofreu tantas perdas que, ao ser saudado por um oficial, retrucou: "Mais uma vitória como esta e estarei arruinado". A expressão vitória de Pirro integra a coletânea dos ditos populares e se usa sempre que se alcança um objetivo em que as desvantagens sobrepujam os benefícios.
Assim, se há vitórias que devem ser pranteadas há também derrotas que podem ser comemoradas. Os farroupilhas conseguiram, na pacificação, em 1845, um tratamento mais justo por parte da Coroa e, mesmo vencidos, não sofreram punições. Outras conquistas importantes e algumas vanguardistas: a dívida pública farroupilha foi assumida pelo Império, foram libertados os escravos que lutaram ao lado dos farrapos, as terras confiscadas foram devolvidas, os prisioneiros foram libertados e obteve-se autonomia para eleger o presidente da província.
Os farrapos não conseguiram instaurar a República. Mas o ideal foi semeado, contagiou outros movimentos Brasil afora, e ela veio em 1889.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 12:19
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O JUIZ E A EMOÇÃO

Um post da guru dos blogueiros, Cora Rónai, ontem, me fez repensar sobre essa coisa que é julgar, que muita gente compara a uma centelha divina na mente do Homem. Vale à pena ler A Prece de Um Juiz, de um magistrado catarinense, que correu o mundo.
Já escrevi a respeito aqui: In Dubio pro Reo, A Imparcialidade do Juiz: Mera Divagação, a “Impunidade” Civil, na Carta ao Senhor Petry e em alguns textos mais recentes. É preciso rolar um pouco as páginas para encontrar as matérias. Afinal, um dos objetivos do blog é exatamente abordar o Direito e a Justiça, sobre o que eu tenho obrigação de saber pelo menos alguma coisa.
Se eu tivesse que pegar um bisturi e abrir um corte no dedo mindinho de alguém, ainda que para tirar um estrepe, assim que visse uma gotícula de sangue pingar me sentiria mal. Mas para um cirurgião um procedimento de trepanação, a extirpação de um rim, um transplante – depende da especialidade – não impressiona.
Então, fazendo um paralelo com a vida de um advogado, de um juiz ou de um promotor, que lidam com a doença moral da sociedade, a tarefa de encarar uma defesa difícil, um processo cabuloso, um caso escabroso, aos poucos vai se tornando rotineira e cada vez com menor poder de impressionar. Tudo é relativizado pela familiaridade.
Mesmo assim me preocupei. Teria perdido a capacidade de me emocionar? Não! Há coisas que emocionam, ainda, mas não aquelas com as quais convivi a maior parte da minha vida profissional. Notícias sobre crimes não me surpreendem. Lidei com isto por mais de 25 anos. Mas um bom filme, uma boa música, um bom livro, família, reencontros – principalmente reencontros –, abraços, isso tudo emociona. Sinal de que neste mundo de chibatadas psicológicas não perdi a emotividade como processo integral.
Logo no início de minha carreira de juiz visitei o Presídio Municipal de Iraí, um presídio pequeno, com 7 ou 8 presos, no máximo. As acomodações eram boas se comparadas ao que se vê nas grandes penitenciárias e cadeiões nas reportagens sobre rebeliões de presos.
Mas não deu de escapar da realidade: homens enjaulados em local insalubre, alguns saudáveis e fortes, ali jogados, sem fazer nada... Eram entes que raciocinavam sem perspectivas imediatas de qualquer espécie, circunscritos a poucos metros quadrados. Gente, enfim.
Um dos presos fez um café num bule velho e pretejado, num fogareiro a gás de uma boca, e me ofereceu, solicitamente, uma xícara.
Detesto café, principalmente puro. Mas naquele dia venci a repulsa e tomei. Fora preparado por um preso que eu condenara. Talvez uma forma inconsciente de desculpar-me pela condenação? Não. Pensei apenas em uma tentativa pequena de valorizar o trabalho dele.
É desumano o sistema que considera a pena um castigo, uma vingança da sociedade, e segrega semelhantes à impossibilidade da razão. É o nadir social, ainda que códigos e leis apregoem como objetivo a recuperação do apenado (se códigos e leis valessem por si o Brasil seria um paraíso).
Saí de lá deprimido. Por uns três meses não julguei processos criminais.
Aos poucos voltei ao normal. Nunca mais visitei presídios depois daquilo, embora fosse obrigação regimental, e sempre que pude, nas comarcas posteriores, elegi uma Vara Cível para atuar.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 08:41
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QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?

Como já disse aqui, gosto dos filmes baseados em peças teatrais pela concisão e precisão dos diálogos. O autor teatral tem que ter um enorme poder de síntese porque a peça, que deve durar no máximo duas horas, enfoca, às vezes, uma vida inteira.
Nisso o filme Quem tem medo de Virginia Woolf?, dirigido por Mike Nichols e cinco vezes oscarizado, é emblemático.
Os diálogos são ricos e insólitos. O enredo é um jogo psicológico impiedoso entre o casal mais velho [Richard Burton (George) e Elisabeth Taylor (Martha)] e o mais novo [George Segal (Nick) e Sandy Dennis (Honey)], todos com atuações excepcionais. Mas depois de algum tempo não se sabe quem é gato e quem é rato porque os ataques se entrecruzam e mudam eficazmente de alvo.
Tudo acontece numa única madrugada, após uma noitada festiva na casa do Diretor da Faculdade, pai de Martha, em que George e Nick são professores – este recém-chegado.
O clima é de uma tensão degradante e de um sofrimento extremo. A falta de piedade é a característica principal de George, que tenta por todas as formas desqualificar o novel professor Nick, porque vê nele um provável sucessor e, além disto, rival na noitada, pois sua mulher não tem escrúpulos de seduzi-lo – e ele sabe disto. Ao mesmo tempo em que humilha a mulher dele, Honey, projetando-lhe de forma cruel as fraquezas de sua própria mulher, em quem também desfere ferinas e certeiras flechas de desamor.
É surrealista em certos aspectos: há cenas de tensão que se transformam em comédia forçada, de riso imposto para se evitar o choro e outras em sentido inverso. Mas sempre as farpas trocadas atingem o ponto fraco de alguém, ainda que a figura escrachada de Martha pareça, inicialmente, imune às investidas do marido.
O drama revela no casal mais velho uma capacidade superior e adquirida de ofender e espezinhar com precisão. Afeitos a brigas e desentendimentos, trocam desaforos e insultos, que às vezes parecem propositais e com o fim essencial de impressionar e sugestionar o casal jovem.
O mistério do filho anunciado que não existe e que vai chegar, mas quem chega é um hipotético telegrama anunciando sua morte, e a reação dos pais, demonstra o cultivo de uma cara fantasia, no final desmascarada num jogo que chega às raias da mais pura desesperança. Mais um resquício de uma cumplicidade doentia foi quebrado.
Amanhece, o casal mais novo vai embora, e vem a reconciliação sem conciliação de George e Martha e a sensação de que a vida foi vazia, é vazia e vai continuar vazia, ao contrário dos diálogos que são plenos de desesperança, de mágoas e ideais esmagados, reais ou imaginários, vividos ou criados por mentes insanas. Tudo leva à conclusão de que são todos perdedores.
O título é apenas referencial, embora haja quem diga que a peça, de Edward Albee (um sucesso da Broadway), foi inspirada em problemas existenciais semelhantes aos enfocados pela escritora inglesa Virginia Woolf. É uma espécie de trocadilho com o mote da história infantil do Lobo Mau e os Três Porquinhos e o nome da escritora. Os personagens, em várias cenas, cantam histericamente, “quem tem medo de Virginia Woolf?”, recordando uma brincadeira da festa anterior. Transportado para a nossa realidade superficial seria algo como “quem tem medo do Leão Lobo?“ (perdão, Virginia).
O filme é em preto e branco mas se fosse colorido não conseguiria exprimir toda sua dramaticidade. O clima de desesperança que o perpassa de início ao fim, com uma música triste e sentida e perfeitamente adequada, não admite cores. Afinal, sonhamos – e temos pesadelos – em preto e branco.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 11:32
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A LÓGICA ESTROPIADA

Eu, que pensava estar começando a entender a lógica governamental, acabo de sofrer um duro golpe na minha capacidade interpretativa. O qual, ao final, se revelará auspicioso, como se verá (gostei desta minha inovação estilística).
Por exemplo: os bandidos matam com armas ilegais e o Governo nos impôs a lei do desarmamento que atinge cidadãos de bem que têm arma registrada. Os bandidos continuam armados e agindo livremente.
Um jornalista estrangeiro escreveu que o presidente Lula é dado a bebericagens (a Veja também disse) e a primeira intenção oficial foi a de cassar o visto do jornalista no Brasil, o que equivaleria a uma expulsão.
O ensino público médio está sucateado e, numa solução artificial e artificiosa, impõe-se a reserva de cotas na universidade para alunos oriundos da escola pública em detrimento de quem detém mais condições de passar no vestibular. Já escrevi a respeito (aqui).
O presidente Lula e seus ministros têm constantemente criticado a imprensa por indiscrições e tenta-se instituir um conselho em cujo estatuto há itens francamente restritivos à liberdade de imprensa.
O Waldomiro Diniz, um assessor graduado da Casa Civil, pediu propina a um empresário de jogos em 2002 e o Governo proibiu o jogo do bingo.
Agora a Polícia Federal investiga fraudes nas loterias federais. Um grupo de 200 pessoas ganhou 9.095 vezes em loterias da CEF entre março de 1996 e fevereiro de 2002. O deputado federal Francisco Garcia Rodrigues (PP-AM) e seu filho acertaram 43 vezes em 21 jogos diferentes. O deputado Fernando Lucio Giacobo (PL-PR) acertou 12 vezes em oito jogos de 5 a 19 de junho de 1997. Acertou em três concursos seguidos da Mega Sena, 65, 66 e 67, e em dois da Quina, 305 e 306. Em São Paulo, um delegado da Polícia Civil venceu 17 vezes em concursos e tipos de jogos diversos. O delegado de Polícia Civil Luiz Ozilak Nunes da Silva, da Delegacia de Capturas da Capital acertou 7 vezes na Mega Sena e em outros jogos (fonte).
Qual seria a solução apontada pela lógica até então desenvolvida? Claro: o fechamento de todas as espécies de loterias no Brasil. Iria mais longe: fechar a própria Caixa Econômica Federal, o que colaboraria com a celeridade da Justiça, pois ela é recordista de processos junto ao STJ (fonte).
Mas não vejo nada nesse sentido. Até porque importaria na renúncia à única fonte de arrecadação em que o povo deposita seu dinheiro toda a semana, é enganado, e ainda sai sorrindo da casa lotérica com a esperança de virar milionário.
Bem vinda essa mudança de estratégia. Com o recrudescimento dos crimes de estupro, principalmente contra menores, ouvi dizer que já houve inúmeras reuniões de estudo de medidas visando a sua redução.
Eu receava que alguma dessas mentes luminosas do Planalto sugerisse a castração de todos os homens brasileiros capazes de uma ereção, uma espécie de desarmamento sexual. Com algumas respeitáveis exceções, como sempre.
Mas com essa mudança de rumo posso respirar mais aliviado. Já tirei até os pêlos pubianos, digo, as barbas do molho em que prudentemente as havia colocado.
Escrito por Ilton Carlos Dellandréa às 11:52
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